«Uma casa, que serve de açougue, que está fora dos muros da quinta, parte
do nascente com muro do cano da água, que vai aos lagares da dita quinta
e do norte com os mesmos lagares e do poente com terra e logradouros da
quinta e do sul com as casas de Francisco Nunes, foreiro à dita quinta.
Tem de comprido quatro varas e meia e de largo duas varas.»
A descrição desta casa pouca importa para a nossa história; mostra,
porém, que na quinta e palácio se concentrava toda a vida do lugar; de um
lado e quase junto aos muros, o _hospital_ e a igreja, do outro a casa do
mercado.
V
Seguirei tratando dos senhores do morgado.
O primogénito de D. Jorge Manuel é, nos nobiliários, chamado D. Jerónimo
Manuel, no entanto, nos contratos, feitos por sua mãe durante a tutoria
deste filho, é apelidado D. Jerónimo Afonso de Albuquerque.
Sobreviveu a seu pai, sucedeu-lhe na administração do morgado de Azeitão,
mas não foi (se foi) muito além da morte de sua mãe. D.ᵃ Theresa faleceu
em outubro de 1657. No fim do ano seguinte já se encontra por herdeiro de
Jerónimo seu irmão Francisco Sebastião de Albuquerque, criança de oito
anos, sob a tutela de seu tio materno D. Vasco Luís da Gama, almirante da
Índia e primeiro marquês de Nisa.
Bem novo encetou D. Francisco a carreira das armas, pois em 1663 já se
encontra na restauração de Évora. Em 1666, quando o conde de S. Vicente,
João Nunes da Cunha, passou à Índia por vice-rei, D. Francisco Sebastião
acompanhou-o e em breve ali morreu, como seu irmão Jerónimo, solteiro e
sem geração legítima. Até fins de 1668 ainda os contratos são celebrados
pelo marquês de Nisa, como tutor de seu sobrinho Francisco. Em princípio
de 1669 já era falecido.
De D. Francisco Sebastião de Albuquerque[46] apenas ficou uma filha
natural, D.ᵃ Maria de Albuquerque, freira em Odivelas.
Extinto este ramo, a casa foi devolvida ao primogénito de D.ᵃ Antónia de
Mendonça, irmã de D. Jorge Manuel.