Desta differença, que é mais facil sentir que definir, nasce a

necessidade de estabelecer uma distincção nas fórmas litterarias

applicadas ás diversas epochas da antiga Hespanha, a romano-germanica,

e a moderna.

O periodo wisigothico deve ser para nós como os tempos homericos da

Peninsula. Nos cantos do Presbytero tentei achar o pensamento e a cor

que convem a semelhante assumpto, e em que cumpre predominem o estylo

e fórmas da Biblia e do Edda--as tradições christans, e as tradições

gothicas, que, partindo do oriente e do norte, vieram encontrar-se e

completar-se, em relação á poesia da vída humana, no extremo occidente

da Europa.

O romance historico, como o concebeu Walter Scott, só é possivel áquem

do oitavo--talvez só áquem do decimo seculo; porque só áquem dessa data

a vida da familia, o homem sinceramente homem, e não ensaiado e trajado

para apparecer na praça publica, se nos vai pouco a pouco revelando.

As fórmas e o estylo que convem aos tempos wisigothicos seriam, desde

então, absurdos e, parece-me, até, que ridiculos.

A Hespanha romano-germanica transformou-se na Hespanha rigorosamente

moderna no terrivel cadinho da conquista arabe. A obra litteraria

(novella ou poema--verso ou prosa--que importa?) relativa a essa

transição deve combinar as duas fórmulas--indicar as duas extremidades

a que se prende; fazer sentir que o descendente de Theoderik ou de

Leuwighild será o ascendente do Cid ou do lidador; que o heroe se vai

transformar em cavalleiro; que o servo, entidade duvidosa entre homem e

cousa, começa a converter-se em altivo e irrequieto burguez.

E a fórma e o estylo devem approximar-se mais ou menos d'um ou d'outro

extremo, conforme a epocha em que lançamos a nossa concepção está mais

vizinha ou mais remota da que vai deixando d'existir ou da que vem

surgindo. A difficultosa mistura dessas cores na palheta do artista

nenhuma doutrina, nenhum preceito lh'a diz: ensinar-lh'a-ha o instincto.

Tive eu esse instincto?--É mais provavel o não que o sim.--Se a arte

fora facil para todos os que tentam possuí-la, não nos faltariam

artistas!

Pag. 2.

«Leuwighild expulsara da Hespanha os derradeiros soldados dos

imperadores .......... e expirara em Toletum.»

Hesitei muito tempo sobre se conviria usar dos nomes proprios, quer de

pessoas quer de logares, como as successivas alterações da linguagem na

Hespanha os foram transformando, a ponto de muitos delles se acharem

hoje totalmente diversos do que eram na sua origem. Destas mudanças,

aquellas que apenas consistiam no augmento ou diminuição de uma letra,

ou na diversidade das desinencias, podiam, talvez, ser admittidas

sem darem um aspecto anachronico ao livro. Outros nomes, porém,

havia, sobretudo nas designações corographicas, tão completamente

alterados, que me repugnava o substituir o moderno ao antigo. Assim

Toletum, Emérita seriam sem difficuldade representados por Toledo e

Mérida; mas, como substituir, sem anachronismo na expressão, Sevilha a

Hispalis, Leão a Legio, Guadalete a Chryssus e, finalmente, Burgos a

Augustobriga, quando, como neste caso, até a situação da moderna cidade

não é exactamente a da antiga povoação? Preferi, portanto, conservar

os nomes primitivos, os quaes, não influindo de modo algum na ordem

e clareza da narrativa, podem facilmente encontrar-se em qualquer

diccionario ou tractado de geographia antiga.

Aos nomes individuaes dos primeiros wisigodos procurei conservar,

quando alludi a elles, os vestigios da origem gothica: aos dos

personagens do meu livro conservei as fórmas alatinadas que se

encontram nos monumentos contemporaneos, porque, segundo todas as

probabilidades, já nesta epocha o elemento romano de todo havia

triumphado na lingua.

Pag. 9.

«Gardingo na corte de Witiza, tiuphado ou millenario do exercito

wisigothico.»

