grandiosa capital, como é Buenos-Aires. D’entre as installações avultam,
pela architectura e sumptuosidade, a dos zebús, em estylo indiano; dos
ursos, a mais imponente; dos leões e pantheras, um verdadeiro palacio;
dos elephantes, em estylo oriental; a dos asnos e a colossal gaiola de
ferro das aves de rapina. São importantissimas e raras muitas das outras
collecções e especies representadas, como a dos cervos, divididos em
varias classes e cercados; a dos reptis, dos rapinantes e a dos gorillas
e chimpanzés, installados em minusculo templo egypcio.
Nota-se extremo aceio, tanto nas jaulas como no parque. A entrada custa
apenas 50 réis. Aos domingos, o Jardim é frequentado por milhares de
pessôas. No recinto encontram-se cafés e restaurantes, carrousseis, linha
ferrea para creanças e numerosos e minusculos vehiculos puxados por
varios animaes, como o avestruz, a zebra, o cão e o carneiro.
D’entre os mais raros e notaveis exemplares d’este Jardim, avultam dois
soberbos hippopotamos.
Todo o brasileiro, e especialmente o fluminense, que visitar este
grandioso parque, deve sentir-se vexado do seu similar do Rio de Janeiro,
hoje transformado em posto zootechnico-particular, por cuja visita
paga-se dois mil réis de entrada!
A area d’este Jardim é de 179:400 metros quadrados.
Em 1906 visitaram-n’o 1:022:614 pessôas, rendendo as entradas 102:261:40.
* * * * *
_Jardim Botanico_—A frente é um extenso gradeado soldado em cantaria, na
rua de Santa Fé, proximidades do Jardim Zoologico e do Parque Tres de
Fevereiro.
O interior está dividido em secções, por continentes, indicados em placas
azues com lettras brancas.
Ha grandes estufas e pequenos tanques para plantas aquaticas, d’entre as
quaes sobresahe a famosa _Victoria Regia_.
Os principaes e floridos maciços são decorados a estatuas de marmore
branco. Nota-se extremo cuidado na conservação e limpeza do recinto,
assim como na classificação das especies, a nenhuma das quaes falta a
respectiva placa descriptiva. A secção argentina é, naturalmente, a
melhor representada; todavia ha milhares de curiosos e interessantes
exemplares da Asia, especialmente, da Africa, dos archipelagos da
Oceania, e da Australia.
Na organisação e variedade, este Jardim é superior ao seu congenere
do Rio de Janeiro, que avulta sobre aquelle na extensão, na magestosa
belleza do conjuncto e na formosura e originalidade de alguns detalhes,
como sejam as universalmente famosas avenidas das Palmeiras e dos Bambús.
Além d’estes, os principaes parques e jardins de Buenos-Aires, são o
_Parque Saavedra_, com 426:397 metros quadrados de superficie; o _Parque
Patricios_, com 228:795; o _Parque Christovão Colombo_, com a area de
162:000 metros quadrados; o _Parque Lezama_, amplo de 76:637 metros
quadrados; o _Paseo de Julio_, com 33:085 e o _Paseo Colon_, com 20:215
metros quadrados.
Ha ainda os parques _Intendente Alvear_ e de _los Andes_, bem como os
passeios _Rivadavia_, _Santa Fé_, _Monte Castro e Gaona_, e os jardins do
_Sul_, _Infantil_ e _Japonez_.
Todos os logradouros publicos da capital teem a superficie total de
7:100:000 metros quadrados.
Theatros
São 16 os theatros principaes da metropole argentina, em todos os generos
e frequentados, especialmente de Maio a Setembro, por companhias de
primeira ordem, nacionaes e estrangeiras.
