ROSAS DO MEU CAMINHO

I

Parei no meu caminho a colher rosas. No doce esplendor da sua gloria,

brotavam purpurinas entre o cômoro renovado no viço pelo outono. E o sol

brando que vinha do nascente, e a palidez do céu já esmorecido do seu

fulgor candente do Estio, e a atmosfera quieta e orvalhada, e o silencio

do campo onde desponta o prado que no inverno o cobre e é a sua

túnica,--cantavam com as rosas a doçura e em minha alma infundiam

subtilmente os salutares enlêvos dos seus sonhos.

Acordou-me de encantos a pobreza. Alguém, passando, me estendeu a mão,

mirrada e pálida de fadiga e fome. Ouvi um brando murmurar de suplica; e

o coração turvado de piedade transmudou em misericórdia o seu deleite.

Um resplendor mais alto escurecera a cintilação da terra em seu fulgor.

Levei comigo as rosas que colhi, para me alentarem de um sorrir ingénuo

meu peito ferido na jornada agreste em que dolorosamente se consome

sangrando magoado de perversidade, de ódios, de mentira, de quanto

avilta os homens desvairando-os nos seus cruéis infernos de cobiças. Mas

sempre que senti a rosa bafejar-me, senti perpassar também vozes

mendigas. Por singular magia, confundi em uma só aspiração e um só amor

as rosas e a pobreza.

Rogações de Eremita · 第 9 / 111 题