Para a ermida do castello
Emfim o corpo levaram
E n’um cofre d’ouro fino
Como reliquia o guardaram.
—Muito a não carpiu Auzenda,
Que a morte compadecida
Cedo a libertou da vida.
Porêm a longa existencia
De remorso e penitencia
Sisnando foi condemnado:
Cuberto de horror e opprobrio
Cumpriu seu mesquinho fado;
Onde?—Ninguem mais o soube.
Do castello aquella noite
Com o ermitão se sumiu;
Nunca mais d’elle se ouviu.
Mas á meia-noite em ponto
Na capella de Landim
Se ficou sempre escutando
Gemer uma voz medonha,
Que pede perdão bradando:
E essa voz diziam todos
Que era a voz de Dom Sisnando.