SHAKSPEARE.

I

Oh! que alegrias que vão

Pelos paços de Landim!

Que magnificos banquetes,

Que sumptuoso festim!

Juncto ao valente campeão,

Á cabeceira da mesa

Ficou a bella Adozinda.

A tam celeste belleza

Estão todos admirando;

E o imbevecido Sisnando

Não se farta de abraçá-la,

De beijar filha tam linda.

Auzenda de gôsto chora,

E abençoa a feliz hora

Em que tanto amor nasceu.

—‘Inda bem’ diz ‘que a rudeza

De tanto lidar com armas

Á innocencia, á belleza

Da amada filha cedeu!’

Ella as caricias paternas

Ja não ousa de esquivar-se;

Cora, mas deixa abraçar-se;

Ve-se que tantos affagos

A repugnancia venceram

Da timidez natural,

—Ou, se outra causa fatal,

Mais incuberta ella tinha...

Ao menos lh’a adormeceram.

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 29 / 209 题