A
BIBLIA SAGRADA
CONTENDO
O VELHO E O NOVO TESTAMENTO
TRADUZIDA EM PORTUGUEZ
POR
JOÃO FERREIRA D’ALMEIDA
COM REFERENCIAS E ALGUMAS ALTERNATIVAS
_EDIÇÃO REVISTA E CORRIGIDA_
_DEPOSITO DAS ESCRIPTURAS SAGRADAS_
32—JANELLAS VERDES—32
LISBOA
1911
_First Edition, 1900._
_6,000 reprinted 1911._
INDICE DOS LIVROS QUE CONTÉM A BIBLIA SAGRADA
_VELHO TESTAMENTO_
Abreviaturas Pag. Cap.
Genesis Gen. 1 50
Exodo Exo. 51 40
Levitico Lev. 95 27
Numeros Num. 128 36
Deuteronomio Deu. 172 34
Josué Jos. 211 24
Juizes Jui. 236 21
Ruth Ruth 261 4
I Samuel I Sam. 265 31
II Samuel II Sam. 299 24
I Reis I Reis 326 22
II Reis II Reis 358 25
I Chronicas I Chr. 388 29
II Chronicas II Chr. 416 36
Esdras Esd. 451 10
Nehemias ou II Esdras Neh. 461 13
Esther Est. 475 10
Job Job 483 42
Psalmos Psa. 510 150
Proverbios Pro. 576 31
Ecclesiastes Ecc. 600 12
Cantico dos Canticos Can. 608 8
Isaias Isa. 612 66
Jeremias Jer. 663 52
Lamentações de Jeremias Lam. 719 5
Ezequiel Eze. 725 48
Daniel Dan. 776 12
Oseas Ose. 792 14
Joel Joel 800 3
Amós Amós 803 9
Obadias Oba. 809 1
Jonas Jon. 810 4
Miqueas Miq. 812 7
Nahum Nah. 816 3
Habacuc Hab. 818 3
Sofonias Sof. 820 3
Aggeo Agg. 823 2
Zacharias Zac. 825 14
Malachias Mal. 834 4
_NOVO TESTAMENTO_
Abreviaturas Pag. Cap.
Evangelho de S. Mattheus Mat. 839 28
” de S. Marcos Mar. 875 16
” de S. Lucas Luc. 898 24
” de S. João João 936 21
” Actos dos Apostolos Act. 964 28
Epistola de S. Paulo
” aos Romanos Rom. 1000 16
” I aos Corinthios I Cor. 1015 16
” II aos Corinthios II Cor. 1030 13
” aos Galatas Gal. 1039 6
” aos Ephesios Eph. 1044 6
” aos Philippenses Phi. 1050 4
” aos Colossenses Col. 1054 4
” I aos Thessalonicenses I The. 1057 5
” II aos Thessalonicenses II The. 1061 3
” I a Timotheo I Tim. 1063 6
” II a Timotheo II Tim. 1067 4
” a Tito Tito 1070 3
” a Philemon Phi. 1072 1
” aos Hebreos Heb. 1073 13
” de S. Thiago Thi. 1084 5
” I de S. Pedro I Ped. 1088 5
” II de S. Pedro II Ped. 1092 3
” I de S. João I João 1095 5
” II de S. João II João 1099 1
” III de S. João III João 1099 1
” de S. Judas Jud. 1100 1
Apocalypse Apo. 1101 22
Nota do transcritor:
Algumas das referências estão erradas. Não foi possível para corrigi-los.
O PRIMEIRO LIVRO DE MOYSÉS CHAMADO GENESIS.
_A creação do ceu e da terra e de tudo o que n’elles se contém._
[Antes de Christo 4004]
1 No [1] principio creou [2] Deus os céus e a terra.
2 E a terra [3] era sem fórma e vasia; e _havia_ trevas sobre a face do
abysmo: e o [4] Espirito de Deus se movia sobre a face das aguas.
3 E disse Deus: [5] Haja luz: e [6] houve luz.
4 E viu Deus que era boa a luz: e fez Deus separação entre a luz e as
trevas.
5 E Deus chamou á luz Dia; e ás [7] trevas chamou Noite. E foi a tarde e
a manhã, o dia primeiro.
6 E disse Deus: Haja uma expansão no meio das aguas, e haja separação
entre aguas e aguas.
7 E fez Deus a expansão, [8] e fez separação entre as aguas que _estavam_
debaixo da expansão e as aguas que [9] _estavam_ sobre a expansão: e
assim foi.
8 E chamou Deus á expansão Céus, e foi a tarde e a manhã o dia segundo.
9 E disse Deus: Ajuntem-se [10] as aguas debaixo dos céus n’um logar; e
appareça a _porção_ secca: e assim foi.
10 E chamou Deus á _porção_ secca Terra; e ao ajuntamento das aguas
chamou Mares: e viu Deus que era bom.
11 Disse Deus: Produza a terra herva verde, herva que dê semente, arvore
fructifera que dê fructo segundo a sua especie, cuja semente _está_
n’ella sobre a terra: e assim foi.
12 E a terra produziu herva, herva dando semente conforme a sua especie,
e a arvore fructifera, cuja semente _está_ n’ella conforme a sua especie:
e viu Deus que era bom.
13 E foi a tarde, e a manhã, o dia terceiro.
14 E disse Deus: [11] Haja luminares na expansão dos céus, para haver
separação entre o dia e a noite; [12] e sejam elles para signaes e para
[A] tempos determinados e para dias e annos.
15 E sejam para luminares na expansão dos céus, para allumiar a terra: e
assim foi.
16 E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o
dia, e o luminar menor para governar a noite; e [13] as estrellas.
17 E Deus os poz na expansão dos céus para allumiar a terra,
18 E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e
as trevas: e viu Deus que era bom.
19 E foi a tarde, e a manhã, o dia quarto.
20 E disse Deus: Produzam as aguas abundantemente [B] reptis de alma
vivente; e vôem as aves sobre a face da expansão dos céus.
21 E Deus creou as [C] grandes balêas, e todo o reptil de alma vivente
que as aguas abundantemente produziram conforme as suas especies; e toda
a ave de azas conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.
22 E Deus as abençoou, dizendo: Fructificae e multiplicae-vos, e enchei
as aguas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.
23 E foi a tarde, e a manhã, o dia quinto.
_A creação dos seres viventes._
24 E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua especie;
gado e reptis, e bestas feras da terra conforme a sua especie: e assim
foi.
25 E fez Deus as bestas feras da terra conforme a sua especie, e o gado
conforme a sua especie, e todo o reptil da terra conforme a sua especie:
e viu Deus que era bom.
26 E disse Deus: [14] Façamos o homem á nossa imagem, conforme á nossa
similhança: e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e
sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o reptil que se [D] move
sobre a terra.
27 E creou Deus o homem á sua imagem: á imagem de Deus o creou: macho e
femea os creou.
28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Fructificae e multiplicae-vos,
e enchei a terra, e sujeitae-a: e dominae sobre os peixes do mar, e sobre
as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
29 E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a herva que dá semente, que
_está_ sobre a face de toda a terra; e toda a arvore, em que ha fructo de
arvore que dá semente, [15] ser-vos-ha para mantimento.
30 E todo o animal da terra, e toda a ave dos céus, e todo o reptil da
terra, em que ha alma vivente; toda a herva verde _será_ para mantimento:
e assim foi.
31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom: e foi a
tarde, e a manhã, o dia sexto.
[1] Pro. 8.23. Heb. 1.10 e 11.3.
[2] Psa. 8.3 e 33.6. Isa. 40.26. Jer. 51.15. Zac. 12.1. Act. 14.15. Rom.
1.20. Col. 1.16.
[3] Jer. 4.23.
[4] Job 26.13. Psa. 104.30.
[5] Psa. 33.9.
[6] II Cor. 4.6.
[7] Isa. 45.7.
[8] Job 37.18. Jer. 10.12.
[9] Pro. 8.28. Psa. 148.3.
[10] Job 38.8. Psa. 104.9. Jer. 5.22. II Ped. 3.5.
[11] Psa. 136.7.
[12] Psa. 104.19.
[13] Psa. 138.6. Jer. 31.35.
[14] Ecc. 7.29. Eph. 4.24. Col. 3.10. I Cor. 11.7.
[15] cap. 9.3.
2 Assim os céus, e a terra e todo o seu exercito foram acabados.
2 E havendo Deus acabado no dia setimo a sua obra, que tinha feito, [1]
descançou no setimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
3 E abençoou Deus o dia setimo, e o sanctificou; porque n’elle descançou
de toda a sua obra, que Deus creára e fizera.
_A formação do jardim do Eden._
4 Estas são as [E] origens dos céus e da terra, quando foram creados: no
dia em que o [F] Senhor Deus fez a terra e os céus:
5 E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a herva
do campo que ainda não brotava; porque _ainda_ o Senhor Deus não tinha
feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
6 Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.
7 E formou o Senhor Deus o homem do [2] pó da terra, e soprou em seus [3]
narizes o [4] folego da vida: e [5] o homem foi feito alma vivente.
8 E plantou o Senhor Deus um jardim no Eden, da banda do oriente: e poz
ali o homem que tinha formado.
9 [6] E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a arvore agradavel á
vista, e boa para comida: e a arvore da vida [7] no meio do jardim, e a
arvore da [G] sciencia do bem e do mal.
10 E sahia um rio do Eden para regar o jardim; e d’ali se dividia e se
tornava em quatro cabeças.
11 O nome do primeiro _é_ Pison: este é o que rodeia toda a terra de [8]
Havila, onde _ha_ oiro.
12 E o oiro d’essa terra _é_ bom: ali _ha_ o bdellio, e a pedra [H]
sardonica.
13 E o nome do segundo rio _é_ Gihon: este é o que rodeia toda a terra de
[I] Cush.
14 E o nome do terceiro rio _é_ [9] [J] Hiddekel: este é o que vae para a
banda do oriente da Assyria: e o quarto rio é o Euphrates.
15 E tomou o Senhor Deus o homem, e o poz no jardim do Eden para o lavrar
e o guardar.
16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a arvore do jardim
comerás livremente,
17 Mas da arvore da sciencia do bem e do mal, d’ella [10] não comerás;
porque no dia em que d’ella comeres, certamente morrerás.
_Como Deus creou a mulher._
18 E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: [11]
far-lhe-hei uma ajudadora _que_ [K] _esteja_ como diante d’elle.
19 Havendo pois o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e
toda a ave dos céus _os_ trouxe [12] a Adão, para _este_ vêr como lhes
chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu
nome.
20 E Adão poz os nomes a todo o gado, e ás aves dos céus, e a toda a
besta do campo; mas para o homem não se achava ajudadora _que estivesse_
como diante d’elle.
21 Então o Senhor Deus fez cair um [13] somno pesado sobre Adão, e _este_
adormeceu: e tomou uma das suas costellas, e cerrou a carne em seu logar;
22 E da costella que o Senhor Deus tomou do homem, [L] formou uma mulher:
e trouxe-a a Adão.
23 E disse Adão: Esta é agora [14] osso dos meus ossos, e carne da minha
carne: esta será chamada varôa, porquanto do varão foi tomada.
24 Portanto deixará [15] o varão o seu pae e a sua mãe, e apegar-se-ha á
sua mulher, e serão ambos uma [16] carne.
25 E ambos estavam nús, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.
[1] Exo. 20.1. Isa. 58.13. Mat. 12.8. Col. 2.16, 17. Heb. 4.4, 9.
[2] cap. 3.19. Psa. 103.14. Isa. 64.8.
[3] I Cor. 15.47. Job 33.4.
[4] Isa. 2.22.
[5] I Cor. 15.45.
[6] Eze. 31.8, 9.
[7] cap. 3.22. Pro. 3.18. Apo. 2.7.
[8] cap. 25.18.
[9] Dan. 10.4.
[10] cap. 3.3, 11.
[11] I Cor. 11.9. I Tim. 2.13.
[12] Psa. 8.6.
[13] cap. 15.2.
[14] Eph. 5.30.
[15] Mar. 10.7.
[16] I Cor. 6.16.
_Tentação de Eva e queda do homem._
3 Ora a [1] serpente era [2] mais astuta que todas as alimarias do campo
que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse á mulher: É assim que Deus
disse: Não comereis de toda a arvore do jardim?
2 E disse a mulher á serpente: Do fructo das arvores do jardim comeremos,
3 Mas do fructo da arvore que está no meio do jardim, disse Deus: [3] Não
comereis d’elle, nem n’elle tocareis para que não morraes.
4 Então a [4] serpente disse á mulher: [5] Certamente não morrereis.
5 Porque Deus sabe que no dia em que d’elle comerdes se abrirão os vossos
olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
6 E viu a mulher que aquella arvore _era_ boa para se comer, e agradavel
aos olhos, e arvore desejavel para dar intendimento; tomou do seu fructo,
e comeu, e deu tambem a seu marido comsigo, e _elle_ comeu.
7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que [6] _estavam_
nús; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si [M] aventaes.
8 E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do
dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as
arvores do jardim.
9 E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
10 E elle disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e [7] temi, porque estava
nú, e escondi-me.
11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nú? Comeste tu da arvore de
que te ordenei que não comesses?
12 Então disse Adão; [8] A mulher que me déste por companheira, ella me
deu da arvore, e comi.
13 E disse o Senhor Deus á mulher: Porque fizeste isto? E disse a mulher
A serpente me enganou, e eu comi.
14 Então o Senhor Deus disse á serpente: Porquanto fizeste isto, maldita
_serás_ mais que toda a besta, e mais que todos os animaes do campo:
sobre o teu ventre andarás, e [9] pó comerás todos os dias da tua vida.
15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a [10] tua semente e a
[11] sua semente: esta [N] te [12] ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar.
16 E á mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dôr, e a tua
conceição; [13] com dôr parirás filhos; e o teu desejo será para o teu
marido, e elle te dominará.
17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos á voz de tua mulher, e comeste
da arvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás d’ella: maldita _é_ a
terra por causa de ti; com [14] dôr comerás d’ella todos os dias da tua
vida.
18 [15] Espinhos, e cardos tambem, te produzirá; e comerás a herva do
campo.
19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes á terra;
porque d’ella foste tomado: porquanto és pó, e em pó te tornarás.
20 E chamou Adão o nome de sua mulher, [O] Eva; porquanto ella era a mãe
de todos os viventes.
21 E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher tunicas de pelles, e [16] os
vestiu.
22 Então disse o Senhor Deus: Eis [17] que o homem é como um de Nós,
sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome
tambem da arvore da vida, [18] e coma e viva eternamente:
23 O Senhor Deus, pois, o enviou fóra do jardim do Eden, para lavrar a
terra de que fôra tomado.
24 E havendo lançado fóra o homem, poz [19] cherubins ao oriente do
jardim do Eden, e uma [20] espada inflammada que andava ao redor, para
guardar o caminho da arvore da vida.
[1] Apo. 12.9.
[2] II Cor. 11.3.
[3] cap. 2.17.
[4] João 8.44.
[5] I Tim. 2.14.
[6] cap. 2.25.
[7] I João 3.20.
[8] Pro. 28.13.
[9] Isa. 65.25. Miq. 7.17.
[10] Mat. 13.38. João 8.44. I João 3.8.
[11] Isa. 7.14. Miq. 5.3. Mat. 1.23. Luc. 1.35.
[12] Rom. 16.20.
[13] I Tim. 2.14.
[14] Rom. 8.20.
[15] Isa. 55.13.
[16] Isa. 61.10. Phi. 3.9.
[17] ver. 5.
[18] Apo. 2.7.
[19] Exo. 25.18, 20. Psa. 80.1 e 99.1.
[20] I Chr. 21.16.
_O nascimento de Caim, Abel, e Seth._
4 E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ella concebeu e pariu a [P] Caim,
e disse: Alcancei do Senhor um varão.
2 E pariu mais a seu irmão [Q] Abel: e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim
foi lavrador da terra.
3 E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fructo da terra uma
offerta ao Senhor.
4 E Abel tambem trouxe dos primogenitos das suas ovelhas, e da sua
gordura: e attentou o Senhor para [1] Abel e para a sua offerta,
5 Mas para Caim e para a sua offerta não attentou. E irou-se Caim
fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante.
6 E o Senhor disse a Caim: Porque te iraste? E porque descaiu o teu
semblante?
7 Se bem fizeres, não haverá [R] acceitação para ti? se não fizeres
bem, o peccado jaz á porta, e para ti será o seu desejo, e sobre elle
dominarás.
_O primeiro homicidio._
8 E fallou Caim com o seu irmão Abel: e succedeu que, estando elles no
campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e [2] o matou.
9 E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E elle disse: Não
sei: sou eu guardador do meu irmão?
10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim
desde a terra.
11 E agora maldito _és_ tu desde a terra, que abriu a sua bocca para
receber o sangue do teu irmão da tua mão.
12 Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força: fugitivo e
vagabundo serás na terra.
13 Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa
[S] ser perdoada.
14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei;
e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquelle que me
achar, me matará.
15 O Senhor porém disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete
vezes será [T] castigado. E poz o Senhor um signal em Caim, para que o
não ferisse qualquer que o achasse.
16 E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Nod, da
banda do oriente do Eden.
17 E conheceu Caim a sua mulher, e ella concebeu, e pariu a Enoch: e elle
edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho
Enoch:
18 E a Enoch nasceu Irad, e Irad gerou a Mehujael, e Mehujael gerou a
Methusael e Methusael gerou a Lamech.
19 E tomou Lamech para si duas mulheres: o nome d’uma era Ada, e o nome
da outra, Zilla.
20 E Ada pariu a Jabal: este foi o pae dos que habitam em tendas, e
_teem_ gado.
21 E o nome do seu irmão era Jubal: este foi o pae de todos os que tocam
harpa e orgão.
22 E Zilla tambem pariu a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e de
ferro: e a irmã de Tubalcaim _foi_ Naama.
23 E disse Lamech a suas mulheres: Ada e Zilla, ouvi a minha voz; vós,
mulheres de Lamech, escutae o meu dito; porque eu matei um varão por
minha ferida, e um mancebo por minha pisadura.
24 Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lamech setenta vezes sete.
25 E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ella pariu um filho, e chamou
o seu nome [U] Seth; porque, disse ella, Deus me deu outra semente em
logar de Abel; porquanto Caim o matou.
26 E a Seth mesmo tambem nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos: então
se começou a invocar o nome do Senhor.
[1] Heb. 11.4.
[2] I João 3.12.
_A genealogia de Seth._
5 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus creou o homem,
[1] á similhança de Deus o fez.
2 Macho [2] e femea os creou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no
dia em que foram creados.
3 E Adão viveu cento e trinta annos, e gerou um _filho_ á [3] sua
similhança, conforme á sua imagem e chamou o seu nome Seth.
4 E foram os dias de Adão, depois que gerou a Seth, oitocentos annos: e
gerou filhos e filhas.
5 E foram todos os dias que Adão viveu, novecentos e trinta annos; [4] e
morreu.
6 E viveu Seth cento e cinco annos, e gerou a Enos.
7 E viveu Seth, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete annos, e gerou
filhos e filhas.
8 E foram todos os dias de Seth novecentos e doze annos; e morreu.
9 E viveu Enos noventa annos; e gerou a Cainan.
10 E viveu Enos, depois que gerou a Cainan, oitocentos e quinze annos; e
gerou filhos e filhas.
11 E foram todos os dias de Enos novecentos e cinco annos; e morreu.
12 E viveu Cainan, setenta annos; e gerou a Mahalalel.
13 E viveu Cainan, depois que gerou a Mahalalel, oitocentos e quarenta
annos; e gerou filhos e filhas.
14 E foram todos os dias de Cainan novecentos e dez annos; e morreu.
15 E viveu Mahalalel sessenta e cinco annos; e gerou a Jared.
16 E viveu Mahalalel, depois que gerou a Jared, oitocentos e trinta
annos; e gerou filhos e filhas.
17 E foram todos os dias de Mahalalel oitocentos e noventa e cinco annos;
e morreu.
18 E viveu Jared cento e sessenta e dois annos; e gerou a Enoch.
19 E viveu Jared, depois que gerou a Enoch, oitocentos annos; e gerou
filhos e filhas.
20 E foram todos os dias de Jared novecentos e sessenta e dois annos; e
morreu.
21 E viveu Enoch sessenta e cinco annos; e gerou a Methusala.
22 E andou [5] Enoch com Deus, depois que gerou a Methusala, trezentos
annos; e gerou filhos e filhas.
23 E foram todos os dias de Enoch trezentos e sessenta e cinco annos.
24 E andou Enoch com Deus; e não estava _mais_; [6] porquanto Deus _para
si_ o tomou.
25 E viveu Methusala cento e oitenta e sete annos; e gerou a Lamech.
26 E viveu Methusala, depois que gerou a Lamech, setecentos e oitenta e
dois annos; e gerou filhos e filhas.
27 E foram todos os dias de Methusala novecentos e sessenta e nove annos;
e morreu.
28 E viveu Lamech cento e oitenta e dois annos; e gerou um filho,
29 E chamou o seu nome [V] Noé, dizendo: Este nos consolará ácerca de
nossas obras, e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o [7]
Senhor amaldiçoou.
30 E viveu Lamech, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco
annos; e gerou filhos e filhas.
31 E foram todos os dias de Lamech setecentos e setenta e sete annos; e
morreu.
32 E era Noé da edade de quinhentos annos; e gerou Noé a [8] Sem, Cão, e
Japhet.
[1] cap. 1.27. I Cor. 11.7. Col. 3.10.
[2] Mal. 2.15.
[3] Job 25.4. João 3.6. I Cor. 15.48.
[4] Heb. 9.27.
[5] cap. 6.9 e 17.1. Deu. 13.4. II Reis 20.3. Psa. 16.8. Amós 3.3. Mal.
2.6.
[6] Heb. 11.5.
[7] cap. 3.17 e 4.11.
[8] cap. 6.10 e 10.21.
_A corrupção geral do genero humano._
[Antes de Christo 2469]
6 E aconteceu que, como os homens se começaram a multiplicar sobre a face
da terra, e lhes nasceram filhas;
2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram [1] formosas; e
tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
3 Então disse o Senhor: Não [W] contenderá o [2] meu Espirito para sempre
com o homem; porque elle tambem _é_ carne: [3] porém os seus dias serão
cento e vinte annos.
4 Havia n’aquelles dias gigantes na terra; e tambem depois, quando
os filhos de Deus entraram ás filhas dos homens, e _d’ellas_ geraram
_filhos_: estes _eram_ os valentes que houve na antiguidade, os varões de
fama.
5 E viu o [4] Senhor que a maldade do homem se multiplicára sobre a
terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má
continuamente.
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e
pezou-lhe em seu coração.
7 E disse o Senhor: Destruirei o homem que creei de sobre a face da
terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus;
porque me arrependo de os haver feito.
8 Noé [5] porém achou graça aos olhos do Senhor.
9 Estas _são_ as gerações de Noé: Noé era varão justo e recto em suas
gerações: Noé andava com Deus.
10 E gerou Noé tres filhos: Sem, Cão, e Japhet.
11 A terra porém estava corrompida diante da face de Deus: e encheu-se a
terra de violencia.
12 E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne
havia corrompido o seu caminho sobre a terra.
_Deus annuncia o diluvio a Noé._
13 Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha
face; porque a terra está cheia de violencia; e eis que os desfarei com a
terra.
14 Faze para ti uma arca da madeira de Gopher: farás [X] compartimentos
na arca, e a betumarás por dentro e por fóra com betume.
15 E d’esta maneira a farás: De trezentos covados o comprimento da arca,
e de cincoenta covados a sua largura, e de trinta covados a sua altura.
16 Farás na arca uma janella, e de um covado a acabarás em cima; e a
porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-has _andares_ baixos, segundos e
terceiros.
17 Porque eis que Eu trago um [6] diluvio de aguas sobre a terra, para
desfazer toda a carne em que _ha_ espirito de vida debaixo dos céus: tudo
o que ha na terra expirará.
18 Mas comtigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca tu e os teus
filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos comtigo.
19 E de tudo o que vive, de toda a carne, [7] dois de cada especie,
metterás na arca, para os conservar vivos comtigo; macho e femea serão.
20 Das aves conforme a sua especie, e das bestas conforme a sua especie,
de todo o reptil da terra conforme a sua especie, dois de cada _especie_
virão a ti, para os conservar em vida.
21 E tu toma para ti de toda a comida que se come, e ajunta-a para ti; e
te será para mantimento para ti e para elles.
22 Assim fez Noé: [8] conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.
[1] Job 31.1.
[2] Neh. 9.30. Isa. 5.4 e 63.10. Jer. 11.7, 11. I Ped. 3.20.
[3] Psa. 78.39.
[4] Psa. 14.2 e 53.2. Rom. 3.9.
[5] Eze. 14.14.
[6] Psa. 20.10.
[7] cap. 7.8, 9.
[8] Heb. 11.7.
_Noé e sua familia entram na arca._
[Antes de Christo 2448]
7 Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca: porque
te hei visto [1] justo diante de mim n’esta geração.
2 De todo o animal [2] limpo tomarás para ti sete _e_ sete, macho e sua
femea; mas dos animaes que não são limpos, dois, o macho e sua femea.
3 Tambem das aves dos céus sete _e_ sete, macho e femea, para conservar
em vida a semente sobre a face de toda a terra.
4 Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta
dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a
substancia que fiz.
5 E fez Noé conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenára.
6 E _era_ Noé da edade de seiscentos annos, quando o diluvio das aguas
veiu sobre a terra.
7 E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos
com elle na arca, por causa das aguas do diluvio.
8 Dos animaes limpos, e dos animaes que não _são_ limpos, e das aves, e
de todo o reptil sobre a terra,
9 Entraram de dois em dois a Noé na arca, macho e femea, como Deus
ordenára a Noé.
10 E aconteceu que, passados sete dias, vieram sobre a terra as aguas do
diluvio.
11 No anno seiscentos da vida de Noé, no mez segundo, aos dezesete dias
do mez, n’aquelle mesmo dia [3] se romperam todas as fontes do grande
abysmo, e as janellas dos céus se abriram,
12 E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
13 E no mesmo dia entrou Noé, e Sem, e Cão, e Japhet, os filhos de Noé,
como tambem a mulher de Noé, e as tres mulheres de seus filhos com elle
na arca.
14 Elles, e todo o animal conforme a sua especie, e todo o gado conforme
a sua especie, e todo o reptil que se roja sobre a terra conforme a sua
especie, e toda a ave conforme a sua especie, todo o passaro de [Y] toda
a qualidade.
15 E de toda a carne, em que havia espirito de vida, entraram de dois em
dois a Noé na arca.
16 E os que entraram, macho e femea de toda a carne entraram, como Deus
lhe tinha ordenado: e o Senhor [4] o fechou por fóra.
_O diluvio._
17 E esteve o diluvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as aguas,
e levantaram a arca, e ella se elevou sobre a terra.
18 E prevaleceram as aguas, e cresceram grandemente sobre a terra; e a
arca andava sobre as aguas.
19 E as aguas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e [5] todos os
altos montes, que _havia_ debaixo de todo o céu, foram cobertos.
20 Quinze covados acima prevaleceram as aguas; e os montes foram cobertos.
21 E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como
de gado e de feras, e de todo o reptil que se roja sobre a terra, e [6]
todo o homem.
22 Tudo o que _tinha_ folego de espirito de vida em seus narizes, tudo o
que _havia_ no secco, morreu.
23 Assim foi desfeita toda a substancia que _havia_ sobre a face da
terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus;
e foram extinctos da terra: e ficou somente Noé, e os que com elle
_estavam_ na arca.
24 E prevaleceram as aguas sobre a terra [7] cento e cincoenta dias.
[1] I Ped. 3.20. II Ped. 2.5.
[2] Lev. 11.
[3] cap. 8.2. Pro. 8.28. Mat. 24.38. I The. 5.3.
[4] Deu. 33.27. Psa. 46.2.
[5] II Ped. 3.6.
[6] Job 22.15, 17.
[7] cap. 8.3.
_As aguas do diluvio diminuem._
[Antes de Christo 2349]
8 E [1] lembrou-se Deus de Noé, e [2] de toda a besta, e de todo o
animal, e de toda a rez que com elle _estava_ na arca: e Deus fez passar
[3] um vento sobre a terra, e aquietaram-se as aguas.
2 Cerraram-se tambem as [4] fontes do abysmo, e as janellas dos céus, e a
chuva dos céus deteve-se.
3 E as aguas tornaram de sobre a terra [Z] continuamente, e ao cabo de
cento e cincoenta dias as aguas minguaram.
4 E a arca repousou, no setimo mez, no dia dezesete do mez, sobre os
montes de Ararat.
5 E foram as aguas indo e minguando até ao decimo mez: no decimo mez, no
primeiro dia do mez, appareceram os cumes dos montes.
6 E aconteceu que, ao cabo de quarenta dias, [5] abriu Noé a janella da
arca que tinha feito.
_Noé solta um corvo e depois uma pomba._
7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as aguas se
seccaram de sobre a terra.
8 Depois soltou uma pomba, a vêrse as aguas tinham minguado de sobre a
face da terra.
9 A pomba porém não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a
elle para a arca; porque as aguas _estavam_ sobre a face de toda a terra:
e elle estendeu a sua mão, e tomou-a, e metteu-a comsigo na arca.
10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fóra da
arca.
11 E a pomba voltou a elle sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha de
oliveira no seu bico: e conheceu Noé que as aguas tinham minguado sobre a
terra.
12 Então esperou ainda outros sete dias; e enviou fóra a pomba, mas não
tornou mais a elle.
13 E aconteceu _que_ no anno seiscentos e um, no _mez_ primeiro, no
primeiro _dia_ do mez, as aguas se seccaram de sobre a terra: então Noé
tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava
enxuta.
14 E no segundo mez, aos vinte e sete dias do mez, a terra estava secca.
_Noé e sua familia saem da arca._
15 Então fallou Deus a Noé, dizendo:
16 Sae da arca, tu, e tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus
filhos comtigo.
17 Todo o animal que _está_ comtigo, de toda a carne, de ave, e de gado,
e de todo o reptil que se roja sobre a terra traze fóra comtigo; e povôem
abundantemente a terra, e [6] fructifiquem, e se multipliquem sobre a
terra.
18 Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus
filhos com elle,
19 Todo o animal, todo o reptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre
a terra, conforme as suas familias, saiu para fóra da arca.
20 E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o [7] animal limpo,
e de toda a ave limpa, e offereceu holocaustos sobre o altar.
21 E o Senhor cheirou o [8] suave cheiro, e disse o Senhor em seu
coração: [9] Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem;
porque a [10] imaginação do coração do homem _é_ má desde a sua meninice,
[11] nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.
22 Emquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e
inverno, e dia e noite, [12] não cessarão.
[1] cap. 19.29. Exo. 2.24.
[2] Psa. 36.6.
[3] Exo. 14.21.
[4] Pro. 8.28.
[5] cap. 6.16.
[6] cap. 1.22.
[7] Lev. 1.11.
[8] Lev. 1.9. Eph. 5.2.
[9] cap. 3.17 e 6.17.
[10] cap. 6.5. Job 15.14. Jer. 17.9. Rom. 1.21.
[11] cap. 9.11, 15.
[12] Isa. 54.9. Jer. 33.20.
_O pacto que Deus fez com Noé._
9 E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: [1] Fructificae e
multiplicae-vos, e enchei a terra.
2 E será o vosso temor [2] e o vosso pavor sobre todo o animal da terra,
e sobre toda a ave dos céus: tudo o que se move sobre a terra, e todos os
peixes do mar, na vossa mão são entregues.
3 Tudo quanto se [3] move, que é vivente, será para vosso mantimento:
tudo vos tenho dado [4] como herva verde.
4 A carne, porém, com [5] sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 E certamente requererei o vosso sangue, _o sangue_ das vossas [AA]
vidas; da mão de todo o animal o requererei: como tambem da mão [6] do
homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.
6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será
derramado: porque Deus fez [7] o homem conforme á _sua_ imagem.
7 Mas vós fructificae e multiplicae-vos: povoae abundantemente a terra, e
multiplicae-vos n’ella.
8 E fallou Deus a Noé, e a seus filhos com elle, dizendo:
9 E eu, eis que estabeleço o meu [8] concerto comvosco e com a vossa
semente depois de vós,
10 E com toda [AB] a alma vivente, [9] que comvosco está, de aves, de
rezes, e de todo o animal da terra comvosco: desde todos que sairam da
arca, até todo o animal da terra.
11 E eu comvosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruida
toda a carne pelas aguas [10] do diluvio: e que não haverá mais diluvio,
para destruir a terra.
12 E disse Deus: Este _é_ o signal [11] do concerto que ponho entre mim e
vós, e entre toda a alma vivente, que está comvosco, por gerações eternas.
13 O meu [12] arco tenho posto na nuvem: este será por signal do concerto
entre mim e a terra.
14 E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, apparecerá o
arco nas nuvens:
15 Então me lembrarei do meu concerto, que está entre mim [13] e vós, e
entre toda a alma vivente de toda a carne: e as aguas não se tornarão
mais em diluvio, para destruir toda a carne.
16 E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar do concerto
eterno entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que _está_ sobre
a terra.
17 E disse Deus a Noé: Este é o signal do concerto que tenho estabelecido
entre mim e entre toda a carne, que _está_ sobre a terra.
18 E os filhos de Noé, que da arca sairam, foram Sem, e Cão, e Japhet; e
[14] Cão, _é_ o pae de Canaan.
19 Estes tres _foram_ [15] os filhos de Noé; e d’estes se povoou toda a
terra.
_Noé planta uma vinha._
[Antes de Christo 2348]
20 E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha:
21 E bebeu do [16] vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua
tenda.
22 E viu Cão, o pae de Canaan, a nudez do seu pae, e fel-o saber a ambos
seus irmãos fóra.
23 Então tomaram Sem e Japhet uma capa, e puzeram-n’a sobre ambos os seus
hombros, e indo [17] virados para traz, cubriram a nudez do seu pae, e os
seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez do seu pae.
24 E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera.
25 E disse: Maldito seja [18] Canaan: servo dos servos seja aos seus
irmãos.
26 E disse: Bemdito seja o Senhor Deus de Sem: e seja-lhe Canaan por
servo.
27 Alargue Deus a Japhet, e habite nas tendas de Sem: e seja-lhe Canaan
por servo.
28 E viveu Noé, depois do diluvio, trezentos e cincoenta annos.
29 E foram todos os dias de Noé novecentos e cincoenta annos, e morreu.
[1] ver. 7, 19. cap. 10.32.
[2] Psa. 8.6. Thi. 3.7.
[3] Deu. 12.15 e 14.4. Act. 10.12, 14. I Tim. 4.3, 4.
[4] cap. 1.20.
[5] Lev. 17.10, 14 e 19.25. Deu. 12.23. I Sam. 14.34.
[6] Eze. 21.12, 28.
[7] Lev. 24.17. Rom. 13.4. cap. 1.27.
[8] ver. 11, 17. cap. 6.18.
[9] Psa. 145.9. cap. 8.1.
[10] II Ped. 3.7.
[11] cap. 17.11.
[12] Eze. 1.28. Apo. 4.3.
[13] Deu. 7.9. Neh. 9.32.
[14] cap. 10.1, 6.
[15] cap. 10.32. I Chr. 1.4.
[16] Pro. 20.1. Luc. 21.34. I Cor. 10.12.
[17] Gal. 6.1. I Ped. 4.8.
[18] Deu. 27.16. II Chr. 8.7, 8.
_Os descendentes de Noé._
[Antes de Christo 2347]
10 Estas pois são as gerações dos filhos de Noé. Sem, Cão, [1] e Japhet;
e nasceram-lhe filhos depois do diluvio.
2 Os filhos de Japhet, _são_: Gomer e Magog, e Madai, e Javan, e Tubal, e
Mesech, e Tiras.
3 E os filhos de Gomer, _são_: Asquenaz, e Riphath, e Togarmah.
4 E os filhos de Javan, _são_: Elishah e Tarshish, Kittim, e Dodanim.
5 Por estes foram repartidas [2] as ilhas das nações nas suas terras,
cada qual segundo a sua lingua, segundo as suas familias, entre as suas
nações.
6 E os filhos de Cão, _são_: [3] Cush, e Mizraim, e Put, e Canaan.
7 E os filhos de Cush, _são_: [4] Seba, e Havilah, e Sabtah, e Raamah, e
Sabteca: e os filhos de Raamah são, Scheba e Dedan.
8 E Cush gerou a [5] Nimrod: este começou a ser poderoso na terra.
9 E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor: pelo que se diz:
Como Nimrod, poderoso caçador diante do Senhor.
10 E o principio do seu reino foi Babel, e Erech, e Accad, e [6] Calneh,
na terra de Shinar.
11 D’esta mesma terra saiu á Assyria e edificou a Ninive, e Rehoboth-Ir e
Calah,
12 E Resen, entre Niniveh e Calah (esta é a grande cidade).
13 E Mizraim gerou a Ludim, e a Anamim, e a Leabim, e a Naphtuhim,
14 E a [7] Pathrusim, e a Caslushim, (d’onde sairam os philisteus) e a
Caphtorim.
15 E Canaan gerou a Sidon, seu primogenito, e a Heth;
16 E ao Jebuseu, e Amorrheu, e Girgaseu,
17 E ao Heveu, e ao Arkeu, e ao Sineu,
18 E ao Arvadeu, e ao Zemareu, e ao Hamatheu, e depois se espalharam as
familias dos [8] cananeus.
19 E foi o termo dos cananeus desde Sidon, indo para Gerar, até Gaza;
indo para Sodoma, e Gomorrah, e Adamah e Zeboiim, até Lasha.
20 Estes são os filhos de Cão segundo as suas familias, segundo as suas
linguas, em suas terras, em suas nações.
21 E a Sem nasceram _filhos_, e elle _é_ o pae de todos os filhos de
Eber, o irmão mais velho de Japhet.
22 Os filhos [9] de Sem, _são_: Elam, e Assur, e Arpachshad, e Lud.
23 E os filhos de Aram _são_: Uz, e Hul, e Gether, e Mash.
24 E Arpachshad gerou a Shelah: e Shelah gerou a Eber.
25 E a Eber nasceram dois filhos: o nome d’um _foi_ Peleg, [AC] porquanto
em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joktan.
26 E Joktan gerou a Almodad, e a Sheleph, e a Hazarmaveth, e a Jerah;
27 E a Hadoran, e a Uzal, e a Diclah;
28 E a Obal, e a Abimael, e a Sheba;
29 E a Ophir, e a Havila e a Jobab: todos estes foram filhos de Joktan.
30 E foi a sua habitação desde Mesha, indo para Sephar, montanha do
Oriente.
31 Estes _são_ os filhos de Sem segundo as suas familias, segundo as suas
linguas, nas suas terras, segundo as suas nações.
32 Estas são as familias dos filhos de Noé segundo as suas gerações,
nas suas nações: e d’estes foram divididas as nações na terra depois do
diluvio.
[1] I Chr. 1.5.
[2] Sof. 2.11.
[3] I Chr. 1.8.
[4] Psa. 72.10.
[5] Miq. 5.6.
[6] Amós 6.2.
[7] I Chr. 1.12.
[8] cap. 15.18, 21. Jos. 12.7, 8.
[9] I Chr. 1.17.
_Toda a terra com uma mesma lingua._
[Antes de Christo 2218]
11 E era toda a terra d’uma mesma lingua, e d’uma mesma falla.
2 E aconteceu que, partindo elles do Oriente, acharam um valle na terra
de Shinar; e habitaram ali.
3 E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos, e queimemol-os bem. E
foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.
4 E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo [1] cume
toque nos céus, e façamo-nos [2] um nome, para que não [3] sejamos
espalhados sobre a face de toda a terra.
5 Então desceu o Senhor para [4] ver a cidade e a torre que os filhos dos
homens edificavam;
6 E disse: Eis que o povo é um, e todos teem uma mesma lingua; e isto é o
que começam a fazer: e agora, não haverá restricção para tudo o que elles
intentarem fazer?
_A confusão das linguas._
7 Eia, desçamos, e [5] confundamos ali a sua lingua, para que não intenda
um a lingua do outro.
8 Assim o Senhor os espalhou d’ali sobre a face de toda a terra: e
cessaram de edificar a cidade.
9 Por isso se chamou o seu nome Babel, [AD] porquanto ali confundiu o
Senhor a lingua de toda a terra, e d’ali os espalhou o Senhor sobre a
face de toda a terra.
10 Estas são as gerações [6] de Sem: Sem era da edade de cem annos, e
gerou a Arpachshad, dois annos depois do diluvio.
11 E viveu Sem, depois que gerou a Arpachshad, quinhentos annos; e gerou
filhos e filhas.
12 E viveu Arpachshad trinta e cinco annos, e gerou a Selah.
13 E viveu Arpachshad depois que gerou a Selah, quatrocentos e tres
annos; e gerou filhos e filhas.
14 E viveu Selah, trinta annos, e gerou a Eber:
15 E viveu Selah, depois que gerou a Eber, quatrocentos e tres annos, e
gerou filhos e filhas.
16 E viveu Eber trinta e quatro annos e gerou a Peleg:
17 E viveu Eber, depois que gerou a Peleg, quatrocentos e trinta annos, e
gerou filhos e filhas.
18 E viveu Peleg trinta annos, e gerou a Rehu:
19 E viveu Peleg, depois que gerou a Rehu, duzentos e nove annos, e gerou
filhos e filhas.
20 E viveu Rehu, trinta e dois annos, e gerou a Serug:
21 E viveu Rehu, depois que gerou a Serug, duzentos e sete annos e gerou
filhos e filhas.
22 E viveu Serug trinta annos, e gerou a Nahor:
23 E viveu Serug, depois que gerou a Nahor, duzentos annos, e gerou
filhos e filhas.
24 E viveu Nahor vinte e nove annos, e gerou a Terah:
25 E viveu Nahor, depois que gerou a Terah, cento e dezenove annos, e
gerou filhos e filhas.
26 E viveu Terah, setenta annos, e gerou a Abrão, a Nahor, [7] e a Haran.
27 E estas são as gerações de Terah: Terah gerou a Abrão, a Nahor, e a
Haran: e Haran gerou a Lot.
28 E morreu Haran estando seu pae Terah, ainda vivo, na terra do seu
nascimento, em Ur dos Chaldeus.
29 E tomaram Abrão e Nahor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão
[8] era Sarai, e o nome da mulher de Nahor era [9] Milcah, filha de
Haran, pae de Milcah, e pae de Iscah.
30 E Sarai foi [10] esteril, e não tinha filhos.
31 E tomou Terah a Abrão seu filho, e a Lot filho de Haran, filho de seu
filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com elles de
Ur dos Chaldeus, [11] para ir á terra de Canaan; e vieram até Haran, e
habitaram ali.
32 E foram os dias de Terah duzentos e cinco annos: e morreu Terah em
Haran.
[1] Deu. 1.28.
[2] Psa. 49.2. Dan. 4.30. Pro. 10.7.
[3] ver. 9. Luc. 1.51.
[4] cap. 18.21.
[5] Psa. 55.9. Act. 2.6.
[6] cap. 10.24. I Chr. 1.17.
[7] Jos. 24.2. I Chr. 26.
[8] cap. 17.15.
[9] cap. 22.20 e 24.15.
[10] cap. 16.1 e 18.11 e 21.1, 2.
[11] cap. 12.1. Neh. 9.7. Act. 7.4.
_Deus chama Abrão e lhe faz promessas._
[Antes de Christo 1921]
12 Ora o [1] Senhor disse a Abrão: Sae-te da tua terra, e da tua
parentela, e da casa de teu pae, para a terra que eu te mostrarei.
2 E far-te-hei [2] uma grande nação, e abençoar-te-hei, e engrandecerei o
teu nome; e _tu_ serás uma benção.
3 E abençoarei [3] os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te
amaldiçoarem; e em ti serão bemditas [4] todas as familias da terra.
4 Assim partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Lot com elle: e
era Abrão de edade de setenta e cinco annos, quando saiu de Haran.
5 E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Lot, filho de seu irmão, e toda
a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe accresceram em
Haran: e sairam para irem á terra de Canaan; e vieram á terra de Canaan.
