_Judas--Beijo de Judas_
Dois dias antes da Paschoa, Jesus disse aos seus discipulos:--«Chegou o
dia em que o Filho do Homem vae ser entregue para ser crucificado.» E ao
mesmo tempo os principes dos padres e os mais velhos do povo, reunidos
em casa de Caiphaz, concertavam-se sobre os meios de se apoderarem de
Jesus e o fazerem morrer. Mas receiavam excitar qualquer agitação
popular.
Foi então que Judas, um dos apostolos, se chegou e combinou entregar o
seu mestre, mediante trinta dinheiros. De tarde Jesus poz-se á meza com
os seus discipulos e annunciou-lhes que um d'elles o trahiria.--«Serei
eu, Senhor?»--lhe perguntou Judas, e depois da resposta do Salvador,
deixou a meza e foi-se, excitado pelo mau espirito. Em seguida Jesus
sahiu da cidade, seguido dos seus discipulos, e dirigiu-se ao monte das
Oliveiras, a um logar chamado Gethsemani. Logo appareceu Judas
acompanhado d'um grupo de soldados aos quaes tinha dito: «Prendam
aquelle que eu beijar, é elle que procuram.» E approximando-se de
Jesus, beijou-o e disse-lhe:--«Mestre, eu te saudo.» Jesus censurou-lhe
o seu crime com doçura:--«Judas, entregas o Filho do Homem com um
beijo!» E avançou para os soldados que se lançaram a elle e o ligaram.
--O nome de _Judas_ ficou como a personificação do traidor, do homem
profundamente hypocrita, e o _beijo de Judas_, como para designar o acto
pelo qual se pratica a traição. Assim chamar Judas a alguem é
dirigir-lhe a mais pungente das injurias. E comprehende-se que uma tal
comparação seja repellida com indignação.