--Diga ao portador que espere.
Dahi a vinte minutos a resposta chegou á mão do moleque que trouxera
o bilhete; foi o proprio Rubião que lh'a entregou, perguntando-lhe
como tinham passado as senhoras. Soube que bem; deu-lhe dez tostões,
recommendando-lhe que, quando precisasse alguma cousa, viesse
procural-o. O rapaz, espantado, arregalou os olhos e prometteu tudo.
--Adeus! disse-lhe benevolamente o Rubião.
E ficou parado, emquanto o portador descia os poucos degráus. Indo este
a meio do jardim, ouviu bradar o Rubião:
--Espera!
Voltou para acudir ao chamado; Rubião já tinha descido os degráus;
foram um ao outro, e pararam, calados. Correram dous minutos, sem que
Rubião abrisse a boca. Afinal, perguntou alguma cousa, se as senhoras
tinham passado bem. Era a mesma pergunta de ha pouco; o criado
confirmou a resposta. Depois, Rubião deixou vagar os olhos pelo jardim.
As rosas e as margaridas estavam lindas e frescas, alguns cravos
desabrochavam, outras flores e folhagens, begonias e trepadeiras, todo
esse pequeno mundo parecia estender os olhos invisiveis ao Rubião, e
bradar-lhe:
--Alma sem vigor, acaba de uma vez com o teu desejo; colhe-nos,
manda-nos...
--Bem, disse finalmente Rubião; lembranças ás senhoras. Não se esqueça
do que lhe disse; precisando de mim, venha cá. Guardou a carta?
--Está aqui, sim, senhor.
--É melhor mettel-a no bolso, mas olhe não machuque.
--Não machuco, não, senhor, retorquiu o criado accommodando a carta.