6 E passou Abrão por aquella terra até ao logar de Sichem, até ao
carvalho [5] de Moreh; e _estavam_ então os Cananeos na terra.
7 E appareceu o Senhor [6] a Abrão, e disse: Á tua semente darei esta
terra. E edificou ali um [7] altar ao Senhor, que lhe apparecêra.
8 E moveu-se d’ali para a montanha á banda do Oriente [8] de Bethel, e
armou a sua tenda, _tendo_ [9] Bethel ao Occidente, e Ai ao Oriente; e
edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor.
9 Depois caminhou Abrão _d’ali_, seguindo ainda para a banda do Sul.
_Abrão desce ao Egypto._
10 E havia fome n’aquella terra: e desceu Abrão ao Egypto, para
peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.
11 E aconteceu que, chegando elle para entrar no Egypto, disse a Sarai,
sua mulher: Ora bem sei que és mulher formosa á vista;
12 E será que, quando os Egypcios te virem, dirão: Esta é sua mulher. E
matar-me-hão a mim, e a ti te guardarão em vida.
13 Dize, peço-te, _que_ és [10] minha irmã, para que me vá bem por tua
causa, e que viva a minha alma por amor de ti.
14 E aconteceu que, entrando Abrão no Egypto, viram os Egypcios a mulher,
que era mui formosa.
15 E viram-n’a os principes do Pharaó, e gabaram-n’a diante do Pharaó: e
foi a mulher tomada para casa do Pharaó.
16 E fez bem a Abrão por amor d’ella; e elle teve ovelhas, e vaccas, e
jumentos, e servos e servas, e jumentas, e camelos.
17 Feriu, porém, o Senhor o Pharaó com grandes pragas, e a sua casa, por
causa de Sarai, mulher de Abrão.
18 Então chamou o Pharaó a Abrão, e disse: Que é isto _que_ [11] me
fizeste? porque não me disseste que ella _era_ tua mulher?
19 Porque disseste: É minha irmã? de maneira que a houvera tomado por
minha mulher: agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-_a_ e vae-te.
20 E o Pharaó, [12] deu ordens aos seus varões a seu respeito, e
acompanharam-n’o a elle, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.
[1] cap. 11.31. Isa. 51.2. Act. 7.3. Heb. 11.8.
[2] cap. 17.6.
[3] cap. 18.18 e 28.4.
[4] cap. 27.29. Exo. 23.22. Num. 24.9.
[5] Deu. 11.30.
[6] cap. 17.1 e 18.1.
[7] cap. 13.15. Rom. 9.8. Gal. 3.16 e 4.28.
[8] cap. 13.4, 18 e 26.25 e 33.20. cap. 28.19.
[9] cap. 20.2 e 26.7.
[10] I Chr. 16.21. Psa. 105.14.
[11] cap. 20.10 e 26.10.
[12] Pro. 21.1.
_Abrão volta do Egypto._
[Antes de Christo 1918]
13 Subiu, pois, Abrão do Egypto para a banda do Sul, elle e sua mulher, e
tudo o que tinha, e com elle Lot.
2 E _ia_ Abrão muito rico em gado, em prata, e em oiro.
3 E fez as suas jornadas do Sul até Beth-el, até ao logar onde ao
principio estivera a sua tenda, entre Beth-el e Ai;
4 Até ao logar do altar [1] que d’antes ali tinha feito; e Abrão invocou
ali o nome do Senhor.
5 E tambem Lot, que ia com Abrão, tinha rebanhos, e vaccas, e tendas.
6 E não tinha capacidade a terra para _poderem_ habitar juntos; porque a
sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos.
_Abrão e Lot separam-se._
7 E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do
gado de Lot: e os Cananeus e os Perizeus habitavam então na terra.
8 E disse Abrão a Lot: [2] Ora não haja contenda entre mim e ti, e entre
os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos varões _somos_.
9 Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim;
se _escolheres_ a esquerda, irei para a direita; e se a direita
_escolheres_, eu irei para a esquerda.
10 E levantou Lot os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que
_era_ toda bem regada, antes do Senhor ter [3] destruido Sodoma e
Gomorrha, e _era_ como [4] o jardim do Senhor, como a terra do Egypto,
quando se entra em [5] Zoar.
11 Então Lot escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Lot para
o Oriente, e apartaram-se um do outro.
12 Habitou Abrão na terra de Canaan, e Lot habitou nas cidades da
campina, e armou as suas tendas até Sodoma.
13 Ora _eram_ maus os varões de Sodoma, e grandes peccadores [6] contra o
Senhor.
14 E disse o Senhor a Abrão, depois que Lot se apartou d’elle: Levanta
agora os teus olhos, e olha desde o logar onde estás, para a banda do
Norte, e do Sul, e do Oriente, e do Occidente;
15 Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e á tua semente,
[7] para sempre.
16 E farei a tua semente como [8] o pó da terra; de maneira que se alguem
podér contar o pó da terra, tambem a tua semente será contada.
17 Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura;
porque a ti a darei.
18 E Abrão armou as suas tendas, e veiu, e habitou nos carvalhaes de
Mamre, [9] que estão junto a Hebron; e edificou ali um altar ao Senhor.
[1] cap. 12.7, 8.
[2] Phi. 2.14. Heb. 12.14.
[3] cap. 19.25. Eze. 16.49.
[4] Isa. 51.3.
[5] cap. 14.2.
[6] cap. 18.20. II Ped. 2.7, 8.
[7] cap. 12.7.
[8] cap. 15.5 e 2.17 e 28.14. Num. 23.10. Deu. 1.10. I Reis 4.20. Jer.
33.22.
[9] cap. 18.1 e 35.27 e 37.14.
_Guerra de quatro reis contra cinco._
14 E aconteceu nos dias de Amraphel, rei de Shinar, Arioch, rei de
Ellasar, Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de [AE] Goiim,
2 Que _estes_ fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsha, rei de
Gomorrah, a Shinab, rei de Admah, e a Shemeber, rei de Zeboiim, e ao rei
de Bela (esta é Zoar).
3 Todos estes se ajuntaram no valle de Siddim (que é o mar de sal).
4 Doze annos haviam servido a Chedorlaomer, mas ao decimo terceiro anno
rebelaram-se.
5 E ao decimo quarto anno veiu Chedorlaomer, e os reis que estavam com
elle, e feriram aos Rephains em Ashteroth-karnaim, e aos Zuzins em Ham, e
aos Emins em Shave-kiriathaim,
6 E aos Horeos no seu monte Seir, até á campina de Paran, que _está_
junto ao deserto.
7 Depois tornaram e vieram a Enmispat (que é Cades), e feriram toda a
terra dos Amalekitas, e tambem os Amoreos, que habitavam em Hazazon-tamar.
8 Então saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorrah, e o rei de Admah, e o
rei de Zeboiim, e o rei de Bela (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra
elles no valle de Siddim,
9 Contra Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de Goiim, e Amraphel,
rei de Shinar, e Arioch, rei de Ellasar; quatro reis contra cinco.
10 E o valle de Siddim estava cheio de poços de betume: e fugiram os reis
de Sodoma, e de Gomorrah, e cairam ali; e os restantes fugiram para um
monte.
11 E tomaram toda a fazenda de Sodoma, e de Gomorrah, e todo o seu
mantimento, e foram-se.
_Lot é levado captivo._
12 Tambem tomaram a [1] Lot, que habitava em Sodoma, filho do irmão de
Abrão, e a sua fazenda, e foram-se.
13 Então veiu um que escapára, e o contou a Abrão, o Hebreu: elle [2]
habitava junto dos carvalhaes de Mamre, o Amoreo, irmão de Eshcol, e
irmão de Aner; elles eram confederados de Abrão.
14 Ouvindo pois Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus
creados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até
Dan.
15 E dividiu-se contra elles de noite, elle e os seus creados, e os
feriu, e os perseguiu até Hobah, que _fica_ á esquerda de Damasco.
16 E tornou a trazer toda a fazenda, e tornou a trazer tambem a Lot, seu
irmão, e a sua fazenda, e tambem as mulheres, e o povo.
17 E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a
Chedorlaomer e aos reis que _estavam_ com elle) até ao valle de Schave,
que _é_ o valle [3] do rei.
_Melchizedec abençoa Abrão._
18 E Melchizedec, [4] rei de Salem, trouxe pão e vinho: e _era_ este
sacerdote [5] do Deus altissimo.
19 E abençoou-o, e disse: Bemdito _seja_ Abrão de Deus altissimo, o [6]
Possuidor dos céus e da terra;
20 E bemdito _seja_ o Deus altissimo, que entregou os teus inimigos nas
tuas mãos. E deu-lhe o dizimo [7] de tudo.
21 E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as almas, e a fazenda
toma para ti.
22 Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: [8] Levantei minha mão ao
Senhor, o Deus altissimo, [9] o Possuidor dos céus e da terra,
23 Que desde um fio até á correia de um sapato, não _tomarei_ coisa
alguma de tudo o que _é_ teu: para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;
24 Salvo _tão_ sómente o que os mancebos comeram, e a parte _que toca_
aos varões que commigo foram, Aner, Escol, e Mamre; estes que tomem a sua
parte.
[1] cap. 13.12. Isa. 6.9.
[2] cap. 13.18.
[3] II Sam. 18.18.
[4] Heb. 7.1.
[5] Psa. 110.4. Heb. 5.6.
[6] ver. 22.
[7] Heb. 7.1, 10.
[8] Exo. 6.8.
[9] ver. 19.
_Deus anima Abrão e promette-lhe um filho._
[Antes de Christo 1913]
15 Depois d’estas coisas veiu a palavra do Senhor a Abrão em visão, [1]
dizendo: Não temas, Abrão, [2] eu sou o teu escudo, o teu grandissimo
galardão.
2 Então disse Abrão: Senhor JEHOVAH, que me has de dar, pois ando sem [3]
filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Elieser?
3 Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um
nascido na minha casa será o meu herdeiro.
4 E eis que _veiu_ a palavra do Senhor a elle, dizendo: Este não será o
teu herdeiro; mas aquelle que de tuas entranhas sair, este será o teu
herdeiro.
5 Então o levou fóra, e disse: Olha agora para os céus, e conta as [4]
estrellas, se as podes contar. E disse-lhe: [5] Assim será a tua semente.
6 E creu elle no Senhor, e [AF] imputou-lhe [6] isto _por_ justiça.
7 Disse-lhe mais: Eu _sou_ o Senhor, que te tirei [7] de _Ur_ dos
Chaldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdal-a.
8 E disse elle: [8] Senhor JEHOVAH, como saberei que hei-de herdal-a?
9 E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de tres annos, e uma cabra de tres
annos, e um carneiro de tres annos, uma rola, e um pombinho.
10 E trouxe-lhe todos estes, e [9] partiu-os pelo meio, e poz cada parte
d’elles em frente da outra; mas as aves não partiu.
11 E as aves desciam sobre os cadaveres; Abrão, porém, as enxotava.
12 E [10] pondo-se o sol, um profundo somno caiu sobre Abrão; e eis que
grande espanto e grande escuridão caiu sobre elle.
13 Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a
tua semente em terra _que_ não _é_ sua, e servil-os-hão; [11] e
affligil-os-hão quatrocentos annos;
14 Mas tambem eu julgarei a gente, a qual servirão, e depois sairão com
[12] grande fazenda.
15 E tu irás a teus paes em paz: em boa velhice [13] serás sepultado.
16 E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos
Amoreos [14] não _está_ ainda cheia.
_Deus faz um pacto com Abrão._
17 E succedeu que, posto o sol, houve escuridão: e eis um forno de fumo,
e uma tocha de fogo, que passou por aquellas metades.
18 N’aquelle mesmo dia fez o SENHOR um concerto com Abrão, dizendo: Á
tua semente tenho dado esta terra, desde o rio Egypto até ao grande rio
Euphrates;
19 E o Keneo, e o Kenezeo, e o Kadmoneo,
20 E o Hetheo, e o Pereseo, e os Rephains,
21 E o Amoreo, e o Cananeo, e o Girgaseo, e o Jebuseo.
[1] cap. 46.2. Num. 12.6. Dan. 10.1.
[2] Deu. 33.29. Psa. 84.11 e 91.4 e 119.114. Pro. 30.5.
[3] Act. 7.5.
[4] Deu. 1.10.
[5] Rom. 4.18.
[6] Rom. 4.3-6. Gal. 3.6. Can. 2.23.
[7] cap. 12.1.
[8] Jui. 6.17. II Reis 20.8. Luc. 1.18.
[9] Jer. 34.18, 19.
[10] cap. 2.21. I Sam. 26.12.
[11] Exo. 12.40. Act. 7.6.
[12] Exo. 12.36. Psa. 105.37.
[13] cap. 25.8.
[14] Mat. 23.32.
_Hagar é dada por mulher a Abrão._
[Antes de Christo 1911]
16 Ora Sarai, mulher d’Abrão, não lhe paria, e elle tinha uma serva
Egypcia, cujo nome _era_ [1] Hagar.
2 E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de parir; entra
[2] pois á minha serva; porventura [AG] terei filhos d’ella. E ouviu
Abrão a voz de Sarai.
3 Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Hagar Egypcia, sua serva, e deu-a
por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez annos que Abrão habitara na
terra de Canaan.
4 E elle entrou a Hagar, e ella concebeu; e vendo ella que concebera, foi
sua senhora desprezada aos seus olhos.
5 Então disse Sarai a Abrão: Meu aggravo _seja_ sobre ti: minha serva puz
eu em teu regaço; vendo ella agora que concebeu, sou menosprezada aos
seus olhos: o SENHOR julgue entre mim e ti.
6 E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva _está_ na tua mão, faze-lhe o
que bom _é_ aos teus olhos. E affligiu-a Sarai, e ella fugiu de sua face.
7 E o anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte d’agua no deserto, junto á
fonte no caminho de Sur.
8 E disse: Hagar, serva de Sarai, d’onde vens, e para onde vaes? E _ella_
disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora.
9 Então lhe disse o anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora, e
humilha-te [3] debaixo de suas mãos.
10 Disse-lhe mais o anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua
semente, que não será contada, por numerosa _que_ será.
11 Disse-lhe tambem o anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e parirás um
filho, e chamarás o seu nome [AH] Ishmael; porquanto o SENHOR ouviu a tua
afflicção.
12 E elle será homem [AI] feroz, e a sua mão _será_ contra todos, [4] e a
mão de todos contra elle: e [5] habitará diante da face de todos os seus
irmãos.
13 E _ella_ chamou o nome do SENHOR, que com ella fallava: Tu és Deus da
vista, [AJ] porque disse: Não olhei eu tambem para [6] aquelle que me vê?
14 Por isso se chama aquelle poço de [AK] Lachai-roi; eis que _está_
entre Kades e Bered.
15 E Hagar pariu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que
Hagar parira, Ishmael.
16 E _era_ Abrão da edade de oitenta e seis annos, quando Hagar pariu
Ishmael a Abrão.
[1] Gal. 4.24.
[2] cap. 30.3, 9.
[3] I Ped. 2.18.
[4] cap. 21.20.
[5] cap. 25.18.
[6] cap. 32.20. Jui. 6.22, 23.
_Deus muda o nome de Abrão._
17 Sendo pois Abrão da edade de noventa e nove annos, appareceu o SENHOR
a Abrão, e disse-lhe: Eu _sou_ o Deus [1] Todo-poderoso, anda [2] em
minha presença e sê perfeito:
2 E porei o meu concerto entre mim e ti, e te multiplicarei
grandissimamente.
3 Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e fallou Deus com elle, dizendo:
4 Quanto a mim, eis o meu concerto, comtigo é e serás o pae [3] de uma
multidão de nações;
5 E não se chamará mais o teu nome [4] Abrão, [AL] mas Abrahão [AM] será
o teu nome; [5] porque por pae da multidão de nações te tenho posto:
6 E te farei fructificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis
[6] sairão de ti:
7 E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois
de ti em suas gerações, por concerto [7] perpetuo, para te ser a ti por
Deus, e á tua semente depois de ti.
8 E te darei a ti, e á tua semente depois de ti, a terra de tuas
peregrinações, [8] toda a terra de Canaan em perpetua possessão, e
ser-lhes-hei Deus.
9 Disse mais Deus a Abrahão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu, e a
tua semente depois de ti, nas suas gerações.
10 Este _é_ o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua
semente depois de ti: _Que_ todo o macho vos será circumcidado.
11 E circumcidareis a carne do vosso prepucio; e _isto_ será por signal
do concerto [9] entre mim e vós.
12 O filho de oito dias, pois, vos será circumcidado, todo o macho nas
vossas gerações: o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer
estrangeiro, que não _fôr_ da tua semente.
13 Com effeito será circumcidado o nascido em tua casa, e o comprado
por teu dinheiro: e estará o meu concerto na vossa carne por concerto
perpetuo.
14 E o macho com prepucio, cuja carne do prepucio não estiver
circumcidada, aquella alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o
meu concerto.
_Deus muda o nome de Sarai._
15 Disse Deus mais a Abrahão: A Sarai tua mulher não chamarás _mais_
pelo nome de Sarai, mas Sarah [AN] _será_ o seu nome,
16 Porque eu a hei de abençoar, e te hei de dar a ti d’ella um filho; e a
abençoarei, e será _mãe_ das nações; reis de povos sairão d’ella.
17 Então caiu Abrahão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu
coração: A um homem de cem annos ha de nascer _um filho_? e parirá Sarah
da edade de noventa annos?
18 E disse Abrahão a Deus: Oxalá que viva Ishmael diante de teu rosto!
19 E disse Deus: Na verdade, Sarah tua mulher te parirá um filho, e
chamarás o seu nome [AO] Isaac, e com elle estabelecerei o meu concerto,
por concerto perpetuo para a sua semente depois d’elle.
20 E emquanto a Ishmael, _tambem_ te tenho ouvido: eis aqui o
tenho abençoado, e fal-o-hei fructificar, e fal-o-hei multiplicar
grandissimamente: doze principes gerará, e d’elle farei uma grande nação.
21 O meu concerto, porém, estabelecerei com Isaac, o qual Sarah te parirá
n’este tempo determinado, no anno [10] seguinte.
22 E acabou de fallar com elle, e saiu Deus de Abrahão.
_A instituição da circumcisão._
23 Então tomou Abrahão a seu filho Ishmael, e a todos os nascidos na
sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o macho entre
os homens da casa de Abrahão; e circumcidou a carne do seu prepucio,
n’aquelle mesmo dia, como Deus fallára com elle.
24 E _era_ Abrahão da edade de noventa e nove annos, quando lhe foi
circumcidada a carne do seu prepucio.
25 E Ishmael, seu filho, _era_ da edade de treze annos, quando lhe foi
circumcidada a carne do seu prepucio.
26 N’este mesmo dia foi circumcidado Abrahão e Ishmael seu filho,
27 E todos os homens da sua casa, o nascido em casa, e o comprado por
dinheiro do estrangeiro, foram circumcidados com elle.
[1] Exo. 6.3. Dan. 4.35.
[2] cap. 48.15. II Reis 20.3.
[3] cap. 13.16 e 22.17.
[4] Neh. 9.7.
[5] Rom. 4.17.
[6] ver. 16, 20. cap. 35.11.
[7] Lev. 26.12. Heb. 11.16.
[8] cap. 48.4.
[9] Act. 7.8. Rom. 4.11. Col. 2.11, 13.
[10] cap. 21.2.
_Apparecem tres anjos a Abrahão._
[Antes de Christo 1898]
18 Depois appareceu-lhe o SENHOR nos carvalhaes de [1] Mamre, estando
elle assentado á porta da tenda, quando tinha aquecido [AP] o dia.
2 E levantou os seus olhos, e olhou, [2] e eis tres varões estavam em pé
junto a elle. E vendo-_os_, correu da porta da tenda ao seu encontro, e
inclinou-se á terra,
3 E disse; Meu Senhor, se agora tenho achado graça nos teus olhos,
rogo-te que não [3] passes de teu servo,
4 Que se traga já uma [4] pouca d’agua, e lavae os vossos pés, e
recostae-vos debaixo d’esta arvore;
5 E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois
passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E
disseram: Assim faze como tens dito.
6 E Abrahão apressou-se em ir ter com Sarah á tenda, e disse-lhe: Amassa
depressa tres medidas de flor de farinha, e faze bolos.
7 E correu Abrahão ás vaccas, e tomou uma vitella tenra e boa, e deu-_a_
ao moço, que se apressou era preparal-a.
8 E tomou [5] manteiga e leite, e a vitella que tinha preparado, e poz
_tudo_ diante d’elles, e elle estava em pé junto a elles debaixo da
arvore; e comeram.
9 E disseram-lhe: Onde _está_ Sarah, tua mulher? E elle disse: Eil-a _ahi
está_ na tenda.
10 E disse: Certamente [6] tornarei a ti por _este_ tempo da vida; e eis
que Sarah tua mulher terá um filho. E ouviu-_o_ Sarah á porta da tenda,
que _estava_ atraz d’elle.
11 E _eram_ Abrahão e Sarah já [7] velhos, _e_ adiantados em edade; já a
Sarah havia cessado o costume das [8] mulheres.
12 Assim pois riu-se Sarah comsigo, [9] dizendo: Terei [10] _ainda_
deleite depois de haver envelhecido, sendo tambem o meu senhor já [11]
velho?
13 E disse o Senhor a Abrahão: Porque se riu Sarah, dizendo: Na verdade
parirei eu ainda, havendo já envelhecido?
14 Haveria coisa alguma difficil [12] ao SENHOR? Ao tempo determinado
tornarei a ti por _este_ tempo da vida, e Sarah terá um filho.
15 E Sarah negou, dizendo: Não me ri: porquanto temeu. E _elle_ disse:
Não _digas isso_, porque [13] te riste.
16 E levantaram-se aquelles varões d’ali, e olharam para a banda de
Sodoma; e Abrahão ia com elles, acompanhando-os.
_Deus annuncia a destruição de Sodoma e Gomorrah._
17 E disse o SENHOR: [14] Occultarei eu a Abrahão o que faço?
18 Visto que Abrahão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação,
[15] e n’elle serão bemditas todas as nações da terra.
19 Porque eu o tenho conhecido, que elle ha de ordenar a seus filhos [16]
e a sua casa depois d’elle, para que guardem o caminho do SENHOR, para
obrar _com_ justiça e juizo: para que o SENHOR faça vir sobre Abrahão o
que ácerca d’elle tem fallado.
20 Disse mais o SENHOR: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorrah se tem
multiplicado, e porquanto o seu peccado se tem aggravado muito,
21 Descerei [17] agora, e verei se com effeito tem praticado segundo o
seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabel-o-hei.
22 Então viraram aquelles varões o rosto d’ali, e foram-se para Sodoma;
mas Abrahão ficou ainda em pé diante da face do Senhor.
_Abrahão intercede com Deus pelos homens._
23 E chegou-se Abrahão, dizendo: Destruirás tambem o justo com o impio?
24 Se porventura houver cincoenta justos na cidade, destruil-os-has
tambem, e não pouparás o logar por causa dos cincoenta justos que _estão_
dentro d’ella?
25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o impio: que
o justo seja como o impio, [18] longe de ti _seja_. Não faria justiça o
Juiz de toda a terra?
26 Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cincoenta justos [19]
dentro da cidade, pouparei a todo o logar por amor d’elles.
27 E respondeu Abrahão, dizendo: Eis que agora me atrevi a fallar ao
Senhor, ainda que _sou_ pó e [20] cinza:
28 Porventura faltarão de cincoenta justos cinco; destruirás por aquelles
cinco toda a cidade? E disse: Não _a_ destruirei, se eu achar ali
quarenta e cinco.
29 E continuou ainda a fallar-lhe, e disse: Porventura se acharão ali
quarenta. E disse: Não _o_ farei por amor dos quarenta.
30 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, se eu _ainda_ fallar: Porventura
se acharão ali trinta. E disse: Não _o_ farei se achar ali trinta.
31 E disse: Eis que agora me atrevi a fallar ao Senhor: Porventura se
acharão ali vinte. E disse: Não _a_ destruirei por amor dos vinte.
32 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, que _ainda_ só mais esta [21] vez
fallo: Porventura se acharão ali dez. E disse: Não _a_ destruirei por
amor dos dez.
33 E foi-se o Senhor, quando acabou de fallar a Abrahão: e Abrahão
tornou-se ao seu logar.
[1] cap. 13.18 e 14.13.
[2] cap. 19.1.
[3] Heb. 13.2.
[4] cap. 43.24.
[5] Jui. 5.25.
[6] ver. 14. cap. 17.19 e 21.2. II Reis 4.16. Rom. 9.9. Gal. 4.23.
[7] Rom. 4.19. Heb. 11.11, 12.
[8] cap. 31.35.
[9] cap. 21.6.
[10] Luc. 1.18.
[11] I Ped. 3.6.
[12] Jer. 32.17.
[13] Psa. 44.21.
[14] Psa. 25.14. Amós 3.7. João 15.15.
[15] cap. 12.13.
[16] Deu. 4.9, 10. Psa. 78.5-8. Eph. 6.4.
[17] cap. 11.5. Exo. 3.8.
[18] Job 8.3 e 34.17. Rom. 3.6.
[19] Jer. 5.1.
[20] Job 4.19.
[21] Jui. 6.39.
_Lot recebe os dois anjos em sua casa._
19 E vieram os dois [1] anjos a Sodoma á tarde, e estava Lot assentado
á porta de Sodoma; e vendo-_os_ Lot, levantou-se ao seu encontro, e
inclinou-se com o rosto á terra;
2 E disse: Eis agora, meus senhores, entrae, peço-vos, em casa de vosso
servo, e passae _n’ella_ a noite, e lavae os vossos pés; e de madrugada
vos levantareis, e ireis vosso caminho. E elles disseram: Não, antes na
rua passaremos a noite.
3 E porfiou com elles muito, e vieram com elle, e entraram em sua casa: e
fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levadura, e comeram.
4 E antes que se deitassem, cercaram a casa, os varões d’aquella cidade,
os varões de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os
bairros.
5 E chamaram a Lot, e disseram-lhe: Onde _estão_ os varões que a ti
vieram n’esta [2] noite? Tral-os fóra a nós, para que os conheçamos.
6 Então saiu Lot a elles á porta, e fechou a porta atraz de si,
7 E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não [3] façaes mal:
8 Eis aqui, duas filhas tenho, que _ainda_ não [4] conheceram varão;
fora vol-as trarei, e fareis d’ellas como bom _fôr_ nos vossos olhos;
sómente nada façaes a estes varões, porque por isso vieram á sombra do
meu telhado.
9 Elles porém disseram: Sae d’ali. Disseram mais: Como estrangeiro este
individuo veiu _aqui_ habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te
faremos mais mal a ti do que a elles. E arremessaram-se sobre o varão,
_sobre_ Lot, e approximaram-se para arrombar a porta.
10 Aquelles varões porém estenderam a sua mão, e fizeram entrar a Lot
comsigo na casa, e fecharam a porta;
11 E [5] feriram de cegueira os varões que _estavam_ á porta da casa,
desde o menor até ao maior, de maneira que se cançaram para achar a porta.
12 Então disseram aquelles varões a Lot: Tens alguem mais aqui? teu
genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens n’esta cidade,
tira-os fóra d’este logar;
13 Porque nós vamos destruir este logar, porque o seu clamor tem
engrossado [6] diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a
destruil-o.
14 Então saiu Lot, e fallou a seus genros, aos que haviam de tomar as
suas filhas, e disse: Levantae-vos, sahi d’este logar; porque o Senhor
ha de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus
genros.
15 E ao amanhecer os anjos apertaram com Lot, dizendo: Levanta-te, toma
tua mulher, e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na
injustiça d’esta cidade.
16 Elle porém demorava-se, e aquelles varões lhe pegaram pela mão, e pela
mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor
misericordioso, e tiraram-o, e puzeram-o fóra da cidade.
17 E aconteceu que, tirando-os fóra, disse: Escapa-te por tua vida; não
olhes [7] para traz de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá
para o monte, para que não pereças.
18 E Lot disse-lhe: Ora não, Senhor!
19 Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e
engrandeceste a tua misericordia que a mim me fizeste, para guardar a
minha alma em vida: e eu não posso escapar no monte, para que porventura
não me apanhe este mal, e eu morra.
20 Eis que agora esta cidade _está_ perto, para fugir para lá, e _é_
pequena: ora _para_ ali me escaparei (não _é_ pequena?), para que minha
alma viva.
21 E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te acceitado tambem n’este negocio, para
não derribar esta cidade, de que fallaste:
22 Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, emquanto
não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade [AQ] Zoar.
23 Saiu o sol sobre a terra, quando Lot entrou em Zoar.
_A destruição de Sodoma e Gomorrah._
24 Então o Senhor fez [8] chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus,
sobre Sodoma e Gomorrah;
25 E derribou aquellas cidades, e toda aquella campina, e todos os
moradores d’aquellas cidades, e o que nascia da terra.
26 E a mulher de _Lot_ olhou para traz d’elle, e ficou convertida n’uma
estatua de [9] sal.
27 E Abrahão levantou-se aquella mesma manhã, de madrugada, e foi para
aquelle logar onde estivera [10] diante da face do Senhor;
28 E olhou para Sodoma e Gomorrah, e para toda a terra da campina; e viu,
e eis que o fumo da terra subia, como o fumo d’uma fornalha.
29 E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, Deus se
lembrou de Abrahão, e tirou a Lot do meio da destruição, derribando
aquellas cidades em que Lot habitara.
30 E subiu Lot de Zoar, e habitou [11] no monte, e as suas duas filhas
com elle; porque temia de habitar em Zoar; e habitou n’uma caverna, elle
e as suas duas filhas.
31 Então a primogenita disse á menor: Nosso pae _é_ já velho, e não _ha_
varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;
32 Vem, demos de beber vinho a nosso pae, e deitemo-nos com elle, para
que em vida conservemos semente de nosso pae.
33 E deram de beber vinho a seu pae [12] n’aquella noite; e veiu a
primogenita, e deitou-se com seu pae, e não sentiu elle quando ella se
deitou, nem quando se levantou.
34 E succedeu, no outro dia, que a primogenita disse á menor: Vês aqui,
eu já hontem á noite me deitei com meu pae: demos-lhe de beber vinho
tambem esta noite, e então entra tu, deita-te com elle, para que em vida
conservemos semente de nosso pae.
35 E deram de beber vinho a seu pae, tambem n’aquella noite; e
levantou-se a menor, e deitou-se com elle; e não sentiu elle quando ella
se deitou, nem quando se levantou.
36 E conceberam [13] as duas filhas de Lot de seu pae.
37 E pariu a primogenita um filho, e chamou o seu nome Moab; este _é_ o
pae dos [14] moabitas, até ao dia d’hoje.
38 E a menor tambem pariu um filho, e chamou o seu nome Benammi; este _é_
o pae dos filhos de Ammon, até o dia [15] d’hoje.
[1] cap. 18.22.
[2] Jui. 19.22.
[3] Lev. 18.22. Deu. 23.17. Rom. 1.24. I Cor. 6.9, 11. Jud. 7.
[4] Jui. 19.24.
[5] II Reis 6.18. Act. 13.11.
[6] cap. 18.20.
[7] ver. 26.
[8] Deu. 29.23. Isa. 13.19. Jer. 49.18 e 50.40. Lam. 4.6. Eze. 16.49.
Mat. 11.23. Luc. 17.28, 29. II Ped. 2.6. Jud. 7. Apo. 20.9.
[9] Luc. 17.32.
[10] cap. 18.22.
[11] ver. 17, 19.
[12] Pro. 23.31, 33.
[13] Lev. 18.6, 7.
[14] Deu. 2.9, 19.
[15] Sof. 2.9.
_Abrahão nega que Sarah é sua mulher._
20 E partiu-se Abrahão d’ali para a terra do sul, e habitou entre Kades e
Sur; e peregrinou em Gerar.
2 E havendo Abrahão dito de Sarah sua mulher; [1] _É_ minha irmã, enviou
Abimelech, rei de Gerar, e tomou a Sarah.
3 Deus porém veiu a Abimelech em [2] sonhos de noite, e disse-lhe: Eis
que morto _és_ por causa da mulher que tomaste; porque ella _está_ casada
com marido.
4 Mas Abimelech _ainda_ não se tinha chegado a ella; por isso disse:
Senhor, matarás tambem uma nação justa?
5 Não me disse elle mesmo: É minha irmã? e ella tambem disse: É meu
irmão. Em sinceridade do coração e em pureza das minhas mãos tenho feito
isto.
6 E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu
coração fizeste isto; e tambem eu te tenho impedido de peccar contra mim;
[3] por isso te não permitti tocal-a;
7 Agora pois restitue a mulher ao seu marido, porque propheta é, e rogará
por ti, [4] para que vivas; porém senão lh’a restituires, sabe que
certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.
8 E levantou-se Abimelech pela manhã de madrugada, chamou a todos os seus
servos, e fallou todas estas palavras em seus ouvidos; e temeram muito
aquelles varões.
9 Então chamou Abimelech a Abrahão e disse-lhe: Que nos fizeste? e em que
pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho peccado? Tu me
fizeste aquillo que não deverias ter feito.
10 Disse mais Abimelech a Abrahão: Que tens visto, para fazer tal coisa?
11 E disse Abrahão: Porque eu dizia commigo: [5] Certamente não _ha_
temor de Deus n’este logar, e elles me matarão por amor da minha mulher.
12 E, na verdade, é ella tambem minha irmã, filha de meu pae, mas não
filha da minha mãe; e veiu a ser minha mulher:
13 E aconteceu que, fazendo-me Deus sair errante da casa de meu pae,
eu lhe disse: _Seja_ esta a graça que me farás em todo o logar aonde
viermos: diz de mim: _É_ meu irmão.
14 Então tomou Abimelech ovelhas e vaccas, [6] e servos e servas, e os
deu a Abrahão; e restituiu-lhe Sarah, sua mulher.
15 E disse Abimelech: Eis que a minha terra _está_ diante da tua face:
habita onde bom _fôr_ aos teus olhos.
16 E a Sarah disse: Vês que tenho dado ao teu irmão mil _moedas_ de
prata: eis que elle te seja por véu dos olhos para com todos os que
comtigo _estão_, e até para com todos os _outros_; e estás advertida.
17 E orou Abrahão a Deus, e sarou Deus a Abimelech, e á sua mulher, e ás
suas servas, de maneira que pariram;
18 Porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de
Abimelech, por causa de Sarah, mulher de Abrahão.
[1] cap. 12.13 e 26.7.
[2] Job 33.15. Psa. 105.14.
[3] Psa. 51.4.
[4] I Sam. 7.5. Job 42.8. Thi. 5.16.
[5] Pro. 3.5.
[6] cap. 12.16.
_O nascimento de Isaac._
[Antes de Christo 1892]
21 E o Senhor [1] visitou a Sarah, como tinha dito; e fez o Senhor a
Sarah como tinha fallado.
2 E [2] concebeu Sarah, e pariu a Abrahão um filho na sua velhice, ao
tempo determinado, que Deus lhe tinha dito.
3 E chamou Abrahão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sarah lhe [3]
parira, [AR] Isaac.
4 E Abrahão circumcidou o seu filho Isaac, quando era da edade de oito
dias, como Deus lhe tinha [4] ordenado.
5 E _era_ Abrahão da edade de cem annos, quando lhe nasceu Isaac seu
filho.
6 E disse Sarah: Deus me tem feito riso: todo aquelle que o ouvir, se
rirá commigo.
7 Disse mais: Quem diria a Abrahão, que Sarah daria de mamar a filhos?
porque pari-_lhe_ um filho na sua velhice.
8 E cresceu o menino, e foi desmamado; então Abrahão fez um grande
banquete no dia em que Isaac foi desmamado.
9 E viu Sarah [5] que zombava o filho de Hagar a Egypcia, o qual tinha
parido a Abrahão.
10 E disse a Abrahão: Deita fóra esta [6] serva e o seu filho; porque o
filho d’esta serva não herdará com meu filho, com Isaac.
11 E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abrahão, por causa de seu
filho.
12 Porém Deus disse a Abrahão: Não te pareça mal aos teus olhos ácerca do
moço, e ácerca da tua serva; em tudo o que Sarah te diz, ouve a sua voz;
porque [7] em Isaac será chamada a tua semente.
13 Mas tambem do [8] filho d’esta serva farei uma nação, porquanto _é_
tua semente.
_O despedimento de Hagar e Ishmael._
14 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e tomou pão, e um
odre d’agua, e os deu a Hagar, pondo-os sobre o seu hombro; tambem _lhe
deu_ o menino, e despediu-a; e ella foi-se, andando errante no deserto de
[AS] Berseba.
15 E consumida a agua do odre, lançou o menino debaixo de uma das arvores.
16 E foi-se, e assentou-se em frente, afastando-se a distancia d’um tiro
d’arco; porque dizia: Que não veja morrer o menino. E assentou-se em
frente, e levantou a sua voz, e chorou.
17 E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Hagar desde os
céus, e disse-lhe: Que tens, Hagar? não temas, porque Deus ouviu a voz do
moço desde o logar onde _está_.
18 Ergue-te, levanta o moço, e pega-lhe pela mão, porque d’elle farei uma
[9] grande nação.
19 E [10] abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço d’agua: e foi-se, e
encheu o odre d’agua, e deu de beber ao moço.
20 E era Deus com o moço, que cresceu; e habitou no deserto, e foi
frecheiro.
21 E habitou no deserto [11] de Paran; e sua mãe tomou-lhe mulher da
terra do Egypto.
_Abimelech faz um pacto com Abrahão._
22 E aconteceu n’aquelle mesmo tempo que Abimelech, com Phichol, [AT]
principe do seu exercito, fallou com Abrahão, dizendo: Deus _é_ [12]
comtigo em tudo o que fazes;
23 Agora pois, jura-me aqui por Deus que me não mentirás a mim, nem a meu
filho, nem a meu neto: segundo a beneficencia que te fiz, me farás a mim,
e á terra onde peregrinaste.
24 E disse Abrahão: Eu jurarei.
25 Abrahão, porém, reprehendeu a Abimelech por causa de um poço d’agua,
que os servos de Abimelech haviam tomado por [13] força.
26 Então disse Abimelech: Eu não sei quem fez isto; e tambem tu m’o não
fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje.
27 E tomou Abrahão ovelhas e vaccas, e deu-as a Abimelech; e fizeram
ambos concerto.
28 Poz Abrahão, porém, á parte sete cordeiras do rebanho.
29 E Abimelech disse a Abrahão: Para que estão aqui estas sete cordeiras,
que pozeste á parte?
30 E disse: Tomarás _estas_ sete cordeiras de minha mão, para que sejam
[14] em testemunho que eu cavei este poço.
31 Por isso se chamou aquelle logar [AU] Berseba, porquanto ambos juraram
ali.
32 Assim fizeram concerto em Berseba. Depois se levantou Abimelech
e Phichol, principe do seu exercito, e tornaram-se para a terra dos
philisteus.
33 E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus
[15] eterno.
34 E peregrinou Abrahão na terra dos philisteus muitos dias.
[1] I Sam. 2.21. Luc. 1.68.
[2] Heb. 11.11.
[3] cap. 17.19.
[4] Lev. 12.3. Act. 7.8.
[5] Gal. 4.29.
[6] Gal. 4.30.
[7] Rom. 9.7, 8. Heb. 11.18.
[8] cap. 16.10.
[9] ver. 13.
[10] Num. 22.31. II Reis 6.17, 20. Luc. 24.16, 31.
[11] Num. 10.12.
[12] cap. 26.28 e 39.2.
[13] cap. 26.15, 22.
[14] cap. 31.48. Jos. 22.27.
[15] Psa. 90.2.
_Deus manda Abrahão matar seu filho Isaac._
[Antes de Christo 1891]
22 E aconteceu [1] depois d’estas coisas, que tentou Deus a Abrahão, e
disse-lhe: Abrahão! E elle disse: Eis-me _aqui_.
2 E disse: Toma agora o teu filho, o teu unico filho, Isaac, a quem amas,
e vae-te á terra de Moriah, e offerece-o ali em holocausto sobre uma das
montanhas, que eu te direi.
3 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e albardou o seu
jumento, e tomou comsigo dois de seus moços e Isaac seu filho; e fendeu
lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao logar que Deus lhe
dissera.
4 Ao terceiro dia levantou Abrahão os seus olhos, e viu o logar de longe.
5 E disse Abrahão a seus moços: Ficae-vos aqui com o jumento, e eu e o
moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós.
6 E tomou Abrahão a lenha do holocausto, [2] e pôl-a sobre Isaac seu
filho; e elle tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.
7 Então fallou Isaac a Abrahão seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse:
Eis-me _aqui_, meu filho! E elle disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas
onde _está_ o cordeiro para o holocausto?
8 E disse Abrahão: Deus proverá para si [3] o cordeiro para o holocausto,
meu filho. Assim caminharam ambos juntos.
9 E vieram ao logar que Deus lhe dissera, e edificou Abrahão ali um
altar, e poz em ordem a lenha, e amarrou a Isaac seu filho, [4] e
deitou-o sobre o altar em cima da lenha.
10 E estendeu Abrahão a sua mão, e tomou o cutelo para immolar o seu
filho;
11 Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abrahão,
Abrahão! E elle disse: Eis-me _aqui_.
12 Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças
nada: porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho,
o teu unico.
13 Então levantou Abrahão os seus olhos, e olhou; e eis um carneiro
detraz _d’elle_, travado pelas suas pontas n’um [5] matto; e foi Abrahão,
e tomou o carneiro, e offereceu-o em holocausto, em logar de seu filho.
14 E chamou Abrahão o nome d’aquelle logar, [AV] o Senhor proverá; d’onde
se diz _até_ ao dia de hoje: No monte do Senhor [6] se proverá.
15 Então o anjo do Senhor bradou a Abrahão pela segunda vez desde os céus,
16 E disse: Por mim mesmo, [7] jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste
esta acção, e não negaste o teu filho, o teu unico,
17 Que devéras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua
semente como as [8] estrellas dos céus, e como a areia que _está_ na
praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos;
18 E em tua semente serão bemditas todas as nações da terra; [9]
porquanto obedeceste á minha voz.
19 Então Abrahão tornou aos seus moços, e levantaram-se, e foram juntos
para Berseba; e Abrahão habitou em Berseba.
20 E succedeu depois d’estas coisas, que annunciaram a Abrahão, dizendo:
Eis que tambem [10] Milcah pariu filhos a Nahor teu irmão:
21 Uz o seu primogenito, e Buz seu irmão, e Kemuel, pae d’Aram,
22 E Chesed, e Hazo, e Pildas, e Jidlaph, e Bethuel.
23 E Bethuel [11] gerou Rebecca: estes oito pariu Milcah a Nahor, irmão
de Abrahão.
24 E a sua concubina, cujo nome _era_ Reuma, ella pariu tambem a Tebah, e
Gaham, e Tahash e Maacah.
[1] Deu. 8.2.
[2] João 19.17.
[3] João 1.29. Apo. 5.6.
[4] Heb. 11.17. Thi. 2.21.
[5] I Cor. 10.13. II Cor. 1.9, 10.
[6] ver. 8.
[7] Luc. 1.73. Heb. 6.13, 14.
[8] Deu. 1.10. Jer. 33.22.
[9] I Sam. 2.30.
[10] cap. 11.29.
[11] cap. 24.15.
_A morte de Sarah._
[Antes de Christo 1860]
23 E foi a vida de Sarah cento e vinte e sete annos: _estes foram_ os
annos da vida de Sarah.
2 E morreu Sarah em [1] Kiriath-arba, que é Hebron, na terra de Canaan; e
veiu Abrahão lamentar a Sarah e chorar por ella.
3 Depois se levantou Abrahão de diante do seu morto, e fallou aos filhos
de Heth, dizendo:
4 Estrangeiro e peregrino sou entre vós: dae-me [2] possessão de
sepultura comvosco, para que eu sepulte o meu morto de diante da minha
face.
5 E responderam os filhos de Heth a Abrahão, dizendo-lhe:
6 Ouve-nos, meu senhor; principe de Deus _és_ no meio de nós; enterra
o teu morto na _mais_ escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te
vedará a sua sepultura, para enterrar o teu morto.
7 Então se levantou Abrahão, e inclinou-se diante do povo da terra,
diante dos filhos de Heth.
