_J. F. Henriques Nogueira_
Não é um livro; é uma obra.
G. Planche.
I
O livro cujo valor apregoamos, e ao qual outorgamos um primeiro
e eminente logar na nossa ora ideal--mas tão realisavel
bibliothecasinha popular,--é digno de tal occupar, sendo que entre todos
é elle o mais util e accommodado á intelligencia do nosso povo--ainda
mal--tão inculto, tão por mondar de cardos e ruins ervas, e, o que peor
é, com tão pouca esperança de proximo e util cultivo.
O auctor do livro, como bom philosopho, cura menos do que é, ou póde
ser, do que indaga o que em sã razão devera existir: e ao tempo que, em
succinto mas substancial quadro, alevanta o rude trabalhador ao nivel de
seus direitos, não se mostra remisso no estudo dos deveres que se lhe
oppõem; accrescendo ainda um catechismo acabado dos meios de realisação
d'uns e de satisfação dos outros. Ajuntai ainda uma expressão clara, por
correcta; uma viveza toda meridional de imagens; um finissimo tacto ou,
por assim dizer, um como faro mui mimoso no descobrimento dos males
sob que geme a sociedade, e a mão segura em alvitrar meios de prompto
remedio; e em limitadas phrases havereis o livro.