O Sr. Joaquim leu, releu e treleu a carta. Ao depois chamou o
guarda-livros.
--Sô Pinto? chegue-se, faça favor.
Pinto aproxima-se.
--Que palavra é esta? pergunta mostrando a Pinto a segunda palavra do
remate da carta.
Pinto arregalou os olhos, soletrou a palavra e leu--_monógámia_... e
repetio separando as syllabas: Mo-nó-gá-mi-a... Isto não é palavra,
decidio.
--A mim tambem me parece que não é, concordou o Sr. Joaquim, cuja
intelligencia dava pelo estalão da do outro.
Pinto voltou aos livros.
O Sr. Joaquim garatujou;
«Senhora.--Eu quando digo as cousas é porque sei. Não é debalde que sou
viuvo. O meu pezar é ter aberto os olhos quando a mulher fechou os seus.
O conselho do periodico é fundo como um poço, e os periodicos quando
dizem as cousas--são como eu--sabem o que dizem. Estou no mesmo pé. A
mulher ha de pegar no somno antes do marido e acordar depois delle, sem
esta condição saia não me torna a entrar em casa. A palavrinha monogamia
não leva a resposta devida por não ser palavra.
«E temos conversado.»
Monica revelou-me este episódio uma vez quando lhe disse andar perto de
querer casar com ella.
No fim da narração, pendi para a opinião do Sr. Joaquim.
Não sei porque, mais tarde, fizeram barão a este homem, que tanto senso
parecia ter!