_D. Affonso, Coelho, Pacheco, e o Embaixador._
_Emb._ A Filha do meu Rei, que te saúda,
Já dos Dominios teus piza as fronteiras;
Mas o boato geral de que teu filho,
Por violenta paixão allucinado,
De Beatriz ao consorcio se recusa,
Aos ouvidos chegou do meu Monarcha,
Que me ordena te diga, e te assegure,
Que se com tal repulsa, em seu desdouro,
O Tractado solemne for violado,
(O que elle não espera) dignamente
Saberá sustentar a toda a força
O decoro da filha, e do seu Throno.
_Af._ Dize da minha parte ao teu Monarcha,
Que para dissipar seus vãos receios,
Bastaria lembrar-se que os Reis Lusos,
Fidelissimos sempre, seus Tractados
Sabem desempenhar: não porque temão,
Quaesquer que sejão, estrangeiras forças;
Mas por dever, por gloria, e por costume.
E para lhe mostrar como procedo,
Hoje mesmo desterro de meus Reinos,
E á sua guarda entrego Ignez de Castro,
Que elle julga estorvar da Infanta as nupcias.
Podes certificar-lhe, que consorte
Ha de meu Filho ser da Filha sua.
_Emb._ Nem era de esperar que hum Rei tão sabio
Procedesse jámais d'outra maneira,
Prompto vou expedir ao meu Monarcha
A plausivel resposta, que lhe envias.