Do esplendido theatro _Colon_, já tratamos no capitulo _Monumentos_. Os
mais importantes são:
* * * * *
_Opera_—Ao penetrar na sala da _Opera_, o visitante comprehende a
necessidade que Buenos-Aires tinha do theatro _Colon_. Aquella não
está na altura de occupar o primeiro logar entre os grandes theatros
da capital bonaerense. É um edificio pesado, sem architectura e de
tectos baixos, onde apenas se attendeu ao conforto. A triplice ordem de
corredores estreitos, alcatifados e aquecidos por numerosos fogões de
ferro e por grossos e pesados cortinados de velludo, mantem no interior
do theatro, durante as noites de inverno, uma temperatura elevada. A
sala tem cinco pavimentos, sendo um de frisas, dois de camarotes, um
de camarotes e balcões e o mais alto é a galeria geral. A profusão de
lustres, com lampadas electricas, faz realçar o dourado da sala, em cujo
tecto ha uma pintura allegorica. Do centro pende um soberbo lustre. O
_foyer_ é pequeno mas confortavel e luxuosamente guarnecido.
A entrada principal é pela rua Corrientes, uma das mais animadas da
cidade, principalmente á noite.
A assignatura annual, ordinaria, é de 50 recitas, de Maio a Agosto.
O preço avulso, de cada cadeira, é de 16 pesos, como no _Colon_. Ao
contrario do que succede n’este monumental theatro, cuja amplidão e
esplendôr da sala eclipsam o brilho das _toilettes_ e a formosura das
senhoras, a sala da Opera é um encanto, nas noites de espectaculo. A côr
_grenat_-escura da alcatifa, dos cortinados e das cadeiras realça as
côres claras, os decotes e as joias que, por sua vez, augmentam a belleza
do elemento feminino e a perspectiva geral do conjuncto. Para completar o
deslumbrante effeito das _soirées_, a orchestra e os cantores são o que
ha de melhor em todo o mundo, no genero lyrico.
* * * * *
_Odeon_—Na rua Esmeralda.
Não tem architectura especial nem dependencias notaveis. Na sala ha
uma ordem de frisas, uma de camarotes e balcões, e o ultimo pavimento
é o _paraiso_. Frequentam-n’o, de preferencia, companhias dramaticas
estrangeiras. A concorrencia é selecta e o traje de rigor.
* * * * *
_Polytheama Argentino_—Rua Corrientes, 1470. Grande hemicyclo em quatro
ordens, sem ornamentação.
É todo pintado de branco. Apesar das suas amplas dimensões, tem
excellentes condições acusticas. É, de preferencia, frequentado por
companhias lyricas de segunda ordem, de Maio a Agosto. No resto do anno
funcciona com varios generos theatraes.
* * * * *
_Nacional_—Na rua Corrientes.
Ha outro com o mesmo nome, na rua Santa Fé. Tem duas ordens de camarotes,
uma de frisas e a galeria geral. Companhias de zarzuela.
* * * * *
_Marconi_—Sala ampla e simples. Apenas contem tres pavimentos, um de
frisas, outro de camarotes e balcões e o ultimo é a galeria, ou o
_paraiso_. É frequentado por companhias italianas de opera e de opereta.
* * * * *
_San Martin_—Vasto recinto, com quatro pavimentos, que tanto serve para
declamação como para circo. É um dos maiores theatros de Buenos-Aires.
Rua Esmeralda, 257.
* * * * *
_Mayo_—Situado na avenida de egual nome. Sala com tres ordens de
camarotes e a galeria.
O tecto é decorado a pinturas.
Frequentam-n’o companhias hespanholas de zarzuela.
* * * * *
_Moderno_—A sala, que é pequena, tem quatro ordens de camarotes. A
companhia comico-dramatica que n’elle trabalha interpreta unicamente as
peças approvadas pelo Conservatorio de Buenos-Aires. Eleva-se na praça
Lorea.
* * * * *
_Comedia_—Rua das Artes, n.º 24. Sala com quatro pavimentos. Companhias
hespanholas de zarzuela.
