O palácio da Bacalhôa, alojamento real—Hóspedes célebres

D. José I, por ocasião dos exercícios militares no acampamento dos

Olhos d’Água, veio estabelecer-se com a corte e ministros em Azeitão e

alojou-se no palácio da Bacalhôa.

O conde de Oeiras hospedou-se na próxima casa da quinta da Palhavã. Era

um pequeno edifício, bem situado, com certa nobreza de formas e bom

gosto, residência de família abastada, que vivia no campo. Ao andar

nobre e à capela da vocação de Nossa Senhora do Cabo, dava serviço uma

escadaria e varanda de cantaria. Hoje é por terra.

O rei, no dia 1.º de dezembro de 1767, data de Vila Fresca de Azeitão um

alvará de providências sobre o depósito público, e outro ordenando certas

disposições disciplinares para o colégio dos Nobres.

No dia 5 respondeu ao breve do papa Clemente XIII.—«_A quo die illa

inciderunt_», de Roma, 31 de agosto do mesmo ano.

No dia 11 de dezembro D. José faz passar um alvará de descoutamento da

parte norte da serra da Arrábida, atendendo às queixas dos cultivadores,

a quem a caça e os animais bravios, criados no terreno defeso, destruíam

as searas e plantações.

O conde de Oeiras aproveitou, como seu amo, o remanso do campo, para

responder ao breve—«_Etsi plurimce_»—que o pontífice romano tinha

dirigido ao—«_Dilecte Fili Nobilis vir Comes Oeyrensis_»—«_Datum R091103

apud Sanetam Mariam Majorem sub annullo Piseatoris die XXXI Augusti

MDCCLXVII_». A resposta é datada—«_In oppido de Azeitão V die mensis

decembris anno Domini MDCCLXVII._»

Também de Azeitão e no mesmo dia o conde de Oeiras responde ao arcebispo

de Niceia, núncio em Madrid, que em 28 de outubro enviara os breves para

Portugal[66].

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É de crer que o palácio, por ocasião da pousada ali do rei D. José, ainda

estivesse mobilado; depois disto, entregue a feitores e rendeiros, nu

de quaisquer móveis, foi caindo a pedaços até ao estado de ruína em que

se acha. Como por esquecimento, existiu numa das salas, até há poucos

anos, um formoso armário de bela talha em carvalho, que foi retirado para

Lisboa depois da morte do duque de Albuquerque. Mesmo nisto a sorte quis

dar à Bacalhôa uns laivos do castelo de Alvito; na primeira sala deste

palácio há um móvel, espécie de grande contador, não comum nas formas e

que não é de todo mau, ainda que muito inferior ao da Bacalhôa, por ser

aquele apenas obra de marchetaria a duas madeiras.

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Em 1838 o marquês de Saldanha, marechal e depois duque do mesmo título,

descontente do governo, veio para a Bacalhôa, de que então era senhor o

conde D. Luís da Costa, casado com D.ᵃ Maria Inácia, irmã do marechal;

habitou por meses o palácio, sendo-lhe companheiro o conde da Cunha.

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Disse quanto sabia.

Inicios da Renascença em Portugal: Quinta e Palacio da Bacalhôa em Azeitão, monographia historico-artistica · 第 47 / 84 题