VIII.

É aqui neste valle, ao qual não chega

Humana voz e o tumultuar das turbas,

Onde o nada da vida sonda livre

O coração, que busca ir abrigar-se

No futuro, e debaixo do amplo manto

Da piedade de Deus: aqui serena

Vem a imagem da campa, como a imagem

Da patria ao desterrado: aqui, solemne,

Brada a montanha, memorando a morte.

Essas penhas, que, lá no alto da encosta,

Negras, despidas, dormem solitarias,

Parecem imitar da sepultura

O aspecto melancholico, e o repouso

Tão desejado do que em Deus confia.

Bem semelhante á paz, que se ha sentado

Por seculos, alli, nas serranias,

É o silencio do adro, onde reunem

Os cyprestes e a cruz o céu e a terra.

Como tu vens cercado de esperança,

Para o innocente, oh placido sepulchro!

Juncto das tuas bordas pavorosas

O perverso recúa horrorisado:

Após si volve os olhos; na existencia

Deserto árido só descobre ao longe,

Onde a virtude não deixou um trilho.

Mas o justo chegando á meta extrema,

Que separa de nós a eternidade,

Transpoem-a sem temor, e em Deus exulta.

O infeliz e o feliz lá dormem ambos,

Tranquillamente: e o trovador mesquinho,

Que peregrino vagueou na terra,

Sem encontrar um coração de fogo,

Que o entendesse, a patria de seus sonhos,

Ignota, por lá busca; e quando as eras

Vierem juncto ás cinzas collocar-lhe

Tardios louros, que escondêra a inveja,

Elle não erguerá a mão mirrada,

Para os cingir na regelada fronte.

Justiça, gloria, amor, saudade, tudo,

Ao pé da sepultura, é som perdido

De harpa eolia esquecida em brenha ou selva:

O despertar um pae, que saborea,

Entre os braços, da morte o extremo somno,

Já não é dado ao filial suspiro:

Em vão o amante, alli, da amada sua

De rosas sobre a c'roa debruçado,

Rega de amargo pranto as murchas flores

E a fria pedra: a pedra é sempre fria,

E para sempre as flores se murcharam,

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 53 / 76 题