Eduardo, _e depois_ Julia.
Eduardo.--A gargalhada de Alvaro quer dizer muito... (_Ouve-se a aria da
Norma_).
O maldito veria alguma cousa? Se viu, lá vai a terra todo o meu edificio
de virtude... Dizem que ella é facil, eu vejo-me illaqueado n'uma rede
tal, que se me descobrem não sei por onde hei-de evadir-me... Que pena
se me não deixam ser honrado!... Tenho, só n'um mez, colhido tantas
palmas de virtude, que, passados tres, n'este andar, eu todo seria um
palmito...
Julia (_agitada_).--Eduardo...
Eduardo.--Julia...
Julia.--Pelo amor de Deus, desvanece-me d'uma suspeita que me
despedaça...
Eduardo.--Que é?!
Julia.--Tu amas Leocadia.
Eduardo.--É falso...
Julia.--Mas ella adora-te com delirio...
Eduardo.--Que culpa tenho eu?
Julia (_tomando-lhe a mão com frenesi_...)--Não me sacrifiques a ella...
a nenhuma... porque nenhuma te amará tanto...
Jorge (_ao fundo_).--Isto é espantoso!...
Eduardo.--Não vês que represento um papel hypocrita, tão contra o meu
caracter, para te não perder?
Jorge (_o mesmo_).--É incrivel!...
Julia.--Conheço tudo... meu anjo... Vou á sala... póde notar-se a minha
falta...