Pag. 80, onde se lê—Francamente, a interpretação que o sr. illustre
escriptor Theophilo Braga, etc.—deve lêr-se—Francamente, a interpretação
que o illustre escriptor snr. Theophilo Braga, etc.
Pag. 125, linha 6, onde se lê—murabuths—, deve lêr-se—marabuths.
Como explanação ás ultimas linhas da pag. 131 e ás primeiras da pag. 132,
importa accentuar que, embora a CATASTROPHE DE PORTUGAL se refira aos
amores d'el-rei D. Affonso VI com _uma mulher publicamente exposta_ (Pag.
111 e 112), essa mulher só nas MONSTRUOSIDADES DO TEMPO E DA FORTUNA
apparece nomeada pela alcunha de—_Calcanhares_.
Pag. 189, linha 7, onde se lê—Et la frouchette de Camus—, deve lêr-se—Et la
fourchette de Camus.
Pag. 206, linha 6, onde se lê—de Montmoreney—, deve lêr-se—de Montmorency.
Notas.
[1] Documento que encontrámos na Torre do Tombo, gaveta 25, maço 1.º, n.º
47, de fol. 184 a 187.
[2] Existente na Torre do Tombo, cella M, maço 1:104, fol. 381.
[3] Torre do Tombo, cella M, maço 1:163, fol. 495.
[4] Na HISTORIA DO INFANTE D. LUIZ, recentemente publicada pelo snr. José
Ramos Coelho (1889) vem indicadas, de pag. 148 a 150, as razões que
motivaram a discordia entre D. Luiza de Gusmão e D. Duarte de Bragança.
[5] O cadaver da rainha foi em 1666 transferido da igreja do Grillo para a
de Corpus Christi; em 1691 foi mudado, dentro d'esta igreja, de um
lugar para outro; em 1713 trasladaram-no da igreja de Corpus Christi
para a do Grillo. Duas jornadas e tres mudanças. No principio d'este
anno (1889) fez a terceira Jornada, do Grillo para S. Vicente.
[6] RECORDAÇÕES DE PORTUGAL.
[7] «Entre os pittorescos arrabaldes da cidade destaca-se pela sua
melancolica belleza o sitio de Chapultepec. Na cumiada de uma collina
de pequena elevação, a cinco ou seis kilometros distante da cidade,
levantava-se n'outros tempos uma especie de castello. Era o lugar de
recreio dos reis astecas, e do alto dos muros avistavam a sua grande
cidade, e todo o valle em que ella assenta. Em torno d'este castello,
pelas vertentes da collina, e n'uma grande extensão da planura, quasi
occultava esta pittoresca vivenda uma floresta mui densa de elevados e
corpulentos cedros (_cupressus distica_), que já n'essa época
representavam muitos seculos. O antigo castello desappareceu, e em seu
lugar se levantou com grande dispendio em 1785 um novo palacio, que tem
servido de residencia de verão aos vice-reis e presidentes, de escóla
militar e de observatorio astronomico.» Estas impressões de viagem
foram colhidas por um portuguez, o snr. visconde de S. Januario, na sua
missão diplomatica ás republicas da America do Sul (1878-1879).
[8] Já depois de escripto este artigo, que foi suggerido pelo livro de
madame Carette, appareceu no GIL BLAS (de 25 de setembro de 1889) a
cópia de um relatorio que o general Escobedo dirigiu ao general
Porphirio Diaz, presidente da republica do Mexico, e que primeiro fôra
estampado no NOVO MUNDO, jornal officioso do governo mexicano em Paris.
O coronel Lopez, que ficára reduzido a viver do producto de uma casa de
banhos que estabelecêra no Mexico, soffrêra durante vinte annos a
accusação de traidor, que geralmente lhe era feita, e que sua propria
esposa acreditou, porque, quando elle voltou ao Mexico, depois do
fuzilamento de Maximiliano, ella esperára-o á janella, com um filho
pequeno nos braços e, vendo-o chegar, gritára: «Tu és um traidor e eu
não quero que esta creança seja o filho de um traidor». Dizendo isto,
deixou cahir o filho á rua. Lopez tragára em silencio todas estas
affrontas e injustiças, e só se resolveu a fallar, a pedir um
testemunho rehabilitador ao general Escobedo, vinte annos depois!
Escobedo respondeu officialmente com o relatorio, no qual declara que o
coronel Lopez o procurara a 14 de maio de 1867 para lhe dizer que
Maximiliano pedia que o deixassem embarcar, devidamente escoltado, no
porto de Tuxpam ou Vera-Cruz, sob palavra de que jámais voltaria ao
Mexico. Seria pois para occultar este acto do imperador, que Miguel
Lopez teria guardado segredo. Lopez abonou a sua declaração com este
bilhete, que Maximiliano lhe escrevêra, e cuja authenticidade o general
Escobedo reconheceu: «Mon cher colonel Lopez. Nous vous recommandons de
garder un profond silence au sujet de la commission dont nous vous
avons chargé près du général Escobedo, car si ce secret était divulgué,
notre honneur serait entaché. Votre très affectionné, _Maximilien_.»
Custa a acreditar que o coronel Lopez atravessasse silencioso vinte
annos de descredito, mas, se assim foi, o seu nome está rehabilitado. E
a fraqueza do imperador, na situação desesperada em que se achava
collocado, não excede os limites da comprehensão humana, posto diminua
ao perfil historico de Maximiliano o cunho da heroicidade, que o
engrandecia na desgraça.
[9] Esta hypothese, que aventamos humoristicamente, tomou maior vulto no
nosso espirito desde que, procedendo a averiguações, soubemos que só na
peninsula iberica se diz que _o menino veio de França. Hay venido de
Francia_, diz-se em Hespanha, e esta communidade de locução explica-se
satisfatoriamente n'este caso, como em muitos outros modismos, adagios
e gnomas, pelas relações frequentes, que sempre houve, entre os dois
paizes da peninsula. Mas já nos Açores, que communicam menos facilmente
com Portugal do que a Hespanha, comquanto sejam territorio portuguez,
se não emprega a mesma locução. Na Terceira diz-se que _o menino veio
do Pico_. Mostra isto, talvez, que os Açores não receberam a impressão
do facto historico occorrido em Lisboa com a mesma insistencia e
intensidade com que a recebeu a Hespanha, por ser nossa visinha,
paredes meias.
As variantes de expressão, que vamos reproduzir, tendem a demonstrar
que a locução portugueza proveio de um facto privativo a Portugal.
Em França diz-se que o menino nasceu nas couves, _qu'il est né dans les
choux_; e até em algumas participações de nascimento se vê representada
uma creança emergindo d'entre folhas de couve.
Em Italia a expressão é outra: que a mamã comprou um menino:—_che la
mammá ha comperato un bambino_. Em Inglaterra a locução tem o mesmo
sentido que na Italia: _to buy a baby_.
Na Allemanha ha uma phrase, que corresponde a uma lenda. A phrase é
esta: _Der Storch bringt die Kinder aus dem Milchbrunnen_. (A cegonha
traz os meninos do poço de leite). A lenda conta que as creanças jazem
n'um poço, chamado—das creanças—, o qual é muito fundo. Se os meninos
querem uma irmãsinha ou um irmãosinho, pedem á cegonha que os vá tirar
do poço com o seu comprido bico, o que ella faz de noute, mettendo-os
pela janella da casa, onde as respectivas mamãs os vão buscar.