8 E fallou com elles, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu
morto de diante de minha face, ouvi-me e fallae por mim a Ephron, filho
de Zohar,
9 Que elle me dê a cova de Machpelah, que elle _tem_ no fim do seu campo;
que m’a dê pelo devido preço em herança de sepulchro no meio de vós.
10 Ora Ephron habitava no meio dos filhos de Heth: e respondeu Ephron
hetheo a Abrahão, aos ouvidos dos filhos de Heth, de todos os que
entravam pela porta da sua cidade, dizendo:
11 Não, meu senhor: ouve-me, o campo te dou, tambem te dou a cova que
n’elle _está_, diante dos olhos dos filhos do meu povo t’a dou; sepulta o
teu morto.
12 Então Abrahão se inclinou diante da face do povo da terra,
13 E fallou a Ephron, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Mas se tu
estás _por isto_, ouve-me, peço-te: o preço do campo _o_ darei; toma-o de
mim, e sepultarei ali o meu morto.
14 E respondeu Ephron a Abrahão, dizendo-lhe:
15 Meu senhor, ouve-me, a terra _é_ de quatrocentos siclos de prata; que
é isto entre mim e ti? sepulta o teu morto.
16 E Abrahão deu ouvidos a Ephron e Abrahão pesou a Ephron a prata de
que tinha fallado aos ouvidos dos filhos de Heth, quatrocentos siclos de
prata, correntes entre mercadores.
17 Assim o campo de Ephron, que _estava_ em Machpelah, em frente de
Mamre, o campo e a cova que n’elle _estava_, e todo o arvoredo que no
campo _havia_, que _estava_ em todo o seu contorno ao redor,
18 Se confirmou a Abrahão em possessão diante dos olhos dos filhos de
Heth, de todos os que entravam pela porta da sua cidade.
19 E depois sepultou Abrahão a Sarah sua mulher na cova do campo de
Machpelah, em frente de Mamre, que é Hebron, na terra de Canaan.
20 Assim o campo e a cova que n’elle _estava_ se confirmou a Abrahão em
possessão de sepultura pelos filhos de Heth.
[1] Jos. 14.15. cap. 13.18.
[2] Act. 7.5.
_Abrahão manda seu servo buscar uma mulher para Isaac._
[Antes de Christo 1857]
24 E era Abrahão já velho _e_ adiantado em edade, e o Senhor havia [1]
abençoado a Abrahão em tudo.
2 E disse Abrahão ao [2] seu servo, o mais velho da casa, que tinha o
governo sobre tudo o que possuia: [3] Põe agora a tua mão debaixo da
minha coxa,
3 Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra,
que não tomarás para meu filho [4] mulher das filhas dos cananeos no meio
dos quaes eu habito,
4 Mas [5] que irás á minha terra e á minha parentela, e _d’ahi_ tomarás
mulher para meu filho Isaac.
5 E disse-lhe o servo: Porventura não quererá seguir-me a mulher a esta
terra. Farei pois tornar o teu filho á terra d’onde saiste?
6 E Abrahão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho.
7 O Senhor, Deus dos [6] céus, que me [7] tomou da casa de meu pae e da
terra da minha parentela, e que me fallou, e que me jurou, dizendo: Á
tua semente darei esta terra: Elle enviará o seu [8] anjo adiante da tua
face, para que tomes mulher de lá para meu filho.
8 Se a mulher, porém, não quizer seguir-te, serás livre d’este meu
juramento; sómente não faças lá tornar a meu filho.
9 Então poz o servo a sua mão debaixo da coxa de Abrahão seu senhor, e
jurou-lhe sobre este negocio.
10 E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois
que toda a fazenda de seu senhor _estava_ em sua mão, e levantou-se e
partiu para [AW] Mesopotamia, para a cidade de [9] Nahor,
11 E fez ajoelhar os camelos fóra da cidade, junto a um poço d’agua, pela
tarde, ao tempo que as moças sahiam a tirar [10] _agua_.
12 E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão! [11] dá-me hoje bom
encontro, [12] e faze beneficencia ao meu senhor Abrahão!
13 Eis que eu estou em pé junto á fonte d’agua, e as filhas dous varões
d’esta cidade saem para tirar agua;
14 Seja pois que a donzella, a quem eu disser: Abaixa agora o teu cantaro
para que eu beba; e ella disser: Bebe, e tambem darei de beber aos teus
camelos; esta _seja_ a quem designaste ao teu servo Isaac, e que eu [13]
conheça n’isso que fizeste beneficencia a meu senhor.
_O encontro de Rebecca._
15 E succedeu [14] que, antes que elle acabasse de fallar, eis que
Rebecca, que havia nascido a Bethuel, filho de Milcah, mulher de Nahor,
irmão de Abrahão, sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro.
16 E a donzella _era_ mui formosa á vista, virgem, a quem varão não havia
conhecido: e desceu á fonte, e encheu o seu cantaro, e subiu.
17 Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Ora deixa-me beber uma
pouca d’agua do teu cantaro.
18 E ella disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se, e abaixou o seu cantaro
sobre a sua mão, e deu-lhe de beber.
19 E, acabando ella de lhe dar de beber, disse: Tirarei tambem _agua_
para os teus camelos, até que acabem de beber.
20 E apressou-se, e vasou o seu cantaro na pia, e correu outra vez ao
poço para tirar _agua_, e tirou para todos os seus camelos.
21 E o varão estava admirado de vel-a, calando-se, para saber se o Senhor
havia prosperado a sua jornada, ou não.
22 E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o varão um
pendente de oiro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas
mãos, do peso de dez _siclos_ de oiro.
23 E disse: De quem _és_ filha? faze-m’o saber, peço-te; ha tambem em
casa de teu pae logar para nós pousarmos?
24 E ella lhe disse: Eu _sou_ a filha de [15] Bethuel, filho de Milcah, o
qual ella pariu a Nahor.
25 Disse-lhe mais: Tambem temos palha e muito pasto, e logar para passar
a noite.
26 Então inclinou-se [16] aquelle varão, e adorou ao Senhor,
27 E disse: Bemdito _seja_ o Senhor Deus de meu senhor Abrahão, que não
retirou a sua beneficencia e a sua verdade de meu senhor: quanto a mim, o
Senhor me guiou no caminho á casa dos irmãos de meu senhor.
28 E a donzella correu, e fez saber estas coisas na casa de sua mãe.
29 E Rebecca tinha um irmão, cujo nome _era_ [17] Labão; e Labão correu
ao encontro d’aquelle varão á fonte.
30 E aconteceu que, quando elle viu o pendente, e as pulseiras sobre as
mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebecca, que
dizia: Assim me fallou aquelle varão; veiu o varão, e eis que estava em
pé junto aos camelos á fonte.
31 E disse: Entra, bemdito do Senhor, porque estarás fóra? pois eu já
preparei a casa, e o logar para os camelos.
32 Então veiu aquelle varão á casa, e desataram os camelos, e deram palha
e pasto aos camelos, e agua para lavar os pés d’elle e os pés dos varões
que _estavam_ com elle.
33 Depois pozeram de comer diante d’elle; elle porém disse: Não [18]
comerei, até que tenha dito as minhas palavras. E elle disse: Falla.
34 Então disse: Eu _sou_ o servo d’Abrahão.
35 E o Senhor [19] abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi
engrandecido, [20] e deu-lhe ovelhas e vaccas, e prata e oiro, e servos e
servas, e camelos e jumentos.
36 E Sarah, a mulher do meu senhor, pariu um filho a meu senhor depois da
sua velhice, e elle deu-lhe tudo quanto tem.
37 E meu senhor me fez [21] jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu
filho das filhas dos cananeos, em cuja terra habito:
38 Irás porém á casa de meu pae, e á minha familia, e tomarás mulher para
meu filho.
39 Então disse eu ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.
40 E _elle_ me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o
seu anjo comtigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para
meu filho da minha familia e da casa de meu pae:
41 Então serás livre do meu juramento, quando fores á minha familia; e se
não t’a derem, livre serás do meu juramento.
42 E hoje cheguei á fonte, e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão!
se tu agora prosperas o meu caminho, no qual eu ando,
43 Eis que estou junto á fonte d’agua: seja pois que a donzella que sair
para tirar _agua_ e á qual eu disser: Ora dá-me uma pouca d’agua do teu
cantaro;
44 E ella me disser: Bebe tu tambem, e tambem tirarei agua para os [22]
teus camelos; esta _seja_ a mulher que o Senhor designou ao filho de meu
senhor.
45 E antes que eu acabasse de fallar no [23] meu coração, eis que Rebecca
sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro, e desceu á fonte, e tirou
_agua_; e eu lhe disse: Ora dá-me de beber.
46 E ella se apressou, e abaixou o seu cantaro de sobre si, e disse:
Bebe, e tambem darei de beber aos teus camelos; e bebi, e ella deu tambem
de beber aos camelos.
47 Então lhe perguntei, e disse: De quem _és_ filha? E ella disse: Filha
de Bethuel, filho de Nahor, que lhe pariu Milcah. Então eu puz o pendente
no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos;
48 E inclinando-me adorei ao Senhor, e bemdisse ao Senhor, Deus do meu
senhor Abrahão, [24] que me havia encaminhado pelo caminho da verdade,
para tomar a filha do irmão de meu senhor para seu filho.
49 Agora pois, se vós haveis de fazer beneficencia e verdade a meu
senhor, fazei-m’o saber; e se não _tambem_ m’o fazei saber, para que eu
olhe á mão direita, ou á esquerda.
50 Então responderam Labão e Bethuel, e disseram: Do Senhor procedeu este
negocio; não podemos fallar-te mal ou [25] bem.
51 Eis que, Rebecca _está_ diante da tua face; toma-a, e vae-te; seja a
mulher do filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.
52 E aconteceu que, o servo de Abrahão, ouvindo as suas palavras,
inclinou-se á terra diante do Senhor,
53 E tirou o servo [AX] vasos de prata e vasos de oiro, e vestidos, e
deu-os a Rebecca; tambem deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.
54 Então comeram e beberam, elle e os varões que com elle estavam, e
passaram a noite. E levantaram-se pela manhã, e disse: Deixae-me ir a meu
senhor.
55 Então disseram seu irmão e sua mãe: Fique a donzella comnosco _alguns_
dias, ou pelo menos dez dias, depois irá.
56 Elle porém lhes disse: Não me detenhaes, pois o Senhor tem prosperado
o meu caminho; deixae-me partir, que eu volte a meu senhor.
57 E disseram: Chamemos a donzella, e perguntemos-lh’o.
_Rebecca consente em casar com Isaac._
58 E chamaram a [26] Rebecca, e disseram-lhe: Irás tu com este varão?
Ella respondeu: Irei.
59 Então despediram a Rebecca sua [27] irmã, e sua ama, e o servo de
Abrahão, e seus varões.
60 E [28] abençoaram a Rebecca, e disseram-lhe: O nossa irmã, sejas tu
em milhares de milhares, e que a tua semente possua a [29] porta de seus
aborrecedores!
61 E Rebecca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os camelos, e
seguiram o varão: e tomou aquelle servo a Rebecca, e partiu.
62 Ora Isaac vinha d’onde se vem do poço de Lahai-roi; porque habitava na
terra do sul.
63 E Isaac saira a orar [AY] no campo, sobre a tarde: e levantou os seus
olhos, e olhou, e eis que os camelos vinham.
64 Rebecca tambem levantou seus olhos, e viu a Isaac, e lançou-se do [30]
camelo.
65 E disse ao servo: Quem _é_ aquelle varão que vem pelo campo ao nosso
encontro? E o servo disse: Este _é_ meu senhor. Então tomou ella o véu, e
cobriu-se.
66 E o servo contou a Isaac todas as coisas que fizera.
67 E Isaac trouxe-a para a tenda de sua mãe Sarah, e tomou a Rebecca, e
foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaac foi consolado depois _da morte_
de sua mãe.
[1] cap. 13.2.
[2] cap. 15.2.
[3] cap. 47.29.
[4] Deu. 7.3.
[5] cap. 11.28 e 28.2.
[6] Esd. 1.2.
[7] cap. 12.1, 7.
[8] Heb. 1.14.
[9] cap. 11.31.
[10] Exo. 2.16. I Sam. 9.11.
[11] ver. 27. cap. 26.24. Exo. 3.6.
[12] Neh. 1.11. Pro. 3.6.
[13] Jui. 6.17, 37.
[14] Isa. 65.24. Dan. 9.21.
[15] cap. 22.23.
[16] ver. 52. Exo. 4.31.
[17] cap. 29.5.
[18] João 4.34. Eph. 6.5, 7.
[19] Pro. 10.22 e 22.4.
[20] Psa. 18.35.
[21] ver. 3.
[22] Pro. 19.14.
[23] I Sam. 1.13. Neh. 2.4.
[24] Psa. 32.8 e 48.14 e 107.7.
[25] cap. 31.34. II Sam. 13.22.
[26] Psa. 45.10.
[27] cap. 35.8.
[28] Ruth 4.11, 12.
[29] cap. 22.17.
[30] Jos. 15.18. Jui. 1.14.
_Abrahão casa com Ketura e tem filhos d’ella._
25 E Abrahão tomou _outra_ mulher; e o seu nome _era_ [1] Ketura;
2 E pariu-lhe Zimran, e Joksan, e [2] Medan, e Midian, e Jisbac, e Shuah.
3 E Joksan gerou [3] Seba e Dedan: e os filhos de [4] Dedan foram
Assurim, e Letusim e Leummim.
4 E os filhos de Midian foram [5] Epha, e Epher, e Henoch, e Abidah, e
Eldah: estes todos _foram_ filhos de Ketura.
5 Porém Abrahão deu tudo o que tinha a Isaac;
6 Mas aos filhos das concubinas que Abrahão tinha, deu Abrahão presentes,
e, vivendo elle ainda, despediu-os do seu filho Isaac, ao oriente, para a
terra [6] oriental.
7 Estes pois _são_ os dias dos annos da vida de Abrahão, que viveu cento
e setenta e cinco annos.
_Abrahão morre._
[Antes de Christo 1822]
8 E Abrahão expirou e [7] morreu em boa velhice, velho e farto _de dias_:
[8] e foi congregado ao seu povo;
9 E sepultaram-o Isaac e Ishmael, seus filhos, na cova de Machpelah, no
campo d’Ephron, filho de Zohar hetheo, que _estava_ em frente de Mamre,
10 O campo que Abrahão comprara aos filhos de Heth. Ali está sepultado
Abrahão, e Sarah sua mulher.
11 E aconteceu depois da morte de Abrahão, que Deus abençoou a Isaac seu
filho; e habitava Isaac junto ao poço Lahai-roi.
_Os descendentes de Ishmael._
12 Estas porém são as gerações de Ishmael filho de Abrahão, que a serva
de Sarah, Hagar Egypcia, pariu a Abrahão.
13 E estes são os nomes dos filhos de Ishmael pelos seus nomes, segundo
as suas gerações: o [9] primogenito de Ishmael _era_ Nebajoth, depois
Kedar, e Abdeel, e Mibsam,
14 E Misma, e Duma, e Massa,
15 Hadar, e Tema, Jetur, Nafis, e Kedma.
16 Estes _são_ os filhos de Ishmael, e estes _são_ os seus nomes pelas
suas villas e pelos seus [AZ] castellos: doze principes [10] segundo as
suas [BA] familias.
17 E estes _são_ os annos da vida de Ishmael, cento e trinta e sete
annos; e elle expirou, e morreu, [11] e foi congregado ao seu povo.
18 E habitaram desde Havila até Sur, que _está_ em frente do Egypto, indo
para [BB] Assur; e fez o seu assento diante da face de todos os seus [12]
irmãos.
_Os descendentes de Isaac._
19 E estas _são_ as gerações de Isaac, filho de Abrahão: Abrahão gerou a
Isaac:
20 E era Isaac da edade de quarenta annos, quando tomou a Rebecca, filha
de Bethuel [BC] arameo de Paddan-aram, irmã de Labão arameo, por sua
mulher.
21 E Isaac orou instantemente ao Senhor por sua [13] mulher, porquanto
_era_ esteril; [14] e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebecca sua
mulher concebeu.
22 E os filhos luctavam dentro d’ella; então disse: Se assim _é_, porque
_sou_ eu _assim_? E foi-se a perguntar ao Senhor.
23 E o Senhor lhe disse: Duas nações _ha_ no teu ventre, e dois povos
se dividirão das tuas entranhas, e _um_ povo será mais forte do que o
_outro_ povo, e o maior servirá ao [15] menor.
_O nascimento de Esaú e Jacob._
[Antes de Christo 1838]
24 E cumprindo-se os seus dias para parir, eis gemeos no seu ventre.
25 E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido cabelludo; por isso
chamaram o seu nome [BD] Esaú.
26 E depois saiu o seu irmão, [16] agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú;
por isso se chamou o seu nome [BE] Jacob. E _era_ Isaac da edade de
sessenta annos quando os gerou.
27 E cresceram os meninos, e Esaú foi varão perito na caça, varão do
campo; mas Jacob _era_ varão simples, [17] habitando em tendas.
28 E amava Isaac a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebecca
amava a Jacob.
29 E Jacob cozera um guisado; e veiu Esaú do campo, e _estava_ elle [BF]
cançado:
30 E disse Esaú a Jacob: Deixa-me, peço-te, sorver d’esse _guisado_
vermelho, porque estou cançado. Por isso se chamou o seu nome [BG] Edom.
31 Então disse Jacob: Vende-me hoje a tua primogenitura.
32 E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me _servirá_
logo a primogenitura?
33 Então disse Jacob: Jura-me hoje. E jurou-lhe [18] e vendeu a sua
primogenitura a Jacob.
34 E Jacob deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas; e comeu, e bebeu, e
levantou-se, e foi-se. Assim desprezou Esaú a _sua_ primogenitura.
[1] I Chr. 1.32.
[2] Num. 22.4.
[3] I Sam. 10.1. Psa. 72.10.
[4] Jer. 25.23.
[5] Isa. 60.6.
[6] Jui. 6.3.
[7] cap. 15.15. Job 5.26.
[8] cap. 35.29 e 49.32.
[9] I Chr. 1.29.
[10] cap. 17.20.
[11] I Sam. 15.7.
[12] cap. 16.12.
[13] I Sam. 1.11. Luc. 1.13.
[14] I Chr. 5.20. I Chr. 23.13. Esd. 8.20. Pro. 10.24.
[15] Mal. 1.2, 4. Rom. 9.10, 12.
[16] Ose. 12.3.
[17] Heb. 11.9.
[18] cap. 27.36. Heb. 12.16.
_Isaac vae a Gerar por causa da fome._
[Antes de Christo 1804]
26 E havia fome na [1] terra, além da primeira fome, que foi nos dias de
Abrahão: por isso foi-se Isaac a Abimelech, [2] rei dos philisteus, em
Gerar.
2 E appareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egypto; habita na
terra que eu te disser:
3 Peregrina n’esta terra, e serei comtigo, e te abençoarei; porque a ti e
á tua semente darei todas estas [3] terras, e confirmarei o juramento que
tenho jurado a Abrahão teu pae;
4 E multiplicarei a tua semente como as estrellas dos céus, [4] e darei á
tua semente todas estas terras; e em tua semente serão bemditas todas as
nações da terra;
5 Porquanto Abrahão obedeceu á minha voz, e guardou o meu mandado, os
meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis.
6 Assim habitou Isaac em Gerar.
7 E perguntando-lhe os varões d’aquelle logar ácerca de sua mulher,
disse: _É_ minha irmã; [5] porque temia de dizer: [6] _É_ minha mulher;
para que porventura (_dizia elle_) me não matem os varões d’aquelle logar
por amor de Rebecca; porque _era_ formosa á vista.
8 E aconteceu que, como elle esteve ali muito tempo, Abimelech rei
dos philisteus olhou por uma janella, e viu, e eis que Isaac _estava_
brincando com Rebecca sua mulher.
9 Então chamou Abimelech a Isaac, e disse: Eis que na verdade _é_ tua
mulher; como pois disseste: _É_ minha irmã? E disse-lhe Isaac: Porque eu
dizia: Para que eu porventura não morra por causa d’ella.
10 E disse Abimelech: [7] Que _é_ isto _que_ nos fizeste? Facilmente se
teria deitado alguem d’este povo com a tua mulher, e tu terias trazido
sobre nós um delicto.
11 E mandou Abimelech a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar a este
varão ou a sua mulher, certamente morrerá.
12 E semeou Isaac n’aquella mesma terra, e achou n’aquelle mesmo anno
[BH] cem medidas, porque o Senhor o abençoava.
13 E engrandeceu-se o varão, e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui
grande;
14 E tinha possessão d’ovelhas, e possessão de vaccas, e muita gente de
serviço, de maneira que os philisteus o [8] invejavam.
15 E todos os poços, que os servos de seu pae tinham cavado nos dias de
seu pae Abrahão, os philisteus entulharam e encheram de terra.
16 Disse tambem Abimelech a Isaac: Aparta-te de nós; porque muito mais
poderoso te tens feito do que nós.
17 Então Isaac foi-se d’ali e fez o seu assento no valle de Gerar, e
habitou lá.
18 E tornou Isaac, e cavou os poços d’agua que cavaram nos dias de
Abrahão seu pae, e que os philisteus taparam depois da morte de Abrahão,
e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pae.
19 Cavaram pois os servos de Isaac n’aquelle valle, e acharam ali um
poço d’aguas vivas.
20 E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaac, dizendo.
Esta agua _é_ nossa. Por isso chamou o nome d’aquelle poço [BI] Esek,
porque contenderam com elle.
21 Então cavaram outro poço, e tambem porfiaram sobre elle: por isso
chamou o seu nome [BJ] Sitnah.
22 E partiu d’ali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre elle: por
isso chamou o seu nome [BK] Rehoboth, e disse: Porque agora nos alargou o
Senhor, e crescemos n’esta terra.
23 Depois subiu d’ali a Berseba,
24 E appareceu-lhe o Senhor n’aquella mesma noite, e disse: Eu _sou_
o Deus de Abrahão teu pae: [9] não temas, porque eu _sou_ comtigo, e
abençoar-te-hei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abrahão meu
servo.
25 Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a
sua tenda; e os servos de Isaac cavaram ali um poço.
_Abimelech faz um pacto com Isaac._
26 E Abimelech veiu a elle de Gerar, com Ahuzzath seu amigo, e Phichol,
[BL] principe do seu exercito.
27 E disse-lhes Isaac: Porque viestes a mim, pois que vós me aborreceis,
e [10] me enviastes de vós?
28 E elles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é comtigo,
pelo que dissemos: [11] Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e
façamos concerto comtigo,
29 Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos
sómente bem, e te deixámos ir em paz. Agora tu _és_ o bemdito do Senhor.
30 Então lhes fez um [12] banquete, e comeram e beberam;
31 E levantaram-se de madrugada, e juraram um ao outro; depois os
despediu Isaac, e despediram-se d’elle em paz.
32 E aconteceu n’aquelle mesmo dia que vieram os servos de Isaac,
e annunciaram-lhe ácerca do negocio do peço, que tinham cavado; e
disseram-lhe: Temos achado agua.
33 E chamou-o [BM] Seba: por isso _é_ o nome d’aquella cidade [BN]
Berseba até o dia de hoje.
34 Ora sendo Esaú da edade de quarenta annos, tomou por mulher a Judith,
filha de Beeri, hetheo, [13] e a Basmath filha de Elon, hetheo.
35 E _estas_ foram a Isaac e a Rebecca uma amargura [14] de espirito.
[1] cap. 12.10.
[2] cap. 20.2.
[3] cap. 13.15 e 15.18 e 22.16.
[4] cap. 22.16. Psa. 72.17.
[5] cap. 12.13 e 20.2, 13.
[6] Pro. 29.25.
[7] cap. 20.9.
[8] Ecc. 4.4.
[9] Psa. 27.1, 5. Isa. 51.12.
[10] ver. 16.
[11] cap. 21.23. Zac. 8.23.
[12] cap. 31.54.
[13] cap. 36.2.
[14] cap. 27.45.
_Isaac manda Esaú fazer-lhe um guisado._
[Antes de Christo 1726]
27 E aconteceu que, como Isaac envelheceu, e os seus olhos se
escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais
velho, e disse-lhe: Meu filho. E elle lhe disse: Eis-me _aqui_.
2 E elle disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha
morte;
3 Agora pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sae ao
campo, e apanha para mim _alguma_ caça,
4 E faze-me um guisado saboroso, como eu o amo, e traze-m’_o_, para que
eu coma; para que minha alma [1] te abençoe, antes que morra.
5 E Rebecca escutou quando Isaac fallava ao seu filho Esaú: e foi-se Esaú
ao campo, para apanhar caça que havia de trazer.
_Rebecca e Jacob enganam Isaac._
[Antes de Christo 1760]
6 Então fallou Rebecca a Jacob seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o
teu pae que fallava com Esaú teu irmão, dizendo:
7 Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te
abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte.
8 Agora pois, filho meu, ouve a minha voz n’aquillo que eu te mando:
9 Vae agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos das cabras, e
eu farei d’elles um guisado saboroso para teu pae, como elle ama,
10 E leval-o-has a teu pae, para que o coma; para que te abençoe antes da
sua morte.
11 Então disse Jacob a Rebecca, sua mãe: Eis que Esaú meu irmão _é_ varão
[2] cabelludo, e eu varão liso;
12 Porventura me apalpará o meu pae, e serei em seus olhos enganador:
assim trarei eu sobre mim maldição, e não benção.
13 E disse-lhe sua mãe: [3] Meu filho, sobre mim _seja_ a tua maldição;
sómente obedece á minha voz, e vae, traze-m’_os_.
14 E foi, e tomou-os, e trouxe-os a sua mãe; e sua mãe fez um guisado
saboroso, como seu pae amava.
15 Depois tomou Rebecca os vestidos [BO] de gala de Esaú, seu filho mais
velho, que _tinha_ comsigo em casa, e vestiu a Jacob, seu filho menor;
16 E com as pelles dos cabritos das cabras cobriu as suas mãos e a lisura
do seu pescoço;
17 E deu o guisado saboroso, e o pão que tinha preparado, na mão de Jacob
seu filho.
18 E veiu elle a seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse: Eis-me _aqui_;
quem _és_ tu, meu filho?
19 E Jacob disse a seu pae: Eu _sou_ Esaú, teu primogenito; tenho feito
como me disseste: levanta-te agora, assenta-te, e come da minha caça,
para que a tua alma me abençoe.
20 Então disse Isaac a seu filho: Como _é isto, que_ tão cedo a achaste,
filho meu? E elle disse: [4] Porque o Senhor teu Deus _a_ mandou ao meu
encontro.
21 E disse Isaac a Jacob: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho,
se _és_ meu filho Esaú mesmo, ou não.
22 Então se chegou Jacob a Isaac seu pae, que o apalpou, e disse: A voz
_é_ a voz de Jacob, porém as mãos _são_ as mãos de Esaú.
23 E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam [5] cabelludas, como
as mãos de Esaú seu irmão: e abençoou-o.
24 E disse: _És_ tu meu filho Esaú mesmo? E elle disse: Eu [6] _sou_.
25 Então disse: Faze chegar _isso_ perto de mim, para que coma da caça
de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lh’o, e comeu;
trouxe-lhe tambem vinho, e bebeu.
26 E disse-lhe Isaac seu pae: Ora chega-te, e beija-me, filho meu.
27 E chegou-se, e beijou-o; então cheirou o cheiro dos seus vestidos, e
[7] abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho _é_ como o cheiro
do campo, que o Senhor abençoou:
28 Assim pois te dê Deus do [8] orvalho dos céus, e das gorduras da
terra, e abundancia de trigo e de mosto:
29 Sirvam-te povos, e nações se incurvem a ti: sê senhor de teus irmãos,
[9] e os filhos da tua mãe se incurvem a ti: malditos _sejam_ os que te
amaldiçoarem, e bemditos _sejam_ os que te abençoarem.
_Esaú traz ao seu pae o guisado e descobre que Jacob já tomou a benção._
30 E aconteceu que, acabando Isaac de abençoar a Jacob, apenas Jacob
acabava de sair da face de Isaac seu pae, veiu Esaú, seu irmão, da sua
caça;
31 E fez tambem elle um guisado saboroso, e trouxe-_o_ a seu pae; e disse
a seu pae: Levanta-te, meu pae, e come da caça de teu filho, para que me
abençoe a tua alma.
32 E disse-lhe Isaac seu pae: Quem _és_ tu? E elle disse: Eu _sou_ teu
filho, o teu primogenito, Esaú.
33 Então estremeceu Isaac de um estremecimento muito grande; e disse:
Quem, pois, _é_ aquelle que apanhou a caça, e _m’a_ trouxe? e comi de
tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o: tambem será bemdito.
34 Esaú, ouvindo as palavras de seu pae, bradou com grande e mui amargo
brado, e disse a seu pae: [10] Abençoa-me tambem a mim, meu pae.
35 E elle disse: Veiu o teu irmão com subtileza, e tomou a tua benção.
36 Então disse elle: Não foi o seu nome _justamente_ chamado [11] Jacob,
por isso que já duas vezes me enganou? a minha primogenitura _me_ tomou,
e eis que agora _me_ tomou a minha benção. Mais disse: Não reservaste
pois para mim benção alguma?
37 Então respondeu Isaac, e disse a Esaú: Eis que o tenho posto por
senhor [12] sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos: e
de trigo e de mosto o tenho fortalecido;—que te farei pois agora _a ti_,
meu filho?
38 E disse Esaú a seu pae: Tens uma só benção, meu pae? abençoa-me tambem
a mim, meu pae. E levantou Esaú a sua voz, e chorou.
39 Então respondeu Isaac seu pae, e disse-lhe: Eis que nas gorduras
da terra será a tua habitação, e do orvalho dos céus do alto _serás
abençoado_,
40 E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém,
que quando te senhoreares, então sacudirás o seu jugo [13] do teu pescoço.
41 E aborreceu Esaú a Jacob por causa d’aquella benção, com que seu pae
o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-hão os dias de
luto de meu pae: e matarei a Jacob meu irmão.
42 E foram denunciadas a Rebecca estas palavras de Esaú, seu filho mais
velho; e ella enviou, e chamou a Jacob seu filho menor, e disse-lhe: Eis
que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, _propondo-se_ matar-te.
43 Agora pois, meu filho, ouve a minha voz, e levanta-te; acolhe-te a
Labão meu irmão, em [14] Haran,
44 E mora com elle alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;
45 Até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e se esqueça do que lhe
fizeste: então enviarei, e te farei vir de lá; porque seria eu desfilhada
tambem de vós ambos n’um mesmo dia?
46 E disse Rebecca a Isaac: [15] Enfadada estou da minha vida, por causa
das filhas de Heth; se Jacob tomar mulher das filhas de Heth, como estas
_são_ das filhas d’esta terra, para que me _será_ a vida?
[1] ver. 25.
[2] cap. 25.25.
[3] I Sam. 25.24. II Sam. 14.9.
[4] Exo. 20.7.
[5] ver. 16.
[6] Eph. 4.25.
[7] Heb. 11.20.
[8] Deu. 33.13, 28.
[9] cap. 25.23.
[10] Heb. 12.17.
[11] cap. 25.26, 34.
[12] ver. 29. II Sam. 8.14.
[13] II Reis 8.20. II Chr. 21.8.
[14] cap. 11.31.
[15] cap. 26.35.
_Isaac manda Jacob a Paddan-aram._
28 E Isaac chamou a Jacob, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não
tomes mulher de entre as filhas de [1] Canaan:
2 Levanta-te, vae a [2] Paddan-aram, á casa de [3] Bethuel, pae de tua
mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de [4] Labão, irmão de tua mãe;
3 E Deus Todo-poderoso te abençoe, e te faça fructificar, e te
multiplique, para que sejas uma multidão de povos;
4 E te dê [5] abenção de Abrahão, a ti e á tua semente comtigo, para que
em herança possuas a terra de tuas peregrinações, [6] que Deus deu a
Abrahão.
5 Assim enviou Isaac a Jacob, o qual se foi a Paddan-aram, a Labão, filho
de Bethuel [BP] arameo, irmão de Rebecca, mãe de Jacob e de Esaú.
6 Vendo pois Esaú [7] que Isaac abençoára a Jacob, e o enviára a
Paddan-aram, para tomar mulher para si d’ali, _e_ que, abençoando-o, lhe
ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaan;
7 E que Jacob obedecera a seu pae e a sua mãe, e se fôra a Paddan-aram;
8 Vendo tambem Esaú que as filhas de Canaan eram más aos olhos de Isaac
seu pae,
9 Foi-se Esaú a Ishmael, e tomou para si por mulher, além das suas
mulheres, a Mahalath filha de Ishmael, filho de Abrahão, irmã de Nebajoth.
_A visão da escada de Jacob._
10 Partiu pois Jacob de Berseba, e foi-se a Haran;
11 E chegou a um logar onde passou a noite, porque já o sol era posto;
e tomou uma das pedras d’aquelle logar, e _a_ poz por sua cabeceira, e
deitou-se n’aquelle logar,
12 E sonhou: e eis uma escada _era_ posta na terra, cujo topo tocava nos
céus: e eis que os [8] anjos de Deus subiam e desciam por ella;
13 E eis que o Senhor estava em cima d’ella, e disse: Eu _sou_ o Senhor,
o Deus de Abrahão [9] teu pae, e o Deus de Isaac: esta terra, em que
_estás_ deitado, t’a darei a ti e á tua semente:
14 E a tua semente será como o pó da [10] terra, e estender-se-ha ao
occidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua semente
serão bemditas todas as [11] familias da terra:
15 E eis que _estou_ comtigo, e te guardarei por onde quer que [12]
fores, e te farei tornar a esta [13] terra: porque te não deixarei, até
que te haja feito o que te tenho dito.
16 Acordado pois Jacob do seu somno, disse: Na verdade o Senhor está
n’este logar; e eu não o sabia.
17 E temeu, e disse: Quão terrivel _é_ este logar! Este não _é outro
logar_ senão a casa de Deus; e este _é_ a porta dos céus.
_A columna de Bethel._
18 Então levantou-se Jacob pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que
tinha posto por sua cabeceira, e a poz por columna, e derramou azeite em
cima d’ella.
19 E chamou o nome d’aquelle logar [BQ] Bethel: o nome porém d’aquella
cidade d’antes _era_ Luz.
20 E Jacob votou um voto, dizendo: Se Deus fôr commigo, [14] e me guardar
n’esta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestidos para vestir;
21 E eu em paz tornar á casa de meu pae, o Senhor me será por Deus;
22 E esta pedra que tenho posto por [15] columna será casa de Deus; e de
tudo quanto me deres, certamente te darei o dizimo.
[1] cap. 24.3.
[2] Ose. 12.12.
[3] cap. 25.20.
[4] cap. 24.29.
[5] cap. 12.2.
[6] cap. 17.8.
[7] cap. 27.33.
[8] João 1.51. Heb. 1.14.
[9] cap. 26.24.
[10] cap. 13.16.
[11] cap. 22.18.
[12] Psa. 121.5, 8.
[13] cap. 35.6.
[14] II Sam. 15.8.
[15] cap. 35.7.
_Jacob chega ao poço de Haran._
29 Então poz-se Jacob a pé, e foi-se á terra dos filhos de oriente;
2 E olhou, e eis um poço no campo, e eis tres rebanhos d’ovelhas que
estavam deitados junto a elle; porque d’aquelle poço davam de beber aos
rebanhos: e _havia_ uma grande pedra sobre a bocca do poço.
3 E ajuntavam ali todos os rebanhos, e removiam a pedra de sobre a bocca
do poço, e davam de beber ás ovelhas: e tornavam _a pôr_ a pedra sobre a
bocca do poço, no seu logar.
4 E disse-lhes Jacob: Meus irmãos, d’onde _sois_? E disseram: _Somos_ de
Haran.
5 E elle lhes disse: Conheceis a Labão, filho de Nachor? E disseram:
Conhecemos.
6 Disse-lhes mais: Está elle bem? E disseram: Está bem, e eis aqui Rachel
sua filha, que vem com as ovelhas.
7 E elle disse: Eis que ainda é muito dia, não _é_ tempo de ajuntar o
gado; dae de beber ás ovelhas, e ide, apascentae-_as_.
8 E disseram: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e
removam a pedra de sobre a bocca do poço, para que demos de beber ás
ovelhas.
_Jacob encontra Rachel._
9 _Estando_ elle ainda fallando com elles, veiu Rachel com as ovelhas de
seu pae: porque ella _era_ pastora.
10 E aconteceu que, vendo Jacob a Rachel, filha de Labão, irmão de sua
mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou Jacob, e revolveu a
pedra de sobre a bocca [1] do poço, e deu de beber ás ovelhas de Labão,
irmão de sua mãe.
11 E Jacob beijou a Rachel, e levantou a sua voz, e chorou.
12 E Jacob annunciou a Rachel que _era_ [2] irmão de seu pae, e que _era_
filho de Rebecca: então ella correu, e o annunciou a seu pae.
13 E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacob, filho de sua irmã,
correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o á sua casa: e
contou elle a Labão todas estas coisas.
14 Então Labão disse-lhe: Verdadeiramente _és_ tu o meu [3] osso e a
minha carne. E ficou com elle um mez inteiro.
15 Depois disse Labão a Jacob: Porque tu _és_ meu irmão, has de servir-me
de graça? declara-me qual _será_ o teu salario.
16 E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha _era_ Leah, e o nome
da menor Rachel.
17 Leah porém _tinha_ olhos [BR] tenros, mas Rachel era de formoso
semblante e formosa á vista.
18 E Jacob amava a Rachel, e disse: Sete annos te servirei por Rachel,
tua filha menor.
19 Então disse Labão: Melhor _é_ que eu t’a dê, do que eu a dê a outro
varão: fica commigo.
20 Assim [4] serviu Jacob sete annos por Rachel; e foram aos seus olhos
como poucos dias, pelo muito que a amava.
_Labão engana Jacob._
[Antes de Christo 1753]
21 E disse Jacob a Labão: Dá-_me_ minha mulher, porque meus dias são
cumpridos, para que eu entre a ella.
22 Então ajuntou Labão a todos os varões d’aquelle logar, e fez um
banquete.
23 E aconteceu, á tarde, que tomou Leah sua filha, e trouxe-lh’a: e
entrou a ella.
24 E Labão deu sua serva Zilpah a Leah sua filha _por_ serva.
25 E aconteceu pela manhã, eis que _era_ Leah; pelo que disse a Labão:
Porque me fizeste isso? não te tenho servido por Rachel? porque pois me
enganaste?
26 E disse Labão: Não se faz assim no nosso logar, que a menor se dê
antes da primogenita.
27 Cumpre a semana d’esta; então te daremos tambem a outra, pelo serviço
que ainda outros sete annos servires commigo.
_Jacob casa com Rachel._
28 E Jacob fez assim: e cumpriu a semana d’esta: então lhe deu por mulher
Rachel sua filha.
29 E Labão deu [5] sua serva Bilha por serva a Rachel, sua filha.
30 E entrou tambem a Rachel, [6] e amou tambem a Rachel mais do que a
Leah; e serviu com elle ainda outros sete annos.
31 Vendo pois o Senhor que Leah _era_ aborrecida, abriu a sua [7] madre;
porém Rachel _era_ esteril.
_O nascimento a Jacob de doze filhos e uma filha._
32 E concebeu Leah, e pariu um filho, e chamou o seu nome [BS] Ruben,
porque disse: Porque o Senhor attendeu á minha afflicção, por isso agora
me amará o meu marido.
33 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Porquanto o Senhor
ouviu que eu _era_ aborrecida, me deu tambem este; e chamou o seu nome
[BT] Simeão.
34 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Agora esta vez se
ajuntará meu marido commigo, porque tres filhos lhe tenho parido: por
isso chamou o seu nome [BU] Levi.
35 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao
Senhor. Por isso chamou o seu nome [BV] Judah: e cessou de parir.
[1] Exo. 2.17.
[2] cap. 13.8 e 14.14, 16. cap. 35.6.
[3] Jui. 9.2. II Sam. 5.1 e 19.12.
[4] Ose. 12.13.
[5] cap. 35.22 e 37.2.
[6] Deu. 21.15.
[7] Psa. 127.3. cap. 30.1.
30 Vendo pois Rachel que não paria filhos a Jacob, [1] teve Rachel inveja
de sua irmã, e disse a Jacob: Dá-me filhos, ou se não morro.
[Antes de Christo 1749]
2 Então se accendeu a ira de Jacob contra Rachel, e disse: _Estou_ eu no
logar de Deus, que te impediu o [2] fructo de teu ventre?
3 E ella disse: Eis aqui minha serva Bilha; entra a ella, para que pára
sobre os meus joelhos, e eu tambem [BW] seja edificada d’ella.
4 Assim lhe deu a Bilha sua serva por [3] mulher: e Jacob entrou a ella.
5 E concebeu Bilha, e pariu a Jacob um filho.
6 Então disse Rachel: Julgou-me Deus, e tambem ouviu a minha voz, e me
deu um filho; por isso chamou o seu nome [BX] Dan.
7 E Bilha, serva de Rachel, concebeu outra vez, e pariu a Jacob o segundo
filho.
8 Então disse Rachel: Com luctas de Deus tenho luctado com minha irmã,
tambem venci; e chamou o seu nome [BY] Naphtali.
9 Vendo pois Leah que cessava de parir, tomou tambem a Zilpah sua serva,
e deu-a a Jacob por mulher.
10 E pariu Zilpah, serva de Leah, um filho a Jacob.
11 Então disse Leah: [BZ] Vem uma turba: e chamou o seu nome [CA] Gad.
12 Depois pariu Zilpah, serva de Leah, um segundo filho a Jacob.
13 Então disse Leah: [CB] Para minha ventura; porque as filhas me terão
por bemaventurada: e chamou o seu nome [CC] Asher.
14 E foi Ruben nos dias da sega do trigo, e [4] achou mandrágoras no
campo. E trouxe-as a Leah, sua mãe. Então disse Rachel a Leah: Ora dá-me
das mandrágoras do teu filho.
15 E ella lhe disse: _É já_ pouco que hajas tomado o meu marido, tomarás
tambem as mandrágoras do meu filho? Então disse Rachel: Por isso se
deitará comtigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.
16 Vindo pois Jacob á tarde do campo, saiu-lhe Leah ao encontro, e disse:
A mim entrarás, porque certamente te aluguei com as mandrágoras do meu
filho. E deitou-se com ella aquella noite.
17 E ouviu [5] Deus a Leah, e concebeu, e pariu um quinto filho.
18 Então disse Leah: Deus _me_ tem dado o meu galardão, pois tenho dado
minha serva ao meu marido: e chamou o seu nome [CD] Issacar.
19 E Leah concebeu outra vez, e pariu a Jacob um sexto filho.
20 E disse Leah: Deus me deu a mim uma boa dadiva; d’esta vez morará o
meu marido commigo, porque lhe tenho parido seis filhos: e chamou o seu
nome [CE] Zebulon.
21 E depois pariu uma filha, e chamou o seu nome [CF] Dinah.
22 E lembrou-se Deus [6] de Rachel, e Deus a ouviu, e abriu a sua madre,
23 E ella concebeu, e pariu um filho, e disse: [7] Tirou-me Deus a minha
vergonha.
24 E chamou o seu nome [CG] José, dizendo: O Senhor me accrescente outro
filho.
25 E aconteceu que, como Rachel pariu a José, disse Jacob a Labão:
Deixa-me ir, que me vá ao meu logar, e á minha terra.
26 Dá-_me_ as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quaes te tenho
servido, e ir-me-hei; pois tu sabes o meu serviço, que te tenho feito.
_Labão faz um novo pacto com Jacob._
[Antes de Christo 1748]
27 Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos,
_fica commigo_. Tenho [CH] experimentado que o Senhor me abençoou [8] por
amor de ti.
28 E disse mais: Determina-me o teu salario, que _t’o_ darei.
29 Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu
gado commigo.
30 Porque o pouco que tinhas antes de mim, é augmentado até uma multidão:
e o Senhor te tem abençoado por meu trabalho. Agora pois, quando hei-de
trabalhar tambem por minha casa?
31 E disse _elle_: Que te darei? Então disse Jacob: Nada me darás; se me
fizeres isto, tornarei a apascentar _e_ a guardar o teu rebanho.
