_D. Pedro, e D. Sancho._
_Ped._ Inda mais horroroso do que pensas
Certamente será, se não desistes
De tão crueis designios. Que impiedade!
O supplicio d'Ignez! Da minha Esposa!..
Como posso deixar de rebellar-me!
Como evitar hum crime necessario,
Que o dever, e a ternura me prescrevem?..
Hum crime disse?.. Ah, não; longe os remorsos;
Defender huma Esposa não he crime;
Crime fôra deixa-la ao desamparo.
Longe, maximas vãs, leis oppressivas,
Que a tyrrania impoz sobre a ignorancia,
Nada se deve aos Pais pela existencia:
Os desvelos depois, seus beneficios
São os titulos só que lhes conferem
Á nossa obediencia hum jus sagrado.
Meu coração revoca os seus direitos:
Arrependo-me só de arrepender-me
Pelos ter justamente sustentado.
Querias, Rei cruel, afferrolhar-me
Em segura prisão, para a teu salvo
Me poderes roubar a cara Esposa?..
Debalde o projectaste, não...
_Sanc._ ...................... Deliras?..
Que intentos são os teus?.. Resistir queres
Ás ordens de teu Pai, que enfurecido...