Ao almoço, no dia seguinte, Theophilo recebeu uma carta por uma
ordenança.
--Ordenança?
--Sim, senhor, diz que vem da parte do Sr. presidente do conselho.
Theophilo abriu a carta, com a mão tremula. Que podia ser? Tinha lido
nos jornaes a relação dos novos ministros; o gabinete estava completo.
Não havia divergencia de nomes. Que podia ser? D. Fernanda, defronte do
marido, procurava ler-lhe no rosto o texto da carta. Via uma claridade;
percebeu que a boca soffreava um sorriso de satisfação,--de esperança,
ao menos.
--Diga que espere, ordenou Theophilo ao creado.
Foi ao gabinete, e tornou minutos depois com a resposta. Sentou-se
á mesa, calado, dando tempo a que o creado entregasse a carta á
ordenança. Desta vez, como estava prevenido, ouviu as patas do cavallo,
e logo depois a galope, rua fóra e sentiu-se bem.
--Lê, disse elle.
D. Fernanda leu a carta do presidente do conselho; era um pedido para
ir falar-lhe ás duas horas da tarde.
--Mas então o ministerio...?
--Está completo, deu-se pressa em dizer o deputado; os ministros estão
nomeados.
Não acreditava de todo o que dizia. Imaginava alguma vaga da ultima
hora, e a necessidade urgente de a preencher.
--Hade ser alguma conferencia politica, ou talvez queira conversar
sobre o orçamento,--ou incubir-me algum estudo.
Dizendo isto, para illudir a mulher, sentiu a probabilidade das
hypotheses, e outra vez se abateu; mas, tres minutos depois, as
borboletas da esperança volteavam deante delle, não duas, nem quatro,
mas um turbilhão, que cegava o ar.