* * * * *
_Apollo_—Rua Corrientes, n.º 1386. Minuscula e interessante sala, o
mais pequeno recinto theatral de Buenos-Aires. Exhibe peças nacionaes,
interpretadas por artistas argentinos.
* * * * *
_Scala_—Novissimo theatro para o genero ligeiro. Revistas, cançonetas e
variedades.
* * * * *
Ha a notar, ainda, o Colyseo Argentino, que funcciona em um esplendido
edificio, o Theatro Victoria, o Argentino, o Casino, o Royal Theatre, o
Rivadavia e o Circo Anselmi.
Como todos os grandes centros populosos, a capital _porteña_ abriga a
praga dos cinematographos, que alli funccionam em assombrosa quantidade.
A vida theatral e sportiva é intensa, dando os bonaerenses a preferencia
ás corridas de cavallos.
Em 1906, os theatros da capital déram 5:838 representações, que
produziram cinco milhões de pesos. D’esses espectaculos, 485 foram de
operas e operetas, 787 de zarzuelas, 924 de comedias e dramas hespanhoes,
457 de comedias e dramas em italiano, 17 de comedias em francez, 1:002
de comedias e dramas argentinos, 409 funcções de circo, 42 bailes de
mascaras e 1:715 representações cinematographicas.
Esses espectaculos foram frequentados por 3:216:968 espectadores.
No mesmo anno realisaram-se 706 corridas de cavallos, em que tomaram
parte 5:901 animaes e assistiram 519:000 espectadores, que fizeram
apostas na importancia de 47:218:602 pesos.
Curiosidades
_Palacio do Governo_—Visto do porto, este edificio mostra um aspecto
grandioso e imponente, no conjuncto, com os seus quatro pavimentos,
terraços, balcões e um grupo de gigantescas estatuas a corôal-o, obra
do esculptor Bianchi. Observado da praça de Mayo, para onde olha a
frontaria principal, a perspectiva é muito reduzida, especialmente pela
irregularidade da architectura, sem estylo definido, antes demonstrativa
de que pertence a epochas diversas. No andar nobre estão installados
os ministerios das Obras Publicas, da Justiça e Instrucção Publica,
da Fazenda, das Relações Exteriores, do Interior e a Presidencia da
Republica. Todas as installações constam, pouco mais ou menos, do mesmo
numero de peças, umas doze para cada ministerio, comprehendendo as salas
de espera e de recepção, os escriptorios e o gabinete do ministro. No
Ministerio das Relações Exteriores ha, a maior, o salão de recepção
dos diplomatas, decorado com simplicidade. A Presidencia da Republica,
compõe-se de sala de espera, gabinete do Presidente, com o retrato, a
oleo, de Rivadavia, saleta de conversação e saleta de fumo. Seguem-se
as secretarias dos officiaes militares e civis. O grupo dos tres salões
principaes do edificio é accessivel por duplo lance de escadaria de
marmore branco. O primeiro é o de recepções simples, o do centro é o
salão Branco, ou das grandes recepções officiaes, e o terceiro é o das
reuniões do Conselho do Governo, presidido pelo Presidente da Republica.
Este salão não tem decoração alguma. Apenas se vê, ao centro, a mesa,
forrada de velludo vermelho-escuro e nove cadeiras da mesma fazenda. Do
tecto pende um lustre. O salão Branco encerra um soberbo e artistico
lustre de metal dourado, com 280 lampadas electricas, trabalho argentino
de Azaretto. O recinto é ainda illuminado por 24 candieiros dourados,
a 11 lampadas cada um. Ha uma galeria circular para o publico. Sobre
pedestaes de marmore preto, circumdam o salão os bustos, em marmore
branco, da Republica, do general Roca, do general Sarmiento, do dr.
Quintana, de Rivadavia, de Bartholomeu Mitre, de Urquiza, e de outros
vultos importantes da Republica. Do general Roca ha outro busto, sobre
niveo pedestal, com lettras douradas.
