--É como conto, tornei interrompendo o silencio, devo cento e treze mil
e quinhentos réis e não possuo um real para chamariz dos outros.
--A quem deve?
--Á typographia onde estou imprimindo as minhas poesias.
--Vossê ha de ter algum amigo, que lhe empreste essa quantia, nem por
isso é grande.
--Empresta-m'a o padre?
--Eu? pobre de mim! Meu caro, nós os padres não ganhamos, como
vulgarmente se pensa, mundos e fundos. Quantas vezes tenho, em vez de
encommendar á Deus, encommendado ao diabo algumas almas... uma
encommendação por dous mil réis só feita ao diabo! Já não se póde viver
nesta côrte, acredite-me, encommendando; e por fallar nisto, vou vêr se
fallo ao vigario capitular, quero conseguir ao menos, a nomeação de
vigario encommendado. Até breve, meu poeta. Tomára já vêl-o em outra
posição.
E sahio.
E que me dizem?...