XIX

Para a ermida do castello

Emfim o corpo levaram

E n’um cofre d’ouro fino

Como reliquia o guardaram.

—Muito a não carpiu Auzenda,

Que a morte compadecida

Cedo a libertou da vida.

Porêm a longa existencia

De remorso e penitencia

Sisnando foi condemnado:

Cuberto de horror e opprobrio

Cumpriu seu mesquinho fado;

Onde?—Ninguem mais o soube.

Do castello aquella noite

Com o ermitão se sumiu;

Nunca mais d’elle se ouviu.

Mas á meia-noite em ponto

Na capella de Landim

Se ficou sempre escutando

Gemer uma voz medonha,

Que pede perdão bradando:

E essa voz diziam todos

Que era a voz de Dom Sisnando.

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 79 / 209 题