Nos outros pavimentos estão os escriptorios de serviço dos ministerios e
um terraço com habitações de empregados e varias officinas.
D’ahi gosa-se vistas parciaes da cidade e o panorama geral do porto. Este
palacio mede 125 metros de frente por 81 de fundo.
Das pequenas bibliothecas e dos archivos dos varios ministerios, avultam
os do Ministerio das Relações Exteriores, pela quantidade e importancia.
Em arcas de ferro, estão guardados os tratados celebrados com as nações
estrangeiras, desde 1811, sendo alguns d’elles verdadeiras obras de arte.
* * * * *
_Cemiterio de la Recoleta_—Occupa, ao fundo do passeio de egual nome,
uma superficie de 50:000 metros quadrados e abriga já 250:000 cadaveres,
havendo apenas espaço para 300:000 sepulturas e tendo sido inaugurado em
1822.
Outr’ora situado longe da cidade está hoje rodeado de populosos bairros,
animados de intensa vida, a contrastar com a suprema quietude tumular
d’aquella immensa necropole.
Como que para honrar a magestade da morte, o engenho humano sublima-se
alli á apotheose da arte em muitos e preciosissimos monumentos,
inspirados na piedade christã e nos mysterios divinos.
O _Christo_, de Monteverde, em marmore branco, que se vê na capella
das encommendações é, talvez, a mais extraordinaria manifestação
artistica que este cemiterio encerra. Os adoradores do bello-artistico
deliciar-se-hão perante a _Dolorosa_, de Tantardini, que decora o
sepulchro de Facundo Quiroga.
Realça o monumental e bello jazigo do dr. Francisco J. Muñiz, a estatua
da _Sciencia_, magnifico bronze de esplendidas roupagens, sem assignatura
do auctor.
É tambem notavel o _Genio_, em bronze, do tumulo de Fernando Villanueva,
assim como a estatua symbolica do esculptor Falguiéres, que decora o
monumento funebre de Lucio Lopez.
A citar ainda, como eminentemente artisticos, os sarcophagos e
jazigos de Domingos Sarmiento, do dr. Carril; do juiz Thedin; de
Dorrago-Ortiz-Basnaldo; da familia de Angel Estrada; de Samuel Hale; de
Elias Romero; de Vélez Sarsfield e das victimas da revolução de 1890.
Repoisam alli os despojos mortuarios de outras famosas personalidades da
Republica, como Rodriguez Peña, Marco Avellaneda, Mitre, Juan Varella,
Diego de Alvear, Rawson, Navarro Viola, Brandzen, Mayer, Lugones, e
outros.
* * * * *
_Pavilhão Argentino_—Este elegantissimo edificio de ferro, vidro e pedra,
construido para exposições permanentes e periodicas, está situado na
praça de San Martin, e pertence ao Estado. No 1.º pavimento visita-se um
museu mineral, nacional e estrangeiro, interessante pelos exemplares
expostos, porém um tanto desorganisado na installação e entretenimento.
No andar superior funcciona, provisoriamente, um collegio particular de
meninos. A parte central da frontaria d’este pavilhão é uma obra de arte.
Sobre a porta principal está um grupo allegorico de bronze.
* * * * *
_Jockey Club_—Na rua Florida, entre as ruas Lavalle e Tucuman, ostenta-se
um dos mais grandiosos palacios de Buenos-Aires. A frontaria é vistosa e
artistica, em granito escuro, com uma varanda sustentada por columnata e
guarnecida por tres grupos allegoricos, dois em nichos de pedra e o maior
e o mais bello a rematar a cimalha. O vestibulo é decorado a estatuas
em nichos de marmore. A escadaria é formosa, dupla, monumental e de
preciosa pedraria. No primeiro lanço admira-se a celebre estatua—Diana—do
esculptor Falguiéres. O ambito da escadaria é circumdado por 12 columnas
de ordem corinthia e de marmore côr de rosa. Os corrimões são de onyx
de S. Luiz. No primeiro pavimento, á entrada, estão tres salões—o de
leitura, o de conversação e o de recepção. Do lado opposto visita-se
a bibliotheca. Todo o mobiliario é luxuoso. No salão de conversação
admira-se uma bella estatua feminina, sentada, de marmore branco. O
salão de leitura é decorado a quadros. Na sala de admissão de socios ha
um quadro de Roybet, e na secretaria estão quadros de Perrault, Roybet
e Zem. O salão de jogos é illuminado por 7 lustres a 8 luzes e por 10
serpentinas a tres lampadas electricas. Magnifico salão de bilhares.
