_Queimar não é responder!_
No principio do anno de 1794, estava em toda a sua violencia o regimen
do Terror, dirigido por Robespierre, no seio do _comité_ de salvação
publica. Os proprios _dantonistas_, tornaram-se, em vista d'isto,
_indulgentes_, moderados; e agora que a republica estava senhora do
campo de batalha, elles queriam fazel-a entrar no reino das leis, e no
caminho da justiça para todos. Danton era o chefe d'esta opposição nova,
e o joven e fogoso Camillo Desmoulins era a sua penna, e, no _Vieux
Cordelier_, farpeava o governo com censuras e sarcasmos. O jornal era
lido com avidez, e venderam-se, n'alguns dias, cincoenta mil exemplares.
Afinal, Camillo ousou promover um _comité de clemence_, como o unico
meio de pacificar os partidos e de acabar com a revolução. Não era isto
o que queria Robespierre, que, n'uma sessão dos jacobinos, onde o
impetuoso pamphletario tinha sido intimado a comparecer, propoz
perfidamente dar-lhe uma correcção paterna, _queimando_ os numeros do
jornal.
--«Queimar não é responder!»--exclamou Desmoulins.
Esta replica imprudente causou a sua perda. Robespierre não se conteve e
disse:
--«Pois bem, não se queimem e responda-se; leiam immediatamente os
artigos de Camillo, visto que assim o quer, e que elle seja coberto
d'ignominia!»
Alguns dias depois o intrepido moço subia ao cadafalso.