32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando d’elle todos os
salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os
malhados e salpicados entre as cabras: [9] e _isto_ será o meu salario.
33 Assim testificará por mim a minha justiça no dia d’ámanhã, quando
vieres e o meu salario estiver diante de tua face: tudo o que não
for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros,
ser-me-ha por furto.
34 Então disse Labão: Eis que oxalá seja conforme á tua palavra.
35 E separou n’aquelle mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas
as cabras salpicadas e malhadas, tudo em que _havia_ brancura, e todo o
moreno entre os cordeiros; e deu-os nas mãos dos seus filhos.
36 E poz tres dias de caminho entre si e Jacob: e Jacob apascentava o
resto dos rebanhos de Labão.
_A maneira como Jacob enganou Labão._
[Antes de Christo 1745]
37 Então tomou Jacob varas verdes d’alamo, e d’aveleira e de castanheiro,
e descascou n’ellas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas
_havia_,
38 E poz estas varas, que tinha descascado, em frente do rebanho, nos
canos e nas pias d’agua, aonde o rebanho vinha a beber, e conceberam
vindo a beber,
39 E concebia o rebanho diante das varas, e as ovelhas pariam listrados,
salpicados [10] e malhados.
40 Então separou Jacob os cordeiros, e poz as faces do rebanho para os
listrados, e todo o moreno entre o rebanho de Labão; e poz o seu rebanho
á parte, e não o poz com o rebanho de Labão.
41 E succedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacob
as varas diante dos olhos do rebanho nos canos, para que concebessem
diante das varas.
42 Mas quando enfraqueceu o rebanho, não as poz. Assim as fracas eram de
Labão, e as fortes de Jacob.
43 E cresceu o varão em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas,
e servos, e camelos e jumentos.
[1] I Thi. 4.5.
[2] I Sam. 1.5.
[3] cap. 16.3.
[4] Can. 7.13.
[5] Luc. 1.13.
[6] I Sam. 1.19.
[7] I Sam. 1.6. Isa. 4.1.
[8] cap. 39.3, 5.
[9] cap. 31.8.
[10] cap. 31.9, 12.
_Deus manda Jacob tornar á terra dos seus paes._
[Antes de Christo 1739]
31 Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacob tem
tomado tudo o que _era_ de nosso pae, e do que _era_ de nosso pae fez
elle [1] toda esta [CI] gloria.
2 Viu tambem Jacob o rosto de Labão, e eis que não _era_ para com elle
como d’hontem e d’ante-hontem.
3 E disse o Senhor a Jacob: Torna-te á terra dos teus paes, e á tua
parentela, [2] e eu serei comtigo.
4 Então enviou Jacob, e chamou a Rachel e a Leah ao campo, ao seu rebanho,
5 E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pae para commigo não _é_ como
d’hontem e d’ante-hontem; porém o Deus de meu pae esteve commigo;
6 E vós mesmas sabeis que com todo o meu poder tenho servido a vosso pae;
7 Mas vosso pae me enganou e mudou o salario dez vezes; [3] porém Deus
não lhe permittiu [4] que me fizesse mal.
8 Quando elle dizia assim: Os salpicados serão o teu salario; então todos
os rebanhos pariam salpicados. E quando elle dizia assim: Os listrados
serão o teu salario, então todos os teus rebanhos pariam listrados.
9 Assim Deus tirou o gado de vosso pae, e m’o deu a mim.
10 E succedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os
meus olhos, e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas,
_eram_ listrados, [5] salpicados e malhados.
11 E disse-me [6] o anjo de Deus em sonhos: Jacob. E eu disse: Eis-me
_aqui_.
12 E disse elle: Levanta agora os teus olhos, e vê todos os bodes que
cobrem o rebanho, _que são_ listrados, salpicados e malhados: [7] porque
tenho visto tudo o que Labão te fez.
13 Eu _sou_ o Deus de Beth-el, [8] onde teus ungido uma columna, onde me
tens votado o voto; levanta-te agora, sae-te d’esta terra, [9] e torna-te
á terra da tua parentela.
14 Então responderam Rachel e Leah, e disseram-lhe: _Ha_ ainda para nós
parte ou herança na casa de nosso pae?
15 Não nos considera elle como estranhas? [10] pois vendeu-nos, e comeu
de todo o nosso dinheiro.
16 Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pae, é nossa e de
nossos filhos: agora pois, faze tudo o que Deus te tem dito.
17 Então se levantou Jacob, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre
os camelos;
18 E levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o
gado que possuia, que alcançara em Paddan-aram, [11] para ir a Isaac, seu
pae, á terra de Canaan.
19 E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Rachel os
idolos [CJ] que seu pae _tinha_.
20 E esquivou-se Jacob de Labão o [CK] arameo, porque não lhe fez saber
que fugia.
21 E fugiu elle com tudo o que tinha, e levantou-se, [12] e passou o
rio: e poz o seu rosto _para_ a montanha de Gilead.
_Labão prosegue atraz de Jacob._
22 E no terceiro dia foi annunciado a Labão que Jacob tinha fugido.
23 Então tomou comsigo os seus irmãos, e atraz d’elle proseguiu o caminho
por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gilead.
24 Veiu porém Deus a Labão o arameo em sonhos de noite, [13] e disse-lhe:
Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.
25 Alcançou pois Labão a Jacob, e armara Jacob a sua tenda n’aquella
montanha: armou tambem Labão com os seus irmãos _a sua_ na montanha de
Gilead.
26 Então disse Labão a Jacob: Que fizeste, que te esquivaste de mim, e
levaste as minhas filhas como captivas pela espada?
27 Porque fugiste occultamente, e te esquivaste de mim, e não me fizeste
saber, para que eu te enviasse com alegria, e com canticos, e com
tamboril e com harpa?
28 Tambem não me permittiste beijar os meus filhos e as minhas filhas.
Loucamente _pois_ agora fizeste, fazendo _assim_.
29 Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pae
me fallou hontem á noite, dizendo: Guarda-te, que não falles com Jacob
nem bem nem mal.
30 E agora te querias ir _embora_, porquanto tinhas saudades de voltar a
casa de teu pae; [14] porque furtaste os meus deuses?
31 Então respondeu Jacob, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia
_commigo_, se porventura me não arrebatarias as tuas filhas.
32 Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de
nossos irmãos o que _é_ teu do que está commigo, e toma-o para ti. Pois
Jacob não sabia que Rachel os tinha furtado.
33 Então entrou Labão na tenda de Jacob, e na tenda de Leah, e na tenda
d’ambas as servas, e não _os_ achou; e saindo da tenda de Leah, entrou na
tenda de Rachel.
34 Mas tinha tomado Rachel os idolos, [15] e os tinha posto na albarda de
um camelo, e assentara-se sobre elles; e apalpou Labão toda a tenda, e
não _os_ achou.
35 E ella disse a seu pae: Não se accenda a ira aos olhos de meu senhor,
[16] que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto _tenho_ o
costume das mulheres. E elle procurou, mas não achou os idolos.
36 Então irou-se Jacob, [17] e contendeu com Labão; e respondeu Jacob, e
disse a Labão: Qual _é_ a minha transgressão? qual _é_ o meu peccado, que
_tão_ furiosamente me tens perseguido?
37 Havendo apalpado todos os meus moveis, que achaste de todos os moveis
da tua casa? põe-o aqui diante dos meus irmãos, e teus irmãos; e _que_
julguem entre nós ambos.
38 Estes vinte annos eu _estive_ comtigo, as tuas ovelhas e as tuas
cabras nunca moveram, e não comi os carneiros do teu rebanho.
39 Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o
furtado de noite [18] da minha mão o requerias.
40 Estive eu _de sorte que_ de dia me consumia o calor, e de noite a
geada; e o meu somno foi-se dos meus olhos.
41 Tenho estado agora vinte annos na tua casa; [19] quatorze annos te
servi por tuas duas filhas, e seis annos por teu rebanho; [20] mas o meu
salario tens mudado dez vezes.
42 Se o Deus de meu pae, o Deus de Abrahão, e o Temor de Isaac [21] não
fôra commigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus attendeu á minha
afflicção, e ao trabalho das minhas mãos, e reprehendeu-_te_ hontem á
noite.
_O pacto entre Labão e Jacob em Galeed._
43 Então respondeu Labão, e disse a Jacob: _Estas_ filhas _são_ minhas
filhas, e _estes_ filhos _são_ meus filhos, e _este_ rebanho _é_ o meu
rebanho, e tudo o que vês, meu _é_: e que farei hoje a estas minhas
filhas, ou a seus filhos, que pariram?
44 Agora pois vem, [22] e façamos concerto eu e tu, que seja por
testemunho entre mim e ti.
45 Então tomou Jacob [23] uma pedra, e erigiu-a _por_ columna.
46 E disse Jacob a seus irmãos: Ajuntae pedras. E tomaram pedras, e
fizeram um montão, e comeram ali sobre aquelle montão.
47 E chamou-o Labão [CL] Jegar-sahadutha: porém Jacob chamou-o [CM]
Galeed.
48 Então disse Labão: Este montão _seja_ hoje [24] por testemunha entre
mim e entre ti: por isso se chamou o seu nome Galeed,
49 E [CN] Mizpah, porquanto disse: Attente o Senhor entre mim e ti,
quando nós estivermos apartados um do outro:
50 Se affligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas
filhas, ninguem _está_ comnosco: attenta [25] que Deus _é_ testemunha
entre mim e ti.
51 Disse mais Labão a Jacob: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa
columna que levantei entre mim e entre ti.
52 Este montão _seja_ testemunha, e esta columna _seja_ testemunha, que
eu não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e
esta columna a mim, para mal.
53 O Deus de Abrahão, e o Deus de Nahor, o Deus de seu pae julgue entre
nós. [26] E jurou Jacob pelo Temor de seu pae Isaac.
54 E sacrificou Jacob um sacrificou na montanha, e convidou seus irmãos,
para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.
55 E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos, e
suas filhas, e abençoou-os, e partiu; e voltou Labão ao seu logar.
[1] Ecc. 4.4.
[2] cap. 28.15.
[3] Num. 14.22. Neh. 4.12. Job 19.3. Zac. 8.23.
[4] Job 1.10. Psa. 37.28 e 105.14.
[5] cap. 30.39.
[6] cap. 48.16.
[7] Ecc. 5.8.
[8] cap. 28.18.
[9] cap. 32.9.
[10] cap. 29.15, 27.
[11] cap. 28.21.
[12] cap. 15.18.
[13] cap. 20.3. Job 33.15.
[14] Jui. 18.24.
[15] ver. 19.
[16] Jos. 24.2.
[17] Eph. 4.26.
[18] Exo. 22.10, 13.
[19] cap. 29.18, 30.
[20] ver. 7.
[21] ver. 53.
[22] cap. 26.28.
[23] cap. 28.18.
[24] Jui. 22.27 e 24.27.
[25] I Sam. 12.5. Jer. 42.5.
[26] Ose. 10.14.
32 E foi _tambem_ Jacob o seu caminho, e encontraram-o [1] os anjos de
Deus.
2 E Jacob disse, quando os viu: Este _é_ o exercito de Deus. E chamou o
nome d’aquelle logar [CO] Mahanaim.
_Jacob envia mensageiros a Esaú._
3 E enviou Jacob mensageiros diante da sua face a Esaú seu irmão, á terra
de Seir, territorio de Edom.
4 E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: [2] Assim diz
Jacob, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e me detive _lá_ até
agora;
5 E tenho bois e jumentos, ovelhas, e servos e servas; e enviei para _o_
annunciar a meu senhor, para que ache graça em teus olhos.
6 E os mensageiros tornaram a Jacob, dizendo: Viemos a teu irmão Esaú; e
tambem elle vem a encontrar-te, e quatrocentos varões com elle.
7 Então Jacob temeu muito, e angustiou-se; e repartiu o povo que com elle
estava, e as ovelhas, e as vaccas, e os camelos, em dois bandos.
8 Porque dizia: Se Esaú vier a um bando, e o ferir, o outro bando
escapará.
9 Disse mais Jacob: Deus de meu pae Abrahão, e Deus de meu pae Isaac, o
Senhor, [3] que me disseste: Torna-te á tua terra, e á tua parentela, e
far-te-hei bem;
10 Menor sou eu que todas as beneficencias, e que toda a fidelidade que
fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e [4]
agora me tornei em dois bandos;
11 Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú: porque o temo,
que porventura não venha, [5] e me fira, _e_ a mãe com os filhos.
12 E tu o disseste: Certamente te farei bem, [6] e farei a tua semente
como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.
13 E passou ali aquella noite; e tomou do que lhe veiu á sua mão, [7] um
presente para seu irmão Esaú:
14 Duzentas cabras, e vinte bodes; duzentas ovelhas, e vinte carneiros;
15 Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vaccas, e dez
novilhos; vinte jumentas, e dez jumentinhos;
16 E deu-o na mão dos seus servos, cada rebanho á parte, e disse a seus
servos: Passae adiante da minha face, e ponde espaço entre rebanho e
rebanho.
17 E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar,
e te perguntar, dizendo: De quem _és_, e para onde vaes, e cujos _são_
estes diante da tua face,
18 Então dirás: São de teu servo Jacob, presente que envia a meu senhor,
a Esaú; e eis que elle mesmo vem tambem atraz de nós.
19 E ordenou tambem ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham
atraz dos rebanhos, dizendo: Conforme a esta mesma palavra, fallareis a
Esaú, quando o achardes.
20 E direis tambem: Eis que o teu servo Jacob _vem_ atraz de nós. Porque
dizia: [8] _Eu_ o aplacarei com o presente, que vae diante de mim, e
depois verei a sua face; porventura acceitará a minha face.
21 Assim passou o presente diante da sua face; elle porém passou aquella
noite no arraial.
_Jacob passa o váo de Jabbok e lucta com um Anjo._
22 E levantou-se aquella mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as
suas duas servas, e os seus onze filhos, [9] e passou o váo de Jabbok.
23 E tomou-os, e fel-os passar o ribeiro; e fez passar _tudo_ o que
tinha.
24 Jacob porém ficou só; e luctou com elle um varão, até que a alva subia.
25 E vendo que não prevalecia contra elle, tocou a juntura de sua côxa, e
se deslocou a juntura da côxa de Jacob, luctando com elle.
26 E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém elle disse: [10]
Não te deixarei ir, se me não abençoares.
27 E disse-lhe: Qual _é_ o teu nome? E elle disse: Jacob.
28 Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas [CP]
Israel: pois como principe luctaste com Deus, [11] e com os homens, e
prevaleceste.
29 E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E
disse: Porque perguntas pelo meu nome? [12] E abençoou-o ali.
30 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar [CQ] Peniel, porque _dizia_:
Tenho visto a Deus face a face, [13] e a minha alma foi salva.
31 E saiu-lhe o sol, quando passou a Penuel; e manquejava da sua côxa.
32 Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que _está_
sobre a juntura da côxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da
côxa de Jacob no nervo encolhido.
[1] Psa. 91.11. Heb. 1.14.
[2] Pro. 15.1.
[3] Psa. 50.15. cap. 31.3, 13.
[4] Psa. 18.35.
[5] Ose. 10.14.
[6] cap. 28.13, 15.
[7] Pro. 18.16.
[8] Pro. 21.14.
[9] Deu. 3.16.
[10] Luc. 18.1.
[11] cap. 33.4.
[12] Jui. 13.18.
[13] Jui. 6.22 e 13.22, 23. Isa. 6.5.
_O encontro de Esaú e Jacob._
33 E levantou Jacob os seus olhos, e olhou, [1] e eis que vinha Esaú,
e quatrocentos homens com elle. Então repartiu os filhos entre Leah e
Rachel, e as duas servas.
2 E poz as servas e seus filhos na frente, e a Leah e seus filhos atraz:
porém a Rachel e José os derradeiros.
3 E elle mesmo passou adiante d’elles, e inclinou-se á terra sete vezes,
_até_ que chegou a seu irmão.
4 Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, [2] e lançou-se sobre o
seu pescoço, e beijou-o; e choraram.
5 Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e
disse: Quem _são_ estes comtigo? E elle disse: Os filhos que Deus
graciosamente tem dado a teu servo.
6 Então chegaram as servas; ellas, e os seus filhos, e inclinaram-se.
7 E chegou tambem Leah com seus filhos, e inclinaram-se: e depois chegou
José e Rachel, e inclinaram-se.
8 E disse _Esaú_: De que te _serve_ todo este bando que tenho encontrado?
E elle disse: [3] Para achar graça aos olhos de meu senhor.
9 Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão; [4] seja para ti o que
tens.
10 Então disse Jacob: Não, se agora tenho achado graça em teus olhos,
peço-te que tomes o meu presente da minha mão: porquanto tenho visto o
teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento
em mim.
11 Toma, peço-te, a minha benção, que te foi trazida; porque Deus
graciosamente _m_’a tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com elle,
até que a tomou.
12 E disse: Caminhemos, e andemos, e eu partirei adiante de ti.
13 Porém elle lhe disse: Meu senhor sabe que estes filhos _são_ tenros, e
que tenho commigo ovelhas e vaccas de leite; se as afadigarem sómente um
dia, todo o rebanho morrerá.
14 Ora passe o meu senhor diante da face de seu servo; e eu irei como
guia pouco a pouco, conforme ao passo do gado que _é_ adiante da minha
face, e conforme ao passo dos meninos, [5] até que chegue a meu senhor em
Seir.
15 E Esaú disse: Deixarei logo comtigo d’esta gente, que _está_ commigo.
E elle disse: Para que é isso? _Basta_ que eu ache graça aos olhos de meu
senhor.
16 Assim se tornou Esaú aquelle dia pelo seu caminho a Seir.
17 Jacob, porém, partiu para [6] Succoth e edificou para si [CR] uma
casa; e fez cabanas para o seu gado: por isso chamou o nome d’aquelle
logar [CS] Succoth.
_Jacob chega a Sichem e levanta um altar._
18 E chegou Jacob salvo á cidade de Sichem, [7] que _está_ na terra de
Canaan, quando vinha de Paddan-aram; e fez o seu assento diante da cidade.
19 E [8] comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda, da mão
dos filhos de Hemor, pae de Sichem, por cem peças de dinheiro.
20 E levantou ali um altar, [9] e chamou-o Deus, o Deus d’Israel.
[1] cap. 32.6.
[2] cap. 32.28.
[3] cap. 32.5.
[4] Pro. 16.7.
[5] cap. 32.3.
[6] Jos. 13.27. Jui. 8.5.
[7] João 4.5.
[8] Jos. 24.32. Act. 7.16.
[9] cap. 35.7.
_Dinah é desflorada._
[Antes de Christo 1732]
34 E saiu Dinah filha de Leah, [1] que parira a Jacob, para ver as filhas
da terra.
2 E Sichem filho de Hemor heveo, principe d’aquella terra, viu-a, e
tomou-a, e deitou-se com ella, e humilhou-a.
3 E apegou-se a sua alma com Dinah filha de Jacob, e amou a moça e
fallou [CT] affectuosamente á moça.
4 Fallou tambem Sichem a Hemor seu pae, dizendo: [2] Toma-me esta por
mulher.
5 Quando Jacob ouviu que contaminara a Dinah sua filha, estavam os seus
filhos no campo com o gado; e calou-se Jacob até que viessem.
6 E saiu Hemor pae de Sichem a Jacob, para fallar com elle.
7 E vieram os filhos de Jacob do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se
os varões, e iraram-se muito, porquanto fizera doidice em Israel,
deitando-se com a filha de Jacob; o que não se devia fazer assim.
8 Então fallou Hemor com elles, dizendo: A alma de Sichem meu filho está
namorada da vossa filha; dae-lh’a, peço-te, por mulher;
9 E aparentae-vos comnosco, dae-nos as vossas filhas, e tomae as nossas
filhas para vós;
10 E habitareis comnosco; e a terra estará diante da vossa face: habitae
e negociae n’ella, e tomae possessão n’ella.
11 E disse Sichem ao pae d’ella, e aos irmãos d’ella: Ache eu graça em
vossos olhos, e darei o que me disserdes:
12 Augmentae muito sobre mim o dote e a dadiva, e darei o que me
disserdes; dae-me sómente a moça por mulher.
13 Então responderam os filhos de Jacob a Sichem e a Hemor seu pae
enganosamente, e fallaram, porquanto havia contaminado a Dinah sua irmã.
14 E disseram-lhes: Não podemos fazer isso, que déssemos a nossa irmã a
um varão não circumcidado; [3] porque isso _seria_ uma vergonha para nós;
15 N’isso, porém, consentiremos a vós: se fôrdes como nós, que se
circumcide todo o macho entre vós:
16 Então dar-vos-hemos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas
filhas, e habitaremos comvosco, e seremos um povo;
17 Mas se não nos ouvirdes, e não vos circumcidardes, tomaremos a nossa
filha e ir-nos-hemos.
18 E suas palavras foram boas aos olhos de Hemor, e aos olhos de Sichem
filho de Hemor.
19 E não tardou o mancebo em fazer isto; porque a filha de Jacob lhe
contentava: e elle _era_ o mais honrado de toda a casa de seu pae.
20 Veiu pois Hemor e Sichem seu filho á porta da sua cidade, e fallaram
aos varões da sua cidade, dizendo:
21 Estes varões _são_ pacificos comnosco; portanto habitarão n’esta
terra, e negociarão n’ella; eis que a terra é larga de espaço diante da
sua face: tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as
nossas filhas:
22 N’isto, porém, consentirão aquelles varões, de habitar comnosco, para
que sejamos um povo, se todo o macho entre nós se circumcidar, como elles
_são_ circumcidados.
23 O seu gado, as suas possessões, e todos os seus animaes não serão
nossos? consintamos sómente com elles, e habitarão comnosco.
24 E deram ouvidos a Hemor, e a Sichem seu filho [4] todos os que sahiam
da porta da cidade; e foi circumcidado todo o macho, de todos os que
sahiam pela porta da sua cidade.
_A traição de Simeão e Levi._
25 E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a _mais violenta_
dôr, os dois filhos de Jacob, Simeão e Levi, irmãos de Dinah, tomaram
cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, [5] e mataram
todo o macho.
26 Mataram tambem ao fio da espada a Hemor, e a seu filho Sichem; e
tomaram a Dinah da casa de Sichem, e sairam.
27 Vieram os filhos de Jacob aos mortos e saquearam a cidade; porquanto
contaminaram a sua irmã.
28 As suas ovelhas, e as suas vaccas, e os seus jumentos, e o que na
cidade, e o que no campo _havia_, tomaram,
29 E toda a sua fazenda, e todos os seus meninos, e as suas mulheres
levaram presas, e despojaram-as, e tudo o que _havia_ em casa.
30 Então disse Jacob a Simeão e a Levi: Tendes-me turbado, [6] fazendo-me
cheirar mal entre os moradores d’esta terra, entre os Cananeus e
Phereseus, [7] _sendo_ eu pouco povo em numero; ajuntar-se-hão, e ficarei
destruido, eu e minha casa.
31 E elles disseram: Faria pois elle a nossa irmã como a uma prostituta?
[1] cap. 30.21. Tito 2.5.
[2] Jui. 14.2.
[3] Jos. 5.9.
[4] cap. 23.18.
[5] cap. 49.5, 7.
[6] Exo. 5.21.
[7] I Sam. 27.12.
_Deus manda Jacob a Bethel a levantar um altar._
35 Depois disse Deus a Jacob: [1] Levanta-te, sobe a Bethel, e habita
ali; e faz ali um altar ao Deus que te appareceu, quando fugiste diante
da face de Esaú teu irmão.
2 Então [2] disse Jacob á sua familia, e a todos os que com elle
_estavam_: Tiras os deuses estranhos, que ha no meio de vós, [3] e
purificae-vos, e mudae os vossos vestidos.
3 E levantemo-nos, e subamos a Bethel; e ali farei um altar ao Deus que
me respondeu no dia da minha angustia, [4] e _que_ foi commigo no caminho
que tenho andado.
4 Então deram a Jacob todos os deuses estranhos, que _tinham_ em suas
mãos, [5] e as arrecadas que _estavam_ em suas orelhas; e Jacob os
escondeu debaixo do carvalho que _está_ junto a Sichem.
5 E partiram; [6] e o terror de Deus foi sobre as cidades que _estavam_
ao redor d’elles, e não seguiram após os filhos de Jacob.
6 Assim chegou Jacob a Luz, que _está_ na terra de Canaan, (esta _é_
Bethel), elle e todo o povo que com elle _havia_.
7 E edificou ali um altar, e chamou aquelle logar [CU] El-beth-el:
porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado quando fugia diante da face
de seu irmão.
_A morte de Debora._
8 E morreu Debora, a ama de Rebecca, e foi sepultada ao pé de Bethel,
debaixo do carvalho cujo nome chamou [CV] Allonbachuth.
9 E appareceu Deus outra vez a Jacob, vindo de Paddan-aram, e abençoou-o.
10 E disse-lhe Deus: O teu nome _é_ Jacob; não se chamará mais o teu nome
Jacob, mas Israel será o teu nome. [7] E chamou o seu nome Israel.
11 Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-poderoso; [8] fructifica
e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis
procederão dos teus lombos;
12 E te darei a ti [9] a terra que tenho dado a Abrahão e a Isaac, e á
tua semente depois de ti darei a terra.
13 E Deus subiu d’elle, [10] do logar onde fallara com elle.
14 E Jacob poz uma columna no logar [11] onde fallara com elle, uma
columna de pedra; e derramou sobre ella uma libação, e deitou sobre ella
azeite.
15 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar, onde Deus fallara com elle,
Bethel.
_O nascimento de Benjamin e a morte de Rachel._
16 E partiram de Bethel: e havia ainda um pequeno espaço de terra para
chegar a Ephrata, e pariu Rachel, e ella teve trabalho em seu parto.
17 E aconteceu que, tendo ella trabalho em seu parto, lhe disse a
parteira: [12] Não temas, porque tambem este filho terás.
18 E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu
nome [CW] Benoni; mas seu pae o chamou [CX] Benjamin.
19 Assim morreu Rachel; [13] e foi sepultada no caminho d’Ephrata, este
_é_ Beth-lehem.
20 E Jacob poz uma columna sobre a sua sepultura; [14] esta _é_ a columna
da sepultura de Rachel até ao dia de hoje.
21 Então partiu Israel, e estendeu a sua tenda d’além de [CY] Migdal Eder.
22 E aconteceu que, [15] habitando Israel n’aquella terra, foi Ruben, e
deitou-se com Bilhah, concubina de seu pae; e Israel ouviu-o. E eram doze
os filhos de Jacob:
23 Os filhos de Leah: Ruben, o primogenito de Jacob, depois Simeão e
Levi, e Judah, e Issacar e Zebulon;
24 Os filhos de Rachel: José e Benjamin;
25 E os filhos de Bilhah, serva de Rachel: Dan e Naphtali;
26 E os filhos de Zilpah, serva de Leah: Gad e Aser. Estes _são_ os
filhos de Jacob, que lhe nasceram em Paddan-aram.
27 E Jacob veiu a seu pae Isaac, [16] a Mamre, a Kiriath-arba (que _é_
Hebron), onde peregrinaram Abrahão e Isaac.
28 E foram os dias de Isaac cento e oitenta annos.
29 E Isaac expirou, e morreu, [17] e foi recolhido aos seus povos, velho
e farto de dias; e Esaú e Jacob, seus filhos, o sepultaram.
[1] cap. 28.19.
[2] cap. 18.19.
[3] cap. 31.19. Psa. 101.2, 7. I Sam. 7.3.
[4] cap. 32.7, 24. cap. 28.20 e 31.3, 42.
[5] Ose. 2.13. Jos. 24.26. Jui. 9.6.
[6] Exo. 23.27. Deu. 11.25. Jos. 2.9. II Chr. 14.14.
[7] cap. 32.28.
[8] cap. 17.1. Exo. 6.3.
[9] cap. 12.7 e 26.3.
[10] cap. 17.22.
[11] cap. 28.18.
[12] I Sam. 4.20.
[13] cap. 48.7. Ruth 1.2. Miq. 5.2. Mat. 2.6.
[14] I Sam. 10.2.
[15] cap. 49.4. I Chr. 5.1. I Cor. 5.1.
[16] cap. 13.18. Jos. 14.15 e 15.13.
[17] cap. 25.8. cap. 25.9.
_Os descendentes de Esaú._
[Antes de Christo 1796]
36 E estas _são_ as gerações de Esaú ([1] que _é_ Edom).
2 Esaú tomou suas mulheres das filhas de Canaan: [2] a Adah, filha de
Elon hetheo, e a Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon heveo.
3 E a Basemath, filha de Ishmael, irmã de Nebajoth.
4 E Adah pariu a Esaú Eliphaz; [3] e Basemath pariu a Rehuel;
5 E Aholibamah pariu a Jeush, e Jaelam e Corah: estes _são_ os filhos de
Esaú, que lhe nasceram na terra de Canaan.
6 E Esaú tomou suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, e todas as
almas de sua casa, e seu gado, e todos os seus animaes, e toda a sua
fazenda, que havia adquirido na terra de Canaan; e foi-se a _outra_ terra
de diante da face de Jacob seu irmão;
7 Porque a fazenda d’elles era muita para habitarem juntos; e a terra de
suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado.
8 Portanto Esaú habitou [4] na montanha de Seir; Esaú é Edom.
9 Estas pois _são_ as gerações de Esaú, pae dos Idumeos, na montanha de
Seir.
10 Estes _são_ os nomes dos filhos de Esaú: Eliphaz, filho de Adah,
mulher de Esaú; Rehuel, filho de Basemath, mulher de Esaú.
11 E os filhos de Eliphsz foram: Teman, Omar, Zepho, e Gaetam, e Kenaz.
12 E Timnah era concubina de Eliphaz, filho de Esaú, e pariu a Eliphaz
Amelek: estes _são_ os filhos de Adah, mulher de Esaú.
13 E estes _foram_ os filhos de Rehuel: Nahath, e Zerah, Shammah, e
Mizzah: estes foram os filhos de Basemath, mulher de Esaú.
14 E estes foram os filhos de Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon,
mulher de Esaú: e pariu a Esaú: Jeush, e Jalam, e Corah.
15 Estes _são_ os principes dos filhos de Esaú; o filhos de Eliphaz,
o primogenito de Esaú, _foram_: o principe Teman, o principe Omar, o
principe Zepho, o principe Kenaz,
16 O principe Corah, o principe Gatam, o principe Amalek; estes são os
principes de Eliphaz na terra de Edom, estes _são_ os filhos de Adah.
17 E estes _são_ os filhos de Rehuel, filho de Esaú: o principe Nahath,
o principe Zerah, o principe Shammah, o principe Mizzah; estes são os
principes de Rehuel, na terra de Edom, estes _são_ os filhos de Besemath,
mulher de Esaú.
18 E estes _são_ os filhos de Aholibamah, mulher de Esaú: o principe
Jeush, o principe Jalam, o principe Corah; estes _são_ os principes do
Aholibamah, filha de Anah, mulher de Esaú.
19 Estes _são_ os filhos de Esaú, e estes são seus principes: elle _é_
Edom.
20 Estes _são_ os filhos de Seir horeo, [5] moradores d’aquella terra:
Lotan, e Sobal e Zibeon, e Anah.
21 E Dishon, e Eser, e Dishan; estes _são_ os principes dos horeos,
filhos de Seir, na terra de Edom.
22 E os filhos de Lotan foram: Hori e Hemam; e a irmã de Lotan _era_
Timnah.
23 Estes _são_ os filhos de Sobal: Alvan, e Manahath, e Ebal, e Shepho, e
Onam.
24 E estes _são_ os filhos de Zibeon: Ajah, e Anah; este é o Anah que
achou os [CZ] mulos no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeon
seu pae.
25 E estes _são_ os filhos de Anah: Dishon, e Aholibamah, a filha de Anah.
26 E estes _são_ os filhos de Dishon: Hemdam, e Eshban, e Ithran, e
Cheran.
27 Estes _são_ os filhos de Eser: Bilhan, e Zaavan, e Akan.
28 Estes _são_ os filhos de Dishan: Uz, e Aran.
29 Estes _são_ os principes dos horeos: O principe Lotan, o principe
Shobal, o principe Zibeon, o principe Anah,
30 O principe Dishon, o principe Eser, o principe Dishan; estes _são_ os
principes dos horeos segundo seus principes na terra de Seir.
31 E estes _são_ os reis que reinaram na terra de Edom, antes que
reinasse rei _algum_ sobre os filhos d’Israel.
32 Reinou pois em Edom Bela, filho de Beor, e o nome da sua cidade _foi_
Dinhaba.
33 E morreu Bela; e Jobab, filho de Zerah de Bosrah, reinou em seu logar.
34 E morreu Jobab; e Husam, da terra dos Temanitas, reinou em seu logar.
35 E morreu Husam, e em seu logar reinou Hadad, filho de Bedad, o que
feriu a Midian no campo de Moab; e o nome da sua cidade _foi_ Avith.
36 E morreu Hadad: e Samlah de Masreca reinou em seu logar.
37 E morreu Samlah; e Shaul de Rehoboth, _pelo_ rio, reinou em seu logar.
38 E morreu Shaul; e Baal-hanan, filho de Achbor, reinou em seu logar.
39 E morreu Baal-hanan, filho de Achbor; e Hadar reinou em seu logar, e
o nome da sua cidade _foi_ Pau; e o nome de sua mulher _foi_ Mehetabel,
filha de Matred, filha de Mezahab.
40 E estes _são_ os nomes dos principes de Esaú; segundo as suas
gerações, segundo os seus logares, com os seus nomes: o principe Timnah,
o principe Alvah, o principe Jetheth,
41 O principe Aholibamah, o principe Elah o principe Pinon,
42 O principe Kenez, o principe Teman, o principe Mibzar,
43 O principe Magdiel, o principe Iram: estes _são_ os principes de Edom,
segundo as suas habitações, na terra da sua possessão; este _é_ Esaú, pae
de Edom.
[1] cap. 25.30.
[2] cap. 26.34.
[3] I Chr. 1.35.
[4] Deu. 2.5. Jos. 24.4.
[5] cap. 14.6. Deu. 2.12, 22.
_José é vendido por seus irmãos._
[Antes de Christo 1729]
37 E Jacob habitou na terra das peregrinações de seu pae, [1] na terra de
Canaan.
2 Estas _são_ as gerações de Jacob. _Sendo_ José de dezesete annos,
apascentava as ovelhas com seus irmãos, e _estava_ este mancebo com os
filhos de Bilhah, e com os filhos de Zilpah, mulheres de seu pae; e José
trazia uma má fama d’elles a seu pae.
3 E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque _era_
filho da sua velhice; e fez-lhe uma tunica de _varias_ côres.
4 Vendo pois seus irmãos que seu pae o amava mais do que a todos os seus
irmãos, [2] aborreceram-o, e não podiam fallar com elle pacificamente.
5 Sonhou tambem José um sonho, que contou a seus irmãos: por isso o
aborreciam ainda mais.
6 E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado:
7 Eis que _estavamos_ atando mólhos no meio do campo, e eis que o meu
mólho se levantava, e tambem ficava em pé, e eis que os vossos mólhos o
rodeavam, e se inclinavam ao meu mólho.
8 Então lhe disseram seus irmãos: Tu pois devéras reinarás sobre nós? Por
isso tanto mais [3] o aborreciam por seus sonhos e por suas palavras.
9 E sonhou ainda outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que
ainda sonhei um sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrellas se
inclinavam a mim.
10 E contando-o a seu pae e a seus irmãos, reprehendeu-o seu pae, e
disse-lhe: Que sonho _é_ este que sonhaste? porventura viremos, eu e tua
mãe, e teus irmãos, para inclinar-nos a ti em terra?
11 Seus irmãos pois o invejavam; seu pae porém guardava este negocio _no
seu coração_.
12 E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pae, junto de Sichem.
13 Disse pois Israel a José: Não apascentam os teus irmãos junto de
Sichem? vem, e enviar-te-hei a elles. E elle lhe disse: Eis-me _aqui_.
14 E elle lhe disse: Ora vae-te, vê como estão teus irmãos, e como está
o rebanho, e traze-me resposta. [4] Assim o enviou do valle de Hebron, e
veiu a Sichem.
15 E achou-o um varão, porque eis que andava errado pelo campo, e
perguntou-lhe o varão, dizendo: Que procuras?
16 E elle disse: Procuro meus irmãos; dize-me, peço-te, onde elles
apascentam.
17 E disse aquelle varão: Foram-se d’aqui; porque ouvi-lhes dizer: Vamos
a Dothan. José pois seguiu atraz de seus irmãos, [5] e achou-os em Dothan.
18 E viram-o de longe, e, antes que chegasse a elles, [6] conspiraram
contra elle, para o matarem.
19 E disseram um ao outro: Eis lá vem o sonhador-mór!
20 Vinde pois agora, [7] e matemel-o, e lancemol-o n’uma d’estas covas, e
diremos: Uma besta fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos.
21 E ouvindo-o Ruben, livrou-o das suas mãos, e disse: Não lhe tiremos a
vida.
22 Tambem lhes disse Ruben: Não derrameis sangue; lançae-o n’esta cova,
que _está_ no deserto, e não lanceis mãos n’elle; para livral-o das suas
mãos, e para tornal-o a seu pae.
23 E aconteceu que, chegando José a seus irmãos, tiraram a José a sua
tunica, [8] a tunica de _varias_ côres, que trazia.
24 E tomaram-o, e lançaram-o na cova; porém a cova _estava_ vasia, não
_havia_ agua n’ella.
25 Depois assentaram-se a comer pão; e levantaram os seus olhos, e
olharam, [9] e eis que uma companhia de ishmaelitas vinha de Gilead; e
seus camelos traziam especiarias, e balsamo, e myrrha, e iam leval-os ao
Egypto.
26 Então Judah disse aos seus irmãos: Que proveito _haverá_ que matemos a
nosso irmão, e escondamos a [DA] sua morte?
27 Vinde, e vendamol-o a estes ishmaelitas, e não seja nossa mão sobre
elle; porque elle _é_ nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram.
28 Passando pois os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da
cova, [10] e venderam José por vinte _moedas_ de prata aos ishmaelitas,
os quaes levaram José ao Egypto.
29 Tornando pois Ruben á cova, eis que José não _estava_ na cova; [11]
então rasgou os seus vestidos,
30 E tornou a seus irmãos, e disse: O moço não _apparece_; e eu aonde
irei?
31 Então tomaram a tunica de José, e mataram um cabrito, e tingiram a
tunica no sangue,
32 E enviaram a tunica de _varias_ côres, e fizeram leval-a a seu pae, e
disseram: Temos achado esta _tunica_; conhece agora se esta _será_ ou não
a tunica de teu filho.
33 E conheceu-a, e disse: É a tunica de meu filho; uma besta fera o
comeu; [12] certamente é despedaçado José.
34 Então Jacob rasgou os seus vestidos, e poz sacco [13] sobre os seus
lombos, e lamentou a seu filho muitos dias.
35 E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o
consolarem; recusou porém ser consolado, e disse: Porquanto com chôro hei
de descer ao meu filho até á sepultura. Assim o chorou seu pae.
36 E os midianitas venderam-o no Egypto a Potifar, [DB] eunucho de
Pharaó, capitão da guarda.
[1] cap. 17.8 e 23.4 e 28.4. Heb. 11.9, 16.
[2] cap. 49.23. Psa. 38.19 e 69.4. Tito 3.3.
[3] cap. 42.6, 9 e 43.26 e 44.14. Psa. 119.22.
[4] cap. 35.27.
[5] II Reis 6.13.
[6] Psa. 31.13 e 37.12, 32. Mat. 21.38 e 27.1. João 11.53.
[7] Pro. 27.4.
[8] Mat. 27.28.
[9] ver. 28, 36. cap. 31.47. Jer. 8.22.
[10] Psa. 105.17. Zac. 11.12. Mat. 27.9. Act. 7.9.
[11] Num. 14.16. Jui. 11.35. Job 1.20.
[12] cap. 44.28.
[13] II Reis 19.1. Isa. 32.11. Jon. 3.5.
_Judah e Tamar._
[Antes de Christo 1727]
38 E aconteceu no mesmo tempo que Judah desceu de entre seus irmãos, e
entrou _na casa_ _d_’um varão de Adullam, cujo nome _era_ Hirah,
2 E viu Judah ali a filha d’um varão cananeu, cujo nome _era_ Shuah; e
tomou-a, e entrou a ella.
3 E ella concebeu, e pariu um filho, e chamou o seu nome [1] Er;
4 E tornou a conceber, e pariu um filho, e chamou o seu nome Onan;
5 E continuou ainda, e pariu um filho, e chamou o seu nome Selah; e elle
estava em Chezib, quando ella o pariu.
6 Judah pois tomou uma mulher para Er, o seu primogenito, e o seu nome
_era_ Tamar.
7 Er, porém, o primogenito de Judah, era mau aos olhos do Senhor, pelo
que o Senhor o matou.
8 Então disse Judah a Onan: Entra á mulher do teu irmão, [2] e casa-te
com ella, e suscita semente a teu irmão.
9 Onan, porém, soube que esta semente não havia de ser para elle; e
aconteceu que, quando entrava á mulher de seu irmão, derramava-_a_ na
terra, para não dar semente a seu irmão.
10 E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que tambem o matou.
11 Então disse Judah a Tamar sua nóra: Fica-te viuva na casa de teu
pae, até que Selah, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que
porventura não morra tambem este, como seus irmãos. Assim foi-se Tamar, e
ficou-se na casa de seu pae.
12 Passando-se pois muitos dias, morreu a filha de Shuah, mulher de
Judah; e depois se consolou Judah, e subiu aos tosquiadores das suas
ovelhas em Timnah, elle e Hirah seu amigo, o adullamita.
13 E deram aviso a Tamar, dizendo: [3] Eis que o teu sogro sobe a Timnah,
a tosquiar as suas ovelhas.
14 Então ella tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez, e cobriu-se
com o véu, e envolveu-se, e assentou-se [DC] á entrada das duas fontes
que _estão_ no caminho de Timnah, porque via que Selah já era grande, e
ella lhe não fôra dada por mulher.
15 E vendo-a Judah, teve-a por uma prostituta; [4] porque ella tinha
coberto o seu rosto.
16 E apartou-se a ella ao caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me entrar
a ti. Porquanto não sabia que _era_ sua nóra: e ella disse: Que darás,
para que entres a mim?
17 E elle disse: Eu _te_ enviarei um cabrito do rebanho. E ella disse:
Dás-me penhor até que o envies?
18 Então elle disse: Que penhor é que te darei? E ella disse: O teu
sello, e o teu lenço, [DD] e o cajado que _está_ em tua mão. O que elle
lhe deu, e entrou a ella, e ella concebeu d’elle.
19 E ella levantou-se, e foi-se, e tirou de sobre si o seu véu, [5] e
vestiu os vestidos da sua viuvez.
20 E Judah enviou o cabrito por mão do seu amigo o adullamita, para tomar
o penhor da mão da mulher, porém não a achou.
21 E perguntou aos homens d’aquelle logar, dizendo: Onde _está_ a
prostituta que _estava_ no caminho junto ás duas fontes? E disseram: Aqui
não esteve prostituta _alguma_.
22 E tornou-se a Judah, e disse: Não a achei; e tambem disseram os homens
d’aquelle logar: Aqui não esteve prostituta.
23 Então disse Judah: Tome-_o_ para si, para que porventura não venhamos
em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste.
24 E aconteceu que, quasi tres mezes depois, deram aviso a Judah,
dizendo: Tamar, tua nóra, tem fornicado, e eis que _está_ pejada da
fornicação. Então disse Judah: [6] Tirae-a fóra para que seja queimada.
25 E tirando-a fóra, ella mandou dizer a seu sogro: Do varão de quem
_são_ estas _coisas_ eu concebi. E ella disse mais: Conhece, peço-te, de
quem _é_ este sello, [7] e estes [DE] lenços e este cajado.
26 E conheceu-os Judah, e disse: Mais justa é _ella_ do que eu, [8]
porquanto não a tenho dado a Selah meu filho. E nunca mais a conheceu.
27 E aconteceu ao tempo de parir, eis que _havia_ gemeos em seu ventre;
28 E aconteceu que, parindo ella, que _um_ poz fóra a mão, e a parteira
tomou-a, e atou em sua mão um _fio_ de grã, dizendo: Este saiu primeiro.