Uma das cousas mais disputadas na historia das instituições gothicas

é a natureza dessa classe de individuos, que tantas vezes figuram nos

monumentos daquellas epochas, chamados gardingos (_gardigg_ em lingua

gothica). Masdeu e com elle Romey, que o traduz quasi sempre ácerca da

historia dos wisigodos, postoque não o cite senão neste logar, são de

parecer que o gardingato não era um titulo de nobreza, mas do cargo de

substituto do duque (governador de provincia) como o _vicarius_ o era

do conde (governador de cidade). Aschbach deriva a palavra de _Gards_,

que significa _solar com terras adjacentes_, e parece querer confirmar

assim a opinião de Vossio, que pretendia fossem os administradores

ou almoxarifes dos palacios reaes, opinião que sería mui difficil

de sustentar á vista de varios monumentos hispano-gothicos. Segui o

parecer de Grimm e Lembke, que suppõem formarem os _gardiggos_ uma

classe de _curiales_ (cortesãos) ou nobres. Neste caso não serviria a

etymologia _gards_ para indicar no gardingato uma nobreza estribada

sobre certa extensão e importancia de propriedade territorial,

formando a terceira classe de nobreza depois dos _duces_ e _comites_?

Rosseeuw-Saint-Hilaire pensa-o assim e faz o gardingo synonimo de

_Procer_. Procer, todavia, não indicava em especial o gardingo, mas era

denominação generica da nobreza.

Quanto ao cargo de tiuphado ou tiufado, deve saber-se que o exercito

godo se dividia em corpos de mil homens, e estes em companhias e

esquadras de cem e de dez. Abaixo do tiuphado (_thiud_ ou _theod_

povo e _fath_ conduzir, ou, segundo outra derivação, _taihunda_ mil

e _fath_) que, tambem, se chamava millenario (da etymologia latina

_mille_) estava o quingentario, segundo uns, capitão de quinhentos

homens, especie de major dos regimentos modernos, e, segundo outros,

substituto do tiuphado ou semelhante aos nossos tenentes-coroneis. A

companhia de cem homens (_centuria_) era regida por um _centenario_, e

a de dez (_decania_) por um _decano_.

Pag. 13.

«Com a fluctuante stringe.»

O vestido civil dos wisigodos era uma especie de tunica chamada

_Stringe_ ou _Strigio_, já d'antes conhecida pelos romanos. O clero

usava deste trajo como os seculares, com a differença de ser branco

ou d'outra cor modesta, porque o havia, até, cor de purpura, o uso da

qual era severamente prohibido aos sacerdotes. Veja-se Masdeu, Hist.

Crit. d'Esp. T. 11, p. 63 e 197, e Ducange e Carpentier ás palavras

_Stringes_, _Strigio_.

Pag. 16.

«O ostiario buscava.»

A igreja goda empregava oito ministros na celebração do culto: 1.^o

o Ostiario, que abria e fechava o templo, cuidava da conservação dos

objetos do culto e vigiava que não assistissem ao sacrificio herejes

ou excommungados: 2.^o o Acolito, que illuminava os altares e tinha

na mão um candelabro emquanto se lia o evangelho: 3.^o o Exorcista, a

quem incumbia o expulsar o demonio dos possessos: 4.^o o Psalmista,

que levantava no coro as antiphonas, psalmos e hymnos: 5.^o o Leitor,

que lia em alta voz as prophecias do Antigo Testamento e as Epistolas

e as explicava ao povo: 6.^o o Subdiacono, que recebia as oblações dos

fiéis e dispunha as vestiduras e vasos sagrados para a missa: 7.^o o

Diacono, que ajudava a esta e dava a communhão 8.^o o Presbytero, que

sacrificava, prégava e dava a benção ao povo.

Pag. 17.

«De Draconcio, de Merobaude e de Orencio.»

Poetas celebres hispano-godos do seculo V.--De Draconcio resta-nos o

_Carmen de Deo_ e uma epistola dirigida a Gunth-rik rei dos vandalos.

De Merobaude subsiste um fragmento do _Poema de Christo_. D'Orencio,

tão elogiado pelo poeta Fortunato e por Sidonio Apollinario, apenas

resta uma pequena poesia na _Bibliotheca Veterum Patrum_.

Pag. 26.

«Não eram assim os godos de oeste.»

A raça dos godos, asiatica na origem e germanica na lingua, que,

antes de occupar uma parte do territorio romano, habitava ao norte do

Ponto Euxino (Mar Negro), dividia-se em duas grandes familias, cujas

denominações provieram da sua situação relativa. Os que estanceiavam

ao oriente chamavam-se _ost-goths_ (godos de leste) e depois,

corruptamente, ostrogodos; os que demoravam ao occidente eram os

_west-goths_ (godos de oeste) ou wisigodos, que, depois de ora servirem

o imperio como alliados, ora assolarem-no como inimigos, vieram fazer

assento no sul das Gallias e na Peninsula, estabelecendo, a final, em

Toledo o centro do seu imperio.

