Dos Pintores Gregos e Romanos

O numero dos pintores Gregos e ainda Romanos, cujos nomes chegaram até

nós, é grande, mas o d’aquelles, cujas obras ou maneiras conhecemos,

é bem diminuto. O respeito da antiguidade com tudo no-los faz

admirar, por ventura mais, do que o seu merecimento exige. Os quadros

modernamente descobertos nas cinzas do Herculano e Pompeia, alguns

_frescos_ conservados nas ruinas de Roma e outras cidades de Italia tem

subejamente mostrado aos entendedores imparciaes, que a pintura dos

antigos, ainda mesmo no seu maior auge, não póde soffrer comparação

com o menor quadro dos _Rafaelos_, dos _Corregios_, dos _Caraccis_,

nem mesmo d’outros pintores de segunda ordem das modernas escholas.

Duas coisas principalmente faltavam aos antigos pintores. Uma, as

tintas, cujas bellas composições, descobertas em mui posteriores

seculos, absolutamente ignoravam; não conhecendo, senão as terras

de côr, e os metaes calcinados; faltando-lhes aquellas côres, que

dão o tom medio, entre a luz e a sombra, que formam o matizado e

assombrado, e exprimem a natureza tal qual ella é, e com toda a sua

formosura: outra, o conhecimento das leis da perspectiva, como bem

mostram todas as suas obras, que nos restam: defeito este, que salta

aos olhos, e de impossivel disfarce. Só aquelle cego fanatismo, que faz

cançar os pedantes no estudo do Hebraico e Syriaco e d’outras inuteis

antigualhas, póde achar nos quadros Gregos e Romanos bellezas, não digo

superiores, mas iguaes ás das magnificas pinturas do bom tempo das

modernas escholas, e ainda mesmo das de hoje; com quanto a pintura, á

excepção da franceza, bastante se approxima da decadencia pelo espirito

servil, mania das copias e mal entendida imitação.

O retrato de Venus e estudos de historia litterária · 第 54 / 133 题