29 Mas aconteceu que, tornando elle a recolher a sua mão, eis que saiu
o seu irmão, e ella disse: Como tu tens rompido? sobre ti é a rotura. E
chamaram o seu nome Perez;
30 E depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o _fio_ de grã; e
chamaram o seu nome Zerah.
[1] Num. 26.19. I Chr. 2.3.
[2] Deu. 25.5. Mat. 22.24.
[3] Jos. 15.57.
[4] Can. 1.7.
[5] II Sam. 14.2, 5.
[6] Lev. 21.9. Deu. 22.21.
[7] ver. 18.
[8] ver. 14.
_José em casa de Potifar._
[Antes de Christo 1720]
39 E José foi levado ao Egypto, [1] e Potifar, eunucho [DF] de Pharaó,
capitão da guarda, varão egypcio, comprou-o da mão dos ishmaelitas que o
tinham levado lá.
2 E o Senhor estava com José, [2] e foi varão prospero; e estava na casa
de seu senhor egypcio.
3 Vendo pois o seu senhor que o Senhor _estava_ com elle, [3] e tudo o
que fazia o Senhor prosperava em sua mão,
4 José achou graça em seus olhos, [4] e servia-o; e elle o poz sobre a
sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.
5 E aconteceu que, desde que o puzera sobre a sua casa, e sobre tudo o
que tinha, o Senhor abençoou a casa do egypcio por amor de José; e a
benção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.
6 E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que de nada sabia
_do que estava_ com elle, mais do que do pão que comia. [5] E José era
formoso de parecer, e formoso á vista.
7 E aconteceu depois d’estas coisas [6] que a mulher de seu senhor poz os
seus olhos em José, e disse: Deita-te commigo.
8 Porém elle recusou, e disse á mulher do seu senhor: Eis que o meu
senhor não sabe do que _ha_ em casa commigo, e entregou em minha mão tudo
o que tem;
9 Ninguem _ha_ maior do que eu n’esta casa, e nenhuma coisa me vedou,
senão a ti, porquanto tu _és_ sua mulher; [7] como pois faria eu este
tamanho mal, e peccaria contra [8] Deus?
10 E aconteceu que fallando ella cada dia a José, e não lhe dando elle
ouvidos, para deitar-se com ella, _e_ estar com ella,
11 Succedeu n’um certo dia que veiu á casa para fazer seu serviço; e
nenhum dos da casa _estava_ ali em casa;
12 E ella lhe pegou pelo seu vestido, dizendo: [9] Deita-te commigo. E
elle deixou o seu vestido na mão d’ella, e fugiu, e saiu para fóra.
13 E aconteceu que, vendo ella que deixara o seu vestido em sua mão, e
fugira para fóra,
14 Chamou aos homens de sua casa, e fallou-lhes, dizendo: Vêde,
trouxe-nos o varão hebreu, para escarnecer de nós; entrou a mim para
deitar-se commigo, e eu gritei com grande voz,
15 E aconteceu que, ouvindo elle que eu levantava a minha voz e gritava,
deixou o seu vestido commigo, e fugiu, e saiu para fóra.
16 E ella poz o seu vestido perto de si, até que o seu senhor veiu á sua
casa.
17 Então [10] fallou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veiu a mim
o servo hebreo, que nos trouxeste para escarnecer de nim;
18 E aconteceu que, levantando eu a minha voz e gritando, elle deixou o
seu vestido commigo, e fugiu para fóra.
19 E aconteceu que, ouvindo o seu senhor as palavras de sua mulher, que
lhe fallava, dizendo: Conforme a estas mesmas palavras me fez teu servo;
[11] a sua ira se accendeu.
20 E o senhor de José o tomou, [12] e o entregou na casa do carcere, no
logar onde os presos do rei _estavam_ presos; assim esteve ali na casa do
carcere.
21 O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre elle a sua
benignidade, [13] e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mór.
22 E o carcereiro-mór entregou na mão de José todos os presos que
_estavam_ na casa do carcere, e elle fazia tudo o que se fazia ali.
23 E o carcereiro-mór não teve cuidado de nenhuma coisa _que estava_ na
mão d’elle; porquanto o Senhor estava com elle, e _tudo_ o que fazia [14]
o Senhor prosperava.
[1] cap. 37.36. Psa. 105.17.
[2] I Sam. 16.18 e 18.14, 28. Act. 7.9.
[3] Jos. 1.7, 8. I Chr. 22.13. Psa. 1.3.
[4] ver. 21. I Sam. 16.22.
[5] I Sam. 16.12.
[6] Job 31.1. Psa. 119.37.
[7] Lev. 20.10. Pro. 6.29, 32.
[8] II Sam. 12.13. Psa. 51.4.
[9] Pro. 7.13. Ecc. 7.26.
[10] Exo. 23.1. Psa. 120.3. Pro. 12.19.
[11] Pro. 6.34, 35. Can. 8.6.
[12] Psa. 105.18.
[13] Exo. 12.36. Psa. 106.46. Pro. 16.7. Dan. 1.9. Act. 7.10.
[14] ver. 2, 3.
_José na prisão interpreta dois sonhos._
40 E aconteceu depois d’estas coisas que peccaram o copeiro do rei do
Egypto, e o padeiro, contra o seu senhor, o rei do Egypto.
2 E [1] indignou-se Pharaó muito contra os seus dois eunuchos, contra o
copeiro-mór e contra o padeiro-mór,
3 E entregou-os em guarda, [2] na casa do capitão da guarda, na casa do
carcere, no logar onde José _estava preso_.
4 E o capitão da guarda deu cargo d’elles a José, para que os servisse; e
estiveram _muitos_ dias na prisão.
5 E ambos sonharam um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, [3] cada
um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do
Egypto, que _estavam_ presos na casa do carcere.
6 E veiu José a elles pela manhã, e olhou para elles, [4] e eis que
_estavam_ turbados.
7 Então perguntou aos eunuchos de Pharaó, que com elle _estavam_ no
carcere da casa de seu senhor, dizendo: Porque _estão_ hoje tristes os
vossos semblantes?
8 E elles lhe disseram: Temos sonhado um sonho, e ninguem _ha_ que o
interprete. E José disse-lhes: [5] Não _são_ de Deus as interpretações?
contae-m’o, peço-vos.
9 Então contou o copeiro-mór o seu sonho a José, e disse-lhe: Eis que em
meu sonho _havia_ uma vide diante da minha face,
10 E na vide tres sarmentos, e estava como brotando; a sua flôr sahia, os
seus cachos amadureciam em uvas:
11 E o copo de Pharaó _estava_ na minha mão, e eu tomava as uvas, e as
espremia no copo de Pharaó, e dava o copo na mão de Pharaó.
12 Então disse-lhe José: Esta _é_ a sua interpretação: os tres sarmentos
_são_ tres dias;
13 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça, [6] e te
restaurará ao teu estado, e darás o copo de Pharaó na sua mão, conforme o
costume antigo, quando eras seu copeiro.
14 Porem lembra-te de mim, quando te fôr bem; e rogo-te que uses commigo
de compaixão, e que faças menção de mim a Pharaó, e faze-me sair d’esta
casa;
15 Porque, de facto, fui roubado da terra dos hebreus; [7] e tão pouco
aqui nada tenho feito para que me puzessem n’esta cova.
16 Vendo então o padeiro-mór que tinha interpretado bem, disse a José: Eu
tambem sonhava, e eis que tres cestos [DG] brancos estavam sobre a minha
cabeça;
17 E no cesto mais alto _havia_ de todos os manjares de Pharaó, da obra
de padeiro: e as aves o comiam do cesto de sobre a minha cabeça.
18 Então respondeu José, e disse: Esta é _a_ sua interpretação: os tres
cestos _são_ tres dias;
19 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça sobre ti, e te
pendurará n’um pau, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.
20 E aconteceu ao terceiro dia, o dia do nascimento de Pharaó, que fez um
banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mór, e a
cabeça do padeiro-mór, no meio dos seus servos.
21 E fez tornar o copeiro-mór ao seu officio de copeiro, [8] e deu o copo
na mão de Pharaó,
22 Mas ao padeiro-mór enforcou, como José havia interpretado.
23 O copeiro-mór, porém, não se lembrou de José, antes esqueceu-se [9]
d’elle.
[1] Pro. 16.14.
[2] cap. 39.20, 23.
[3] Job 33.15, 17.
[4] Dan. 4.5.
[5] cap. 41.15. Dan. 2.11, 28.
[6] II Reis 25.27. Jer. 52.31.
[7] Psa. 59.3, 4. Dan. 6.21.
[8] ver. 13. II Sam. 21.10.
[9] Job 19.14.
_José interpreta os sonhos de Pharaó._
[Antes de Christo 1718]
41 E aconteceu que, ao fim de dois annos inteiros, [1] Pharaó sonhou, e
eis que estava em pé junto ao rio,
2 E eis que subiam do rio sete vaccas, formosas á vista e gordas de
carne, e pastavam no prado.
3 E eis que subiam do rio após ellas outras sete vaccas, feias á vista e
magras de carne; e paravam junto ás _outras_ vaccas na praia do rio.
4 E as vaccas feias á vista, e magras de carne, comiam as sete vaccas
formosas á vista e gordas. Então acordou Pharaó.
5 Depois dormiu, e sonhou outra vez, e eis que brotavam d’uma cana sete
espigas cheias e boas,
6 E eis que sete espigas miudas, e queimadas do vento oriental, brotavam
após ellas.
7 E as espigas miudas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então
acordou Pharaó, e eis que _era um_ sonho.
8 E aconteceu que pela manhã o seu espirito perturbou-se, [2] e enviou e
chamou todos os adivinhadores do Egypto, e todos os seus sabios; e Pharaó
contou-lhes os seus sonhos, mas ninguem _havia_ que os interpretasse a
Pharaó.
9 Então fallou o copeiro-mór a Pharaó, dizendo: Dos meus peccados me
lembro hoje:
10 Estando [3] Pharaó mui indignado contra os seus servos, e pondo-me em
guarda na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mór,
11 Então [4] sonhámos um sonho na mesma noite, eu e elle, cada um
conforme a interpretação do seu sonho sonhámos.
12 E _estava_ ali comnosco um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda,
e contámos-lh’os, e interpretou-nos os nossos sonhos, a cada um os
interpretou conforme o seu sonho.
13 E como elle nos interpretou, assim _mesmo_ foi feito: a mim me fez
tornar ao meu estado, e a elle fez enforcar.
14 Então enviou Pharaó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova;
[5] e barbeou-se e mudou os seus vestidos, e veiu a Pharaó.
15 E Pharaó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguem _ha_ que
o interprete; mas de ti ouvi dizer _que quando_ ouves um sonho o
interpretas.
16 E respondeu José a Pharaó, dizendo: Sem mim _é isso_: Deus responderá
paz a Pharaó.
17 Então disse Pharaó a José: Eis que em meu sonho [6] estava eu em pé na
praia do rio,
18 E eis que subiam do rio sete vaccas gordas de carne e formosas á
vista, e pastavam no prado.
19 E eis que outras sete vaccas subiam após estas, muito feias á vista,
e magras de carne; não tenho visto outras taes, emquanto á fealdade, em
toda a terra do Egypto.
20 E as vaccas magras e feias comiam os primeiras sete vaccas gordas;
21 E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem
entrado em suas entranhas: porque o seu parecer _era_ feio como no
principio. Então acordei.
22 Depois vi em meu sonho, e eis que d’uma cana subiam sete espigas
cheias e boas;
23 E eis que sete espigas seccas, miudas _e_ queimadas do vento oriental,
brotavam após ellas.
24 E as sete espigas miudas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o
aos [7] magos, mas ninguem _houve_ que m’o interpretasse.
25 Então disse José a Pharaó: O sonho de Pharaó _é_ um só; o que Deus ha
de fazer, [8] notificou a Pharaó.
26 As sete vaccas formosas _são_ sete annos; as sete espigas formosas
tambem _são_ sete annos: o sonho é um só.
27 E as sete vaccas feias á vista e magras, que subiam depois d’ellas,
_são_ sete annos; e as sete espigas miudas e queimadas do vento oriental,
[9] serão sete annos de fome.
28 Esta _é_ a palavra que tenho dito a Pharaó; o que Deus ha de fazer,
mostrou-o a Pharaó.
29 E eis que veem sete annos, e [10] haverá grande fartura em toda a
terra do Egypto.
30 E depois d’elles levantar-se-hão [11] sete annos de fome, e toda
aquella fartura será esquecida na terra do Egypto, e a fome consumirá a
terra;
31 E não será conhecida a abundancia na terra, por causa d’aquella fome
_que haverá_ depois; porquanto será gravissima.
32 E que o sonho foi duplicado duas vezes a Pharaó, é [12] porquanto esta
coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazel-a.
33 Portanto Pharaó se proveja agora d’um varão entendido e sabio, e o
ponha sobre a terra do Egypto:
34 Faça _isso_ Pharaó, e ponha governadores sobre a terra, [13] e tome a
quinta parte da terra do Egypto nos sete annos de fartura,
35 E ajuntem toda a comida d’estes bons annos, que veem, e amontoem o
trigo debaixo da mão de Pharaó, para mantimento nas cidades, e o guardem;
36 Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete annos
de fome, que haverá na terra do Egypto; para que a terra não pereça de
fome.
37 E esta palavra foi boa aos olhos de Pharaó, [14] e aos olhos de todos
os seus servos.
_Pharaó põe José como governador do Egypto._
[Antes de Christo 1715]
38 E disse Pharaó a seus servos: Achariamos um varão como este, em quem
_haja_ o espirito de Deus?
39 Depois disse Pharaó a José: Pois que Deus te fez saber tudo isto,
ninguem _ha tão_ entendido e sabio como tu:
40 Tu estarás sobre a minha casa, [15] e por tua bocca se governará todo
o meu povo, sómente no throno eu serei maior que tu.
41 Disse mais Pharaó a José: Vês aqui te tenho posto sobre toda a terra
do Egypto.
42 E tirou Pharaó o seu annel da sua mão, e o poz na mão de José, e o
fez vestir de vestidos de linho fino, [16] e poz um collar d’oiro no seu
pescoço,
43 E o fez subir no segundo carro que tinha, e clamavam diante d’elle:
Ajoelhae; [17] assim o poz sobre toda a terra do Egypto.
44 E disse Pharaó a José: Eu _sou_ Pharaó; porém sem ti ninguem levantará
a sua mão ou o seu pé em toda a terra do Egypto.
45 E chamou Pharaó o nome de José [DH] Zaphnath-paneah, e deu-lhe por
mulher a Asenath, [18] filha de Potiphera, sacerdote de On; e saiu José
por _toda_ a terra do Egypto.
46 E José _era_ da edade de trinta annos quando esteve diante da face de
Pharaó, rei do Egypto. E saiu José da face de Pharaó, e passou por toda a
terra do Egypto.
47 E a terra produziu nos sete annos de fartura a mãos cheias.
48 E ajuntou todo o mantimento dos sete annos, que houve na terra
do Egypto, e guardou o mantimento nas cidades, pondo nas cidades o
mantimento do campo que _estava_ ao redor de cada cidade.
49 Assim ajuntou José muitissimo trigo, como a areia do mar, até que
cessou de contar; porquanto não _havia_ numeração.
50 E nasceram a José dois [19] filhos (antes que viesse um anno de fome),
que lhe pariu Asenath, filha de Potiphera, sacerdote de On.
51 E chamou José o nome do primogenito Manasseh [DI]; porque _disse_:
Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pae.
52 E o nome do segundo chamou Ephraim [DJ]; porque _disse_: Deus me fez
[20] crescer na terra da minha afflicção.
53 Então acabaram-se os sete annos de fartura que havia na terra do
Egypto,
54 E começaram a vir os sete annos de fome, como José tinha dito; e havia
fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egypto havia pão.
55 E tendo toda a terra do Egypto fome, clamou o povo a Pharaó por pão;
e Pharaó disse a todos os egypcios: Ide a José; o que elle vos disser,
fazei.
56 Havendo pois fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia
_mantimento_, [21] e vendeu aos egypcios; porque a fome prevaleceu na
terra de Egypto.
57 E todas as terras vinham ao Egypto, para comprar de José; porquanto a
fome prevaleceu em todas as terras.
[1] Dan. 2.1.
[2] Dan. 4.5, 19 e 7.28 e 8.27. Exo. 7.11. Isa. 29.14. Dan. 2.2.
[3] cap. 40.2.
[4] cap. 40.5.
[5] I Sam. 2.8. Psa. 105.20. Psa. 25.14. Dan. 5.16.
[6] ver. 1.
[7] ver. 8. Dan. 4.7.
[8] Dan. 2.29, 45.
[9] II Reis 8.1.
[10] ver. 47.
[11] ver. 54. cap. 47.13.
[12] cap. 37.7, 9. Num. 23.19. Isa. 46.10.
[13] Pro. 6.6, 8 e 22.3.
[14] Act. 7.10.
[15] Psa. 105.21.
[16] Dan. 5.7, 29.
[17] cap. 45.8, 26. Act. 7.10.
[18] Exo. 2.16.
[19] cap. 46.20 e 48.5.
[20] cap. 49.22.
[21] cap. 42.6.
_Os irmãos de José descem ao Egypto._
[Antes de Christo 1707]
42 Vendo então Jacob que havia mantimento no Egypto, [1] disse Jacob a
seus filhos: Porque estaes olhando uns para os outros?
2 Disse mais: Eis que tenho ouvido que ha mantimentos no Egypto; descei
para lá, e comprae-nos d’ali, para que vivamos e não morramos.
3 Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo do Egypto.
4 A Benjamin, porém, irmão de José não enviou Jacob com os seus irmãos,
porque dizia: [2] Para que lhe não succeda porventura algum desastre.
5 Assim vieram os filhos de Israel para comprar, entre os que vinham
_lá_; porque havia fome na terra de Canaan.
6 José, pois, era o governador d’aquella terra; [3] elle vendia a todo o
povo da terra; e os irmãos de José vieram, e inclinaram-se a elle com a
face na terra.
7 E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho
para com elles, e fallou com elles asperamente, e disse-lhes: D’onde
vindes? E elles disseram: Da terra de Canaan, para comprarmos mantimento.
8 José, pois, conheceu os seus irmãos; mas elles não o conheceram.
9 Então José lembrou-se dos sonhos, [4] que havia sonhado d’elles, e
disse-lhes: Vós sois espias, _e_ sois vindos para ver a nudez da terra.
10 E elles lhe disseram: Não, senhor meu; mas teus servos são vindos a
comprar mantimento.
11 Todos nós somos filhos de um varão; somos homens de rectidão; os teus
servos não são espias.
12 E elle lhes disse: Não; antes viestes para ver a nudez da terra.
13 E elles disseram: Nós, teus servos, _somos_ doze irmãos, filhos de um
varão na terra de Canaan; e eis que aqui o mais novo _está_ com nosso pae
hoje; [5] mas um não está _mais_.
14 Então lhes disse José: Isso _é_ o que vos tenho dito, dizendo que
_sois_ espias:
15 N’isto sereis provados; [6] pela vida de Pharaó, não saireis d’aqui
senão quando vosso irmão mais novo vier aqui.
16 Enviae um d’entre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos,
e vossas palavras sejam provadas, se _ha_ verdade comvosco; e se não,
pela vida de Pharaó, vós sois espias.
17 E pôl-os juntos em guarda tres dias.
18 E ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; [7]
_porque_ eu temo a Deus.
19 Se sois homens de rectidão, que fique um de vossos irmãos preso na
casa de vossa prisão; e vós ide, levae mantimento para a fome de vossa
casa,
20 E trazei-me o vosso irmão mais novo, [8] e serão verificadas vossas
palavras, e não morrereis. E elles assim fizeram.
21 Então disseram uns aos outros: [9] Na verdade, _somos_ culpados ácerca
de nosso irmão, pois vimos a angustia da sua alma, quando nos rogava; nós
porém não ouvimos: por isso vem sobre nós esta angustia.
22 E Ruben respondeu-lhes, dizendo: [10] Não vol-o dizia eu, dizendo:
Não pequeis contra o moço; mas não ouvistes: e vêdes aqui, o seu sangue
tambem á requerido.
23 E elles não sabiam que José os entendia, porque _havia_ interprete
entre elles.
24 E retirou-se d’elles, e chorou. Depois tornou a elles, e fallou-lhes,
e tomou a Simeão d’elles, e amarrou-o perante os seus olhos.
_Os irmãos de José voltam do Egypto._
25 E ordenou José, que enchessem os seus saccos de trigo, e que _lhes_
restituissem o seu dinheiro a cada um no seu sacco, e lhes dessem comida
para o caminho; [11] e fizeram-lhes assim.
26 E carregaram o seu trigo sobre os seus jumentos, e partiram d’ali.
27 E, abrindo [12] um _d’elles_ o seu sacco, para dar pasto ao seu
jumento na venda, viu o seu dinheiro; porque eis que estava na bocca do
seu sacco.
28 E disse a seus irmãos: Tornou-se o meu dinheiro, e eil-o tambem aqui
no meu sacco. Então lhes desfalleceu o coração, e pasmavam, dizendo um ao
outro: Que é isto que Deus nos tem feito?
29 E vieram para Jacob, seu pae, na terra de Canaan; e contaram-lhe tudo
o que lhes aconteceu, dizendo:
30 O varão, o senhor da terra, fallou comnosco asperamente, [13] e
tratou-nos como espias da terra;
31 Mas dissemos-lhe: Somos _homens_ de rectidão: não somos espias:
32 _Somos_ doze irmãos, filhos de nosso pae; um não _é mais_, e o mais
novo _está_ hoje com nosso pae na terra de Canaan.
33 E aquelle varão, o senhor da terra, nos disse: N’isto conhecerei que
vós sois _homens_ de rectidão; deixae commigo um de vossos irmãos, e
tomae para a fome de vossas casas, e parti,
34 E trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias,
mas _homens_ de rectidão; _então_ vos darei o vosso irmão e negociareis
na terra.
35 E aconteceu que, [14] despejando elles os seus saccos, eis que cada um
tinha a trouxinha com seu dinheiro no seu sacco; e viram as trouxinhas
com seu dinheiro, elles e seu pae, e temeram.
36 Então Jacob, seu pae, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; [15] José não
_está mais_, e Simeão não _está mais_: agora levareis a Benjamin. Todas
estas coisas vieram sobre mim.
37 Mas Ruben fallou a seu pae, dizendo: Mata os meus dois filhos, se t’o
não tornar a trazer; dá-m’o em minha mão, e t’o tornarei a trazer.
38 Elle porém disse: Não descerá meu filho comvosco; [16] porquanto o
seu irmão é morto, e elle só ficou. Se lhe succedesse algum desastre no
caminho que fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza á sepultura.
[1] Act. 7.12.
[2] ver. 38.
[3] cap. 41.41.
[4] cap. 37.5, 9.
[5] cap. 37.30.
[6] I Sam. 1.26 e 17.55. Thi. 5.12.
[7] Lev. 25.43. Neh. 5.15. Luc. 18.2, 4.
[8] cap. 43.5.
[9] Num. 32.23. I Reis 17.18. Job 36.8, 9. Ose. 5.15.
[10] cap. 37.21. cap. 9.5. I Reis 2.32. II Chr. 24.22. Psa. 9.12.
[11] Mat. 5.44. Rom. 12.17, 20. Eph. 4.2.
[12] cap. 43.21.
[13] ver. 7, 12.
[14] cap. 43.21.
[15] cap. 43.14.
[16] cap. 44.29.
_Os irmãos de José descem outra vez ao Egypto._
43 E a fome [1] _era_ gravissima na terra.
2 E aconteceu que, como acabaram de comer o mantimento que trouxeram do
Egypto, disse-lhes seu pae: Tornae, comprae-nos um pouco de alimento.
3 Mas Judah respondeu-lhe, dizendo: Fortemente nos protestou aquelle
varão, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não _vier_
comvosco.
4 Se enviares comnosco o nosso irmão, desceremos, e te compraremos
alimento;
5 Mas se não _o_ enviares, não desceremos; porquanto aquelle varão nos
disse: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não _vier_ comvosco.
6 E disse Israel: Porque me fizestes _tal_ mal, fazendo saber áquelle
varão que tinheis ainda _outro_ irmão?
7 E elles disseram: Aquelle varão particularmente nos perguntou por nós,
e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pae? tendes mais um
irmão? e respondemos-lhe conforme as mesmas palavras. Podiamos nós saber
que diria: Trazei vosso irmão?
8 Então disse Judah a Israel, seu pae: Envia o mancebo commigo, e
levantar-nos-hemos, e iremos, para que vivamos, e não morramos, nem nós,
nem tu, nem os nossos filhos.
9 Eu serei fiador por elle, da minha mão o requererás; [2] se eu não
t’o trouxer, e não o pozer perante a tua face, serei réu de crime para
comtigo para sempre:
10 E se nós não nos tivessemos detido, certamente já estariamos segunda
vez de volta.
11 Então disse-lhes Israel, seu pae: Pois que assim _é_, fazei isso;
tomae do mais precioso d’esta terra em vossos vasos, [3] e levae ao varão
um presente: um pouco de balsamo, e um pouco de mel, especiarias, e
myrrha, terebintho e [DK] amendoas;
12 E tomae em vossas mãos dinheiro dobrado, [4] e o dinheiro que tornou
na bocca dos vossos saccos tornae a levar em vossas mãos; bem pode ser
que fosse erro;
13 Tomae tambem a vosso irmão, e levantae-vos, e voltae áquelle varão;
14 E Deus Todo-poderoso vos dê misericordia diante do varão, para que
deixe vir comvosco vosso outro irmão, [5] e Benjamin; e eu, _se fôr_
desfilhado, desfilhado ficarei.
_Os irmãos de José jantam com elle._
15 E os varões tomaram aquelle presente, e tomaram dinheiro dobrado
em suas mãos, e a Benjamin: e levantaram-se, e desceram ao Egypto, e
apresentaram-se diante da face de José.
16 Vendo pois José a Benjamin com elles, disse ao que _estava_ sobre a
sua casa: [6] Leva _estes_ varões á casa, e mata rezes, e apresta; porque
_estes_ varões comerão commigo ao meio dia.
17 E o varão fez como José dissera, e o varão levou aquelles varões á
casa de José.
18 Então temeram aquelles varões, porquanto foram levados á casa de José,
e diziam: Por causa do dinheiro que d’antes foi [DL] tornado nos nossos
saccos, fomos levados _aqui_, para nos criminar e cair sobre nós, para
que nos tome por servos, e a nossos jumentos.
19 Por isso chegaram-se ao varão que _estava_ sobre a casa de José, e
fallaram com elle á porta da casa,
20 E disseram: Ai! senhor meu, certamente descemos d’antes a comprar
mantimento;
21 E aconteceu que, [7] chegando nós á venda, e abrindo os nossos saccos,
eis que o dinheiro de cada varão _estava_ na bocca do seu sacco, nosso
dinheiro por seu peso; e tornamos a trazel-o em nossas mãos;
22 Tambem trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar
mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos
saccos.
23 E elle disse: Paz _seja_ comvosco, não temaes; o vosso Deus, e o
Deus de vosso pae, vos tem dado um thesoiro nos vossos saccos; o vosso
dinheiro me chegou a mim. E trouxe-lhes fóra a Simeão.
24 Depois levou o varão aquelles varões á casa de José, [8] e deu-_lhes_
agua, e lavaram os seus pés; tambem deu pasto aos seus jumentos.
25 E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio dia; porque
tinham ouvido que ali haviam de comer pão.
26 Vindo pois José a casa, trouxeram-lhe a casa o presente, [9] que
estava na sua mão; e inclinaram-se a elle á terra.
27 E [10] elle lhes perguntou como estavam, e disse: Vosso pae, o velho
de quem fallastes, está bem? ainda vive?
28 E elles disseram: Bem está o teu servo, nosso pae [11] vive ainda. E
abaixaram a cabeça, e inclinaram-se.
29 E elle levantou os seus olhos, e viu a Benjamin, seu irmão, [12] filho
de sua mãe, e disse: Este _é_ vosso irmão mais novo de quem me fallastes?
Depois elle disse: Deus te dê a sua graça, meu filho.
30 E José apressou-se, [13] porque as suas entranhas moveram-se para o
seu irmão, e procurou _onde_ chorar; e entrou na camara, e chorou ali.
31 Depois lavou o seu rosto, e saiu; e conteve-se, e disse: Ponde pão.
32 E pozeram-lhe a _elle_ á parte, e a elles á parte, e aos egypcios, que
comiam com elle, á parte; porque os egypcios não podem comer pão com os
hebreus, porquanto _é_ abominação para os egypcios.
33 E assentaram-se diante d’elle, o primogenito segundo a sua
primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade: do que os varões se
maravilhavam entre si.
34 E apresentou-lhes as porções que _estavam_ diante d’elle; porém a
porção de Benjamin era cinco vezes maior do que as porções d’elles todos.
E elles beberam, e se regalaram com elle.
[1] cap. 41.54.
[2] cap. 44.32.
[3] Pro. 18.16. cap. 37.25.
[4] cap. 42.35.
[5] Neh. 1.11. Psa. 37.5.
[6] cap. 44.1.
[7] cap. 42.27.
[8] cap. 18.4 e 24.32.
[9] cap. 37.7, 10.
[10] cap. 42.11, 13.
[11] cap. 37.7, 10.
[12] cap. 35.17, 18.
[13] I Reis 3.20. Jer. 31.20. Phi. 1.8 e 2.1. Col. 3.12.
_A astucia de José para deter seus irmãos._
44 E deu ordem ao que estava sobre a sua casa, dizendo: Enche os saccos
d’estes varões de mantimento, quanto poderem levar, e põe o dinheiro de
cada varão na bocca do seu sacco.
2 E o meu copo, o copo de prata, porás na bocca do sacco do mais novo,
com o dinheiro do seu trigo. E fez conforme a palavra de José, que tinha
dito.
3 Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões, elles com os seus
jumentos.
4 Saindo elles da cidade, _e_ não se havendo ainda distanciado, disse
José ao que _estava_ sobre a sua casa: Levanta-te, e persegue aquelles
varões: e, alcançando-os, lhes dirás: Porque pagastes mal por bem?
5 Não _é_ este o _copo_ por que bebe meu senhor? e em que elle bem [DM]
attenta? fizestes mal no que fizestes.
6 E alcançou-os, e fallou-lhes as mesmas palavras.
7 E elles disseram-lhe: Porque diz meu senhor taes palavras? longe
estejam teus servos de fazerem similhante coisa.
8 Eis que o dinheiro, [1] que temos achado nas boccas dos nossos saccos,
te tornámos a trazer desde a terra de Canaan: como pois furtariamos da
casa do teu senhor prata ou oiro?
9 Aquelle, [2] com quem de teus servos fôr achado, morra; e ainda nós
seremos escravos do meu senhor.
10 E elle disse: Ora seja tambem assim conforme as vossas palavras;
aquelle com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados.
11 E elles apressaram-se, e cada um poz em terra o seu sacco, e cada um
abriu o seu sacco.
12 E buscou, começando do maior, e acabando no mais novo: e achou-se o
copo no sacco de Benjamin.
13 Então rasgaram os seus vestidos, [3] e carregou cada um o seu jumento,
e tornaram á cidade.
14 E veiu Judah com os seus irmãos á casa de José, porque elle ainda
estava ali; [4] e prostraram-se diante d’elle na terra.
15 E disse-lhes José: Que _é_ isto que obrastes? não sabeis vós que tal
homem como eu bem [DN] attentara?
_A humilde supplica de Judah._
16 Então disse Judah: Que diremos a meu senhor? que fallaremos? e como
nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; [5] eis que
_somos_ escravos de meu senhor, tanto nós como aquelle em cuja mão foi
achado o copo.
17 Mas elle disse: [6] Longe de mim que eu tal faça; o varão em cuja mão
o copo foi achado, aquelle será meu servo; porém vós subi em paz para
vosso pae.
18 Então Judah se chegou a elle, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te,
o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se accenda
a tua ira contra o teu servo; porque tu _és_ como Pharaó.
19 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pae, ou irmão?
20 E dissemos a meu senhor: Temos um pae velho, e um moço da sua velhice,
o mais novo, cujo irmão é morto; e elle ficou só de sua mãe, [7] e seu
pae o ama.
21 Então tu disseste a teus servos: Trazei-m’o a mim, e porei os meus
olhos sobre elle.
22 E nós dissemos a meu senhor: Aquelle moço não poderá deixar a seu pae:
se deixar a seu pae, morrerá.
23 Então tu disseste a teus servos: Se vosso irmão mais novo não descer
comvosco, [8] nunca mais vereis a minha face.
24 E aconteceu que, subindo nós a teu servo meu pae, e contando-lhe as
palavras de meu senhor,
25 Disse nosso pae: [9] Tornae, comprae-nos um pouco de mantimento.
26 E nós dissemos: Não poderemos descer; se nosso irmão menor fôr
comnosco, desceremos; pois não poderemos ver a face do varão, se este
nosso irmão menor não _estiver_ comnosco.
27 Então disse-nos teu servo meu pae: [10] Vós sabeis que minha mulher me
pariu dois;
28 E um saiu de mim, e eu disse: [11] Certamente foi despedaçado, e não o
tenho visto até agora;
29 Se agora tambem tirardes a este da minha face, e lhe acontecesse algum
desastre, farieis descer as minhas cãs com dôr á sepultura.
30 Agora pois, vindo eu a teu servo meu pae, e o moço não indo comnosco,
pois que a sua alma está atada com a alma d’elle,
31 Acontecerá que, vendo elle que o moço ali não _está_, morrerá; e
teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pae, com tristeza á
sepultura.
32 Porque teu servo [12] se deu por fiador por este moço para com meu
pae, dizendo: Se não t’o tornar, eu serei culpado a meu pae todos os dias.
33 Agora, pois, fique teu servo em logar d’este moço por escravo de meu
senhor, e que suba o moço com os seus irmãos.
34 Porque como subirei eu a meu pae, se o moço não _fôr_ commigo? para
que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pae.
[1] cap. 43.22.
[2] cap. 31.32.
[3] cap. 37.29, 34. Num. 14.6. II Sam. 1.11.
[4] cap. 37.7.
[5] Esd. 9.10. Job 40.4. Num. 32.23. Jos. 7.18. Luc. 12.2.
[6] Pro. 17.15.
[7] cap. 37.3.
[8] cap. 43.3, 5.
[9] cap. 43.2.
[10] cap. 30.23 e 35.18 e 46.19.
[11] cap. 37.33.
[12] cap. 43.9.
_José dá-se a conhecer a seus irmãos._
[Antes de Christo 1706]
45 Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com
elle; e clamou: Fazei sair de mim a todo o varão; e ninguem ficou com
elle, quando José se deu a conhecer a seus irmãos.
2 E levantou a sua voz com chôro, de maneira que os egypcios o ouviam, e
a casa de Pharaó o ouviu.
3 E disse José a seus irmãos: Eu _sou_ José: vive ainda meu pae? E seus
irmãos não lhe poderam responder, porque estavam pasmados diante da sua
face.
4 E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegae-vos a mim. E chegaram-se;
então disse elle: Eu _sou_ José, vosso irmão, a quem vendestes para o
Egypto.
5 Agora, pois, não vos entristeçaes, [1] nem vos peze aos vossos olhos
por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me
enviou diante da vossa face.
6 Porque já houve dois annos de fome no meio da terra, e ainda _restam_
cinco annos em que não haverá lavoura nem sega.
7 Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para que ficasseis um
resto na terra, e para guardar-vos em vida por uma grande livração.
8 Assim não _fostes_ vós _que_ me enviastes para cá, senão Deus, que me
tem posto por pae de Pharaó, [2] e por senhor de toda a sua casa, e como
[DO] regente em toda a terra do Egypto.
9 Apressae-vos, e subi a meu pae, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho
José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egypto; desce a
mim, e não te demores;
10 E habitarás na terra de Gosen, [3] e estarás perto de mim, tu e os
teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas
vaccas, e tudo o que tens.
11 E ali te sustentarei, porque ainda _haverá_ cinco annos de fome, para
que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens.
12 E eis que vossos olhos o vêem, e os olhos de meu irmão Benjamin, _que
é_ minha bocca que vos falla.
13 E fazei saber a meu pae toda a minha gloria no Egypto, e tudo o que
tendes visto, [4] e apressae-vos a fazer descer meu pae para cá.
14 E lançou-se ao pescoço de Benjamin seu irmão, e chorou; e Benjamin
chorou _tambem_ ao seu pescoço.
_Pharaó ouve fallar dos irmãos de José._
15 E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre elles; e depois seus
irmãos fallaram com elle.
16 E a fama ouviu-se na casa de Pharaó, dizendo: Os irmãos de José são
vindos; e pareceu bem aos olhos de Pharaó, e aos olhos de seus servos.
17 E disse Pharaó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto, carregae as
vossas bestas e parti, tornae á terra de Canaan,
18 E tornae a vosso pae, e a vossas familias, e vinde a mim; e eu vos
farei o melhor da terra do Egypto, [5] e comereis a gordura da terra.
19 A ti pois é ordenado; fazei isto, tomae vós da terra do Egypto carros
para vossos meninos, para vossas mulheres, e para vosso pae, e vinde.
20 E não vos peze _coisa alguma_ das vossas alfaias; porque o melhor de
toda a terra do Egypto _será_ vosso.
21 E os filhos de Israel fizeram assim. E José deu-lhes carros, conforme
o mandado de Pharaó; tambem lhes deu comida para o caminho.
22 A todos lhes deu, a cada um, mudas de vestidos; mas a Benjamin deu
trezentas peças de prata, [6] e cinco mudas de vestidos.
23 E a seu pae enviou similhantemente dez jumentos carregados do melhor
do Egypto, e dez jumentos carregados de trigo, e pão, e comida para seu
pae, para o caminho.
24 E despediu os seus irmãos, e partiram; e disse-lhes: Não contendaes
pelo caminho.
25 E subiram do Egypto, e vieram á terra de Canaan, a Jacob seu pae.
26 Então lhe annunciaram, dizendo: José ainda vive, e elle tambem é
regente em toda a terra do Egypto. [7] E o seu coração desmaiou-se,
porque não os acreditava.
27 Porém, havendo-lhe elles contado todas as palavras de José, que elle
lhes fallára, e vendo elle os carros que José enviara para leval-o,
reviveu o espirito de Jacob seu pae.
28 E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei, e o verei
antes que morra.
[1] cap. 37.28. II Cor. 2.7.
[2] João 19.11. cap. 41.43.
[3] cap. 46.29 e 47.1, 6. Exo. 8.22 e 9.26.
[4] Act. 7.14.
[5] cap. 47.6.
[6] cap. 43.34.
[7] Job 9.16 e 29.24. Psa. 126.1. Luc. 24.11, 41.
_Jacob e toda a sua familia descem ao Egypto._
46 E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veiu a [1] Berseba, e
sacrificou sacrificios ao Deus de seu pae Isaac.
2 E fallou Deus a Israel em visões da noite, [2] e disse: Jacob, Jacob! E
elle disse: Eis-me _aqui_.
3 E disse: Eu _sou_ o Deus, o Deus de teu pae; [3] não temas de descer ao
Egypto, porque eu te farei ali uma grande nação.
4 E descerei comtigo ao Egypto, e certamente te farei _tornar_ a subir,
[4] e José porá a sua mão sobro os teus olhos.
5 Então levantou-se Jacob de Berseba, e os filhos de Israel levaram a seu
pae Jacob, e seus meninos, e as suas mulheres, [5] nos carros que Pharaó
enviara para o levar.
6 E tomaram o seu gado e a sua fazenda que tinham adquirido na terra de
Canaan, [6] e vieram ao Egypto, Jacob e toda a sua semente com elle,
7 Os seus filhos, e os filhos de seus filhos com elle, as suas filhas, e
as filhas de seus filhos, e toda a sua semente levou comsigo ao Egypto.
8 E estes _são_ os nomes dos filhos de Israel, [7] que vieram ao Egypto,
Jacob e seus filhos: Ruben, o primogenito de Jacob,
9 E os filhos de Ruben: Hanoch, e Pallu, e Hezron, e Carmi.
10 E os filhos de Simeão: Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e
Shaul, filho de uma mulher cananea.
11 E os filhos de Levi: Gerson, Kohath, e Merari.
12 E os filhos de Judah: Er, e Onan, e Sela, e Perez, e Serah; [8] Er
e Onan, porém, morreram na terra de Canaan; e os filhos de Perez foram
Hezron e Hamul.
13 E os filhos de Issacar: Tola, e Puah, e Iob, e Simron.
14 E os filhos de Zebulon: Sered, e Elon, e Jahleel.
15 Estes _são_ os filhos de Leah, que pariu a Jacob em Paddan-aram, com
Dinah, sua filha: todas as almas de seus filhos e de suas filhas _foram_
trinta e tres.
16 E os filhos de Gad: Ziphion, e Haggi, Shuni, e Ezbon, Eri, e Arodi, e
Areli.
17 E os filhos de Asher: Imnah, e Ischva, e Ischvi, e Beria, e Serah, a
irmã d’elles: e os filhos de Beria: Heber e Malchiel.
18 Estes são os filhos de Zilpah, [9] que Labão deu á sua filha Leah; e
pariu a Jacob estas dezeseis almas.
19 Os filhos de Rachel, mulher de Jacob: José e Benjamin.
20 E nasceram a José na terra do Egypto Manasseh e Ephraim, que lhe pariu
Asenath, [10] filha de Potiphera, sacerdote de On.
21 E os filhos de Benjamin: Belah, Becher, e Asbel, Gera, e Naaman, Echi
e Rosh, Muppim, e Huppim, e Ard.
22 Estes são os filhos de Rachel, que nasceram a Jacob, ao todo quatorze
almas.
23 E os filhos de Dan: Husim.
24 E os filhos de Naphtali: Jahzeel, e Guni, e Jezer, e Shilem.
25 Estes são os filhos de Bilha, [11] que Labão deu á sua filha Rachel; e
pariu estes a Jacob; todas as almas foram sete.
26 Todas as almas que vieram com Jacob ao Egypto, que sairam da sua côxa,
sem as mulheres dos filhos de Jacob, todas foram sessenta e seis almas.
27 E os filhos de José, que lhe nasceram no Egypto, _eram_ duas almas.
Todas as almas da casa de Jacob, que vieram ao Egypto, [12] _foram_
setenta.
_O encontro de José com seu pae._
28 E enviou a Judah diante da sua face a José, para o encaminhar a Gosen;
e chegaram á [13] terra de Gosen.
29 Então José apromptou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu
pae, a Gosen. E, mostrando-se-lhe, lançou-se ao seu pescoço, e chorou
sobre o seu pescoço longo tempo.
30 E Israel disse a José: Morra eu agora, [14] pois já tenho visto o teu
rosto, que ainda vives.
31 Depois disse José a seus irmãos, e á casa de seu pae: Eu subirei, e
annunciarei a Pharaó, e lhe direi: Meus irmãos, e a casa de meu pae, que
_estavam_ na terra de Canaan, vieram a mim!
32 E os varões _são_ pastores de ovelhas, porque são homens de gado, e
trouxeram comsigo as suas ovelhas, e as suas vaccas, e tudo o que teem.
33 Quando pois acontecer que Pharaó vos chamar, e disser: [15] Qual _é_
vosso [DP] negocio?
34 Então direis: [16] Teus servos foram homens de gado desde a nossa
mocidade até agora, tanto nós como os nossos paes; para que habitemos
na terra de Gosen; porque todo o pastor de ovelhas _é_ abominação aos
egypcios.
[1] cap. 21.31 e 31.42, 53.
[2] cap. 15.1. Job 33.15.
[3] cap. 12.2. Deu. 26.5.
[4] cap. 15.16 e 50.13, 25. Exo. 3.8. cap. 50.1. Act. 7.15.
[5] cap. 45.19, 27.
[6] Num. 20.15. Deu. 26.5. Jos. 24.4. Psa. 105.23. Isa. 52.4.
[7] Exo. 1.1 e 6.14. Num. 26.5.
[8] I Chr. 2.3.
[9] cap. 29.24 e 30.10.
[10] cap. 41.50.
[11] cap. 29.29.