Ibidem.

«Combatia nos campos catalaunicos.»

A celebre batalha dada por Theoderik, rei dos wisigodos, e pelo general

romano Aecio, seu alliado, ao feroz Attila nos _campi catalaunici_

(planicies de Chalons-sur-Marne) é o mais celebre entre os terriveis

combates que custou á Europa no V seculo a dissolução do grande cadaver

romano. Podem-se ver em Jornandes e no Panegyrico de Avito por Sidonio

Apollinario as particularidades deste successo.

Pag. 42.

«Rodeiaremos a Ilha Verde.»

Algeziras. Este nome foi posto pelos arabes ao logar onde Tarik veio

aportar, saindo de Ceuta para a conquista d'Hespanha. O ilheu, hoje

chamado _das Pombas_, fica a um tiro d'espingarda daquella povoação, á

qual passou o nome que os arabes tinham dado á ilhota, vendo-a verdejar

ao longe:--_Djezirat-al-Hadra_ (ilha-verde). Ignorando-lhe o nome

antigo, suppuz que essa denominação de origem arabica era anterior e

que já os godos lh'a attribuiam. O anachronismo é, a meu ver, assás

desculpavel.

Pag. 46.

«O amiculo alvissimo.»

O _amiculo_, que entre os romanos era proprio das mulheres de baixa

esphera, tornou-se em Hespanha trajo commum das mais honestas e nobres:

era uma especie de manto, com que cubriam as vestiduras inferiores: Os

cabellos encerravam-nos n'uma como coifa, denominada _retíolo_. Veja-se

Masdeu, Hist. Crit. T. 11, p. 6.

Pag. 55.

«Para o lado dos campos gothicos.»

Os wisigodos tinham dado em especial o nome de _Campi gothici_ ás

planicies de Leão e da Extremadura Hespanhola. D'ahi, contrahida a

menor territorio, veio a denominação da terra de _Campos_.

Pag. 67.

«Wali de Sebta.»

«_Wali_: Prefeito, caudilho principal, governador de provincia, general

d'exercito:» _Conde_, _Declar. de alg. nom. arabes_. Juliano era,

segundo parece, o governador da provincia gothica d'além do Estreito,

chamada _Transfretana_; cabia-lhe por isso entre os arabes o titulo de

Wali. Sebta é a corrupção arabica do nome de Septum, corrupção d'onde

os nossos antigos formaram _Cepta_ e, depois, _Ceuta_.

Pag. 70.

«Os golpes do frankisk godo.»

O _frankisk_ ou _frankiska_ era uma especie de machadinha de dous

gumes, usada pelos frankos, de quem os godos a tomaram. Consulte-se

Masdeu, Hist. Crit. T. 11, p. 52--e Ducange, verb. _Francisca_. A

_Cateia_, de que adiante se ha-de falar, era uma lança curta ou dardo,

a origem, talvez, da _azcuma_ dos tempos posteriores.

Pag. 82.

«A antiga Romula.»

Sevilha no tempo dos romanos tinha dous nomes--_Romula_ e _Hispalis_.

Este ultimo veio a prevalecer, emfim. Veja-se _Flores, Esp. Sagr_. T.

9, p. 87.

Pag. 85.

«O Propheta de Yatrib.»

Mohammed era natural de Medina. Esta cidade chamava-se Yatrib. Foi elle

quem lhe poz o nome de Medina-al-Nabi--_Cidade do Propheta_.

Pag. 87.

«Calpe, ou Geb-al-Tarik.»

Os arabes, tendo desembarcado nas costas d'Hespanha e vendo que a

montanha do Calpe era um logar grandemente defensavel, fortificaram-se

ahi, porventura emquanto esperavam o resto do exercito que passava

d'Africa. A montanha recebeu então o nome de _Geb-al-Tarik_ (monte de

Tarik) e, tambem, o de _Gel-al-Fetah_ (monte da Entrada). Da palavra

Geb-al-Tarik se formou depois a de Gibraltar.

Pag. 89.

«Os crentes do Islam.»

