_Os mesmos e_ Julia, _e depois_, Eduardo _e_ Alvaro.
Julia.--Espera, menina (_para Leocadia que se retira_)... São só duas
palavras... Snr Jorge... V. s.^a, não é digno d'ella, nem de mim, que
valho menos que ella... Não te felicito pela reconciliação, minha
querida amiga... D'este a Eduardo, que a sociedade chama cynico, não vai
distancia que tu não vejas desapparecer vinte e quatro horas depois de
casada... São tudo Eduardos...
Eduardo.--Que é isso de Eduardos? Ainda falta este... Trata-se de levar
ao capitolio os Eduardos, minha senhora? N'esse caso peço que não sejam
exceptuados os Alvaros. (_Para Alvaro que entra_).
Venha cá, meu amigo... Á vista d'este quadro, confesse que fizemos
tristissimas figuras... Aquelle senhor (_apontando Jorge_) fez monopolio
de dous corações, que nós tivemos o imbecil heroismo de conquistar ás
tres horas da noite... Sabe que mais? Olhemos para ellas, e digamos como
a raposa: «Estão verdes!» Pois não convém n'isto?
Vozes dentro.--Vamos meninas! São quatro horas.
Eduardo.--Nenhum dos senhores se quer bater pelo que vejo!... Boas
noites... Minhas senhoras...
Vozes.--O ultimo _cotillon_, o ultimo.
Eduardo (_para a viscondessa de Valbom que entra_).--O ultimo
_cotillon_, minha senhora, se não tem par... (_Retiram-se todos os
outros_).
Viscondessa.--Eu não danço senão quadrilhas.
Eduardo.--Faz v. exc.^a muito bem... Tem dançado muitas?
Viscondessa.--_Un peu_... _un peu_.
Eduardo.--Ah! V. exc.^a falla francez! Ha quantos annos aprendeu, minha
amavel senhora? Antigamente ensinava-se um francez muito solido... Hoje
é tudo pela superficie...
Viscondessa.--É verdade; mas as bases d'uma verdadeira instrucção são os
solidos rudimentos.
Eduardo.--Muito bem, minha senhora... O seu coração deve ser tão
sensivel como a sua cabeça é illustrada.
Viscondessa.--O meu coração está morto.
Eduardo.--Deveras!... Quem fará o milagre de o chamar á vida?... Eu de
certo não ousaria tão difficil empresa...
Viscondessa.--V. s.^a zomba?...
Eduardo.--Não zombo, porque não sei zombar com o amor...
Viscondessa.--Falle baixo que ahi vem meu marido...
Eduardo (_para o marido que entra_).--Snr. visconde!... estavamos
fallando na guerra da Crimea.
Visconde.--Vai por lá o diabo... Eu acho que os alliados não mettem o
nariz em Sebastopol.
Viscondessa.--Pelo menos em quanto a Austria e Prussia não expedirem
forças que suppram a mortandade dos inglezes...
Visconde.--E que me diz o senhor á exportação dos bois? Cessa ou não
cessa?
Eduardo.--A respeito de bois, não sei nada... (_reparando para fóra_)
Ahi vem tudo... Que é isto!... uma senhora desmaiada?