[12] Deu. 10.22. Act. 7.14.
[13] cap. 47.1.
[14] Luc. 2.29, 30.
[15] cap. 47.3.
[16] cap. 30.35 e 37.12. Exo. 8.26.
_José annuncia a Pharaó a chegada de seu pae._
47 Então veiu José, e annunciou a Pharaó, e disse: Meu pae, e os meus
irmãos, e as suas ovelhas, e as suas vaccas, com tudo o que teem, são
vindos da terra de Canaan, [1] e eis que _estão_ na terra de Gosen.
2 E [2] tomou uma parte de seus irmãos, a _saber_ cinco varões, e os poz
diante de Pharaó.
3 Então disse Pharaó a seus irmãos: Qual _é_ vosso negocio? E elles
disseram a Pharaó: Teus servos _são_ pastores de ovelhas, tanto nós como
nossos paes.
4 Disseram mais a Pharaó: [3] Viemos para peregrinar n’esta terra; porque
não ha pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome _é_ grave
na terra de Canaan; agora pois rogamos-te que teus servos habitem na
terra de Gosen.
5 Então fallou Pharaó a José, dizendo: Teu pae e teus irmãos vieram a ti:
6 A terra do Egypto está diante da tua face, no melhor da terra faze
habitar teu pae e teus irmãos; habitem na terra de Gosen: e se sabes que
entre elles ha homens [DQ] valentes, os porás por maioraes do [4] gado,
sobre o que eu tenho.
7 E trouxe José a Jacob, seu pae, e o poz diante de Pharaó; e Jacob
abençoou a Pharaó.
8 E Pharaó disse a Jacob: Quantos _são_ os dias dos annos da tua vida?
9 E Jacob disse a Pharaó: Os dias dos annos das minhas peregrinações
_são_ cento e trinta annos; [5] poucos e maus foram os dias dos annos da
minha vida, e não chegaram aos dias dos annos da vida de meus paes nos
dias das suas peregrinações.
10 E Jacob abençoou a Pharaó, e saiu de diante da face de Pharaó.
11 E José fez habitar a seu pae e seus irmãos, e deu-lhes possessão na
terra do Egypto, no melhor da terra, na terra de Rameses, [6] como Pharaó
ordenara.
12 E José sustentou de pão a seu pae, e seus irmãos, e toda a casa de seu
pae, segundo os seus meninos.
_Como José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó._
13 E não havia pão em toda a terra, [7] porque a fome _era_ mui grave; de
maneira que a terra do Egypto e a terra de Canaan desfalleciam por causa
da fome.
14 Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egypto, e
na terra de Canaan, pelo trigo que compravam: e José trouxe o dinheiro á
casa de Pharaó.
15 Acabando-se pois o dinheiro da terra do Egypto, e da terra de Canaan,
vieram todos os egypcios a José, dizendo: Dá-nos pão; porque morreremos
em tua presença? porquanto o dinheiro nos falta.
16 E José disse: Dae o vosso gado, e eu vol-o darei por vosso gado, se
falta o dinheiro.
17 Então trouxeram o seu gado a José: e José deu-lhes pão em _troca_ de
cavallos, e do gado das ovelhas, e do gado das vaccas e dos jumentos; e
os sustentou de pão aquelle anno por todo o seu gado.
18 E acabado aquelle anno, vieram a elle no segundo anno, e disseram-lhe:
Não occultaremos ao meu senhor que o dinheiro é acabado, e meu senhor
possue os animaes, e nenhuma outra coisa _nos_ ficou diante da face de
meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra;
19 Porque morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa
terra? [8] compra-nos a nós e á nossa terra por pão, e nós e a nossa
terra seremos servos de Pharaó, e dá semente para que vivamos, e não
morramos, e a terra não se desole.
[Antes de Christo 1702]
20 Assim José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó, porque os
egypcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome prevaleceu sobre
elles: e a terra ficou _sendo_ de Pharaó.
21 E, quanto ao povo, fel-o passar ás cidades, desde _uma_ extremidade da
terra do Egypto até á _outra_ extremidade.
22 Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes
tinham porção de Pharaó, e elles comiam a sua porção que Pharaó lhes
tinha dado; por isso não venderam a sua terra.
23 Então disse José ao povo: Eis que hoje tenho comprado a vós e a vossa
terra para Pharaó; eis ahi tendes semente para vós, para que semeeis a
terra.
24 Ha de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Pharaó, e
as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso
mantimento, e dos que _estão_ nas vossas casas, e para que comam vossos
meninos.
25 E disseram: A vida nos tens dado; achemos graça nos olhos de meu
senhor, e seremos servos de Pharaó.
26 José pois poz isto por estatuto até ao dia de hoje, sobre a terra do
Egypto, que Pharaó tirasse o quinto: só a terra dos sacerdotes não ficou
_sendo_ de Pharaó.
27 Assim habitou Israel na terra do Egypto, na terra de Gosen, e n’ella
tomaram possessão, [9] e fructificaram, e multiplicaram-se muito.
28 E Jacob viveu na terra do Egypto dezesete annos: de sorte que os dias
de Jacob, os annos da sua vida, foram cento e quarenta e sete annos.
29 Chegando-se pois o tempo da morte d’Israel, chamou a José seu filho, e
disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas
a tua mão debaixo da minha côxa, [10] e usa commigo de beneficencia e
verdade; rogo-te que me não enterres no Egypto.
30 Mas que _eu_ jaza com os meus paes; [11] por isso me levarás do
Egypto, e me sepultarás na sepultura d’elles. E elle disse: Farei
conforme a tua palavra.
31 E disse _elle_: Jura-me. E elle jurou-lhe; e Israel inclinou-se sobre
a cabeceira da cama.
[1] cap. 46.28.
[2] Act. 7.13.
[3] cap. 15.13. Deu. 26.5. Psa. 105.23. Isa. 52.4.
[4] I Chr. 27.29. Exo. 1.11.
[5] cap. 25.7, 8 e 35.28.
[6] ver. 6.
[7] cap. 41.30, 31.
[8] Job 2.4. Lam. 1.1.
[9] Exo. 1.7, 12. Deu. 10.22. Neh. 9.23.
[10] cap. 24.2.
[11] cap. 50.5, 13.
_Jacob adoece._
[Antes de Christo 1689]
48 E aconteceu pois depois d’estas coisas, que um disse a José: Eis que
teu pae está enfermo. Então tomou comsigo os seus dois filhos Manasseh e
Ephraim.
2 E um deu parte a Jacob, e disse: Eis que José teu filho vem a ti. E
esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama.
3 E Jacob disse a José: [1] O Deus Todo-poderoso me appareceu em Luz, na
terra de Canaan, e me abençoou,
4 E me disse: Eis que te farei fructificar e multiplicar, e te porei por
multidão de povos, e darei esta terra á tua semente depois de ti, [2] em
possessão perpetua.
5 Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egypto,
[3] antes que eu viesse a ti no Egypto, _são_ meus: Ephraim e Manasseh
serão meus, como Ruben e Simeão;
6 Mas a tua geração, que gerarás depois d’elles, será tua: segundo o nome
de seus irmãos serão chamados na sua herança.
7 Vindo pois eu de Paddan, me [4] morreu Rachel na terra de Canaan, no
caminho, quando ainda _ficava um pequeno_ espaço de terra para vir a
Ephrata; e eu a sepultei ali, no caminho d’Ephrata, que _é_ Beth-lehem.
8 E Israel viu os filhos de José, e disse: Quem _são_ estes?
9 E José disse a seu pae: Elles _são_ meus filhos, que Deus me tem dado
aqui. E elle disse: [5] Peço-te, traze-m’os aqui, para que os abençoe.
10 Os olhos porem d’Israel eram carregados de velhice, já não podia vêr;
e fel-os chegar a elle, e beijou-os, e abraçou-os.
_Jacob abençoa José e os filhos d’este._
11 E Israel disse a José: Eu não cuidara vêr o teu rosto; [6] e eis que
Deus me fez vêr a tua semente tambem.
12 Então José os tirou de seus joelhos, [7] e inclinou-se á terra diante
da sua face.
13 E tomou José a ambos _elles_, a Ephraim na sua mão direita á esquerda
d’Israel, e Manasseh na sua mão esquerda á direita d’Israel, e fel-os
chegar a elle.
14 Mas Israel estendeu a sua mão direita, e a poz sobre a cabeça
d’Ephraim, ainda que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de
Manasseh, dirigindo as suas mãos avisadamente, ainda que Manasseh _era_
o primogenito.
15 E abençoou a José, e disse: O Deus, [8] em cuja presença andaram os
meus paes Abrahão e Isaac, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci
até este dia:
16 O anjo que me [DR] livrou de todo o mal, [9] abençôe estes rapazes, e
seja chamado n’elle o meu nome, e o nome de meus paes Abrahão e Isaac, e
multipliquem-se, como peixes, em multidão no meio da terra.
17 Vendo pois José que seu pae punha a sua mão direita sobre a cabeça
d’Ephraim, foi máu aos seus olhos; e tomou a mão de seu pae, para a
transpor de sobre a cabeça de Ephraim á cabeça de Manasseh.
18 E José disse a seu pae: Não assim, meu pae, porque este _é_ o
primogenito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.
19 Mas seu pae _o_ recusou, e disse: Eu o sei, filho meu, eu o sei:
tambem elle será um povo, e tambem elle [10] será grande: comtudo o seu
irmão menor será maior que elle, e a sua semente será uma [DS] multidão
de nações.
20 Assim os abençoou n’aquelle dia, dizendo: Em ti abençoará Israel,
dizendo: [11] Deus te ponha como a Ephraim e como a Manasseh. E poz a
Ephraim diante de Manasseh.
21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, [12] mas Deus será
comvosco, e vos fará tornar á terra de vossos paes.
22 E eu te tenho dado a ti um pedaço da terra sobre teus irmãos, que [13]
tomei com a minha espada e com o meu arco da mão dos amorrheos.
[1] cap. 28.13, 19 e 35.6.
[2] cap. 17.8. Amós 9.14, 15.
[3] cap. 41.50, 52. I Chr. 5.1.
[4] cap. 35.16, 19.
[5] cap. 27.4. Heb. 11.21.
[6] cap. 37.33, 35 e 45.26.
[7] Exo. 20.12.
[8] cap. 17.1 e 24.40. Psa. 103.4, 5.
[9] cap. 31.11. Isa. 63.9. Psa. 34.22. Num. 26.34, 37.
[10] Deu. 33.17.
[11] Ruth 4.11, 12.
[12] cap. 50.24. Jos. 23.14.
[13] Jos. 24.32. João 4.5.
_Jacob abençoa seus filhos e morre._
49 Depois chamou Jacob a seus filhos, e disse: [1] Ajuntae-vos, e
annunciar-vos-hei o que vos ha de acontecer nos derradeiros dias:
2 Ajuntae-vos, [2] e ouvi, filhos de Jacob; e ouvi a Israel vosso pae:
3 Ruben, tu _és_ meu primogenito, minha força, [3] e o principio de meu
vigor, o _mais_ excellente em alteza, e o _mais_ excellente em potencia.
4 Fervente como a agua, não serás o _mais_ excellente; porquanto subiste
ao leito de teu pae. Então _o_ contaminaste; subiu á minha cama.
5 Simeão e Levi _são_ irmãos: [4] as suas espadas _são_ instrumentos de
violencia.
6 No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação
minha gloria não se ajunte; porque no seu furor mataram varões, e na sua
teima arrebataram bois.
7 Maldito _seja_ o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura:
[5] eu os dividirei em Jacob, e os espalharei em Israel.
8 Judah, te louvarão os teus irmãos; [6] a tua mão _será_ sobre o pescoço
de teus inimigos: os filhos de teu pae a ti se inclinarão.
9 Judah _é_ um leãosinho, [7] da preza subiste, filho meu: encurva-se, e
deita-se como um leão, e como um leão velho: quem o despertará?
10 O sceptro [8] não se arredará de Judah, nem o legislador d’entre seus
pés, até que não venha Shiloh; e a elle [DT] congregarão os povos.
11 Elle amarrará o seu jumentinho á vide, e o filho da sua jumenta á cepa
mais excellente: elle lavará _o_ seu vestido no vinho, e a sua capa em
sangue de uvas.
12 Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite.
13 Zabulon [9] habitará no porto dos mares, e será porto dos navios, e o
seu termo _será_ para Sidon.
14 Issacar _é_ jumento de fortes ossos, [DU] deitado entre dois fardos.
15 E viu elle que o descanço _era_ bom, e seu hombro para acarretar, e
serviu debaixo de tributo.
16 Dan julgará o seu povo, como uma das tribus d’Israel.
17 Dan será serpente junto ao caminho, uma vibora junto á vereda, que
morde os calcanhares do cavallo, e faz cair o seu cavalleiro por detrás.
18 A tua salvação espero, [10] ó Senhor!
19 _Quanto a_ Gad, [11] uma tropa o accommetterá; mas elle _a_
accommetterá por fim.
20 De Aser, o seu pão _será_ gordo, e elle dará delicias reaes.
21 Naphtali _é_ uma cerva solta: elle dá palavras formosas.
22 José _é_ um ramo fructifero, ramo fructifero junto á fonte; seus ramos
correm sobre o muro.
23 Os frecheiros lhe deram amargura, [12] e o frecharam e [DV]
aborreceram.
24 O seu arco, porém, susteve-se no forte, [13] e os braços de suas mãos
foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacob (d’onde _é_ o pastor e
a pedra d’Israel).
25 Pelo Deus de teu pae, o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso, o qual
te abençoará com bençãos dos céus de cima, com bençãos do abysmo que está
debaixo, com bençãos dos peitos e da madre.
26 As bençãos de teu pae excederão as bençãos de meus paes, até á
extremidade dos outeiros eternos: ellas estarão sobre a cabeça de José, e
sobre o alto da cabeça do separado de seus irmãos.
27 Benjamin _é_ lobo _que_ despedaça; [14] pela manhã comerá a preza, e á
tarde repartirá o despojo.
28 Todas estas _são_ as doze tribus de Israel: e isto _é_ o que lhes
fallou seu pae quando os abençoou; a cada um d’elles abençoou segundo a
sua benção.
29 Depois ordenou-lhes, e disse-lhes: [15] Eu me congrego ao meu povo;
sepultae-me com meus paes, na cova que _está_ no campo de Ephron, o
hetheo,
30 Na cova que _está_ no campo de Machpela, que está em frente de Mamre,
na terra de Canaan, a qual Abrahão comprou com aquelle campo de Ephron, o
hetheo, por [16] herança de sepultura:
31 Ali sepultaram a Abrahão, e a Sarah sua mulher: ali sepultaram a
Isaac, e a Rebecca sua mulher: e ali eu sepultei a Leah.
32 O campo, e a cova que _está_ n’elle, _foi_ comprado aos filhos de Heth.
33 Acabando pois Jacob de dar mandamentos a seus filhos, encolheu os seus
pés na cama, [17] e espirou, e foi congregado ao seu povo.
[1] Deu. 33.1. Num. 24.14. Isa. 2.2.
[2] Deu. 21.17.
[3] cap. 35.22. I Chr. 5.1.
[4] cap. 29.33, 34 e 34.25, 29.
[5] Jos. 21.5, 7.
[6] I Chr. 5.2.
[7] Num. 23.24. Apo. 5.5.
[8] Num. 24.17. Psa. 60.7 e 108.8. Isa. 33.22. Isa. 9.5, 6. Luc. 1.32, 33.
[9] Deu. 33.18. Jos. 19.10.
[10] Isa. 25.9.
[11] I Chr. 5.18.
[12] cap. 37.4 &c. e 39.20.
[13] Job 29.20. Psa. 18.32, 34. cap. 45.10, 11 e 50.21. Isa. 28.16.
[14] Jui. 20.21, 25.
[15] cap. 47.30.
[16] cap. 23.3, &c.
[17] ver. 29.
_A lamentação por Jacob e o seu enterro._
50 Então José se lançou sobre o rosto de seu pae; e chorou sobre elle, e
o beijou.
2 E José ordenou aos seus servos, os medicos, que embalsamassem a seu
pae: e os medicos embalsamaram a Israel.
3 E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias
d’aquelles que se embalsamam: e os egypcios o choraram setenta dias.
4 Passados pois os dias de seu choro, fallou José á casa de Pharaó,
dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que
falleis aos ouvidos de Pharaó, dizendo:
5 Meu pae me fez jurar, [1] dizendo: Eis que eu morro: em meu sepulchro,
que cavei para mim na terra de Canaan, ali me sepultarás. Agora pois, te
peço, que eu suba, para que sepulte a meu pae; então voltarei.
6 E Pharaó disse: Sobe, e sepulta a teu pae como elle te fez jurar.
7 E José subiu para sepultar a seu pae: e subiram com elle todos os
servos de Pharaó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do
Egypto,
8 Como tambem toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pae:
sómente deixaram na terra de Gosen os seus meninos e as suas ovelhas, e
as suas vaccas.
9 E subiram tambem com elle, tanto carros como gente a cavallo; e o
concurso foi grandissimo.
10 Chegando elles pois á [DW] planicie do espinhal, que _está_ além do
Jordão, fizeram um grande e gravissimo pranto; e fez a seu pae um grande
pranto por sete dias.
11 E vendo os moradores da terra, os cananeos, o luto na planicie do
espinhal, disseram: _É_ este o pranto grande dos egypcios. Por isso
chamou-se o seu nome Abelmizraim, que _está_ além do Jordão.
12 E fizeram-lhe os seus filhos assim [2] como _elle_ lhes ordenara,
13 Pois os seus filhos o levaram á terra de Canaan, e o sepultaram na
cova do campo de Machpela, que Abrahão tinha comprado com o campo, por
herança de sepultura, d’Ephron, o hetheo, [3] em frente de Mamre.
_José anima a seus irmãos._
14 Depois tornou-se José para o Egypto, elle e seus irmãos, e todos os
que com elle subiram a sepultar seu pae, depois de haver sepultado seu
pae.
15 Vendo então os irmãos de José que seu pae já estava morto, disseram:
Porventura nos aborrecerá José, e nos pagará certamente todo o mal que
lhe fizemos.
16 Portanto enviaram a José, dizendo: Teu pae mandou, antes da sua morte,
dizendo:
17 Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos,
e o seu peccado, [4] porque te fizeram mal: agora pois rogamos-te que
perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pae. E José chorou
quando elles lhe fallavam.
18 Depois vieram tambem seus irmãos, e prostraram-se diante d’elle, e
disseram: Eis-nos aqui por teus servos.
19 E José lhes disse: Não temaes, porque porventura [5] _estou_ eu em
logar de Deus?
20 Vós bem intentastes mal contra mim, _porém_ Deus o intentou para bem,
para fazer como _está_ n’este dia, [6] para conservar em vida a um povo
grande:
21 Agora pois não temaes: [7] eu vos sustentarei a vós e a vossos
meninos. Assim os consolou, e fallou segundo o coração d’elles.
_A morte de José._
22 José pois habitou no Egypto, elle e a casa de seu pae: e viveu José
cento e dez annos,
23 E viu José os filhos de Ephraim, da terceira _geração_: tambem [8] os
filhos de Machir, filho de Manasseh, nasceram sobre os joelhos de José.
24 E disse José a seus irmãos: Eu morro; [9] mas Deus certamente vos
visitará, e vos fará subir d’esta terra á terra que jurou a Abrahão, a
Isaac e a Jacob.
25 E [10] José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos
visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos d’aqui.
26 E morreu José da edade de cento e dez annos; e o embalsamaram, e o
pozeram n’um caixão no Egypto.
[1] cap. 47.29.
[2] cap. 49.29.
[3] cap. 23.16. Act. 7.16.
[4] Mat. 6.12, 14 e 18.35. Luc. 17.3, 4. Eph. 4.32. Col. 3.13. Thi. 5.16.
[5] cap. 45.8. Job 34.29.
[6] Act. 2.23 e 3.18.
[7] Mat. 5.44.
[8] Job 42.16. Num. 32.39.
[9] Exo. 3.16. cap. 15.18 e 26.3 e 35.2.
[10] Exo. 13.19. Jos. 24.32. Heb. 11.22.
O SEGUNDO LIVRO DE MOYSÉS CHAMADO EXODO.
_Os descendentes de Jacob no Egypto._
[Antes de Christo 1635]
1 Estes pois _são_ [1] os nomes dos filhos de Israel, que entraram no
Egypto com Jacob: cada um entrou com sua casa:
2 Ruben, Simeão, Levi, e Judah;
3 Issacar, Zabulon, e Benjamin;
4 Dan e Naphtali, Gad e Aser.
5 Todas as almas, pois, que procederam da côxa de Jacob, foram [2]
setenta almas: José, porém, estava no Egypto.
6 Sendo pois José fallecido, e todos os seus irmãos, e toda aquella
geração,
7 Os filhos de Israel fructificaram, [3] e augmentaram muito, e
multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a
terra se encheu d’elles.
8 Depois levantou-se um novo rei sobre o Egypto, que não conhecera a José;
9 O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel _é_
muito, e mais poderoso do que nós.
10 Eia, [4] usemos sabiamente para com elle, para que não se multiplique,
e aconteça que, vindo guerra, elle tambem se ajunte com os nossos
inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra.
11 E pozeram sobre elles maioraes de [DX] tributos, [5] para os
affligirem com suas cargas. Porque edificaram a Pharaó cidades de
thesouros, Pitom e Ramesses.
12 Mas quanto mais o affligiam, tanto mais se multiplicava, e tanto mais
crescia: de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.
13 E os egypcios faziam servir os filhos de Israel com dureza;
14 Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão em barro, e em
tijolos, [6] e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em
que os serviam com dureza.
_As parteiras poupam as vidas aos recemnascidos._
15 E o rei do Egypto fallou ás parteiras das hebreas (das quaes o nome
de uma era Siphra, e o nome da outra Pua),
16 E disse: Quando ajudardes a parir as hebreas, e as virdes sobre os
assentos, se fôr filho, matae-o; mas se fôr filha, _então_ viva.
17 As parteiras, [7] porém, temeram a Deus, e não fizeram como o rei do
Egypto lhes dissera, antes conservavam os meninos com vida.
18 Então o rei do Egypto chamou as parteiras, e disse-lhes: Porque
fizestes isto, que guardastes os meninos com vida?
19 E as parteiras disseram a Pharaó: Porquanto as mulheres hebreas não
_são_ como as egypcias: porque _são_ [DY] vivas, e já teem parido antes
que a parteira venha a ellas.
20 Portanto Deus fez bem ás parteiras. [8] E o povo se augmentou, e se
fortaleceu muito.
21 E aconteceu que, porquanto as parteiras temeram a Deus, [9]
estabeleceu-lhes casas.
22 Então ordenou Pharaó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que
nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.
[1] Gen. 46.8.
[2] Gen. 46.27. Deu. 10.22.
[3] Gen. 46.3. Deu. 26.5. Psa. 105.24. Act. 7.17.
[4] Pro. 21.30. Act. 7.19.
[5] Gen. 15.13. cap. 3.7. Deu. 26.6. Psa. 81.6. Gen. 47.11.
[6] cap. 2.23 e 6.9.
[7] Dan. 3.18 e 6.13. Act. 5.29.
[8] Pro. 11.18. Ecc. 8.12. Isa. 3.10. Heb. 6.10.
[9] I Sam. 2.35. II Sam. 7.11. I Reis 2.24. Psa. 127.1.
_O nascimento de Moysés._
2 E foi-se [1] um varão da casa de Levi, e casou com uma filha de Levi.
2 E a mulher concebeu, [2] e pariu um filho, e, vendo que elle _era_
formoso, escondeu-o tres mezes.
3 Não podendo, porém, mais escondel-o tomou uma arca de juncos, e a
betumou com betume e pêz; e, pondo n’ella o menino, a poz nos juncos á
borda do rio.
4 E sua irmã parou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer.
5 E a filha de Pharaó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzellas
passeavam, pela borda do rio: e ella viu a arca no meio dos juncos, e
enviou a sua creada, e a tomou.
6 E abrindo-a, viu ao menino, e eis que o menino chorava; e moveu-se [3]
de compaixão d’elle, e disse: Dos meninos dos hebreos _é_ este.
7 Então disse sua irmã á filha de Pharaó: Irei eu a chamar uma ama das
hebreas, que crie este menino por ti?
8 E a filha de Pharaó disse-lhe: Vae. E foi-se a moça, e chamou a mãe do
menino.
9 Então lhe disse a filha de Pharaó: Leva este menino, [4] e cria-m’o: eu
_te_ darei teu salario. E a mulher tomou o menino, e creou-o.
10 E, sendo o menino já grande, ella o trouxe á filha de Pharaó, a qual
o adoptou; e chamou o seu nome [DZ] Moysés, e disse: Porque das aguas o
tenho tirado.
_Moysés mata um egypcio e foge para Midian._
[Antes de Christo 1571]
11 E aconteceu n’aquelles dias que, sendo Moysés já grande, saiu a seus
irmãos, [5] e attentou nas suas cargas: e viu que um varão egypcio feria
a um hebreu, varão de seus irmãos.
12 E olhou a uma e a outra banda, e, vendo que ninguem _ali havia_, feriu
ao egypcio, e escondeu-o na areia.
13 E tornou a sair no dia seguinte, [6] e eis que dois varões hebreos
contendiam; e disse ao injusto: Porque feres a teu proximo?
14 O qual disse: Quem te tem posto a ti por [EA] maioral e juiz sobre
nós? pensas matar-me, como mataste o egypcio? Então temeu Moysés, e
disse: Certamente este negocio foi descoberto.
15 Ouvindo pois Pharaó este negocio, procurou matar a Moysés: [7] mas
Moysés fugiu de diante da face de Pharaó, e habitou na terra de Midian, e
assentou-se junto a um poço.
16 E o sacerdote de Midian tinha sete filhas, as quaes vieram a tirar
_agua_, e encheram as pias, para dar de beber ao rebanho de seu pae.
17 Então vieram os pastores, e lançaram-as d’ali; Moysés porém
levantou-se, e defendeu-as, e abeberou-lhes o rebanho.
18 E vindo ellas a Reuel seu pae, elle disse: Porque hoje tomastes tão
depressa?
19 E ellas disseram: Um homem egypcio nos livrou da mão dos pastores; e
tambem nos tirou _agua_ em abundancia, e abeberou o rebanho.
20 E disse a suas filhas: E onde está elle? porque deixastes o homem?
chamae-o para que coma pão.
21 E Moysés consentiu em morar com aquelle homem: [8] e elle deu a Moysés
sua filha Zippora,
22 A qual pariu um filho, e elle chamou o seu nome [EB] Gerson, porque
disse: Peregrino fui em terra estranha.
_A morte do rei do Egypto._
[Antes de Christo 1531]
23 E aconteceu depois de muitos d’estes dias, [9] morrendo o rei do
Egypto, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e
clamaram: e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.
24 E ouviu Deus o seu gemido, [10] e lembrou-se Deus do seu concerto com
Abrahão, com Isaac, e com Jacob;
25 E attentou Deus para os filhos d’Israel, e conheceu-_os_ Deus.
[1] cap. 6.20.
[2] Act. 7.20. Heb. 11.23.
[3] Psa. 106.46.
[4] Psa. 27.10.
[5] Act. 7.23, 24. Heb. 11.24, 26.
[6] Act. 7.26.
[7] Act. 7.29.
[8] cap. 18.2.
[9] Num. 20.16. Deu. 26.7. Psa. 12.5. cap. 3.9.
[10] Gen. 15.14 e 26.3 e 46.4. Luc. 1.72, 76.
_Deus falla com Moysés do meio da sarça ardente._
[Antes de Christo 1491]
3 E apascentava Moysés o rebanho de Jethro, seu sogro, sacerdote em
Midian: e levou o rebanho atrás do deserto, [1] e veiu ao monte de Deus,
a Horeb.
2 E appareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chamma de fogo do meio d’uma
sarça: [2] e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se
consumia.
3 E Moysés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão,
porque a sarça se não queima.
4 E vendo o Senhor que se virava para lá a vêr, bradou Deus a elle do
meio da sarça, e disse: Moysés, Moysés. E elle disse: Eis-me aqui.
5 E disse: Não te chegues para cá: [3] tira os teus sapatos de teus pés;
porque o logar em que tu estás é terra sancta.
6 Disse mais: [4] Eu _sou_ o Deus de teu pae, o Deus de Abrahão, o Deus
de Isaac, e o Deus de Jacob. E Moysés encobriu o seu rosto, porque temeu
olhar para Deus.
7 E disse o Senhor: [5] Tenho visto attentamente a afflicção do meu povo,
que _está_ no Egypto, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus
exactores, porque conheci as suas dôres.
8 Portanto desci para livral-o da mão dos egypcios, [6] e para fazel-o
subir d’aquella terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana
leite e mel: ao logar do Cananeo, e do Hetheo, e do Amorrheo, e do
Pherezeo, e do Heveo, e do Jebuseo.
9 E agora, eis que o clamor dos filhos d’Israel é vindo a mim, e tambem
tenho visto a oppressão com que os egypcios os opprimem.
10 Vem agora, pois, e eu te enviarei a Pharaó, [7] para que tires o meu
povo (os filhos d’Israel), do Egypto.
11 Então Moysés disse a Deus: Quem _sou_ eu, [8] que vá a Pharaó e tire
do Egypto os filhos d’Israel?
12 E Deus disse: Certamente eu serei comtigo; e isto te será por signal
de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egypto,
servireis a Deus n’este monte.
13 Então disse Moysés a Deus: Eis que quando vier aos filhos d’Israel, e
lhes disser: O Deus de vossos paes me enviou a vós; e elles me disserem:
Qual _é_ o seu nome? que lhes direi?
14 E disse Deus a Moysés: [EC] SEREI O QUE SEREI. Disse mais: Assim dirás
aos filhos d’Israel: [9] SEREI [ED] me enviou a vós.
15 E Deus disse mais a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: O Senhor
Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de
Jacob, me enviou a vós: este _é_ meu nome eternamente, e este _é_ meu
memorial de geração em geração.
16 Vae, e ajunta os anciãos d’Israel, e dize-lhes: O Senhor, o Deus
de vossos paes, o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacob, me appareceu,
dizendo: Certamente vos tenho visitado, [10] e _visto_ o que vos é feito
no Egypto.
17 Portanto eu disse: [11] Far-vos-hei subir da afflicção do Egypto á
terra do cananeo, do hetheo, e do amorrheo, e do pherezeo, e do heveo, e
do jebuseo, a uma terra que mana leite e mel.
18 E ouvirão a tua voz; e virás, tu e os anciãos d’Israel, ao rei do
Egypto, e dir-lhe-heis: O Senhor, o Deus dos hebreos, nos encontrou: [12]
agora pois deixa-nos ir caminho de tres dias para o deserto, para que
sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus.
19 Eu sei, porém, que o rei do Egypto não vos deixará ir, [13] nem ainda
por uma mão forte.
20 Porque eu estenderei a minha mão, [14] e ferirei ao Egypto com todas
as minhas maravilhas que farei no meio d’elle: depois vos deixará ir.
21 E eu darei graça a este povo aos olhos dos egypcios; [15] e acontecerá
que, quando sairdes, não saireis vazios,
22 Porque _cada_ mulher pedirá á sua visinha e á sua hospeda [EE] vasos
de prata, e vasos de oiro, [16] e vestidos, os quaes poreis sobre vossos
filhos e sobre vossas filhas; e despojareis ao Egypto.
[1] cap. 18.5. I Reis 19.8.
[2] Deu. 33.16. Isa. 63.9. Act. 7.30.
[3] Jos. 5.15.
[4] Gen. 28.13. Mat. 22.32.
[5] Neh. 9.9. Psa. 142.3.
[6] Deu. 1.25.
[7] Miq. 6.4.
[8] Jer. 1.6.
[9] cap. 6.3. João 8.58.
[10] Gen. 50.24.
[11] Gen. 15.13, 20.
[12] cap. 5.3.
[13] cap. 5.2.
[14] cap. 7.3 e 11.9. Psa. 105.27. Jer. 32.20. Act. 7.36. cap. 12.31.
[15] cap. 11.3.
[16] cap. 12.36. Job 27.17. Pro. 13.22.
_A vara de Moysés torna-se em cobra._
4 Então respondeu Moysés, e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão
a minha voz, porque dirão: O Senhor não te appareceu.
2 E o Senhor disse-lhe: Que é _isso_ na tua mão? E elle disse: Uma vara.
3 E elle disse: Lança-a na terra. Elle a lançou na terra, e tornou-se em
cobra: e Moysés fugia d’ella.
4 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão, e pega-lhe pela
cauda, E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na
sua mão,
5 Para que creiam que te appareceu o Senhor, Deus de seus paes, o Deus de
Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.
6 E disse-lhe mais o Senhor: Mette agora a tua mão no teu seio. E,
tirando-a, eis que a sua mão _estava_ leprosa, [1] _branca_ como a neve.
7 E disse: Torna a metter a tua mão no teu seio. E tornou a metter sua
mão no seu seio: depois tirou-a do seu seio, e eis que se tornara como a
sua _outra_ carne.
8 E acontecerá que, se elles te não crerem, nem ouvirem a voz do primeiro
signal, crerão a voz do derradeiro signal;
9 E se acontecer que ainda não creiam a estes dois signaes, nem ouvirem
a tua voz, tomarás das aguas do rio, e as derramarás na terra secca: e
as aguas, que tomarás do rio, [2] tornar-se-hão em sangue sobre a terra
secca.
10 Então disse Moysés ao Senhor: Ah Senhor! eu não sou homem que bem
falla, nem de hontem nem de antehontem, nem ainda desde que tens fallado
ao teu servo; porque sou pesado de bocca, e pesado de lingua.
11 E disse-lhe o Senhor: Quem fez a bocca do homem? [3] ou quem fez o
mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? não sou eu, o Senhor?
12 Vae pois agora, e eu serei com a tua bocca, [4] e te ensinarei o que
has de fallar.
13 Elle porém disse: Ah Senhor! envia pela mão _d’aquelle a quem_ tu has
de enviar.
14 Então se accendeu a ira do Senhor contra Moysés, e disse: Não é Aarão,
o levita, teu irmão? eu sei que elle fallará muito bem: e [5] eis que
elle tambem sae ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração.
15 E tu lhe fallarás, e porás as palavras na sua bocca: e eu serei com a
tua bocca, e com a sua bocca, ensinando-vos o que haveis de fazer.
16 E elle fallará por ti ao povo: e acontecerá que elle te será por
bocca, [6] e tu lhe serás por Deus.
17 Toma pois esta vara na tua mão, [7] com que farás os signaes.
_Moysés volta para o Egypto._
18 Então foi-se Moysés, e voltou para Jethro seu sogro, e disse-lhe; Eu
irei agora, e tornarei a meus irmãos, que _estão_ no Egypto, para ver se
ainda vivem. Disse pois Jethro a Moysés: Vae em paz.
19 Disse tambem o Senhor a Moysés em Midian: Vae, volta para o Egypto;
[8] porque todos os que buscavam a tua alma morreram.
20 Tomou pois Moysés sua mulher e seus filhos, e os levou sobre um
jumento, e tornou-se á terra do Egypto; [9] e Moysés tomou a vara de Deus
na sua mão.
21 E disse o Senhor a Moysés: Quando fores tornado ao Egypto, attenta que
faças diante de Pharaó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão:
[10] mas eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo.
22 Então dirás a Pharaó: Assim diz o Senhor: [11] Israel _é_ meu filho,
meu primogenito.
23 E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas
tu recusaste deixal-o ir: eis que eu matarei a teu filho, [12] o teu
primogenito.
24 E aconteceu no caminho, n’uma estalagem, que o Senhor o encontrou,
[13] e o quiz matar.
25 Então Zippora tomou uma pedra _aguda_, e circumcidou o prepucio de seu
filho, [14] e o lançou a seus pés, e disse: Certamente me és um esposo
sanguinario.
26 E desviou-se d’elle. Então ella disse: Esposo sanguinario, por causa
da circumcisão.
27 Disse tambem o Senhor a Aarão: Vae ao encontro de Moysés ao deserto.
[15] E elle foi, encontrou-o no monte de Deus, e beijou-o.
28 E denunciou Moysés a Aarão todas as palavras do Senhor, que o enviara,
e todos os signaes que lhe mandara.
29 Então foram Moysés e Aarão, e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de
Israel.
30 E Aarão fallou todas as palavras que o Senhor fallara a Moysés, [16] e
fez os signaes perante os olhos do povo,
31 E o povo creu, [17] e ouviram que o Senhor visitava aos filhos
d’Israel, e que via a sua afflicção: e inclinaram-se, e adoraram.
[1] Num. 12.10. II Reis 5.27.
[2] cap. 7.20. Psa. 78.44.
[3] Psa. 94.9. Jer. 1.6, 9.
[4] Mat. 10.19.
[5] ver. 27.
[6] cap. 7.1 e 18.19.
[7] ver. 2.
[8] cap. 2.15, 23. Mat. 2.20.
[9] cap. 7.3. Num. 20.8, 9.
[10] cap. 17.9. Deu. 2.30. Jos. 11.20. Isa. 6.10 e 63.17. João 12.40.
Rom. 9.18.
[11] Deu. 14.1. Jer. 31.9. Ose. 11.1. Rom. 9.4.
[12] cap. 11.5 e 12.29.
[13] Gen. 17.14.
[14] Jos. 5.2, 3.
[15] cap. 3.1.
[16] ver. 8.
[17] cap. 3.16. ver. 3, 9. cap. 12.27.
_Moysés e Aarão fallam a Pharaó._
5 E depois foram Moysés e Aarão, e disseram a Pharaó: Assim diz o Senhor
Deus d’Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no
deserto.
2 Mas Pharaó disse: [1] Quem _é_ o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para
deixar ir Israel? não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel.
3 E elles disseram: O Deus dos hebreos nos encontrou; portanto deixa-nos
agora ir caminho de tres dias ao deserto, para que não venha sobre nós
com pestilencia ou com espada.
4 Então disse-lhes o rei do Egypto: Moysés e Aarão, porque fazeis cessar
o povo das suas obras? ide a vossas cargas.
5 E disse tambem Pharaó: Eis que o povo da terra já _é_ muito, e vós
fazeis cessal-os das suas cargas.
_Pharaó afflige os israelitas._
6 Portanto deu ordem Pharaó n’aquelle mesmo dia aos exactores do povo, e
aos seus officiaes, dizendo:
7 D’aqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos,
como _fizestes_ hontem e antehontem: vão elles mesmos, e colham palhas
para si.
8 E lhes imporeis a conta dos tijolos que fizeram hontem, e antehontem:
nada diminuireis d’ella: porque elles estão ociosos; por isso clamam,
dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus.
9 Aggrave-se o serviço sobre estes homens, para que se occupem n’elle, e
não confiem em palavras de mentira.
10 Então sairam os exactores do povo, e seus officiaes, e fallaram ao
povo, dizendo: Assim diz Pharaó: Eu não vos darei palha;
11 Ide vós mesmos, e tomae vós palha d’onde a achardes: porque nada se
diminuirá de vosso serviço.
12 Então o povo se espalhou por toda a terra do Egypto, a colher rastolho
em logar de palha.
13 E os exactores _os_ apertavam, dizendo: Acabae vossa obra, a tarefa de
_cada_ dia, como quando havia palha.
14 E foram açoitados os officiaes dos filhos d’Israel, que os exactores
de Pharaó tinham posto sobre elles, dizendo _estes_: Porque não acabastes
vossa tarefa, fazendo tijolos como antes, assim tambem hontem e hoje?
15 Pelo que foram-se os officiaes dos filhos d’Israel, e clamaram a
Pharaó, dizendo: Porque fazes assim a teus servos?
16 Palha não se dá a teus servos, e nos dizem: Fazei tijolos: e eis que
teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa.
17 Mas elle disse: Vós sois ociosos: vós sois ociosos: por isso dizeis:
Vamos, sacrifiquemos ao Senhor.
18 Ide pois agora, trabalhae: palha porém não se vos dará: comtudo,
dareis a conta dos tijolos.
19 Então os officiaes dos filhos d’Israel viram-se em afflicção,
porquanto [2] se dizia: Nada diminuireis de vossos tijolos, _da_ tarefa
do dia no seu dia.
_Os israelitas queixam-se de Moysés e Aarão._
20 E encontraram a Moysés e a Aarão, que estavam defronte d’elles, quando
sairam de Pharaó,
21 E disseram-lhes: O Senhor attente sobre vós, e julgue _isso_, [3]
porquanto fizeste feder o nosso cheiro diante de Pharaó, e diante de seus
servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar.
22 Então se tornou Moysés ao Senhor, e disse: Senhor! [4] porque fizeste
mal a este povo? porque me enviaste?
23 Porque desde que entrei a Pharaó, para fallar em teu nome, elle
maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo.
[1] Job 21.15. cap. 3.18.
[2] Ecc. 4.1 e 5.8.
[3] Gen. 34.30. I Sam. 27.12. II Sam. 10.6. I Chr. 19.6.
[4] Jer. 20.7. Hab. 2.3.
6 Então disse o Senhor a Moysés: Agora verás o que hei de fazer a Pharaó:
porque por uma mão poderosa os deixará ir, sim, por uma mão poderosa [1]
os lançará de sua terra.
_Deus promette livrar os israelitas._
2 Fallou mais Deus a Moysés, e disse: Eu _sou_ o [EF] Senhor,
3 E eu appareci a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, como Deus o Todo-poderoso:
[2] mas _pelo_ meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido.
4 E tambem estabeleci o meu concerto com elles, [3] para dar-lhes a terra
de Canaan, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos.
5 E tambem tenho ouvido o gemido dos filhos d’Israel, [4] aos quaes os
egypcios fazem servir, e me lembrei do meu concerto.
6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu _sou_ o Senhor, e vos tirarei de
debaixo das cargas dos egypcios, [5] e vos resgatarei com braço estendido
e com juizos grandes.
7 E eu vos tomarei [6] por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis
que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos
egypcios;
8 E eu vos levarei á terra, ácerca da qual levantei minha mão, que a
daria a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, [7] e vol-a darei por herança, eu o
Senhor.
9 D’este modo fallou Moysés aos filhos d’Israel, mas elles não ouviram a
Moysés, por causa da ancia do espirito e da dura servidão.
10 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:
11 Entra, e falla a Pharaó rei do Egypto, que deixe sair os filhos
d’Israel da sua terra.
12 Moysés, porém, fallou perante o Senhor, dizendo: Eis que os filhos
d’Israel me não teem ouvido; como pois Pharaó me ouvirá? [8] tambem eu
sou incircumciso dos labios.
13 Todavia o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, e deu-lhes mandamento para
os filhos de Israel, e para Pharaó rei do Egypto, para que tirassem os
filhos de Israel da terra do Egypto.
_Genealogias de Ruben, Simeão e Levi._
14 Estas _são_ as cabeças das casas de seus paes: Os filhos de Ruben, o
primogenito de Israel: Hanoch e Pallu, [9] Hezron e Carmi; estas _são_ as
familias de Ruben.
15 E os filhos de Simeão: [10] Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e
Zohar, e Shaul, filho de uma cananea; estas _são_ as familias de Simeão.
16 E estes _são_ os nomes dos filhos de Levi, [11] segundo as suas
gerações: Gerson, e Koath, e Merari: e os annos da vida de Levi _foram_
cento e trinta e sete annos.
17 Os filhos de Gerson: Libni e Simei, segundo as suas familias;
18 E os filhos de Kohath: Amram, e Izhar, e Hebron, e Uzziel: e os annos
da vida de Kohath _foram_ cento e trinta e tres annos.
19 E os filhos de Merari: Mahali e Musi: estas _são_ as familias de Levi,
segundo as suas gerações.
20 E Amram [12] tomou por mulher a Jochebed, sua tia, e ella pariu-lhe a
Aarão e a Moysés: e os annos da vida de Amram _foram_ cento e trinta e
sete annos.
21 E os filhos de Izhar: [13] Korah, e Nepheg, e Zichri.
22 E os filhos de Uzziel: [14] Misael, e Elzaphan e Sithri.
23 E Aarão tomou por mulher a Eliseba, filha de Amminadab, irmã de
Nahasson; e ella pariu-lhe a Nadab, e Abihu, Eleazar e [15] Ithamar.
