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Um dia...

Porquanto, um dia Capitú quiz saber o que é que me fazia andar calado

e aborrecido. E propoz-me a Europa, Minas, Petropolis, uma serie de

bailes, mil desses remedios aconselhados aos melancolicos. Eu não

sabia que lhe respondesse; recusei as diversões. Como insistisse,

repliquei-lhe que os meus negocios andavam mal. Capitú sorriu para

animar-me. E que tinha que andassem mal? Tornariam a andar bem, e até

lá as joias, os objectos de algum valor seriam vendidos, e iriamos

residir em algum becco. Viveriamos socegados e esquecidos; depois

tornariamos á tona da agua. A ternura com que me disse isto era de

commover as pedras. Pois nem assim. Respondi-lhe seccamente que

não era preciso vender nada. Deixei-me estar calado e aborrecido.

Ella propoz-me jogar cartas ou damas, um passeio a pé, uma visita a

Matacavallos; e, como eu não acceitasse nada, foi para a sala, abriu o

piano, e começou a tocar; eu aproveitei a ausencia, peguei do chapéo e

saí.

... Perdão, mas este capitulo devia ser precedido de outro, em que

contasse um incidente, occorrido poucas semanas antes, dous mezes

depois da partida de Sancha. Vou escrevel-o; podia antepôl-o a este,

antes de mandar o livro ao prélo, mas custa muito alterar o numero dos

paginas; vae assim mesmo, depois a narração seguirá direita até o fim.

Demais, é curto.

Dom Casmurro · 第 136 / 157 题