Sem falta.
Quando voltei a casa era noite. Vim depressa, não tanto, porém, que não
pensasse nos termos em que falaria ao aggregado. Formulei o pedido de
cabeça, escolhendo as palavras que diria e o tom dellas, entre secco
e benevolo. Na chacara, antes de entrar em casa, repeti-as commigo,
depois em voz alia, para ver se eram adequadas e se obedeciam ás
recommendações de Capitú: «Preciso falar-lhe, _sem falta_, amanhã;
escolha o logar e diga-me.» Proferi-as lentamente, e mais lentamente
ainda as palavras _sem falta_, como para sublinhal-as. Repeti-as ainda,
e então achei-as seccas de mais, quasi rispidas, e, francamente,
improprias de um creançola para um homem maduro. Cuidei de escolher
outras, e parei.
Afinal disse commigo que as palavras podiam servir, tudo era dizel-as
em tom que não offendesse. E a prova é que, repetindo-as novamente,
saíram-me quasi supplices. Bastava não carregar tanto, nem adoçar
muito, um meio termo. «E Capitú tem razão, pensei, a casa é minha, elle
é um simples aggregado... Geitoso é, póde muito bem trabalhar por mim,
e desfazer o plano de mamãe.»