O governador de Paris, primeiro ajudante de campo de sua magestade
o imperador, e rei, general em chefe, grão-cruz da ordem de Christo
de Portugal.
Habitantes do reino de Portugal.--Um exercito francez vae entrar no
vosso territorio. Elle vem para vos tirar do dominio inglez, e faz
marchas forçadas para livrar a vossa bella cidade de Lisboa da sorte de
Copenhague. Mas será d'esta vez illudida a esperança do vosso perfido
governo inglez. Napoleão, que fitou seus olhos na sorte do continente,
viu a preza que os tyrannos dos mares antecipadamente devoravam em seu
coração, e não soffrerá que ella cáia em seu poder. O vosso principe
declarou a guerra á Inglaterra. Nós pois fazemos causa commum.
Habitantes pacificos dos campos, nada receieis. O meu exercito é tão bem
disciplinado, como valoroso. Eu respondo, sobre a minha honra, pelo seu
bom comportamento. Ache elle por toda a parte o agazalho, que lhe é
devido, como a soldados de Napoleão o grande. Ache elle, como tem
direito a esperar, os viveres de que tiver precisão; mas sobre tudo o
habitante dos campos fique socegado em sua casa.
Eis o que eu vos prometto. Guardar-vos-hei minha palavra.
Todo o soldado do exercito francez, que fôr achado roubando, será punido
com o mais rigoroso castigo.
Todo o individuo de qualquer ordem que seja, que tiver percebido alguma
contribuição injustamente, será conduzido perante um conselho de guerra,
para ser julgado segundo todo o rigor das leis.
Todo o individuo do reino de Portugal, não sendo soldado da tropa de
linha, que se apanhar fazendo parte de qualquer ajuntamento armado, será
arcabuzado.
Todo o individuo convencido de ser chefe de ajuntamento, ou de
conspiração, tendente a armar os cidadãos contra o exercito francez,
será arcabuzado.
Toda a cidade, villa, ou aldêa, em que se derem tiros de espingarda
contra a tropa franceza, será queimada.
Toda a cidade, villa ou aldêa, em cujo territorio fôr assassinado um
individuo pertencente ao exercito francez, pagará uma contribuição, que
não poderá ser menor que tres vezes o seu rendimento annual.
Os quatro habitantes principaes servirão de refens para o pagamento da
somma; e para que a justiça seja exemplar, a primeira cidade, villa, ou
aldêa, onde fôr um francez assassinado, será queimada, e arrasada
inteiramente.
Mas eu quero persuadir-me que os portuguezes hão de conhecer os seus
verdadeiros interesses; que auxiliando as vistas pacificas do seu
principe, nos receberão como amigos; e que particularmente a bella
cidade de Lisboa me verá com prazer entrar em seus muros á frente de um
exercito, que só a póde preservar de ser preza dos eternos inimigos do
continente. Dada no meu quartel general d'Alcantara aos 17 de novembro
de 1807.--_Junot._