24 E os filhos de Korah: Assir, e Elkana, e Abiasaph: estas _são_ as
familias dos Korithas.
25 E Eleazar, filho de Aarão, tomou para si por mulher _uma_ das filhas
de Putiel, e ella pariu-lhe a Phineas: estas _são_ as cabeças dos paes
dos levitas, segundo as suas familias.
26 Estes _são_ Aarão e Moysés, aos quaes o Senhor disse: Tirae os filhos
de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.
27 Estes _são_ os que fallaram a Pharaó, rei do Egypto, para que tirasse
do Egypto os filhos de Israel: [16] estes _são_ Moysés e Aarão.
_Deus anima Moysés, a fallar outra vez a Pharaó._
28 E aconteceu que n’aquelle dia, quando o Senhor fallou a Moysés na
terra do Egypto,
29 Fallou o Senhor a Moysés, dizendo: Eu _sou_ o Senhor; falla a Pharaó,
rei do Egypto, tudo quanto eu [17] te digo a ti.
30 Então disse Moysés perante o Senhor: Eis que eu [18] _sou_
incircumciso dos labios; como pois Pharaó me ouvirá?
[1] cap. 11.1.
[2] Gen. 17.1 e 35.11 e 48.3.
[3] Gen. 17.7, 8.
[4] cap. 2.24. Psa. 105.8.
[5] Deu. 26.8. Psa. 81.6. cap. 15.13. Deu. 7.8. I Chr. 17.21. Neh. 1.10.
[6] Deu. 4.20 e 7.6.
[7] Gen. 15.14 e 26.3 e 35.12.
[8] cap. 4.10. ver. 30.
[9] Gen. 46.9, &c.
[10] I Chr. 4.24.
[11] Num. 3.17. I Chr. 6.1.
[12] cap. 2.1. Num. 26.59.
[13] Num. 16.1.
[14] Lev. 10.4.
[15] Lev. 10.1, 6.
[16] Miq. 6.4.
[17] Jer. 1.7, 8, 17 e 26.2. Eze. 2.6, 7.
[18] ver. 12.
7 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que te tenho posto _por_ Deus sobre
Pharaó, [1] e Aarão, teu irmão, será o teu propheta.
2 Tu fallarás tudo o que eu te mandar: e Aarão teu irmão fallará a
Pharaó, [2] que deixe ir os filhos de Israel da sua terra.
3 Eu, porém, endurecerei o coração de Pharaó, [3] e multiplicarei na
terra do Egypto os meus signaes e as minhas maravilhas.
4 Pharaó pois não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egypto, e
tirarei meus exercitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do
Egypto, com grandes juizos.
5 Então os egypcios saberão que eu _sou_ o Senhor, [4] quando estender a
minha mão sobre o Egypto, e tirar os filhos de Israel do meio d’elles.
6 Então fez Moysés e Aarão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram.
7 E Moysés _era_ da edade de oitenta annos, e Aarão da edade de oitenta e
tres annos, quando fallaram a Pharaó.
8 E o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, dizendo:
9 Quando Pharaó vos fallar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; [5]
dirás a Aarão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Pharaó; e se tornará
em serpente.
10 Então Moysés e Aarão entraram a Pharaó, e fizeram assim como o Senhor
ordenara: e lançou Aarão a sua vara diante de Pharaó, e diante dos seus
servos, e tornou-se em serpente.
11 E Pharaó tambem chamou os sabios e encantadores: e os magos do Egypto
fizeram tambem o mesmo com os seus encantamentos,
12 Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes: mas a vara
de Aarão tragou as varas d’elles.
13 Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor
tinha [6] dito.
_O coração de Pharaó mostra-se endurecido._
14 Então disse o Senhor a Moysés: O coração de Pharaó está [EG]
aggravado: [7] recusa deixar ir o povo.
15 Vae pela manhã a Pharaó: eis que elle sairá ás aguas: põe-te em frente
d’elle na praia do rio, e tomarás em tua mão a vara [8] que se tornou em
cobra.
16 E lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreos, me tem enviado a ti,
dizendo: [9] Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis
que até agora não tens ouvido.
17 Assim diz o Senhor: N’isto saberás que eu _sou_ o Senhor: [10] Eis que
eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as aguas que _estão_ no
rio, e tornar-se-hão [11] em sangue.
18 E os peixes, que _estão_ no rio, morrerão, e o rio federá; e os
egypcios nausear-se-hão, bebendo a agua do rio.
19 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Toma tu a vara, e estende
a tua mão sobre as aguas do Egypto, sobre as suas correntes, sobre os
seus rios, e sobre os seus tanques, e sobre todo o ajuntamento das suas
aguas, para que se tornem em sangue: e haja sangue em toda a terra do
Egypto, assim nos _vasos_ de madeira como nos de pedra.
_A primeira praga: as aguas tornam-se em sangue._
20 E Moysés e Aarão fizeram assim como o Senhor tinha mandado: e levantou
a vara, e feriu as aguas que _estavam_ no rio, diante dos olhos de
Pharaó, e diante dos olhos de seus servos; e todas as aguas do rio se
tornaram em sangue.
21 E os peixes, que _estavam_ no rio, morreram, e o rio fedeu, que os
egypcios não podiam beber a agua do rio: e houve sangue por toda a terra
do Egypto.
22 Porém os magos do Egypto _tambem_ fizeram o mesmo com os seus
encantamentos; [12] de maneira que o coração de Pharaó se endureceu, e
não os ouviu, como o Senhor tinha dito.
23 E virou-se Pharaó, e foi para sua casa: [13] nem ainda n’isto poz seu
coração.
24 E todos os egypcios cavaram poços junto ao rio, para beberem agua;
porquanto não podiam beber das aguas do rio.
25 Assim se cumpriram sete dias, depois que o Senhor ferira o rio.
[1] cap. 4.16.
[2] cap. 6.29.
[3] cap. 4.21 e 11.9.
[4] cap. 14.4, 18.
[5] João 2.18. cap. 4.2, 17.
[6] ver. 4. cap. 4.21.
[7] cap. 8.15 e 10.1, 27.
[8] ver. 10.
[9] cap. 3.18 e 5.1, 3.
[10] ver. 5. I Reis 20.28. II Reis 19.19. Eze. 29.9 e 38.23.
[11] Psa. 78.44 e 105.29. Apo. 8.8 e 16.4, 6.
[12] II Tim. 3.8. ver. 14.
[13] Isa. 26.11. Jer. 5.3 e 36.24. Agg. 1.5.
_A praga das rans._
8 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o
Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.
2 E se recusares deixal-o ir, eis que ferirei com rãs todos os teus
termos.
3 E o rio creará rãs, que subirão e virão á tua casa, e ao teu
dormitorio, e sobre a tua cama, e ás casas dos teus servos, e sobre o teu
povo, e aos teus fornos, e ás tuas amassadeiras.
4 E as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus
servos.
5 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua mão com tua
vara sobre as correntes, e sobre os rios, e sobre os tanques, e faze
subir rãs sobre a terra do Egypto.
6 E Aarão estendeu a sua mão sobre as aguas do Egypto, [1] e subiram rãs,
e cobriram a terra do Egypto.
7 Então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos: e fizeram
subir rãs sobre a terra do Egypto.
8 E Pharaó chamou a Moysés e a Aarão, e disse: [2] Rogae ao Senhor que
tire as rãs de mim e do meu povo; depois deixarei ir o povo, para que
sacrifiquem ao Senhor.
9 E Moysés disse a Pharaó: [EH] Tu tenhas a honra sobre mim: Quando
orarei por ti, e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de
ti, e das suas casas, _que_ sómente fiquem no rio?
10 E elle disse: Ámanhã. E _Moysés_ disse: Seja conforme á tua palavra,
para que saibas que ninguem _ha_ como o Senhor nosso [3] Deus.
11 E as rãs apartar-se-hão de ti, e das tuas casas, e dos teus servos, e
do teu povo: sómente ficarão no rio.
12 Então saiu Moysés e Aarão de Pharaó: [4] e Moysés clamou ao Senhor por
causa das rãs que tinha posto sobre Pharaó,
13 E o Senhor fez conforme á palavra de Moysés: e as rãs morreram nas
casas, nos pateos, e nos campos,
14 E ajuntaram-as em montões, e a terra fedeu.
15 Vendo pois Pharaó que havia descanço, aggravou o seu coração, [5] e
não os ouviu, como o Senhor tinha dito.
_A praga dos piolhos._
16 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua vara, e fere
o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egypto.
17 E fizeram assim; porque Aarão estendeu a sua mão com a sua vara, e
feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado: todo o
pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egypto.
18 E os magos fizeram tambem assim com os seus encantamentos para
produzir piolhos, mas não poderam: e havia piolhos nos homens e no gado.
19 Então disseram os magos a Pharaó: Isto _é_ [6] o dedo de Deus. Porém o
coração de Pharaó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito.
_A praga das moscas._
20 Disse mais o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te
diante de Pharaó; eis que elle sairá ás aguas, e dize-lhe: Assim diz o
Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.
21 Porque se não deixares ir o meu povo, eis que enviarei enxames de
moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e á tuas
casas; e as casas dos egypcios se encherão d’estes enxames, e tambem a
terra em que elles estiverem.
22 E n’aquelle dia eu separarei a terra de Goshen, [7] em que meu povo
habita, que n’ella não haja enxames de moscas, para que saibas que eu
_sou_ o Senhor no meio d’esta terra.
23 E porei [EI] separação entre o meu povo e o teu povo: ámanhã será este
signal.
24 E o Senhor fez assim; e vieram grandes enxames de moscas á casa de
Pharaó, e ás casas dos seus servos, e sobre toda a terra do Egypto: a
terra foi corrompida d’estes enxames.
25 Então chamou Pharaó a Moysés e a Aarão, e disse: Ide, e sacrificae ao
vosso Deus n’esta terra.
26 E Moysés disse: Não convem que façamos assim, porque sacrificariamos
ao Senhor nosso Deus a abominação dos egypcios: [8] eis que se
sacrificassemos a abominação dos egypcios perante os seus olhos, não nos
apedrejariam elles?
27 Deixa-nos ir caminho de tres dias ao deserto, [9] para que
sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus, como elle nos dirá.
28 Então disse Pharaó: Deixar-vos-hei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor
vosso Deus no deserto; sómente que, indo, não vades longe; orae _tambem_
por [10] mim.
29 E Moysés disse: Eis que saio de ti, e orarei ao Senhor, que estes
enxames de moscas se retirem ámanhã de Pharaó, dos seus servos, e do seu
povo: sómente que Pharaó não mais _me_ engane, [11] não deixando ir a
este povo para sacrificar ao Senhor.
30 Então saiu Moysés de Pharaó, e orou ao Senhor,
31 E fez o Senhor conforme á palavra de Moysés, e os enxames de moscas se
retiraram de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: não ficou uma só.
32 Mas aggravou Pharaó ainda esta vez seu coração, [12] e não deixou ir o
povo.
[1] Psa. 78.45 e 105.30.
[2] cap. 9.28 e 10.17. Num. 21.7. I Reis 13.6. Act. 8.24.
[3] Psa. 86.8. Jer. 10.6, 7.
[4] Deu. 34.10, 12.
[5] cap. 7.14. Ecc. 8.11. cap. 7.4.
[6] I Sam. 6.3, 9.
[7] cap. 9.4, &c. e 10.23 e 11.6, 7 e 12.13.
[8] Gen. 43.32 e 46.34.
[9] cap. 3.18.
[10] ver. 8.
[11] Psa. 78.34, 37. Jer. 42.20, 21.
[12] ver. 15. cap. 4.21. Rom. 2.5.
_A praga da peste nos animaes._
9 Depois o Senhor disse a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o
Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.
2 Porque se recusares de os deixar ir, e ainda por força os detiveres,
3 Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que _está_ no campo, sobre
os cavallos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre
as ovelhas, com pestilencia gravissima.
4 E o Senhor fará separação entre o gado dos israelitas, e o gado dos
egypcios, que nada morra de tudo o que fôr dos filhos d’Israel.
5 E o Senhor assignalou certo tempo, dizendo: Ámanhã fará o Senhor esta
coisa na terra.
6 E o Senhor fez esta coisa no dia seguinte, [1] e todo o gado dos
egypcios morreu: porém do gado dos filhos d’Israel não morreu nenhum.
7 E Pharaó enviou a _ver_, e eis que do gado d’Israel não morrera nenhum:
porém o coração de Pharaó se aggravou, e não deixou ir o povo.
8 Então disse o Senhor a Moysés e a Aarão: Tomae vossos punhos cheios da
cinza do forno, e Moysés a espalhe para o céu diante dos olhos de Pharaó;
9 E tornar-se-ha em pó miudo sobre toda a terra do [2] Egypto, e se
tornará em sarna, que arrebente em ulceras nos homens e no gado, por toda
a terra do Egypto.
10 E elles tomaram a cinza do forno, e pozeram-se diante de Pharaó, e
Moysés a espalhou para o céu: e tornou-se em sarna, que arrebentava em
ulceras nos homens e no gado;
11 De maneira que os magos não podiam parar diante de Moysés, por causa
da sarna; porque havia sarna em os magos, e em todos os egypcios.
12 Porém o Senhor endureceu o coração de Pharaó, e não os ouviu, como o
Senhor tinha dito a [3] Moysés.
_As ameaças de Deus._
13 Então disse o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te
diante de Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos:
Deixa ir o meu povo, para que me sirva;
14 Porque esta vez [4] enviarei todas as minhas pragas sobre o teu
coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que
não _ha_ outro como Eu em toda a terra.
15 Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu
povo com pestilencia, e para que sejas destruido da terra;
16 Mas devéras para isto te levantei, para mostrar minha potencia em ti,
[5] e para que o meu nome seja annunciado em toda a terra.
17 Tu ainda te levantas contra o meu povo, para não os deixar ir?
18 Eis que ámanhã por este tempo farei chover saraiva mui grave, qual
nunca houve no Egypto, desde o dia em que foi fundado até agora.
19 Agora pois envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo
o homem e animal, que fôr achado no campo, e não fôr recolhido á casa, a
saraiva cairá sobre elles, e morrerão.
20 Quem dos servos de Pharaó temia a palavra do Senhor, fez fugir os seus
servos e o seu gado para as casas;
21 Mas aquelle que não tinha applicado a palavra do Senhor ao seu
coração, deixou os seus servos e o seu gado no campo.
_A praga da saraiva._
22 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e haverá
saraiva em toda a terra do Egypto, sobre os homens e sobre o gado, e
sobre toda a herva do campo na terra de Egypto.
23 E Moysés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e
saraiva, [6] e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva
sobre a terra do Egypto.
24 E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, mui grave, qual
nunca houve em toda a terra do Egypto, desde que veiu a ser uma nação.
25 E a saraiva feriu, em toda a terra do Egypto, tudo quanto _havia_ no
campo, desde os homens até aos animaes: tambem a saraiva feriu toda a
herva do campo, e quebrou todas as arvores do campo.
26 Sómente na terra de Goshen, [7] onde _estavam_, os filhos de Israel,
não havia saraiva.
27 Então Pharaó enviou para chamar a Moysés e a Aarão, e disse-lhes: Esta
vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo [8] impios.
28 Orae ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus
nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais _aqui_.
29 Então lhe disse Moysés: Em saindo da cidade estenderei minhas mãos
ao Senhor: os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; [9] para que
saibas que a terra é do Senhor.
30 Todavia, quanto a ti e aos teus servos, eu sei [10] que ainda não
temereis diante do Senhor Deus.
31 E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já _estava_ na
espiga, e o linho na cana,
32 Mas o trigo e o centeio não foram feridos, porque _estavam_ cobertos.
33 Saiu pois Moysés de Pharaó, da cidade, e estendeu as suas mãos ao
Senhor: e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu _mais_
sobre a terra.
34 Vendo Pharaó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, continuou
em peccar: [11] e aggravou o seu coração, elle e os seus servos.
35 Assim o coração de Pharaó se endureceu, e não deixou ir os filhos de
Israel, como o Senhor tinha dito por Moysés.
[1] Psa. 78.50.
[2] Deu. 28.27. Job 2.7. Apo. 16.2.
[3] cap. 4.21.
[4] I Sam. 4.8.
[5] Pro. 16.4. Rom. 9.17. I Ped. 2.8.
[6] Jos. 10.11. Job 38.22, 23. Psa. 18.13 e 78.47 e 105.32. Isa. 30.30.
Eze. 38.22. Apo. 8.7.
[7] cap. 8.22.
[8] II Chr. 12.6.
[9] Psa. 24.1. I Chr. 10.26.
[10] Isa. 26.10.
[11] II Chr. 36.13. Rom. 2.4, 5.
_Deus ameaça Pharaó com a praga dos gafanhotos._
10 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, porque tenho aggravado
o seu coração, [1] e o coração de seus servos, para fazer estes meus
signaes no meio d’elle,
2 E para que contes aos ouvidos de teus filhos, [2] e dos filhos de teus
filhos, as coisas que obrei no Egypto, e os meus signaes, que tenho feito
entre elles: para que saibaes que eu _sou_ o Senhor.
3 Assim foram Moysés e Aarão a Pharaó, e disseram-lhe: Assim diz o
Senhor, o Deus dos hebreos: [3] Até quando recusas humilhar-te diante de
mim? deixa ir o meu povo, para que me sirva;
4 Porque se _ainda_ recusares deixar ir o meu povo, [4] eis que trarei
ámanhã gafanhotos aos teus termos,
5 E cobrirão a face da terra, que a terra não se poderá ver; e elles
comerão o resto do que escapou, o que vos ficou da saraiva: [5] tambem
comerão toda a arvore que vos cresce no campo;
6 E encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos, e as
casas de todos os egypcios, quaes nunca viram teus paes, nem os paes de
teus paes, desde o dia, era que elles foram sobre a terra até ao dia de
hoje. E virou-se, e saiu da presença de Pharaó.
7 E os servos de Pharaó disseram-lhe: Até quando este nos ha de ser por
laço? [6] deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus: ainda
não sabes que o Egypto está destruido?
8 Então Moysés e Aarão foram levados outra vez a Pharaó, e _elle_
disse-lhes: Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Quaes são os que hão de ir?
9 E Moysés disse: Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos
velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas
ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos.
10 Então elle lhes disse: Seja o Senhor assim comvosco, como eu vos
deixarei ir a vós e a vossos filhos: olhae que ha mal diante da vossa
face.
11 Não _será_ assim: andae agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois
isso é o que pedistes. E os empuxaram da face de Pharaó.
_A praga dos gafanhotos._
12 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre a terra do
Egypto pelos gafanhotos, para que venham sobre a terra do Egypto, e comam
toda a herva da terra, tudo o que deixou a saraiva.
13 Então estendeu Moysés sua vara sobre a terra do Egypto, e o Senhor
trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquelle dia e toda aquella
noite: e aconteceu que pela manhã o vento oriental trouxe os gafanhotos.
14 E vieram [7] os gafanhotos sobre toda a terra do Egypto, e
assentaram-se sobre todos os termos do Egypto; mui graves _foram_; antes
d’estes nunca houve taes gafanhotos, nem depois d’elles virão outros taes.
15 Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se
escureceu; e comeram toda a herva da terra, e todo o fructo das arvores,
que deixara a saraiva; e não ficou alguma verdura nas arvores, nem na
herva do campo, em toda a terra do Egypto.
16 Então Pharaó se apressou a chamar a Moysés e a Aarão, e disse: Pequei
contra o Senhor vosso Deus, [8] e contra vós.
17 Agora, pois, peço-vos que perdoeis o meu peccado sómente d’esta vez, e
que oreis ao Senhor vosso Deus que tire de mim sómente esta [9] morte.
18 E saiu da presença de Pharaó, e orou ao Senhor.
19 Então o Senhor trouxe um vento occidental fortissimo, o qual levantou
os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho; nem ainda um gafanhoto ficou
em todos os termos do Egypto.
20 O Senhor, porém, endureceu o coração de Pharaó, [10] e não deixou ir
os filhos de Israel.
_A praga das trevas._
21 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e virão
trevas sobre a terra do Egypto, trevas que se apalpem.
22 E Moysés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em
toda a terra do Egypto por tres dias.
23 Não viu um ao outro, e ninguem se levantou do seu logar por tres dias;
mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas [11] habitações.
24 Então Pharaó chamou a Moysés, e disse: Ide, servi ao Senhor: sómente
fiquem vossas ovelhas e vossas vaccas: vão tambem comvosco as vossas
creanças.
25 Moysés, porém, disse: Tu tambem darás em nossas mãos sacrificios e
holocaustos, que offereçamos ao Senhor nosso Deus.
26 E tambem o nosso gado ha de ir comnosco, nem uma unha ficará; porque
d’aquelle havemos de tomar, para servir ao Senhor nosso Deus: porque não
sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá.
27 O Senhor, porém, endureceu [12] o coração de Pharaó, e não os quiz
deixar ir.
28 E disse-lhe Pharaó: Vae-te de mim, guarda-te que não mais vejas o meu
rosto: porque no dia em que vires o meu rosto, morrerás.
29 E disse Moysés: Bem disseste; [13] eu nunca mais verei o teu rosto.
[1] cap. 7.13, 14.
[2] Deu. 4.9. Psa. 44.1 e 78.5.
[3] I Reis 21.29. II Chr. 7.14 e 33.12, 19. Job 42.6. Thi. 4.10.
[4] Pro. 30.27.
[5] cap. 9.32.
[6] Jos. 23.13.
[7] Psa. 78.46 e 105.34.
[8] cap. 9.27.
[9] I Reis 13.6.
[10] cap. 4.21.
[11] cap. 8.22 e 9.4, 26 e 12.13.
[12] ver. 1, 20. cap. 14.4, 8.
[13] Heb. 11.27.
_Deus annuncia a Moysés a morte de todos os primogenitos._
11 E o senhor dissera a Moysés: Ainda uma praga trarei sobre Pharaó e
sobre o Egypto: depois vos deixarei ir d’aqui: e, quando _vos_ deixar ir
totalmente, a toda a pressa [1] vos lançará d’aqui.
2 Falla agora aos ouvidos do povo, que cada varão peça ao seu visinho, e
cada mulher á sua visinha, [EJ] vasos de prata e vasos de oiro.
3 E o Senhor deu graça ao povo aos olhos dos egypcios; [2] tambem o varão
Moysés _era_ mui grande na terra do Egypto, aos olhos dos servos de
Pharaó, e aos olhos do povo.
4 Disse mais Moysés: Assim o Senhor tem dito: [3] Á meia noite eu sairei
pelo meio do Egypto;
5 E todo o primogenito na terra do Egypto morrerá, [4] desde o
primogenito de Pharaó, que houvera de assentar-se sobre o seu throno, até
ao primogenito da serva que _está_ detraz da mó, e todo o primogenito dos
animaes.
6 E haverá grande clamor [5] em toda a terra do Egypto, qual nunca houve
similhante e nunca haverá;
7 Mas entre todos os filhos de Israel nem ainda um cão moverá a sua
lingua, desde os homens até aos animaes, [6] para que saibaes que o
Senhor fez differença entre os egypcios e os israelitas.
8 Então todos estes teus servos [7] descerão a mim, e se inclinarão
diante de mim, dizendo: Sae tu, e todo o povo que te segue as pisadas; e
depois eu sairei. E saiu de Pharaó em ardor de ira.
9 O Senhor dissera a Moysés: Pharaó vos não ouvirá, para que as minhas
maravilhas se multipliquem na terra do [8] Egypto.
10 E Moysés e Aarão fizeram todas estas maravilhas diante de Pharaó; mas
o Senhor endureceu o coração de Pharaó, [9] que não deixou ir os filhos
de Israel da sua terra.
[1] cap. 12.31, 39.
[2] cap. 12.36.
[3] cap. 12.29. Job 34.20.
[4] cap. 4.23.
[5] cap. 12.30.
[6] Jos. 10.21. cap. 8.22.
[7] cap. 12.31, 33.
[8] cap. 7.3.
[9] cap. 10.20, 27.
_A instituição da primeira paschoa._
12 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão na terra do Egypto, dizendo:
2 Este mesmo mez [1] vos _será_ o principio dos mezes: este vos _será_ o
primeiro dos mezes do anno.
3 Fallae a toda a congregação d’Israel, dizendo: Aos dez d’este mez tome
cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos paes, um cordeiro para
cada casa.
4 Mas se a casa fôr pequena para um cordeiro, então elle tome a seu
visinho perto de sua casa, conforme ao numero das almas: cada um conforme
ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.
5 O cordeiro, _ou cabrito_, será sem macula, um macho [2] de um anno, o
qual tomareis das ovelhas ou das cabras,
6 E o guardareis até ao decimo quarto dia d’este mez [3], e todo o
ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará á [EK] tarde.
7 E tomarão do sangue, e pol-o-hão em ambas as umbreiras, e na lumieira
da porta, nas casas em que o comerão.
8 E n’aquella noite comerão a carne assada no fogo, [4] com pães asmos;
com _hervas_ amargosas a comerão.
9 Não comereis d’elle crú, nem cozido em agua, senão assado ao fogo, a
sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.
10 E nada d’elle deixareis até ámanhã: [5] mas o que d’elle ficar até
ámanhã, queimareis no fogo.
11 Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, [6] os vossos
sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão: e o comereis apressadamente:
esta _é_ a paschoa do Senhor.
12 E eu passarei pela terra do Egypto esta noite, e ferirei todo o
primogenito na terra do Egypto, desde os homens até aos animaes; [7] e em
todos os deuses do Egypto farei juizos, Eu sou o Senhor.
13 E aquelle sangue vos será por signal nas casas em que _estiverdes_;
vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga
de mortandade, quando eu ferir a terra do Egypto.
14 E este dia vos será por memoria, [8] e celebral-o-heis por festa ao
Senhor: nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpetuo.
15 Sete dias comereis [9] pães asmos; ao primeiro dia tirareis o fermento
das vossas casas; porque qualquer que comer _pão_ levedado, desde o
primeiro até ao setimo dia, aquella alma será cortada d’Israel.
16 E ao primeiro dia _haverá_ sancta convocação; tambem ao setimo dia
tereis sancta convocação: [10] nenhuma obra se fará n’elles, senão o que
cada alma houver de comer; isso sómente apromptareis para vós.
17 Guardae pois a _festa_ dos pães asmos, porque n’aquelle mesmo dia
tirei vossos exercitos da terra do Egypto: pelo que guardareis a este dia
nas vossas gerações por estatuto perpetuo.
18 No primeiro _mez_, aos quatorze dias do mez, á tarde, comereis pães
asmos até vinte e um do mez á tarde.
19 Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas: [11]
porque qualquer que comer _pão_ levedado, aquella alma será cortada da
congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra.
20 Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações
comereis pães asmos.
21 Chamou pois Moysés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes:
Escolhei e tomae vós cordeiros para vossas familias, e sacrificae a [12]
paschoa.
22 Então tomae um mólho de hyssopo, e molhae-o no sangue que estiver na
bacia, e mettei na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, do sangue
que _estiver_ na bacia, [13] porém nenhum de vós saia da porta da sua
casa até á manhã.
23 Porque o Senhor passará para ferir aos egypcios, porém quando vir o
sangue na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, o Senhor passará
aquella [14] porta, e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas,
para vos ferir.
24 Portanto guardae isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para
sempre.
25 E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará,
como tem dito, guardareis este culto.
26 E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto _é_
este [15] vosso?
27 Então direis: Este _é_ o sacrificio da paschoa ao Senhor, que passou
as casas dos filhos d’Israel no Egypto, quando feriu aos egypcios, e
livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e [16] adorou.
28 E foram os filhos d’Israel, e fizeram _isso_; como o Senhor ordenara a
Moysés e a Aarão, assim fizeram.
_A morte dos primogenitos._
29 E aconteceu, á meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogenitos
na terra do Egypto, [17] desde o primogenito de Pharaó, que se sentava
em seu throno, até ao primogenito do captivo que _estava_ no carcere, e
todos os primogenitos dos animaes.
30 E Pharaó levantou-se de noite, elle e todos os seus servos, e todos os
egypcios; e havia grande clamor no Egypto, [18] porque não _havia_ casa
em que não _houvesse_ um morto.
31 Então chamou a Moysés e a Aarão de noite, e disse: Levantae-vos, sahi
do meio do meu povo, tanto vós como os filhos d’Israel: e ide, servi ao
Senhor, como tendes dito.
32 Levae tambem comvosco vossas ovelhas e vossas vaccas, como tendes
dito; e ide, e abençoae-me tambem a mim.
33 E os egypcios apertavam [19] ao povo, apressando-se para lançal-os da
terra; porque diziam: Todos _somos_ mortos.
34 E o povo tomou a sua massa, antes que levedasse, as suas amassadeiras
atadas em seus vestidos, sobre seus hombros.
35 Fizeram pois os filhos de Israel conforme á palavra de Moysés, e
pediram aos egypcios [EL] vasos de prata, e vasos de oiro, e [20]
vestidos.
36 E o Senhor deu graça ao povo em os olhos dos egypcios, e [EM]
emprestavam-lhes; e elles despojavam [21] aos egypcios.
_A saida dos israelitas do Egypto._
37 Assim partiram os filhos de Israel de Rameses [22] para Succoth, coisa
de seiscentos mil de pé, sómente de varões, sem contar os meninos.
38 E subiu tambem com elles muita mistura [23] de gente, e ovelhas, e
vaccas, uma grande multidão de gado.
39 E cozeram bolos asmos da massa que levaram do Egypto, porque não se
tinha levedado, porquanto foram lançados do Egypto; e não se poderam
deter, nem ainda se prepararam comida.
40 _O tempo_ que os filhos de Israel habitaram no Egypto [24] _foi de_
quatrocentos e trinta annos.
41 E aconteceu, passados os quatrocentos e trinta annos, n’aquelle mesmo
dia succedeu que todos os exercitos do Senhor sairam da terra do Egypto.
42 Esta noite se guardará ao Senhor, porque _n’ella_ os tirou da terra do
Egypto: esta _é_ a noite do Senhor, que devem guardar todos os filhos de
Israel [25] nas suas gerações.
43 Disse mais o Senhor a Moysés e a Aarão: Esta _é_ a ordenança da
paschoa; nenhum filho do estrangeiro comerá [26] d’ella.
44 Porém todo o servo de qualquer, comprado por dinheiro, depois que o
houveres circumcidado, [27] então comerá d’ella.
45 O estrangeiro e o assalariado não comerão [28] d’ella.
46 N’uma casa se comerá; não levarás d’aquella carne fóra da casa, nem
d’ella quebrareis [29] osso.
47 Toda a congregação de Israel o fará.
48 Porém se algum estrangeiro se hospedar comtigo, e quizer celebrar a
paschoa ao Senhor, seja-lhe circumcidado todo o macho, e então chegará
a celebral-a, e será como o natural da terra; mas nenhum incircumciso
comerá d’ella.
49 Uma mesma lei haja para o natural, e para o estrangeiro que peregrinar
entre [30] vós.
50 E todos os filhos de Israel o fizeram: como o Senhor ordenara a Moysés
e a Aarão, assim fizeram.
51 E aconteceu n’aquelle mesmo dia [31] que o Senhor tirou os filhos de
Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.
[1] cap. 13.4 e 34.18.
[2] Lev. 22.19, 21. Deu. 17.1. Mal. 1.8, 14. I Ped. 1.19.
[3] Lev. 23.5. Num. 9.3 e 28.16. Deu. 16.1, 6.
[4] cap. 34.25. Deu. 16.3. I Cor. 5.8.
[5] cap. 23.18.
[6] Luc. 12.35. Eph. 6.14. Eph. 6.15.
[7] Num. 33.4.
[8] Lev. 23.4, 5.
[9] cap. 13.6.
[10] Num. 29.12.
[11] cap. 23.15 e 34.18.
[12] Jos. 5.10. II Reis 23.21. Esd. 6.20. Mat. 26.18.
[13] Heb. 11.28.
[14] II Sam. 24.16. Eze. 9.4, 6. Apo. 7.3 e 9.4.
[15] cap. 13.8, 14. Jos. 4.6. Psa. 78.6.
[16] cap. 4.31.
[17] Num. 3.13 e 33.4. Psa. 78.51 e 105.36 e 135.8 e 136.10. Heb. 11.28.
[18] cap. 11.6.
[19] Psa. 105.38.
[20] cap. 11.2.
[21] cap. 3.21.
[22] Num. 33.3, 5. Num. 1.46 e 11.21.
[23] Num. 11.4.
[24] Gen. 15.13. Act. 7.6. Gal. 3.17.
[25] Deu. 16.1, 6.
[26] Eph. 2.19.
[27] Phi. 3.3.
[28] Lev. 22.10. Eph. 2.12.
[29] Num. 9.12. João 19.36.
[30] Num. 9.14. Gal. 3.28. Col. 3.11.
[31] ver. 41. cap. 6.26.
_Os primogenitos são sanctificados a Deus._
13 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:
2 Sanctifica-me todo o primogenito, [1] o que abrir toda a madre entre os
filhos de Israel, de homens e de animaes: _porque_ meu é.
3 E Moysés disse ao povo: Lembrae-vos d’este mesmo dia, [2] em que
saistes do Egypto, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos
tirou d’aqui: portanto não comereis pão levedado.
4 Hoje, no mez de Abib, vós [3] sahis.
5 E acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos
cananeos, e dos hetheos, e dos amorrheos, e dos heveos, e dos jebuzeos,
a qual jurou a teus paes que t’a daria, [4] terra que mana leite e mel,
guardarás este culto n’este mez.
6 Sete dias comerãs pães asmos; [5] e ao setimo dia _haverá_ festa ao
Senhor.
7 Sete dias se comerão pães asmos, e o levedado não se verá comtigo, nem
ainda fermento será visto em todos os teus termos.
8 E n’aquelle mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: [6] _Isto é_
pelo que o Senhor me tem feito, quando eu sahi do Egypto.
9 E te será por signal sobre tua mão, [7] e por lembrança entre teus
olhos; para que a lei do Senhor esteja em tua bocca: porquanto com mão
forte o Senhor te tirou do Egypto.
10 Portanto tu guardarás este estatuto a seu tempo, de anno em anno.
11 Tambem acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos
cananeos, como jurou a ti e a teus paes, quando t’a houver dado,
12 Farás passar ao Senhor tudo o que abrir a madre, e tudo o que abrir a
_madre_ do fructo dos animaes que terás: os machos _serão_ do Senhor.
13 Porém tudo o que abrir a _madre_ da jumenta, resgatarás com [EN]
cordeiro; e se o não resgatares cortar-lhe-has a cabeça: mas todo o
primogenito do homem entre teus filhos resgatarás.
14 Se acontecer que teu filho no tempo futuro te pergunte, [8] dizendo:
Que _é_ isto? dir-lhe-has: O Senhor nos tirou com mão forte do Egypto,
da casa da servidão.
15 Porque succedeu que, endurecendo-se Pharaó, para não nos deixar ir,
o Senhor matou todos os primogenitos na terra do Egypto, do primogenito
do homem até ao primogenito dos animaes: por isso eu sacrifico ao Senhor
os machos de tudo que abre a madre; porém a todo o primogenito de meus
filhos eu resgato.
16 E será por signal sobre tua mão, e por frontaes entre os teus olhos;
porque o Senhor nos tirou do Egypto com mão [9] forte.
_Deus guia o povo pelo caminho._
17 E aconteceu, que quando Pharaó deixou ir o povo, Deus não os levou
pelo caminho da terra dos philisteos, que _estava mais_ perto; porque
Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra,
e se tornem ao [10] Egypto.
18 Mas Deus [11] fez rodear o povo pelo caminho no deserto do Mar
Vermelho: e subiram os filhos de Israel da terra do Egypto armados.
19 E tomou Moysés os ossos de José comsigo, porquanto havia este
estreitamente ajuramentado aos filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus
vos visitará; fazei pois subir d’aqui [12] os meus ossos comvosco.
20 Assim se partiram de Succoth, e acamparam-se em Etham, á entrada [13]
do deserto.
21 E o Senhor ia adiante d’elles, [14] de dia n’uma columna de nuvem,
para os guiar pelo caminho, e de noite n’uma columna de fogo, para os
allumiar, para que caminhassem de dia e de noite.
22 Nunca tirou de diante da face do povo a columna de nuvem, de dia, nem
a columna de fogo, de noite.
[1] cap. 22.29 e 34.19. Num. 3.13. Deu. 15.19. Luc. 2.23.
[2] cap. 12.42.
[3] cap. 23.15.
[4] Gen. 17.8 e 22.16.
[5] cap. 12.15.
[6] cap. 12.26. ver. 4.
[7] ver. 16. Deu. 6.8 e 11.18. Pro. 6.21. Can. 8.6.
[8] Deu. 6.20. Jos. 4.6, 21.
[9] Deu. 26.8.
[10] cap. 14.11, 12. Num. 14.1, 4.
[11] Deu. 32.10.
[12] Gen. 50.25. Jos. 24.32. Act. 7.16.
[13] Num. 33.6.
[14] Num. 9.15, 23 e 10.34 e 14.14. Deu. 1.33. Neh. 9.12, 19. Psa. 78.14
e 99.7 e 105.39. Isa. 4.5. I Cor. 10.2.
_Deus annuncia a ruina dos egypcios._
14 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:
2 Falla aos filhos de Israel que tornem, e que se acampem diante de
Pi-hahiroth, [1] entre Migdol e o mar, diante de Baal-zephon: em frente
d’elle assentareis o campo junto ao mar.
3 Então Pharaó dirá dos filhos de Israel: Estão embaraçados na terra, o
deserto os encerrou.
4 E eu endurecerei [2] o coração de Pharaó, para que os persiga, e serei
glorificado em Pharaó em todo o seu exercito, e saberão os egypcios que
eu sou o Senhor. E elles fizeram assim.
5 Sendo pois annunciado ao rei do Egypto que o povo fugia, mudou-se o
coração de Pharaó e dos seus servos contra o povo, e disseram: Porque
fizemos isso, havendo deixado ir a Israel, que nos não sirva?
6 E apromptou o seu carro, e tomou comsigo o seu povo;
7 E tomou seiscentos carros escolhidos, [3] e todos os carros do Egypto,
e os capitães sobre elles todos.
8 Porque o Senhor endureceu o coração de Pharaó, rei do Egypto, que
perseguisse aos filhos de Israel: [4] porém os filhos de Israel sairam
com alta mão.
9 E os egypcios perseguiram-n’os, todos os cavallos e carros de Pharaó, e
os seus cavalleiros, e o seu exercito, e alcançaram-n’os acampados junto
ao mar, perto de Pi-hahiroth, diante de Baal-zephon.
10 E, chegando Pharaó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis
que os egypcios vinham atraz d’elles, e temeram muito; então os filhos de
Israel clamaram [5] ao Senhor.
11 E disseram a Moysés: Não havia sepulchros no Egypto, que nos tiraste
_de lá_, para que morramos n’este deserto? porque nos fizeste isto, que
nos tens tirado do Egypto?
12 Não _é_ esta a palavra que te temos fallado no Egypto, [6] dizendo:
Deixa-nos, que sirvamos aos egypcios? pois que melhor nos _fôra_ servir
aos egypcios, do que morrermos no deserto.
13 Moysés, porém, disse ao povo: Não temaes; [7] estae quietos, e vêde o
livramento do Senhor, que hoje vos fará: porque aos egypcios, que hoje
vistes, nunca mais vereis para sempre:
14 O Senhor pelejará [8] por vós, e vos calareis.
_A passagem pelo meio do mar._
15 Então disse o Senhor a Moysés: Porque clamas a mim? dize aos filhos de
Israel que marchem.
16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o,
para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em secco.
17 E eu, eis que endurecerei o coração dos egypcios, para que entrem
n’elle atraz d’elles; e eu serei glorificado em Pharaó, e em todo o seu
exercito, nos seus carros e nos seus cavalleiros,
18 E os egypcios saberão que eu _sou_ o Senhor, quando fôr glorificado em
Pharaó, nos seus carros e nos seus cavalleiros.
19 E o anjo de Deus, [9] que ia diante do exercito d’Israel, se retirou,
e ia detraz d’elles: tambem a columna de nuvem se retirou de diante
d’elles, e se poz atraz d’elles,
20 E ia entre o campo dos egypcios e o campo d’Israel: e a nuvem era
escuridade _para aquelles, e para estes_ esclarecia a noite: de maneira
que em toda a noite não chegou um ao outro.
21 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o
mar por um forte vento oriental toda aquella noite; e o mar tornou-se em
secco, e as aguas [10] foram partidas.
22 E os filhos d’Israel entraram pelo meio do mar em secco: [11] e as
aguas _foram_-lhes como muro á sua direita e á sua esquerda.
23 E os egypcios seguiram-n’os, e entraram atraz d’elles todos os
cavallos de Pharaó, os seus carros e os seus cavalleiros, até ao meio do
mar.
24 E aconteceu que, na vigilia d’aquella manhã, o Senhor, na columna
do fogo e da nuvem, viu o campo dos egypcios: e alvorotou o campo dos
egypcios,
25 E tirou-lhes as rodas dos seus carros, e fel-os andar
difficultosamente. Então disseram os egypcios: Fujamos da face d’Israel,
porque o Senhor por elles peleja contra os egypcios.
26 E disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre o mar, para que
as aguas tornem sobre os egypcios, sobre os seus carros e sobre os seus
cavalleiros.
_Os egypcios perecem no mar._
27 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar tornou-se em sua
força ao amanhecer, e os egypcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor
derribou os egypcios no meio do mar,
28 Porque as aguas, tornando, cobriram os carros e os cavalleiros de todo
o exercito de Pharaó, que os haviam seguido no mar: nem ainda um d’elles
ficou.
29 Mas os filhos d’Israel foram pelo meio do mar secco: e as aguas
foram-lhes como muro á sua mão direita e á sua esquerda.
30 Assim o Senhor salvou Israel n’aquelle dia da mão dos egypcios: e
Israel viu os egypcios mortos na praia do mar.
31 E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egypcios; e temeu
o povo ao Senhor, e [12] creram no Senhor e em Moysés, seu servo.
[1] Num. 33.7.
[2] cap. 4.21.
[3] cap. 15.4.
[4] Num. 33.3. Deu. 26.8.
[5] Jos. 24.7. Neh. 9.9.
[6] cap. 5.21 e 6.9.
[7] Deu. 20.3. II Reis 6.16. II Chr. 20.15, 17. Psa. 27.1, 2 e 46.1, 3.
Isa. 41.10, 14.
[8] Deu. 1.30 e 20.4. Jos. 23.3, 10. Isa. 30.15.
[9] Num. 20.16. Isa. 63.9.
[10] Jos. 4.23. Psa. 66.6.
[11] I Cor. 10.1. Heb. 11.29.
[12] cap. 19.9. João 2.11.
_O cantico de Moysés._
15 Então cantou Moysés e os filhos d’Israel este cantico ao Senhor, e
fallaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque summamente se exaltou:
lançou no mar o cavallo e o seu cavalleiro.
2 O Senhor _é_ a minha força, e o _meu_ cantico; [1] elle me foi por
salvação; este _é_ o meu Deus, [EO] portanto lhe farei uma habitação;
elle _é_ o Deus de meu pae, por isso o exaltarei.
3 O Senhor _é_ varão de guerra: [2] o Senhor _é_ o seu nome.
4 Lançou no mar os carros de Pharaó e o seu exercito; e os seus
escolhidos principes afogaram-se no Mar Vermelho.
5 Os abysmos os cobriram: desceram ás profundezas [3] como pedra.
6 A tua dextra, ó Senhor, se tem glorificado em potencia: a tua dextra, ó
Senhor, tem despedaçado o inimigo;
7 E com a grandeza da tua excellencia derribaste aos _que_ se levantaram
contra ti: enviaste o teu furor, que os consumiu [4] como o rastolho.
8 E com o sopro [5] dos teus narizes amontoaram-se as aguas, as correntes
pararam-se como montão: os abysmos coalharam-se no coração do mar.
9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos:
fartar-se-ha [EP] a minha alma d’elles, arrancarei a minha espada, a
minha mão os destruirá,
10 Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu: afundaram-se como chumbo em
vehementes aguas.
11 Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? quem é como tu [EQ]
glorificado em sanctidade, terrivel em louvores, obrando maravilhas?
