CAPITULO XLV

Musa, canta...

No fim do almoço, Ayres deu-lhes uma citação de Homero, aliás duas, uma

para cada um, dizendo-lhes que o velho poeta os cantara separadamente,

Paulo no começo da _Illiada_:

--«Musa, canta a colera de Achilles, filho de Peleu, colera funesta aos

gregos, que precipitou á estancia de Plutão tantas almas válidas de

heroes, entregues os corpos ás aves e aos cães...»

Pedro estava no começo da _Odyssea_:

--«Musa, canta aquelle heroe astuto, que errou por tantos tempos,

depois de destruida a santa Illion...»

Era um modo de definir o caracter de ambos, e nenhum delles levou

a mal a applicação. Ao contrario, a citação poetica valia por um

diploma particular. O facto é que ambos sorriram de fé, de acceitação,

de agradecimento, sem que achassem uma palavra ou syllaba com que

desmentissem o adequado dos versos. Que elle, o conselheiro, depois de

os citar em prosa nossa, repetiu-os no proprio texto grego e os dous

gemeos sentiram-se ainda mais épicos, tão certo é que traducções não

valem originaes. O que elles fizeram foi dar um sentido deprimente ao

que era applicavel ao irmão:

--Tem razão, Sr. conselheiro,--disse Paulo,--Pedro é um velhaco...

--E você é um furioso...

--Em grego, meninos, em grego e em verso, que é melhor que a nossa

lingua e a prosa do nosso tempo.

Esau e Jacob · 第 99 / 242 题