No 2.º pavimento visita-se o salão-restaurante, com serviço permanente e
orchestra. Ha ainda outro, privativo da direcção, e mais dois exteriores,
em varandas, para o verão. De terraço-restaurante do 3.º andar, gosa-se
lindissima vista parcial da cidade e especialmente do porto.
No 1.º pavimento ha uma sala privativa de jogos illegaes. O
estabelecimento hydrotherapico está installado no rez-do-chão, assim
como a typographia especial do Club, e um salão de esgrima, ricamente
guarnecido a preciosas panoplias.
Em todos os pavimentos ha dormitorios e banheiras para socios residentes
fóra da capital e também para os socios _porteños_ que desejem
utilisar-se d’elles. Todos os quartos, além de magnifica mobilia, teem
fogão, telephone e profusa illuminação.
Cada socio provinciano não poderá pernoitar no edificio mais de tres
noites seguidas, nem mais de seis noites em cada mez.
Para os socios da capital o praso é de 2 noites seguidas e de 4 mensaes.
* * * * *
_Frigorificos_—Nas proximidades do Mercado Central de Fructos, de que
trataremos no capitulo—Alimentação Publica—e nas margens do pequeno rio
Riachuelo, estão installados varios frigorificos, dos quaes os mais
importantes são o _La Blanca_ e o _La Negra_. Este foi fundado em 1883,
por M. Sansisena. N’elle trabalham cêrca de 700 individuos, que matam
para o consumo e exportação, diariamente, a média de tres mil animaes.
O capital é de tres milhões de pesos, ouro, tendo a empresa distribuído
dividendos de 50%.
Já em 1903 este estabelecimento exportou, congelados, 3:500:000
carneiros, e 900:000 quartos de novilhos.
O frigorifico _La Blanca_, foi inaugurado em Setembro de 1903. É um
grande edificio, todo branco, de imponente aspecto. As suas dependencias
occupam enorme area. Encerra um immenso banheiro, para a lavagem dos
animaes, antes de abatidos. De todos os compartimentos, o mais notavel
e interessante é o das machinas, que abriga tres grandes frigorificos,
da força de 200 cavallos, installações impulsoras da energia electrica e
bombas de incendio.
Segue-se o pavilhão das caldeiras com tres da força de 200 cavallos.
Depois é o deposito de amoniaco, conduzido aos quatro pavimentos
do edificio por um cano que, desdobrado, daria o comprimento de 96
kilometros.
N’esses quatro andares estão as camaras de congelação, que podem
preparar, ao mesmo tempo, 7:000 novilhos e 70:000 capões. Vehiculos
automaticos conduzem os animaes sacrificados ás camaras de arejamento.
Alimentação Publica
_Matadouro de Liniers_—No extremo-oeste do municipio de Buenos-Aires,
nos terrenos conhecidos por Nova Chicago, está situado este novo e
colossal matadouro, concluido em 1900. As suas installações são vastas e
numerosas, occupando uma area total de 319:773 metros quadrados.
Comprehende 44 armazens de mercado de compra, venda e peso de gado e 96
matadouros com espaço para trinta mil animaes.
