Ao outro dia recebi o Sr. Gusmão entre os braços.
--Entre, meu amigo, assente-se e conversemos. Ainda aqui está o charuto
de Havana, aceite-o.
--Obrigado, mas não aceito, insistio o homem. Penso diversamente dos
outros; o que não posso sustentar todos os dias, não alardeio uma vez.
Demais, habituado a fumar charutos de vintem, sabem-me a _pessimos_ os
de tostão para cima.
--Respeito o seu modo de pensar. Dou-lhe parte que suspendo a publicação
das minhas obras.
--Então tomou a peito a opinião de um typographo?
--E o typographo não póde ter opinião aceitavel, não póde saber
grammatica?
--Que opinião póde ter o homem, que anda de ventanilha? Lá quanto a
grammatica devia saber. Onde me vê, com o pouco que entendo della, tenho
salvo a reputação futura de muitos escriptores, aliás intelligencias
brilhantes, emendando-lhes, quando componho seus originaes, erros de
tirar couro e cabello...
--Ora, Sr. Gusmão, porque não emendou os meus?
--O senhor desejava um volume de trezentas paginas e se eu corrigisse os
seus descuidos não ficava o livro com cem....
Apre! tambem esta foi de tirar couro e cabello!