Não me peças a causa de tanto encolhimento no annuncio e na missa,
e tanta publicidade na carruagem, lacaio e libré. Ha contradicções
explicaveis. Um bom autor, que inventasse a sua historia, ou prezasse
a logica apparente dos acontecimentos, levaria o casal Santos a pé ou
em caleça de praça ou de aluguel; mas eu, amigo, eu sei como as cousas
se passaram, e refiro-as taes quaes. Quando muito, explico-as, com a
condição de que tal costume não pegue. Explicações comem tempo e papel,
demoram a acção e acabam por enfadar. O melhor é ler com attenção.
Quanto á contradicção de que se trata aqui, é de ver que naquelle
recanto de um larguinho modesto, nenhum conhecido daria com elles,
ao passo que elles gozariam o assombro local; tal foi a reflexão de
Santos, se se póde dar semelhante nome a um movimento interior que
leva a gente a fazer antes uma cousa que outra. Resta a missa; a missa
em si mesma bastava que fosse sabida no céu e em Maricá. Propriamente
vestiram-se para o céu. O luxo do casal temperava a pobreza da oração;
era uma especie de homenagem ao finado. Se a alma de João de Mello os
visse de cima, alegrar-se-hia do apuro em que elles fôram rezar por um
pobre escrivão. Não sou eu que o digo; Santos é que o pensou.