--Lá vem Rodrigues.
E tornou a olhar para a rua, inclinando-se, sorrindo, emquanto na sala
o pae continuava a guiar o Rubião para a porta, sem violencia, mas
tenaz. Este parava, reprehendia:
--General, sou seu imperador!
--De certo, mas acompanhe-me Vossa Majestade...
Tinham chegado á porta; o major abriu a cancella, justamente quando
o Rodrigues punha o pé na soleira. D. Tonica entrou para receber o
noivo, mas a porta estava atravancada com o pae e Rubião. Rodrigues
tirou o chapeo, mostrando o cabello, aspero e grisalho; tinha nas faces
chupadas umas pintinhas de sarda, mas o riso era bom e humilde,--mais
humilde ainda que bom,--e, não obstante a trivialidade do gesto
e da pessoa, era agradavel. Os olhos não mostravam o espanto da
photographia; este effeito provinha da emphasis que elle poz em todo o
corpo, afim de que o retrato _saisse bonito._
--Este senhor é o meu futuro genro, disse o major a Rubião. Não é
verdade que viu no Campo um coche e um esquadrão de cavallaria?
perguntou ao Rodrigues, piscando um olho.
--Parece que sim, senhor.
--Pois então? continuou Sequeira, voltandp-se para Rubião. Vá, vá,
dobre a rua de S. Lourenço, e caminhe direito para o Campo. Adeus, até
amanhã.
Rubião desceu tres degráos,--eram cinco--e parou deante do
recem-chegado, fitou-o alguns instantes e declarou que estimava muito
conhecel-o, que fosse bom esposo e bom genro. Como se chamava?
--João José Rodrigues.
--Rodrigues. Heide mandar-lhe uma fitinha aqui para a casaca. É o meu
presente de nupcias. Lembre-me, Sequeira.
Sequeira pegou-lhe no braço para fazel-o descer os dons últimos
degráos, e pol-o na rua.
--No Campo, dizes tu?
--No Campo.
--Adeus.
Da rua, ainda Rubião olhou para as janellas, com os dedos no chapéo,
afim de comprimentar D. Tonica; mas D. Tonica estava na sala, onde
Rodrigues acabava de entrar, fresco e delicioso, como a primeira rosa
de verão.