Ivo d’Evreux não hesita com sua sinceridade habitual a formar um verbo
derivado da lingua indigena.
Desde as margens do Orenoco até as do Rio da Prata era o _Cauim_
preparado em grande quantidade.
Tinha o mesmo nome em toda a parte esta especie de cerveja, ou talvez
melhor de cidra, quer fosse preparada com milho mastigado pelas mulheres,
quer com mandióca cajú ou jabuticaba.
Encontramos este fabrico e nome até entre os Araucans. (Vide a importante
obra, do Chili, do Sr. Claudio Gay.)
A palavra _cauin_ atravessou espaços immensos, são os mesmos em toda a
parte os processos para o seu fabrico, o que prova estreito parentesco
entre os povos mais distantes, uns dos outros.
Hans Staden, Lery, Thevet tem apontado seos abusos, e chamamos a attenção
dos nossos leitores para as suas curiosas narrativas.
O que os nossos antigos viajantes chamavam _Cauinage_ era afinal uma
solemnidade, cujo sentido religioso não conhecemos.
Precediam ou succediam estas orgias ás grandes expedicções.
O «vinho da Europa» se chama hoje _Cauin Pyranga_, e a aguardente tão
fatal aos indios, _Cauin Tata_, «bebida de fogo.»