A eschola Flamenga é a de Rubens e Wandick; tanto basta para o seu
elogio.--Van-Eick, tam conhecido pelo invento da pintura a oleo, foi
o seu chefe. Quem amar a nobreza do pincel Romano, a bella arrogancia
do Florentino, as graças do _antigo_, as gentilezas Gregas; não
será decerto muito apaixonado das producções Flamengas. Os gelos do
paiz, o temperamento frio dos habitantes são as causas necessarias e
naturaes do pouco fogo que se lhes nota. Mas, em trôco desta falta, que
bellezas lhes não achará o amador imparcial e singelo! Ninguem, senão
os pintores Flamengos, appresenta em seus quadros um _bem-acabado_,
um _completo_, que parece superior á paciencia humana; uma fidelidade
original na imitação da natureza, que encanta e admira. O seu defeito
todavia é o menos-preço d’aquella generica e fundamental regra das
boas-artes: _Imitar a bella natureza_; isto he, _saber extremar n’ella
o bello do mediocre_. Nisto falharam de certo, exprimindo-a muitas
vezes com a cega punctualidade, e o _verbo ad verbum_ d’um _fidus
interpres_; mas este mesmo defeito (permitta-se-me julga-lo assim,
com quanto vou contra o commum parecer) dá muitas vezes ás pinturas
Flamengas encantos simplices, e singelos, que em nenhumas outras se
encontram.
Nesta numerosa eschola se classificam todos os pintores das nações
do norte; e se os caracteres, mais que as patrias, devem ser neste
ponto os verdadeiros dados, não duvidarei tambem ennumerar n’ella os
poucos bons inglezes. Nunca pude gostar da pintura Britannica: um
contra-natural, um monotono, um forçado no colorido, um sempiterno gêlo
na expressão, que sempre lhe notei, me fizeram olha-la com desprezo,
e a não ser o moderno West, (de quem adiante fallarei) de certo os
inglezes avultariam bem pouco neste ramo das boas-artes.