SCENA I.

_Afóra estes entes nullos_, Jorge _e_ Leocadia _sentados em cadeiras_.

Leocadia (_fazendo SS com o guarda-sol na areia_).--Estás tão sombrio,

Jorge!

Jorge (_fazendo TT na areia com a chibata_).--Estou optimamente.

(_Ouvem-se guinchos muito sympathicos das senhoras, que patinham no

banho_. _Alguns homens urram_).

Leocadia.--Parece que te aborrece a Foz!...

Jorge.--Nada me aborrece... Estou bem em toda a parte...

Leocadia.--Niguem o ha-de dizer... Todas as minhas amigas me perguntam o

que tens...

Jorge.--Diz-lhes que se não incommodem...

Leocadia.--Hão-de suppor que a tua amisade para comigo foi uma illusão

desvanecida pelo casamento...

Jorge.--A opinião é livre... Supponham o que quizerem.

Leocadia.--Mas não consideras que eu soffro muito se ellas imaginam tal?

Jorge.--Não me lembrava essa especie... Isso é amor proprio...

Leocadia.--Não é amor proprio... é _dôr_ do coração...

Jorge.--Será algum aneurisma?

Leocadia.--É uma zombaria bem cruel!... Estranho-te, Jorge.

Jorge.--Tambem eu me estranho... Não achas que é melhor estarmos

calados?

Leocadia.--Calar-me-hei...

Jorge.--E fazes bem... Estes dialogos terminam sempre mal... A

necessidade da variar a conversação é a tisica das grandes paixões...

Uma phrase repetida aborrece, por mais bonita que seja... Nós podiamos

ter sempre cousas novas a dizer, se não tivessemos gastado a inspiração

em quatro mezes de casados. Dissemos tudo... definimos tudo que nos

rodeava, e agora sentimos a dura necessidade de nos definirmos a nós...

É onde está o mal.... Tu queres que eu te repita o que te disse ha cinco

mezes, e eu zango de repetições... Não sei fazer phrases como tu fazes

punhos de camizas... Exhauri-me... Agora é necessario esperar uma nova

colheita do terreno que já deu fructo. Essas lagrimas vem muito a

proposito... (_Erguendo-se e espreguiçando-se_). Ai! que vida!...

(_Reparando_). Olá, Eduardo!... por cá?

Scenas Contemporaneas · 第 97 / 121 题