GLOZA.

Da alva Lize os brancos dentes,

O rosto affavel, e brando,

A boca, donde em fallando

Ficamos todos pendentes,

Nos lizos hombros patentes

Soltos os longos cabellos

Não são causa dos desvellos­,

Nem das ancias em que vivo:

Vós sois, vós sois o motivo,

Olhos de Lize, olhos bellos.

Vós sois os meus vencedores,

E sois gloria do vencido:­

De vós me atira Cupido

Mil farpados passadores.

Se vence o Deus dos Amores,

Vós as armas lhe emprestais.

Que ternos saudosos ais,

Que pranto em vão derramado,

Me não tendes vós custado,

Olhos para mim fataes!

Se o rosto ao Ceo levantado

Alçais as pestanas pretas,

Logo de brilhantes setas

Vejo todo o ar cruzado.

Cupido, que tem jurado

Crua guerra á humana gente,

Das nuas costas pendente

Dura aljava, e passadores,

Fará conquistas menores

Que hum vosso girar sómente.

Quando desses claros lumes

Sahem as chammas brilhantes;

De mil rendidos amantes

Ouço saudosos queixumes.

Não chameis loucos ciumes,

Ó Lize, os que em mim causaes:

Do poder de huns olhos taes

Quem ha que livrar-se possa,

Se a menor perfeição vossa

Me faz temer mil rivaes?

Obras posthumas · 第 44 / 99 题