--Boa noite, Simphoriano!
--Ah!... Sê bem vindo.
--Deus te pague. O que fazes?
--Nada; estou lendo.
--A _Historia de Cezar_, por Napoleão?
--Leio Humboldt.
--Perdes o tempo: Humboldt não sabia nada, foi um pessimo copista de
Plinio.
--Sim? quando leste Plinio?
--Nunca, e nem Humboldt e nem precisava para formar o meu juizo.
--Achaste a pedra philosophal?
--Nem nada. Ouvi dizer que Plinio estudava a natureza; depois me
disseram que o mesmo fez Humboldt. Logo, tudo quanto este fez copiou do
outro, isto é logico. Seja lá no que fôr, segue este methodo e farás
figura, passando por sabio. Ideias associadas, Humboldt foi barão e o
Sr. Joaquim tambem já o-é. E, passando a inscrever o nome na
nobiliarchia deste Imperio, julgou-se com direito de enviar um epigramma
á _graça_ á qual não _sacrificarei_ mais, o que te participo, sob a
condição de uma hospedagem por esta noite, senão vou dormir ao relento.
E narrei o succedido.
Simphoriano pulou de contentamento.
Fallou em _regeneração_ (palavrinha a mais elastica dos tempos
modernos), citando todos os moralistas das cinco partes do globo,
inclusive um poeta de nome Sadi ou Saadi, que elle jurou ser perso e eu
suppunha italiano, por acabar o nome em--_i._--
Prasmou contra o meu passado aconselhando-me a cuidar do futuro.
--Vejo por ahi muitos futuros á feição do meu desejo, mas os homens não
me protegem.
--Homem, sentenciou o meu amigo, é aquelle que é o que quer ser e não o
que os outros querem que elle seja. Toma nota disto. Arrima-te na
perseverança; faze della bastão e caminha. Caminha... e se encontrares
obstaculos, que te empeçam os passos, desanda-lhes a perseverança.
Tornam a apparecer adiante? torna a dar. Dá, dá de rijo, dá a valer, não
te doam os pulsos e verás se chegas a ser o que quizeres.
Copiei a receita para matar os obstaculos, mas em vez de bastão comprei
um guarda sol, que tambem guarda da chuva e serve de bengala sendo
preciso.