É um Tabajara quem falla, porem observamos, que a palavra _Carbet_ não
pertence á _lingua geral_.
O padre Ruiz de Montoya não a inserio no seo precioso _Tesoro de la
lingua Guarany_.
É usado mais particularmente entre os Galibis e os outros povos de Guyana.
Resente-se esta expressão da visinhança da nossa colonia.
Convem fazer certa differenca entre os _Carbets_, ou _casa grande_, e
as _Ocas_ ou _Tabas_, que formavam a architectura rudimentar dos outros
povos do Brasil.
Ouçamos a este respeito o Padre _du Tertre_. «No meio de todas estas
casas, fazem uma grande, commum, a que chamam _Carbet_, a qual tem
ordinariamente 60 ou 80 pés de comprimento, e é formada de grandes
forquilhas de 12 a 20 pés de altura, infincadas na terra: sobre ellas
collocam uma palmeira, ou outro tronco de arvore muito direito, que serve
de cumieira, e n’ella ajustam caibros, que descem até tocar em terra,
e cobrem-nos com ramos ou folhas de palmeiras, ficando muito escuro o
interior da casa, pois a claridade só entra pela porta, e esta é tão
baixa, que para entrar-se é necessario curvar-se.»
Estas particularidades pedimos emprestadas a uma obra do anno de 1643, e
se referem especialmente a architectura rustica dos Caraibas insulares.
Escolhemos este exemplo quasi contemporaneo do livro publicado pelo nosso
autor, porque na realidade não ha grande differença entre os _Carbets_
das ilhas e os dos continentes.
Si se escrevesse uma historia d’essas casas de folhas tão rapidamente
construidas, apresentar-se-iam certas variedades conforme os usos e
fins para que se destinam. (Vide a este respeito _Le voyage pittoresque
au Bresil de Debet_, depois as gravuras do livro de _André Thevet_,
publicado em 1558.)
Haviam pequenos e grandes _Carbets_, aquelles onde os Piagas faziam suas
charlatanerias, e estes onde se formavam os grandes conselhos.
Tinham estes ultimos a configuração de um dos nossos vastos alpendres,
tendo lugar para 150 ou 200 guerreiros.
No XVII seculo, na linguagem de nossas colonias, nas ilhas ou no
continente, formar um conselho qualquer era _Carbeter_; o termo era
proprio e acha-se usado por todos os viajantes. (Vide entre outros Biet,
_Voyage de la France équinoxiale_. Paris. 1654, em 4.º)