12 Estendeste a tua mão direita: a terra os tragou.
13 Tu, com a tua beneficencia, [6] guiaste a este povo, _que_ salvaste:
com a tua força o levaste á habitação da tua sanctidade.
14 Os povos o ouvirão, [7] elles estremecerão: apoderar-se-ha uma dôr dos
habitantes da Palestina.
15 Então os principes de Edom se pasmarão, dos poderosos dos moabitas
apoderar-se-ha um tremor, derreter-se-hão [8] todos os habitantes de
Canaan.
16 Espanto e pavor [9] cairá sobre elles: pela grandeza do teu braço
emmudecerão como pedra; até que o teu povo haja passado, ó Senhor, até
que passe este povo [10] _que_ adquiriste.
17 _Tu_ os introduzirás, [11] e os plantarás no monte da tua herança,
_no_ logar _que tu_, ó Senhor, apparelhaste para a tua habitação, _o_
sanctuario, ó Senhor, _que_ as tuas mãos estabeleceram.
18 O Senhor reinará [12] eterna e perpetuamente;
19 Porque os cavallos de Pharaó, com os seus carros e com os seus
cavalleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as aguas do mar sobre
elles; mas os filhos d’Israel passaram em secco pelo meio do mar.
_A dança de Miriam e das mulheres._
20 Então Miriam, a prophetiza, a irmã d’Aarão, tomou o tamboril na sua
mão, e todas as mulheres sairam atraz d’ella com tamboris e com danças.
21 E Miriam lhes respondia: Cantae ao Senhor, porque summamente se
exaltou, e lançou no mar o cavallo com o seu cavalleiro.
22 Depois fez Moysés partir os israelitas do Mar Vermelho, [13] e sairam
ao deserto de Sur: e andaram tres dias no deserto, e não acharam aguas.
_As aguas amargas tornam-se doces._
23 Então chegaram a [ER] Marah; [14] mas não poderam beber as aguas de
Marah, porque eram amargas: por isso chamou-se o seu nome Marah.
24 E o povo murmurou contra Moysés, dizendo: Que havemos de beber?
25 E _elle_ clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou
nas aguas, e as aguas se tornaram doces: [15] ali lhes deu estatutos e
uma ordenação, e ali os provou.
26 E disse: Se ouvires attento a voz do Senhor teu Deus, e obrares o
_que é_ recto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos
seus mandamentos, [16] e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das
enfermidades porei sobre ti, que puz sobre o Egypto; porque eu _sou_ o
Senhor [17] que te sara.
27 Então vieram [18] a Elim, e _havia_ ali doze fontes d’agua e setenta
palmeiras: e ali se acamparam junto das aguas.
[1] Psa. 118.14. Isa. 12.2.
[2] Psa. 24.8 e 45.3. Apo. 19.11.
[3] Neh. 9.11. Psa. 118.15, 16.
[4] Isa. 5.24 e 47.14.
[5] II Sam. 22.16. Job 4.9.
[6] Isa. 63.13.
[7] Num. 14.14. Jos. 2.10.
[8] Jos. 5.1.
[9] Deu. 2.25 e 11.25.
[10] Psa. 74.2.
[11] Psa. 44.2, 3. Psa. 78.54.
[12] Psa. 146.10. Dan. 4.3 e 7.27.
[13] Gen. 16.7.
[14] Num. 33.8.
[15] II Reis 2.21 e 4.41.
[16] cap. 23.25.
[17] Psa. 103.3.
[18] Num. 33.9.
_Deus manda o manná._
16 E partidos de Elim, [1] toda a congregação dos filhos d’Israel veiu
ao deserto de Sin, que _está_ entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mez
segundo, depois que sairam da terra do Egypto.
2 E toda a congregação dos filhos d’Israel [2] murmurou contra Moysés e
contra Aarão no deserto.
3 E os filhos d’Israel disseram-lhes: Quem déra que nós morressemos por
mão do Senhor na terra do Egypto, quando estavamos sentados ás panellas
da carne, quando comiamos pão até fartar! [3] porque nos tendes tirado a
este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.
4 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que vos choverei pão dos céus, [4]
e o povo sairá, e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu o
prove se anda em minha lei ou não.
5 E acontecerá, ao sexto dia, que apparelhem o que colheram: e será
dobrado [5] do que colhem cada dia.
6 Então disse Moysés, e Aarão a todos os filhos d’Israel: A tarde
sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egypto,
7 E ámanhã vereis a gloria do Senhor, porquanto ouviu as vossas
murmurações contra o Senhor: porque quem _somos_ nós, que murmureis
contra nós?
8 Disse mais Moysés: _Isso será_ quando o Senhor á tarde vos der carne
para comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouviu as vossas
murmurações, com que murmuraes contra elle: porque, quem _somos_ nós? As
vossas murmurações não _são_ contra nós, mas sim [6] contra o Senhor.
9 Depois disse Moysés a Aarão: Dize a toda a congregação dos filhos
d’Israel: Chegae-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas
murmurações.
10 E aconteceu que, quando fallou Aarão a toda a congregação dos filhos
d’Israel, e elles se viraram para o deserto, eis que a gloria do Senhor
[7] appareceu na nuvem.
_Deus manda carne._
11 E o Senhor fallou a Moysés, dizendo:
12 Tenho [8] ouvido as murmurações dos filhos de Israel; falla-lhes,
dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis
de pão: e sabereis que eu _sou_ o Senhor vosso Deus.
13 E aconteceu que á tarde subiram codornizes, [9] e cobriram o arraial:
e pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial,
14 E, alçando-se o orvalho caido, eis que sobre a face do deserto
_estava_ uma coisa miuda, redonda, miuda como a geada sobre a terra.
15 E, vendo-a os filhos d’Israel, disseram uns aos outros: [ES] Que _é_
isto; porque não sabiam o que _era_. Disse-lhes pois Moysés: Este _é_ o
pão que o Senhor vos deu para comer.
16 Esta _é_ a palavra que o Senhor tem mandado: Colhei d’elle cada um
conforme ao que pode comer, um gomer por cada cabeça, _segundo_ o numero
das vossas almas; cada um tomará para os que _se acharem_ na sua tenda.
17 E os filhos d’Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros
menos.
18 Porém, medindo-o com o gomer, não sobejava ao que colhera muito, nem
faltava [10] ao que colhera pouco; cada um colheu tanto quanto podia
comer.
19 E disse-lhes Moysés: Ninguem d’elle deixe para [11] ámanhã.
20 Elles, porém, não deram ouvidos a Moysés, antes alguns d’elles
deixaram d’elle para a manhã; e aquelle criou bichos, e fedeu; por isso
indignou-se Moysés contra elles.
21 Elles pois o colhiam cada manhã, cada um conforme ao que podia comer;
porque, aquentando o sol, derretia-se.
22 E aconteceu _que_ ao sexto dia colheram pão em dobro, dois
gomeres para cada um: e todos os principes da congregação vieram, e
contaram-_n’o_ a Moysés.
23 E _elle_ disse-lhes: Isto _é_ o que o Senhor tem [12] dito: Amanhã _é_
repouso, do sancto sabbado do Senhor: o que quizerdes cozer no forno,
cozei-o, e o que quizerdes cozer em agua, cozei-o em agua; e tudo o que
sobejar, para vós ponde em guarda até ámanhã.
24 E guardaram-n’o até ámanhã, como Moysés tinha ordenado: e não fedeu,
nem n’elle houve _algum_ [13] bicho.
25 Então disse Moysés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sabbado do
Senhor: hoje não o achareis no campo.
26 Seis dias o colhereis, mas o setimo dia _é_ o sabbado; n’aquelle não
haverá.
27 E aconteceu ao setimo dia, que _alguns_ do povo sairam para colher,
mas não o acharam.
28 Então disse o Senhor a Moysés: Até quando recusareis de guardar os
meus mandamentos [14] e as minhas leis?
29 Vêde, porquanto o Senhor vos deu o sabbado, portanto elle no sexto dia
vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu logar, que ninguem saia
do seu logar no setimo dia.
30 Assim repousou o povo no setimo dia.
31 E chamou a casa de Israel o seu nome manná; [15] e era como semente de
coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel.
32 E disse Moysés: Esta _é_ a palavra que o Senhor tem mandado: Encherás
um gomer d’elle em guarda para as vossas gerações, para que vejam o pão
que vos tenho dado a comer n’este deserto, quando eu vos tirei da terra
do Egypto.
33 Disse tambem Moysés a Aarão: Toma um vaso, [16] e mette n’elle um
gomer cheio de manná, e pôe-o diante do Senhor, em guarda para as vossas
gerações.
34 Como o Senhor tinha ordenado a Moysés, assim Aarão o poz diante do
testemunho em [17] guarda.
35 E comeram os filhos d’Israel manná quarenta annos, [18] até que
entraram em terra habitada: comeram manná até que chegaram aos termos da
terra de [19] Canaan.
36 E um [20] gomer é a decima _parte_ do epha.
[1] Num. 33.10.
[2] cap. 15.24.
[3] Num. 11.4, 5.
[4] Psa. 78.24. João 6.31, 32. I Cor. 10.3. Deu. 8.16.
[5] ver. 22.
[6] I Sam. 8.7.
[7] Num. 14.10.
[8] ver. 7.
[9] Num. 11.31. Psa. 105.40.
[10] II Cor. 8.15.
[11] Mat. 6.34.
[12] Gen. 2.3. cap. 20.8 e 31.15. Lev. 23.3.
[13] ver. 20.
[14] Num. 14.11.
[15] ver. 15. Num. 11.7, 8.
[16] Heb. 9.4. Apo. 2.17.
[17] cap. 25.16. Num. 17.10. I Reis 8.9.
[18] Deu. 8.2, 3. Neh. 9.21. João 6.31, 49.
[19] Jos. 5.12.
[20] ver. 16, 32, 33.
_A jornada pelo deserto de Sin e a falta de agua._
17 Depois toda a congregação dos filhos d’Israel partiu do deserto de Sin
[1] pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em
Rephidim; e não _havia ali_ agua para o povo beber.
2 Então contendeu o povo com Moysés, [2] e disseram: Dae-nos agua para
beber. E Moysés lhes disse: Porque contendeis commigo? porque tentaes ao
[3] Senhor?
3 Tendo pois ali o povo sêde d’agua, o povo murmurou contra Moysés, e
disse: Porque nos fizeste subir do Egypto, para nos matares de sêde, a
nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?
4 E clamou Moysés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? d’aqui a
pouco me [4] apedrejarão.
5 Então disse o Senhor a Moysés: Passa diante do povo, e toma comtigo
_alguns_ dos anciãos de Israel: e toma na tua mão a tua vara, [5] com que
feriste o rio: vae.
6 Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horeb, e tu
ferirás a rocha, e d’ella sairão aguas [6] e o povo beberá. E Moysés
assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.
7 E chamou o nome d’aquelle logar [ET] Massah e [EU] Meribah, por causa
da contenda dos filhos de Israel, e porquanto tentaram ao Senhor,
dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?
_Amalek peleja contra os israelitas._
8 Então veiu Amalek, [7] e pelejou contra Israel em Rephidim.
9 Pelo que disse Moysés a Josué: Escolhe-nos homens, e sae, peleja contra
Amalek: ámanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, [8] e a vara de Deus
estará na minha mão.
10 E fez Josué como Moysés lhe dissera, pelejando contra Amalek: mas
Moysés, Aarão, e Hur subiram ao cume do outeiro.
11 E acontecia que, quando Moysés levantava a sua mão, Israel prevalecia:
mas quando elle abaixava a sua mão, Amalek prevalecia.
12 Porém as mãos de Moysés _eram_ pesadas, por isso tomaram uma pedra, e
a pozeram debaixo d’elle, para assentar-se sobre ella: [9] e Aarão e Hur
sustentaram as suas mãos, um d’uma _banda_, e o outra da outra: assim
ficaram as suas mãos firmes até que o sol se poz.
13 E assim Josué desfez a Amalek, e a seu povo, ao fio da espada.
14 Então disse o Senhor a Moysés; Escreve isto para memoria n’um livro, e
relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memoria
d’Amalek de debaixo [10] dos céus.
15 E Moysés edificou um altar, e chamou o seu nome, o Senhor _é_ minha
[EV] bandeira.
16 E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra
Amalek de geração em geração.
[1] cap. 16.1. Num. 33.12, 14.
[2] Num. 20.3, 4.
[3] Deu. 6.16. Psa. 78.18, 41 e 95.8, 9. Isa. 7.12. Mat. 4.7. I Cor. 10.9.
[4] I Sam. 30.6. João 8.59.
[5] cap. 7.20. Num. 20.8, 11.
[6] Psa. 78.15 e 105.41. I Cor. 10.4.
[7] Num. 24.20.
[8] cap. 4.20.
[9] cap. 24.14.
[10] Deu. 25.19. I Sam. 15.3.
_O sogro de Moysés traz-lhe sua mulher e seus filhos._
18 Ora Jethro, sacerdote de Midian, [1] sogro de Moysés, ouviu todas as
coisas que Deus tinha feito a Moysés e a Israel seu povo: como o Senhor
tinha tirado a Israel do Egypto.
2 E Jethro, sogro de Moysés, tomou a Zippora, a mulher de Moysés, depois
que elle _lh’a_ [2] enviara,
3 Com seus dois filhos, dos quaes [3] um se chamava Gerson; porque disse:
Eu fui peregrino em terra estranha;
4 E o outro se chamava Eliezer; porque _disse_: O Deus de meu pae foi por
minha ajuda, e me livrou da espada de Pharaó.
5 Vindo pois Jethro, o sogro de Moysés, com seus filhos e com sua mulher,
a Moysés no deserto, [4] ao monte de Deus, onde se tinha acampado,
6 Disse a Moysés: Eu, teu sogro Jethro, venho a ti, com tua mulher, e
seus dois filhos com ella.
7 Então saiu Moysés ao [5] encontro de seu sogro, e inclinou-se, e
beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda.
8 E Moysés contou a seu sogro todas as coisas que o Senhor tinha feito a
Pharaó e aos egypcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram
no caminho, e _como_ o [6] Senhor os livrara.
9 E alegrou-se Jethro de todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel,
livrando-o da mão dos egypcios.
10 E Jethro disse: Bemdito [7] _seja_ o Senhor, que vos livrou das mãos
dos egypcios e da mão de Pharaó; que livrou a este povo de debaixo da mão
dos egypcios.
11 Agora sei que o Senhor [8] _é_ maior que todos os deuses: porque na
coisa, em que se ensoberbeceram, os sobrepujou.
12 Então tomou Jethro, o sogro de Moysés, holocausto e sacrificios para
Deus: e veiu Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o
sogro de Moysés [9] diante de Deus.
13 E aconteceu que, ao outro dia, Moysés assentou-se para julgar o povo;
e o povo estava em pé diante de Moysés desde a manhã até á tarde.
14 Vendo pois o sogro de Moysés tudo o que elle fazia ao povo, disse: Que
_é_ isto, que tu fazes as povo? porque te assentas só, e todo o povo está
em pé diante de ti, desde a manhã até á tarde?
15 Então disse Moysés a seu sogro: É porque este [10] povo vem a mim,
para consultar a Deus:
16 Quando tem algum negocio [11] vem a mim, para que eu julgue entre um e
outro, e _lhes_ declare os estatutos de Deus, e as suas leis.
17 O sogro de Moysés porém lhe disse: Não _é_ bom o que fazes.
18 Totalmente desfallecerás, assim tu, como este povo que _está_ comtigo:
porque este negocio é mui difficil para ti; [12] tu só não o podes fazer.
19 Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, [13] e Deus será comtigo: Sê
tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as coisas a Deus;
20 E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho
[14] em que devem andar, e a obra que devem fazer.
21 E tu d’entre todo o povo procura homens capazes, tementes [15] a Deus,
homens de verdade, que aborrecem a avareza; e põe-n’os sobre elles por
maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de
dez;
22 Para que julguem este povo em tempo; [16] e seja que todo o negocio
pequeno elles o julguem: assim a ti mesmo te alliviarás _da carga_, [17]
e _elles_ a levarão comtigo.
23 Se isto fizeres, e Deus t’o mandar, [18] poderás então subsistir:
assim tambem todo este povo em paz virá ao seu logar.
24 E Moysés deu ouvidos á voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito;
25 E escolheu Moysés homens capazes, de todo o Israel, [19] e os poz por
cabeças sobre o povo: maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de
cincoenta, e maioraes de dez.
26 E elles julgaram [20] o povo em todo o tempo; o negocio arduo
trouxeram a Moysés, e todo o negocio pequeno julgaram elles.
27 Então despediu Moysés o seu sogro, o qual se foi á sua terra.
[1] cap. 2.16 e 3.1.
[2] cap. 4.26.
[3] Act. 7.29. cap. 2.22.
[4] cap. 3.1, 12.
[5] I Reis 2.19. Gen. 29.13 e 33.4.
[6] Psa. 78.42.
[7] Gen. 14.20. II Sam. 18.28. Luc. 1.68.
[8] II Chr. 2.5. Psa. 95.3. cap. 5.2, 7. I Sam. 2.3. Neh. 9.10. Psa.
31.23. Luc. 1.51.
[9] Deu. 12.7. I Chr. 29.22. I Cor. 10.18, 21, 31.
[10] Lev. 24.12. Num. 15.34.
[11] cap. 23.7. Deu. 17.8. Act. 18.15. I Cor. 6.1. Lev. 24.15. Num. 15.35.
[12] Num. 11.14, 17. Deu. 1.9, 12.
[13] cap. 3.12 e 4.16. Deu. 5.5. Num. 27.5.
[14] Deu. 4.1. Psa. 143.8. Deu. 1.18.
[15] Deu. 1.15. II Chr. 19.5, 10. Act. 6.3. II Chr. 19.9. Eze. 18.8. Deu.
16.19.
[16] ver. 26. Lev. 24.11. Num. 15.33. Deu. 1.17.
[17] Num. 11.17.
[18] ver. 18.
[19] Deu. 1.15. Act. 6.5.
[20] ver. 22. Job 29.16.
_Deus falla com Moysés no monte de Sinai._
19 Ao terceiro mez da saida dos filhos de Israel da terra do Egypto, no
mesmo dia vieram [1] ao deserto de Sinai,
2 Porque partiram de Rephidim [2] e vieram ao deserto de Sinai, e
acamparam-se no deserto: Israel pois ali acampou-se defronte [3] do monte.
3 E subiu Moysés a Deus, [4] e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim
fallarás á casa de Jacob, e annunciarás aos filhos de Israel:
4 Vós tendes visto o que fiz aos egypcios, [5] como vos levei sobre azas
d’aguias, e vos trouxe a mim;
5 Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, [6] e guardardes o
meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar d’entre todos os
povos: porque toda a terra _é_ minha.
6 E vós me sereis um [7] reino sacerdotal e o povo sancto. Estas _são_ as
palavras que fallarás aos filhos de Israel.
7 E veiu Moysés, e chamou os anciãos do povo, e expoz diante d’elles
todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado.
8 Então todo o povo respondeu [8] a uma voz, e disseram: Tudo o que o
Senhor tem fallado, faremos. E relatou Moysés ao Senhor as palavras do
povo.
9 E disse o Senhor a Moysés; Eis que eu virei a ti n’uma nuvem espessa,
para [9] que o povo ouça, fallando eu comtigo, e para que tambem te
creiam eternamente. Porque Moysés tinha annunciado as palavras do seu
povo ao Senhor.
10 Disse tambem o Senhor a Moysés: Vae ao povo, e sanctifica-os [10] hoje
e ámanhã, e lavem _elles_ os seus vestidos,
11 E estejam promptos para o terceiro dia: porquanto no terceiro dia o
Senhor descerá [11] ante dos olhos de todo o povo sobre o monte de Sinai.
12 E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardae-vos que não
subaes ao monte, [12] nem toqueis o seu termo; todo aquelle, que tocar o
monte, certamente morrerá.
13 Nenhuma mão tocará n’elle: porque certamente será apedrejado ou
asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando [13]
[EW] a buzina longamente, então subirão ao monte.
14 Então Moysés desceu do monte ao povo, e sanctificou o povo; [14] e
lavaram os seus vestidos.
15 E disse ao povo: Estae [15] promptos ao terceiro dia; e não chegueis a
mulher.
16 E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões [16] e
relampagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui
forte, [17] de maneira que estremeceu todo o povo que _estava_ no arraial.
17 E Moysés levou [18] o povo fóra do arraial ao encontro de Deus; e
puzeram-se ao pé do monte.
18 E todo o monte de Sinai [19] fumegava, porque o Senhor descera sobre
elle em fogo: e o seu fumo subiu como fumo d’um forno, e todo o monte
tremia grandemente.
19 E o sonido da buzina ia esforçando-se em grande maneira: [20] Moysés
fallava, e Deus lhe respondia em voz _alta_.
20 E, descendo o Senhor sobre o monte de Sinai, sobre o cume do monte,
chamou o Senhor a Moysés ao cume do monte; e Moysés subiu.
21 E disse o Senhor a Moysés: Desce, protesta ao povo que não trespassem
_o termo_, para ver o Senhor, [21] e muitos d’elles perecerem.
22 E tambem os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de
sanctificar, [22] para que o Senhor não se lance sobre elles.
23 Então disse Moysés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte de
Sinai, porque tu nos tens protestado, dizendo: Marca termos [23] ao
monte, e sanctifica-o.
24 E disse-lhe o Senhor: Vae, desce: depois subirás tu, e Aarão comtigo:
os sacerdotes, porém, e o povo não trespassem _o termo_ para subir ao
Senhor, para que não se lance sobre elles.
25 Então Moysés desceu ao povo, e disse-lhes _isto_.
[1] Num. 33.15.
[2] cap. 17.1.
[3] cap. 3.1, 12.
[4] cap. 20.21. Act. 7.38. cap. 3.4.
[5] Deu. 29.2. Isa. 63.9.
[6] Deu. 5.2. I Reis 8.53. Psa. 135.4. Isa. 41.8. Mal. 3.17. Tito 2.14.
Deu. 10.14. I Cor. 10.26.
[7] I Ped. 2.5, 9. Apo. 1.6. Lev. 20.26. Isa. 62.12. I Cor. 3.17. I The.
5.27.
[8] cap. 24.3, 7. Deu. 5.27.
[9] ver. 16. cap. 20.21. Mat. 17.5. Deu. 4.12, 36. João 12.29, 30. cap.
14.31.
[10] Lev. 11.44, 45. Heb. 10.22. ver. 14. Gen. 35.2.
[11] ver. 16, 18. cap. 34.5. Deu. 33.2.
[12] Heb. 12.20.
[13] ver. 16, 19.
[14] ver. 10.
[15] ver. 11. I Sam. 21.4, 5. I Cor. 7.5.
[16] Heb. 12.18, 19. Apo. 4.5. cap. 40.34. II Chr. 5.14.
[17] Apo. 1.10 e 4.1. Heb. 12.21.
[18] Deu. 4.10.
[19] Deu. 4.11. Jui. 5.5. Psa. 68.8, 9. Hab. 3.3. II Chr. 7.1, 2, 3. Apo.
15.8. Heb. 12.26.
[20] ver. 13. Neh. 9.13.
[21] cap. 3.5. I Sam. 6.19.
[22] Lev. 10.3. II Sam. 6.7, 8.
[23] ver. 12. Jos. 3.4.
_Os dez mandamentos._
20 Então fallou Deus todas [1] estas palavras, dizendo:
2 Eu _sou_ o Senhor teu Deus, [2] que te tirei da terra do Egypto, da
casa da servidão.
3 Não terás [3] outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem [4] d’esculptura, nem alguma similhança _do_
que _ha_ em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas aguas debaixo
da terra.
5 Não te encurvarás a ellas [5] nem as servirás: porque eu, o Senhor teu
Deus, _sou_ Deus [6] zeloso, que visito a maldade dos paes nos filhos,
até á terceira e quarta _geração_ d’aquelles que me aborrecem,
6 E faço misericordia [7] em milhares, aos que me amam, e aos que guardam
os meus mandamentos.
7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá
por innocente o [8] que tomar o seu nome em vão.
8 Lembra-te do dia do sabbado, para o [9] sanctificar.
9 Seis dias trabalharás, [10] e farás toda a tua obra,
10 Mas o setimo [11] dia _é_ o sabbado do Senhor teu Deus: não farás
nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem
a tua serva, nem a tua besta, nem o teu estrangeiro, [12] que _está_
dentro das tuas portas.
11 Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que
n’elles _ha_, e ao setimo dia descançou: portanto abençoou o Senhor o dia
do sabbado, e o sanctificou,
12 Honra a teu pae [13] e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias
na terra que o Senhor teu Deus te dá.
13 Não [14] matarás.
14 Não [15] adulterarás.
15 Não [16] furtarás.
16 Não dirás falso testemunho [17] contra o teu proximo.
17 Não cubiçarás a casa do teu proximo, [18] não cubiçarás a mulher do
teu proximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma do teu proximo.
18 E todo o povo viu os [19] trovões e os relampagos, e o sonido da
buzina, e o monte fumegando: e o povo, vendo _isso_ retirou-se e poz-se
de longe.
19 E disseram a Moysés: Falla [20] tu comnosco, e ouviremos: e não falle
Deus comnosco, para que não morramos.
20 E disse Moysés ao povo: Não temaes, [21] que Deus veiu para
provar-vos, e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não
pequeis.
21 E o povo estava em pé de longe: Moysés, porém, se chegou [22] á
escuridade, onde Deus _estava_.
22 Então disse o Senhor a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: Vós
tendes visto que eu fallei [23] comvosco desde os céus.
23 Não fareis outros deuses commigo; deuses de prata [24] ou deuses de
oiro não fareis para vós.
24 Um altar de terra me farás, e sobre elle sacrificarás os teus
holocaustos, e as tuas offertas pacificas, as tuas ovelhas, [25] e as
tuas vaccas: em todo o logar, onde eu fizer celebrar a memoria do meu
nome, virei a ti, e te abençoarei.
25 E se me fizeres um altar de pedras, [26] não o farás de _pedras_
lavradas: se sobre elle levantares o teu buril, profanal-o-has.
26 Não subirás tambem por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não
seja descoberta diante d’elles.
[1] Deu. 5.22.
[2] Lev. 26.1, 13. Ose. 13.4. cap. 13.3.
[3] Deu. 5.7. Jer. 25.6.
[4] Lev. 26.1. Psa. 97.7.
[5] cap. 23.24. Jos. 23.7. II Reis 17.35. Isa. 44.15, 19. cap. 34.14.
[6] Jos. 24.19. Nah. 1.2. cap. 34.7. Num. 14.18, 33. Isa. 14.20, 21.
[7] cap. 34.7. Deu. 7.9. Rom. 11.28.
[8] Lev. 19.12. Deu. 5.11. Mat. 5.33.
[9] cap. 31.13, 14. Lev. 19.3, 30. Deu. 5.12.
[10] cap. 23.12. Lev. 23.3. Eze. 20.12. Luc. 13.14.
[11] Gen. 2.2, 3. cap. 16.26.
[12] Neh. 13.16, 19.
[13] Deu. 5.16. Mat. 15.4. Mar. 7.10. Luc. 18.20. Eph. 6.2.
[14] Deu. 5.17. Mat. 5.21. Rom. 13.9.
[15] Deu. 5.18. Mat. 5.27.
[16] Lev. 19.11. Mat. 19.18.
[17] cap. 23.1. Deu. 5.20.
[18] Deu. 5.21. Miq. 2.2. Hab. 2.9. Luc. 12.15. Rom. 7.7. Eph. 5.3, 5.
Heb. 13.5. Jer. 5.8. Mat. 5.28.
[19] Heb. 12.18. cap. 19.18.
[20] Heb. 12.19. Deu. 5.25.
[21] Isa. 41.10, 13. Gen. 22.1. Deu. 4.10.
[22] cap. 19.16. Deu. 5.5.
[23] Deu. 4.36. Neh. 9.13.
[24] cap. 32.4. II Reis 17.33. Dan. 5.4, 23. Sof. 1.5. II Cor. 6.14, 15,
16.
[25] Lev. 1.2. Deu. 12.5, 11, 21. Neh. 1.9. Jer. 7.10, 12. Deu. 7.13.
[26] Deu. 27.5. Jos. 8.31.
_As leis ácerca dos servos e dos homicidios._
21 Estes _são_ os estatutos [1] que lhes proporás.
2 Se comprares um servo [2] hebreo, seis annos servirá; mas ao setimo
sairá forro, de graça.
3 Se entrou _só_ com o seu corpo, _só_ com o seu corpo sairá: se elle
_era_ homem casado, sairá sua mulher com elle.
4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher, e ella lhe houver parido
filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e elle
sairá _só_ com seu corpo.
5 Mas se aquelle servo expressamente disser: [3] Eu amo a meu senhor, e a
minha mulher, e a meus filhos; não quero sair forro:
6 Então seu senhor o levará [4] aos juizes, e o fará chegar á porta, ou
ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá
para sempre.
7 E se algum vender [5] sua filha por serva, não sairá como saem os
servos.
8 Se desagradar aos olhos de seu senhor, e não se desposar com ella,
fará que se resgate: não poderá vendel-a a um povo estranho, usando
deslealmente com ella.
9 Mas se a desposar com seu filho, fará com ella conforme ao direito das
filhas.
10 Se lhe tomar outra, não deminuirá o mantimento d’esta, nem o seu
vestido, nem a sua obrigação [6] marital.
11 E se lhe não fizer estas tres coisas, sairá de graça, sem dar dinheiro.
12 Quem ferir alguem, [7] que morra, _elle_ tambem certamente morrerá;
13 Porém o que _lhe_ não [8] armou ciladas, mas Deus o fez encontrar nas
suas mãos, ordenar-te-hei um logar, para onde elle fugirá.
14 Mas se alguem se ensoberbecer contra o seu proximo, [9] matando-o com
engano, tiral-o-has do meu altar, para que morra.
15 O que ferir a seu pae, ou a sua mãe, certamente morrerá.
16 E quem furtar _algum_ [10] homem, e o vender, ou fôr achado na sua
mão, certamente morrerá.
_As leis ácerca dos que amaldiçoam os paes ou ferem qualquer pessoa._
17 E quem amaldiçoar [11] a seu pae ou a sua mãe, certamente morrerá.
18 E se alguns homens pelejarem, ferindo-se um ao outro com pedra ou com
o punho, e este não morrer, mas cair na cama;
19 Se elle tornar a levantar-se e andar fóra sobre o seu bordão, então
aquelle que o feriu será absolvido: [12] sómente lhe pagará o tempo que
perdera e o fará curar totalmente.
20 Se alguem ferir a seu servo, ou a sua serva com pau, e morrer debaixo
da sua mão, certamente será [EX] castigado;
21 Porém se ficar vivo por um ou dois dias, não será castigado, [13]
porque _é_ seu dinheiro.
22 Se alguns homens pelejarem, e ferirem _uma_ mulher gravida, e forem
causa que aborte, porém não houver morte, certamente será multado, [14]
conforme ao que lhe impuzer o marido da mulher, e pagará diante dos
juizes.
23 Mas se houver morte, então darás vida por vida,
24 Olho por olho, [15] dente por dente, mão por mão, pé por pé,
25 Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
26 E quando alguem ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o
damnificar, o deixará ir forro pelo seu olho.
27 E se tirar o dente do seu servo, ou o dente da sua serva, o deixará ir
forro pelo seu dente.
28 E se algum boi escornear homem ou mulher, e morrer, o boi será
apedrejado [16] certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do
boi _será_ absolvido.
29 Mas se o boi d’antes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor
d’isso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado,
e tambem o seu dono morrerá.
30 Se lhe fôr imposto resgate, então dará [17] por resgate da sua vida
tudo quanto lhe fôr imposto,
31 Quer tenha escorneado um filho, quer tenha escorneado uma filha;
conforme a este estatuto lhe será feito.
32 Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dará [18] trinta siclos de
prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado.
33 Se alguem abrir uma cova, ou se alguem cavar uma cova, e não a cobrir,
e n’ella cair um boi ou jumento,
34 O dono da cova _o_ pagará, ao seu dono o dinheiro restituirá; mas o
morto será seu.
35 Se o boi de alguem ferir o boi do seu proximo, e morrer, então se
venderá o boi vivo, e o dinheiro d’elle se repartirá egualmente, e tambem
o morto se repartirá egualmente.
36 Mas se foi notorio que aquelle boi d’antes era escorneador, e seu dono
não o guardou, certamente pagará boi por boi; porém o morto será seu.
[1] cap. 24.3, 4. Deu. 4.14 e 6.1.
[2] Lev. 25.39, 40, 41. Deu. 15.12. Jer. 34.14.
[3] Deu. 15.16, 17.
[4] cap. 12.12 e 22.8, 28.
[5] Neh. 5.5. ver. 2, 3.
[6] I Cor. 7.5.
[7] Gen. 9.6. Lev. 24.17. Num. 35.30. Mat. 26.52.
[8] Deu. 19.4, 5. I Sam. 24.4, 10, 18. Num. 35.11. Jos. 20.2.
[9] Num. 15.30. Deu. 19.11, 12. Heb. 10.26. I Reis 2.28, 34.
[10] Deu. 24.7. Gen. 37.28.
[11] Lev. 20.9. Pro. 20.20. Mat. 15.4. Mar. 7.10.
[12] II Sam. 3.29.
[13] Lev. 25.45, 46.
[14] ver. 30. Deu. 22.18, 19.
[15] Lev. 24.20. Mat. 5.38.
[16] Gen. 9.5.
[17] ver. 22. Num. 35.31.
[18] Zac. 11.12, 13. Mat. 26.15. ver. 28.
_As leis ácerca da propriedade._
22 Se alguem furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi
pagará cinco bois, e [1] pela ovelha quatro ovelhas.
2 Se o ladrão fôr achado na mina, [2] e fôr ferido, e morrer, _o que o
feriu_ não será culpado do sangue.
3 Se o sol houver saido sobre elle, será culpado do sangue: totalmente o
restituirá: e se não tiver _com que pagar_, será vendido por seu furto.
4 Se o furto fôr achado vivo [3] na sua mão, seja boi, ou jumento, ou
ovelha, pagará o dobro.
5 Se alguem fizer pastar n’um campo ou n’uma vinha, e largar a sua besta,
para comer no campo de outro, o melhor do seu proprio campo e o melhor da
sua propria vinha restituirá.
6 Se arrebentar um fogo, e prender os espinhos, e abrazar a meda de
trigo, ou a seara, ou o campo, aquelle que accendeu o fogo totalmente
pagará o queimado.
7 Se alguem der prata, os vasos ao seu proximo a guardar, e fôr furtado
da casa d’aquelle homem, se o ladrão se achar, [4] pagará o dobro.
8 Se o ladrão não se achar, então o dono da casa será levado diante dos
juizes, [5] _a ver_ se não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo.
9 Sobre todo o negocio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado
miudo, sobre vestido, sobre toda a coisa perdida, de que _alguem_ disser
que é sua a causa de ambos virá perante os juizes, [6] aquelle a quem
condemnarem os juizes o pagará em dobro ao seu proximo.
10 Se _alguem_ der a seu proximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha,
ou alguma besta, e morrer, ou fôr dilacerado, ou afugentado, ninguem o
vendo,
11 _Então_ haverá juramento [7] do Senhor entre ambos, que não metteu a
sua mão na fazenda do seu proximo: e seu dono o acceitará, e o outro não
o restituirá.
12 Mas se lhe fôr furtado, o [8] pagará ao seu dono.
13 Porém se _lhe_ fôr dilacerado, tral-o-ha em testemunho d’isso, e não
pagará o dilacerado.
14 E se alguem a seu proximo pedir _alguma coisa_, e fôr damnificada ou
morta, não estando presente o seu dono, certamente a restituirá.
15 Se o seu dono esteve presente, não a restituirá: se foi alugada, será
pelo seu aluguer.
_As leis ácerca da immoralidade e idolatria._
16 Se alguem enganar [9] _alguma_ virgem, que não fôr desposada, e se
deitar com ella, certamente a dotará por sua mulher.
17 Se seu pae inteiramente recusar dar-lh’a, dará dinheiro conforme ao
dote das [10] virgens.
18 A feiticeira não [11] deixarás viver.
19 Todo aquelle que se deitar [12] com animal, certamente morrerá.
20 O que sacrificar [13] aos deuses, e não só ao Senhor, será morto.
21 O estrangeiro não [14] affligirás, nem o opprimirás; pois estrangeiros
fostes na terra do Egypto.
22 A nenhuma viuva nem orphão [15] affligireis.
23 Se de alguma maneira [16] os affligires, e elles clamarem a mim, eu
certamente ouvirei o seu clamor,
24 E a minha ira [17] se accenderá, e vos matarei á espada; e vossas
mulheres ficarão viuvas, e vossos filhos orphãos.
25 Se emprestares [18] dinheiro ao meu povo, ao pobre _que está_ comtigo,
não te haverás com elle como um usurario; não lhe imporeis usura.
26 Se tomares em penhor o vestido do teu proximo, [19] lh’o restituirás
antes do pôr do sol,
27 Porque aquella é a sua cobertura, e o vestido da sua pelle; em que se
deitaria? será pois que, quando clamar a [20] mim, eu o ouvirei, porque
sou misericordioso.
28 Os juizes não [21] amaldiçoarás, e o principe d’entre o teu povo não
maldirás.
29 As tuas primicias, [22] e os teus licores não dilatarás: o primogenito
de teus filhos me darás.
30 Assim farás dos teus bois [23] e das tuas ovelhas: sete dias estarão
com sua mãe, e ao oitavo dia m’os darás.
31 E ser-me-heis homens [24] sanctos; portanto não comereis carne
despedaçada no campo: aos cães a lançareis.
[1] II Sam. 12.6. Luc. 19.8. Pro. 6.31.
[2] Num. 35.27.
[3] cap. 21.16. ver. 1, 7. Pro. 6.31.
[4] ver. 4.
[5] cap. 21.6. ver. 28.
[6] Deu. 25.1. II Chr. 19.10.
[7] Heb. 6.16.
[8] Gen. 31.39.
[9] Deu. 22.28, 29.
[10] Gen. 14.12.
[11] Deu. 18.10, 11. I Sam. 28.3, 9.
[12] Lev. 18.23.
[13] Deu. 13.1, 2.
[14] cap. 23.9. Deu. 10.19. Jer. 7.6. Zac. 7.10.
[15] Deu. 10.18. Psa. 94.6. Isa. 1.17, 23. Thi. 1.27.
[16] Job 35.9. Psa. 18.6. Thi. 5.4.
[17] Psa. 69.24. Lam. 5.3.
[18] Deu. 23.19, 20. Psa. 15.5. Eze. 8.8, 17.
[19] Deu. 24.6, 10, 13, 17. Eze. 18.7, 16.
[20] cap. 34.6. II Chr. 30.9. Psa. 86.15.
[21] Ecc. 10.20. Act. 23.5. Jud. 8.
[22] cap. 23.16, 19. Pro. 3.9. cap. 13.2, 12.
[23] Lev. 22.27.
[24] cap. 19.6. Lev. 19.2. Deu. 14.21.
_O testemunho falso e a injustiça._
23 Não admittirás falso [1] rumor, e não porás a tua mão com o impio,
para seres testemunha falsa.
2 Não seguirás a multidão [2] para fazeres o mal: nem n’uma demanda
fallarás, tomando parte com o maior numero para torcer _o direito_.
3 Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.
4 Se encontrares o [3] boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado,
sem falta lh’o reconduzirás.
5 Se vires [4] o jumento d’aquelle que te aborrece deitado debaixo da sua
carga, deixarás pois de ajudal-o? certamente o ajudarás juntamente com
elle.
6 Não perverterás [5] o direito do teu pobre na sua demanda.
7 De palavras de falsidade te affastarás, [6] e não matarás o innocente e
o justo; porque não justificarei o impio.
8 Tambem presente não [7] tomarás: porque o presente cega os que teem
vista, e perverte as palavras dos justos.
9 Tambem não opprimirás [8] o estrangeiro; pois vós conheceis o coração
do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egypto.
_O anno de descanço e o sabbado._
10 Tambem seis annos semearás tua [9] terra, e recolherás os seus fructos;
11 Mas ao setimo a soltarás e deixarás descançar, para que possam comer
os pobres do teu povo, e do sobejo comam os animaes do campo. Assim farás
com a tua vinha e com o teu olival.
12 Seis dias farás os teus [10] negocios, mas ao setimo dia descançarás:
para que descance o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o
filho da tua escrava, e o estrangeiro.
13 E em tudo o que vos tenho dito, guardae-vos: e [11] do nome de outros
deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa bocca.
_As tres festas._
14 Tres vezes no anno me celebrareis [12] festa.
15 A festa [13] dos pães asmos guardarás: sete dias comerás pães asmos,
como te tenho ordenado, ao tempo apontado no mez de Abib; porque n’elle
saiste do Egypto: [14] e ninguem appareça vasio perante mim.
16 E a festa da sega dos primeiros fructos do teu trabalho, que houveres
semeado no campo, [15] e a festa da colheita á saida do anno, quando
tiveres colhido do campo o teu trabalho.
17 Tres vezes [16] no anno todos os teus machos apparecerão diante do
Senhor.
18 Não offerecerás [17] o sangue do meu sacrificio com pão levedado: nem
ficará a gordura da minha festa de noite até á manhã.
19 As primicias [18] dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do
Senhor teu Deus: não [19] cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
_Deus promette enviar um anjo._
20 Eis-que eu envio [20] um anjo diante de ti, para que te guarde n’este
caminho, e te leve ao logar que _te_ tenho apparelhado.
21 Guarda-te diante d’elle, e ouve a sua voz, [21] e não o provoques á
ira: porque não perdoará a vossa rebellião; porque o meu nome _está_
n’elle.
22 Mas se diligentemente ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu
disser, [22] então serei inimigo dos teus inimigos, e adversario dos teus
adversarios.
23 Porque o meu anjo [23] irá diante de ti, e te levará aos amorrheos, e
aos hetheos, e aos phereseos, e aos cananeos, heveos e jebuseos: e eu os
destruirei.
24 Não te inclinarás diante dos [24] seus deuses, nem os servirás, nem
farás conforme ás suas obras: antes os destruirás totalmente, e quebrarás
de todo [EY] as suas estatuas.
25 E servireis ao Senhor [25] vosso Deus, e elle abençoará o vosso pão e
a vossa agua: e eu tirarei do meio de ti as enfermidades.
26 Não haverá alguma [26] que [EZ] mova, nem esteril na tua terra: o
numero dos teus dias cumprirei.
27 Enviarei [27] o meu terror diante de ti, destruindo a todo o povo
aonde entrares, e farei que todos os teus inimigos te virem as costas.
28 Tambem enviarei [28] vespões diante de ti, que lancem fóra os heveos,
os cananeos, e os hetheos diante de ti.
29 N’um só anno os não lançarei fóra [29] diante de ti, para que a terra
se não torne em deserto, e as feras do campo se não multipliquem contra
ti.
30 Pouco a pouco os lançarei diante de ti, até que sejas multiplicado, e
possuas a terra por herança.
31 E porei os [30] teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos
philisteos, e desde o deserto até ao [FA] rio: porque darei nas tuas mãos
os moradores [31] da terra, para que os lances fóra diante de ti.
32 Não farás concerto [32] algum com elles, ou com os seus deuses.
33 Na tua terra não habitarão, para que não te façam peccar contra mim:
se servires aos seus deuses, [33] certamente te será um laço.
[1] Lev. 19.16. II Sam. 19.27. cap. 20.16. I Reis 21.10, 13. Pro. 19.5.
Mat. 26.59. Act. 6.11, 13.
[2] Gen. 7.1. Jos. 24.15. Pro. 1.10. Mat. 27.24. Mar. 15.15. Luc. 23.23.
Act. 24.27. Lev. 19.15. Deu. 1.17.
[3] Deu. 22.1. Mat. 5.44. Rom. 12.20. I The. 5.15.
[4] Deu. 22.4.
[5] Deu. 27.19. Job 31.13, 21. Isa. 10.1, 2. Jer. 5.28. Amós 5.12.
[6] Lev. 19.11. Eph. 4.25. Pro. 17.15. Mat. 27.4. Rom. 1.18.
[7] Deu. 16.19. I Sam. 8.3. Pro. 15.27. Isa. 1.23. Eze. 22.12. Amós 5.12.