_O PRESENTE livro--PALAVRAS E PHRASES CELEBRES--, é como que uma
CORBEILLE aonde estão reunidos, explicados, e, por vezes commentados,
muitos factos, muitas palavras, phrases e circumstancias curiosas e
originaes, que se empregam e se encontram, a cada momento, já n'alguma
obra escripta, já no meio da conversação_.
_Pareceu-nos que não seria desgracioso enfeixar todas essas flores n'um
como que estudo de Historia Pittoresca, sem a aridez da Historia
propriamente dita, e com o proporcionamento do interesse, da amenidade
e do attractivo do romance._
_As PALAVRAS E PHRASES CELEBRES são isto apenas_.
_O livro estava feito, e todo o trabalho consistiu, quasi, em
procurarmos e reunirmos em volume as paginas que andavam dispersas, aqui
e alli, um pouco por toda a parte._
_Tem merecimento? Outros o dirão._
_Em todo o caso póde servir para entretenimento de um serão, para
desenfado n'uma hora de descanço, para suavisar um momento de tedio, com
a vantagem de que allia o util, que é a historia, ao agradavel, que é o
pittoresco._
_De resto, parece-nos livro para toda a gente, porque crêmos que não
perverte, não corrompe, não immoralisa._
_Visou, pelo menos, a esse fim, e só desejamos que o attinja._
_Se attingir, tanto melhor para os que nos honrarem lendo-o, e tanto
melhor para nós, sobretudo, porque lograremos a gloria que aspiramos
para o nosso modesto trabalho._
[Figura]
PALAVRAS
E
PHRASES CELEBRES
I
_Amanhã os negocios sérios_
Sparta tinha-se apoderado da cidadella de Thebas por traição, e
impozera aos thebanos, como governador, o tyranno Archias. Este banira
da cidade os principaes cidadãos, entre os quaes Pelopidas. Refugiados
estes em Athenas, resolveram libertar a patria e concertaram-se com um
dos seus compatriotas, inimigo secreto do tyranno, que lhes offereceu
recebel-os em sua casa. No dia marcado para a execução da conspiração,
os conjurados penetraram em Thebas, graças a um disfarce. N'esse mesmo
dia, Archias foi convidado para ceiar em casa d'um rico cidadão thebano,
que, egualmente, fazia parte dos conspiradores. Tudo estava prompto, e
os conjurados esperavam apenas uma hora mais avançada, para a execução
do seu projecto, quando um correio, enviado d'Athenas, veio trazer a
Archias uma carta, contendo todas as particularidades da conspiração.
Admittido junto ao tyranno, entregou-lhe a missiva, convidando-o a lêr
sem demora, porque se tratava de _negocios sérios_. Archias, dominado já
pela embriaguez, poz indolentemente a carta sob a sua almofada,
exclamando:
--«Amanhã os negocios sérios!»
Alguns instantes depois, Pelopidas e os outros conjurados, invadiram a
salla do festim e massacraram o tyranno.
Este acontecimento, que produziu a liberdade da Beocia, obteve uma
grande celebridade na Grecia, e a phrase--_amanhã os negocios
sérios_--tornou-se um proverbio que os descuidados e os amigos da
alegria pretendem tomar por divisa, e que melhor fôra tomassem como
lição.