A historia do casamento de Maria Benedicta é curta; e, posto Sophia a
ache vulgar, vale a pena dizel-a. Fique desde já admittido que, senão
fosse a epidemia das Alagoas, talvez não chegasse a haver casamento;
donde se conclue que as catastrophes são uteis, e até necessarias.
Sobejam exemplos; mas basta um contosinho que ouvi em creança, e que
aqui lhes dou em duas linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na
estrada; a dona,--um triste molambo de mulher,--chorava o seu desastre,
a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem
ebrio, viu o incendio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era della.
--É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuia n'este mundo.
--Dá-me então licença que accenda alli o meu charuto?
O padre que me contou isto certamente emendou o texto original; não é
preciso estar embriagado para accender um charuto nas miserias alheias.
Bom padre Chagas!--Chamava-se Chagas.--Padre mais que bom, que assim
me incutiste por muitos annos essa ideia consoladora, de que ninguem,
em seu juizo, faz render o mal dos outros; não contando o respeito
que aquelle bebado tinha ao principio da propriedade,--a ponto de não
accender o charuto sem pedir licença á dona das ruinas. Tudo ideias
consoladoras. Bom padre Chagas!