_Islam_ em arabe, o islamismo ou religião do koran. Significa,

propriamente, esta palavra _resignação_; _resignação em Deus_.

Pag. 90.

«Alguns esculcas.»

Esculcas eram, nos tempos barbaros, chamadas as rondas ou sentinellas

nocturnas dos arraiaes. Esta palavra encontra-se nos escriptores

do VI seculo e dos seguintes, como em S. Gregorio Magno; _sculcas

quos mittitis sollicitè requirant_: Epist. 12--23.--A fórma pura

do vocabulo, _Exculcatores_, apparece já em Vegecio: depois, por

abbreviatura, _Exculcae_ e _Sculcae_. _Sculcas_ são contrapostos aos

_atalaias_ nas leis das Partidas. P. 2. tit 26, onde estes significam

_guardas de dia_.

Ibidem.

«Os romanos!--e a turba repetiu:--Os romanos!»

Os arabes designavam os christãos ou, antes, em geral, qualquer

europeu pelo nome de _al-rumi_, o romano, quer fosse grego, franko

ou hespanhol. Aquelles mesmos que abraçavam o islamismo conservavam

este appellido. Tal era o amir ou general da cavallaria, Mugueiz,

um dos mais famosos companheiros de Tarik. Quando, em especial, os

pretendiam designar, não pela differença de raça, mas pela de crença,

denominavam-nos _Nassrani_ (nazarenos).

Pag. 99.

«O grito de _Allah-hu-Acbar_!»

_Deus só é grande!_ era para os arabes a voz de accommetter, como,

depois, foi para os christãos o grito de _Sanctiago_!

Pag. 109.

«Ao longo da ephippia.»

A ephippia era uma especie de sella de lan que os godos haviam imitado

da cavallaria romana.

Pag. 117.

«Debaixo das pancadas violentas dos mangoaes.»

«As armas delles (dos berebéres e arabes africanos) quasi se limitam a

páus compridos a que se prendem pequenos tóros atados pelo meio, que no

combate descarregam sobre os inimigos com ambas as mãos:» Alkhathib,

_Pleni-Lunii Splendor_, em Casiri, T. 2, p. 258.

Pag. 153.

«Os cheiks.»

Como a palavra latina _senior_ (o mais velho) veio a significar no

latim barbaro e no romance ou linguas vulgares das nações modernas, o

_principal_, o _senhor_, assim a palavra arabe _Cheik, Chek, Xeque_,

isto é, o _ancião_, tomou entre os sarracenos a significação de senhor

ou chefe de uma tribu.

Pag. 157.

«Ás supplicas do velho buccellario.»

No imperio godo os buccellarios vinham a ser o mesmo que os clientes

dos romanos, homens livres addictos ás familias poderosas, por quem

eram patrocinados e, talvez, sustentados, se, como pretende Masdeu e

o seu, nesta parte, quasi traductor Romey, o nome _buccellarius_ lhes

provinha de _buccella_ (migalha de pão). O Codigo Wisigothico (Liv.

5. tit. 3.^o) estabelece os deveres e relações destes homens com seus

amos e patronos. A obrigação mais importante do buccellario parece ter

consistido no serviço militar: _Si ei... arma dederit_. É por isso que

se me affigura mais provavel a etymologia que a semelhante denominação

attribue com preferencia o erudito Canciani (Barbar. Leg. Ant. Vol.

4, p. 117) derivando-a da palavra scandinava _buklar_ (o escudo),

transformada no idioma germanico em _buckel_ e nas linguas modernas em

_buckler, bouclier, broquel_. Neste caso o buccellario corresponderia

ao _armigero_ ou _escudeiro_ do seculo 12 e 13, que, significando na

sua origem o que trazia as armas ou o escudo do seu senhor ou amo, veio

a tomar-se por um homem d'armas de certa distincção, a quem, todavia,

faltava o grau de cavalleiro.

Pag. 164.

«E as suas almas puras abrigavam-se no seio immenso de Deus.»

O facto narrado neste capitulo é historico. O logar da scena e a epocha

é que são inventados. Foram as monjas de Nossa Senhora do Valle, juncto

d'Écija, que, em tempos posteriores, practicaram este feito heroico,

para se esquivarem á sensualidade brutal dos arabes. Parece que o

procedimento das freiras d'Écija foi imitado em muitas outras partes.

