NA TERCEIRA EDIÇÃO

Publicamos emfim ésta nova edição da primeira parte do ROMANCEIRO que

vai muito superior ás antecedentes, tanto pela correcção como pelos

addicionamentos importantes que leva.

A de Londres de 1828 continha apenas a Adozinda e o Bernal-francez; a de

Lisboa de 1843 ja lhe accrescentou mais quatro romances; na presente ha

oito, alêm das novas traducções em várias linguas que n’este intervallo

se teem publicado pela Europa. Não são todas porém, e ja muitas das mais

notaveis versões appareceram colligidas no appendice do terceiro volume

da presente obra publicado em 1851; outras o tinham sido no segundo

junctamente com os originaes portuguezes primitivos que o nosso auctor

reconstruíra.

A sua predilecção por éstas reliquias da antiga poesia peninsular tem

feito com que, desde a infancia até hoje, tenham ellas sempre sido a

occupação das suas ‘Horas de lazer’—‘_Hours of idleness_’ segundo a

frisante expressão de Lord Byron; um quasi mialheiro poetico em que por

intervallos, mas sempre, se vão deitando pequenas quantias até que chegam

a formar um thesouro. Este é ja um verdadeiro thesouro para os que sabem

avaliar a riqueza de uma lingua e de uma litteratura.

No meio dos trabalhos mais graves, das contrariedades mais apertadas

da vida pública, o auctor não se tem esquecido do seu mialheiro, que,

tornâmos a dizê-lo, para nós é thesouro riquissimo. Se ainda assim o não

julga Portugal, saiba ao menos que essa é a opinião da Europa.

Julho 8, 1853.

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 7 / 209 题