SONETO II.

Qual naufrago, Senhor, que foi alçado

Por mão piedosa d'entre as ondas frias,

Tal eu de antigas duras agonias

Por vossas Reaes mãos fui resgatado:

Pois vencestes as teimas do meu fado,

E já vejo raiar dourados dias,

Deixai que possa em minhas poesias

O vosso Augusto Nome ser cantado.

Não he digna de vós minha escriptura,

Nem harmonia, nem estilo a adoça;

Mas valha-lhe, Senhor, vontade pura.

Principe excelso, consentí que eu possa

Fazer inda maior minha ventura,

Contando ao mundo que foi obra Vossa.

_Sahindo Conselheiro da Fazenda o Illustrissimo, e Excellentissimo

Senhor D. Diogo de Noronha_.

Obras posthumas · 第 9 / 99 题