D. Tonica recuou envergonhada.

--Estou olhando, respondeu Rubião.

--Não se vê logo que é uma pessoa que vae casar?

--Ah! parabéns!

--É verdade, vae casar. Custou, mas acertou. Achou por ahi um noivo,

que a adora, como todos elles; eu, quando fui noivo, adorei a minha

defuncta, que foi urna cousa nunca vista... Vae casar. Arranjou um

noivo. Custou, mas acertou. Pessoa seria, meia edade; vem aqui passar

as noites. De manhã, quando passa para a repartição, creio que bate na

janella, ou ella já o espera; eu finjo que não percebo...

D. Tonica dizia com a cabeça que não, mas sorrindo de modo que parecia

dizer que sim. Estava tão buliçosa! Nem se lembrava já que requestára

o Rubião, que este fora uma das ultimas, e por fim a ultima das suas

esperanças. Tinham entrado na sala; D. Tonica foi á janella, voltou,

cabeça alta, andando atoa, reconciliada com a vida.

--Boa pessoa, repetiu o major, boa creatura... Tonica, vae buscar o

retrato... Anda, vae buscar o teu noivo...

D. Tonica foi buscar o retrato. Era uma photographia; representava um

homem de meia edade, cabello curto, raro, olhando espantado para a

gente, cara chupada, pescoço fino e paletot abotoado.

--Que lhe parece?

--Muito bem.

D. Tonica recebeu o retrato e fitou-o alguns instantes; mas, tirou

logo os olhos, e deixou-se estar sentada, emquanto a imaginação saiu

a esperar o Rodrigues. Chamava-se Rodrigues. Era mais baixo que

ella,--cousa que o retrato não dava,--e empregado em uma repartição do

ministerio da guerra. Viuvo, com dons filhos, um que estava no batalhão

dos menores, outro que era tuberculoso,--doze annos,--condemnado á

morte. Que importa? Era o noivo; todas as noites, ao recolher se, D.

Tonica ajoelhava-se ante a imagem de Nossa Senhora, sua madrinha,

agradecia-lhe o favor e pedia-lhe que a fizesse feliz. Sonhava já com

um filho; havia de chamar-lhe Alvaro.

Quincas Borba · 第 195 / 218 题