_Sepulchros do Evangelho_
No capitulo XXIII do Evangelho, segundo S. Matheus, Jesus Christo
levanta-se contra os impostores e hypocritas, com uma força d'expressão,
uma vehemencia de linguagem, que espantam, n'aquella bocca divina,
habituada a só fazer ouvir palavras de mansidão e de caridade. Elle não
reprehendeu nenhum vicio com tanta energia, e quando nos lembramos da
sua celeste indulgencia para com a mulher adultera, admiramo-nos do
anathema terrivel que dardeja aos scribas e phariseus. É que nas
inspirações da sua sublime natureza Jesus Christo bebia a certeza de que
a hypocrisia é capaz de todos os crimes, que ella os contem todos em
germen.
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«Desgraça a vós! scribas e phariseus hypocritas, que purificaes o
exterior da taça e do vaso, em quanto que por dentro sois cheios de
rapinas e de maculas!»
«Phariseus cegos, purificae primeiro o interior da taça e do vaso, afim
de que o exterior seja puro tambem!»
«Desgraça a vós! scribas e phariseus hypocritas, porque sois semelhantes
a _sepulchros caiados_, que, por fóra parecem bellos aos homens, mas por
dentro são cheios d'ossos e podridão!»
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--A applicação d'esta phrase _sepulchros caiados_, ou a
equivalente--_sepulchros do Evangelho_--sobresáe claramente do texto que
citamos, quando se dirige ás pessoas; quanto ás coisas, caracterisa tudo
quanto tem mais apparencia de brilho, que fundo e realidade.