Rubião accordou. Era a primeira vez que ia a um paquete. Voltava com a
alma cheia dos rumores de bordo, a lufa-lufa das gentes que entravam
e sahiam, nacionaes, estrangeiros, estes de varia casta, francezes,
inglezes, allemães, argentinos, italianos, uma confusão de linguas,
um capharnaum de chapéos, de malas, cordoalha, sophás, binoculos a
tiracollo, homens que desciam ou subiam por escadas para dentro do
navio, mulheres chorosas, outras curiosas, outras cheias de riso, e
muitas que traziam de terra flores ou frutas,--tudo aspectos novos. Ao
longe, a barra por onde tinha de ir o paquete. Para lá da barra, o mar
immenso, o céo fechado e a solidão. Rubião renovou os sonhos do mundo
antigo, creou uma Atlantida, sem nada saber da tradicção. Não tendo
noções de geographia, formava uma idéa confusa dos outros paizes, e
a imaginação rodeava-os de um nimbo mysterioso. Como não lhe custava
viajar assim, navegou de cór algum tempo, n'aquelle vapor alto e
comprido, sem enjôo, sem vagas, sem ventos, sem nuvens.