I
Sette annos e um dia
Foi a sentença cruel
Que Adozinda cumpriria
N’aquella tôrre fechada.
E o tyranno bem sabia
Que nem tres dias somente
Viver podia a innocente
Com a sêde, a denudez.
Uma semana é passada
Passado é um mez e outro mez,
Anno e annos decorreram;
E os sette annos feneceram
Sem que Adozinda formosa
Em tal mingua perecesse,
Sem que ao menos desmer’cesse
Em seu rosto uma só rosa.