A exposição retrospectiva.
Já sabes que a minha alma, por mais lacerada que tenha sido, não
ficou ahi para um canto como uma flor livida e solitaria. Não lhe dei
essa côr ou descôr. Vivi o melhor que pude, sem me faltarem amigas
que me consolassem da primeira. Caprichos de pouca dura, é verdade.
Ellas é que me deixavam como pessoas que assistem a uma exposição
retrospectiva, e, ou se fartam de vel-a, ou a luz da sala esmorece. Uma
só dessas visitas tinha carro á porta e cocheiro de libré. As outras
iam modestamente, _calcante pede_, e, se chovia, eu é que ia buscar um
carro de praça, e as mettia dentro, com grandes despedidas, e maiores
recommendações:
--Levas o catalogo?
--Levo; até amanhã.
--Até amanhã.
Não voltavam mais. Eu ficava á porta, esperando, ia até á esquina,
espiava, consultava o relogio, e não via nada nem ninguem. Então, se
apparecia outra visita, dava-lhe o braço, entravamos, mostrava-lhe
as paizagens, os quadros historicos ou de genero, uma aquarella,
um pastel, uma _gouache_, e tambem esta cançava, e ia embora com o
catalogo na mão....