D. Jerónimo Manuel, o Bacalhau, de posse do morgado, vem com sua família
residir no seu palácio de Azeitão, e a 26 de setembro de 1613 aqui
faleceu sua mulher, que foi sepultada em S. Simão _junto com o altar-mor_.
Chegado ao reino, depois da viagem da Índia, voltou D. Jerónimo para a
sua quinta, aonde faleceu a 16 de janeiro de 1620, e sepultou-se na mesma
igreja no _tabuleiro do altar-mor, disseram-me_, (acrescenta o cura Pedro
de Magalhães), _com testamento ao conde da Vidigueira_.
D. Jerónimo Manuel e D.ᵃ Maria tiveram três filhos, já nascidos quando se
estabeleceram na quinta de Azeitão: D. Jorge Manuel de Albuquerque, D.
Lourenço Manuel e D. António de Mendonça.
—D. Lourenço Manuel morreu sem geração.
—D. Jorge Manuel de Albuquerque sucedeu na casa de seu pai, e teve de sua
mãe o morgado de Azeitão, continuando aqui a residência.
Os livros de notas dos tabeliães e os registos paroquiais até meado de
1624 fazem-lhe repetidas referências. Em África portou-se sempre como
soldado valente. Irrequieto nos seus procedimentos[44], foi por alguns
crimes degredado para Mazagão, aonde esteve preso por ordem do governador
D. Gonçalo Coutinho.
Pela restauração estava em Madrid, recebendo de Filipe IV de Espanha o
título de conde de Lavradio, que em Portugal lhe não foi confirmado.
Algum tempo depois voltou para a sua casa de Azeitão, aonde faleceu no
10 de outubro de 1651, sendo sepultado na capela-mor de S. Simão. Tinha
casado com D.ᵃ Teresa Maria Coutinho, filha de D. Francisco da Gama,
quarto conde da Vidigueira e almirante da Índia, de quem nasceram D.
Jerónimo Manuel de Albuquerque, batizado em S. Simão a 21 de dezembro de
1639, e D. Francisco Manuel de Albuquerque, nascido a 20 de janeiro 1650
e balizado na mesma freguesia no dia 5 de fevereiro.
A viúva de D. Jorge Manuel, que nascera em 5 de agosto de 1616, morreu na
quinta de Azeitão a 25 de outubro de 1657, com testamento a seu irmão o
marquês almirante, e foi sepultada ao pé do altar-mor de S. Simão.
D. Jorge Manuel em 1630 requereu a tombação do morgado, designando para
este serviço o licenciado Manuel Álvares Frausto, juiz de Marvão, e que
fizera o tombo das freiras do Salvador de Lisboa. Diz o requerente que
as propriedades se achavam alheadas, divididas e sonegadas pelas muitas
demandas que houve sobre a sucessão do morgado. O alvará, que defere o
pedido, é de 31 de maio de 1631.