Um resumo de esperanças

«Quando um não quer, dous não brigam» tal é o velho proverbio que ouvi

em rapaz, a melhor edade para ouvir proverbios. Na edade madura elles

devem já fazer parte da bagagem da vida, fructos da experiencia antiga

e commum. Eu cria neste; mas não foi elle que me deu a resolução de não

brigar nunca. Foi por achal-o em mim que lhe dei credito. Ainda que

não existisse, era a mesma cousa. Quanto ao modo de não querer, não

respondo, não sei. Ninguem me constrangia. Todos os temperamentos iam

commigo; poucas divergencias tive, e perdi só uma ou duas amizades, tão

pacificamente aliás, que os amigos perdidos não deixaram de me tirar o

chapeo. Um delles pediu-me perdão no testamento.

No caso dos gemeos eram ambos que não queriam; parecia-lhes ouvir uma

voz de fóra ou de alto que lhes pedia constantemente a paz. Força

maior, portanto, e troca de formula: «Se nenhum quer, nenhum briga.»

Naturalmente os actos do governo eram approvados e desapprovados, mas

a certeza de que podia accender-Ihes novamente os odios fazia com que

as opiniões de Pedro e de Paulo ficassem entre os seus amigos pessoaes.

Não pensavam nada á vista um do outro. Divergencias de theatro ou de

rua, eram sopitadas logo, por mais que lhes doesse o silencio. Não

doeria tanto a Pedro, como a Paulo, mas sempre era padecer alguma

cousa. Mudando de pensamento, esqueciam de todo, e o riso da mãe era a

paga de ambos.

A carreira differente ia separal-os depressa, comquanto a residencia

commum os trouxesse unidos. Tudo se podia combinar; os interesses

do officio serviriam a este effeito, as relações pessoaes tambem, e

afinal o uso, que vale por muito. Vou aqui resumindo, como posso, as

esperanças de Natividade. Outras havia a que chamarei conjugaes; os

rapazes porém, não pareciain inclinados a ellas, e a mãe, quem lhe

apalpasse o coração sentiria já um anticipado ciume das noras.

Esau e Jacob · 第 223 / 242 题