Consulte-se _Berganza_, _Antiguedades de España_, T. 1, pag. 139; e

_Morales, Cron. Gener._ T. 3, pag. 105.

Pag. 197.

«O imperio de Andalús.»

Segundo Lembke, cuja opinião assenta no testemunho de Ibn-Said e de

Ahmed-Al-makkari, os arabes conheciam a Hespanha, antes da conquista,

pelo nome de _Andalós_ ou _Andalús_, nome que, depois, applicaram em

especial ao territorio entre o Wadi-Al-Kebir e o Wadi-Ana (Guadalquivir

e Guadiana), isto é, á moderna Andalusia. O nome de Al-Gharb (o

occidente) que, igualmente, deram á Peninsula para a distinguir da

Mauritania (Al-Moghreb) veio, tambem, a contrahir-se á nossa provincia

do Algarve.

Pag. 197.

«Alfaqui dos romanos.»

_Alfaquih._ É titulo que os africanos dão aos seus sacerdotes e sabios

da lei: Moura, Vestig. da Lingua Arab. p. 38.

Pag. 220.

«Os nazarenos d'Al-Djuf.»

As grandes divisões da Hespanha, segundo a geographia arabe, eram

quatro:--_Al-Gharb_ o occidente; _Al-Sharhiah_ o oriente; _Al-Kiblah_

o meio-dia; _Al-Djuf_ o norte. Era esta, por isso, a designação dos

territorios christãos das Asturias e Cantabria.

Pag. 270.

«Os ultimos aripennes de terra livre.»

O _aripennis_, _arapennis_, _agripennis_, ou _arpentum_, d'onde veio

a palavra franceza _arpent_, era uma medida d'extensão igual a metade

do _jugerum_, d'onde tomámos a palavra _geira_. O aripenne media-se em

quadro e tinha de cada lado 12 _pérticas_, medida que equivalia a dous

palmos. Masdeu affirma que o aripenne era medida especial da Betica, o

que é inexacto; porque ella se acha mencionada em muitos documentos,

não só de outras provincias d'Hespanha, mas tambem de diversos paizes,

como se póde ver em Ducange, á palavra _Arapennis_.

Pag. 308.

«Primeiro o velho Oppas, depois Juliano cahiram.»

Nas mil tradições diversas, quer antigas, quer inventadas em tempos

mais modernos, sobre o modo como se constituiu a monarchia das Asturias

procurei cingir-me, ao menos no desenho geral, ao que passa por mais

rigorosamente historico. Todavia, cumpre advertir que Pelagio viveu,

segundo todas as probabilidades, em tempos um pouco posteriores á

conquista arabe e que a morte de Oppas e de Juliano na batalha de

Cangas de Onis, successo narrado por alguns escriptores, tem sobrados

caractéres de fabulosa. A minha intenção, porém, foi, como já notei,

pintar os homens da epocha de transição, digamos assim, dos tempos

heroicos da historia moderna para o periodo da cavallaria, brilhante

ainda, mas já de dimensões ordinarias. O meu heroe do Chryssus é como

o ultimo semideus que combate na terra; os foragidos de Covadonga são

como os primeiros cavalleiros da longa, patriotica e tenaz cruzada da

Peninsula contra os sarracenos. Deste modo, sendo hoje difficultoso

separar, em relação áquellas eras, o historico do fabuloso, aproveitei

d'um e d'outro o que me pareceu mais appropriado ao meu fim.

*Notas de Rodapé*:

[1] Jesus.

Lista de erros corrigidos

Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:

+----------+------------------------+------------------------+

| | Original | Correcção |

+----------+------------------------+------------------------+

|#pág. 12 | poeta O templo | poeta. O templo |

|#pág. 125 | Rudederico | Ruderico |

|#pág. 138 | coração,» | coração.» |

|#pág. 139 | Naquelle noite | Naquella noite |

|#pág. 165 | nãa | não |

|#pág. 175 | descalvagou | descavalgou |

|#pág. 204 | do um amor | de um amor |

|#pág. 298 | ferro impio das arabes | ferro impio dos arabes |

|#pág. 318 | commumunhão | communhão |

+----------+------------------------+------------------------+

As aspas foram mantidas tal como surgiam no original (mesmo que

pareçam em falta).

End of Project Gutenberg's Eurico o presbytero, by Alexandre Herculano

Eurico, o presbytero · 第 14 / 14 段