SONETO XXI.

O vesgo monstro que co'a gente ralha

E de manhãa a todos atravessa,

A cuja hirsuta sordida cabeça

Nunca chegou juizo, nem navalha;

Que os gazeos olhos pela meza espalha

Por ver se ha mais comer que tire, ou peça,

Entrando nelle com tal fome, e pressa

Qual faminto frizão em branda palha;

Por crimes de alta gula, e pouco sizo,

De meza bem servida, mas severa,

Foi n'hum dia lançado de improviso.

Hoje chorando o seu perdão espera:

Perdêrão dous glotões o Paraiso,

O antigo por maçãa, este por pera.

_Aos toucados altos._

Obras posthumas · 第 28 / 99 题