Todos os pavimentos são de asphalto e os tectos de telha. Ha tambem uma
grande casa de machinas e de bombas; o edificio de residencia e trabalho
dos veterenarios, um pavilhão com forno crematorio para os animaes
condemnados e o grande edificio da Administração.
Desde 1900 a 1907, a media annual para o consumo de Buenos-Aires, é de
382:000 bois e vaccas abatidas, 108:000 vitellos, 585:000 carneiros e
55:000 porcos.
Em 1906 os frigorificos forneceram 17 milhões de kilos de carne
congelada, para a alimentação da cidade, que tambem consumiu no mesmo
periodo:
—1:351:100 kilos de peixe fresco.
—4:279:800 » » » salgado.
— 22:500 » » especiaria de mar.
—6:481:050 duzias de ovos.
—3:600:000 kilos de aves diversas.
— 27:000 » » caça rasteira.
— 335:797 litros de leite introduzidos na capital,
só pelas companhias de caminhos de ferro.
* * * * *
_Mercado Central de Fructos_—É um gigantesco edificio de tijolo e ferro,
situado na margem direita do rio Riachuelo. Este curso d’agua, que tem de
25 a 30 metros de largura está, até á ponte de ferro levadiça, inaugurada
em 1892, pejado de embarcações de grande e pequeno calado. Este Mercado
passa por ser, em dimensões, o maior de todo o mundo.
É, ao mesmo tempo que deposito de productos do paiz, divididos por
galpões numerados, uma especie de bolsa de commercio, onde diariamente
effectuam-se importantissimas transacções, especialmente de lãs, couros e
cereaes.
Occupa a superficie total de 152:000 metros quadrados, e tem quatro
pavimentos, todos de ferro. No interior funccionam 72 guindastes e
ascensores e grande numero de motores a vapor, além de 44 perfuradores
hydraulicos. O maior deposito, ordinariamente, é de lãs, que varia entre
100 e 140 milhões de kilos, durante o anno, podendo abrigar, ao mesmo
tempo, 26 milhões de kilos.
Diversas linhas ferreas, de bitola estreita, communicam as diversas
secções d’este gigantesco mercado, que custou 4:155:000 pesos em ouro, a
uma sociedade anonyma por acções.
Depois d’este, o mais importante mercado de Buenos-Aires é o _Mercado
Nuevo_, de pedra e ferro, construido recentemente na rua de Montevideu.
Municipalidade
Na epocha da dominação hespanhola, eram os _Cabildos_ encarregados da
administração municipal.
Como elles se desempenhavam d’esta incumbencia, bastará dizer-se que,
ao finalisar o seculo XVIII, em Buenos-Aires não havia ruas praticaveis
nem illuminação publica. Essas instituições eram mais politicas do
que administrativas e já vimos no capitulo—Historia—a que ponto o
_Cabildo_ de Buenos-Aires, contribuiu para a independencia nacional.
Em consequencia d’esse prestigio e d’essa força e preponderancia na
politica argentina, por vezes a referida collectividade assumiu o governo
supremo da nação, sustentada pelas outras instituições directoras e
preponderantes na politica e na administração do paiz.
Em 24 de Dezembro de 1821, o governador, general D. Martin Rodriguez,
inspirado pelo seu ministro D. Bernardino Rivadavia, supprimiu os
_Cabildos_, por simples decreto, distribuindo-se a administração
municipal pelos chefes de policia, os regedores ou alcaides dos bairros
da cidade e por outros funccionarios publicos.
Por decreto de 2 de Setembro de 1852, o general Urquiza, creou um
Conselho Municipal, departamento deliberante, de eleição popular, que
se renovaria pela metade, annualmente, e um Conselho de Administração e
Governo, para as funcções executivas, composto de um presidente, dois
supplentes, tres visitadores fiscaes e de um secretario.
Este decreto não teve execução, por motivo da separação do Estado de
Buenos-Aires da Confederação Argentina, resultante da revolução de 11 de
egual mez e anno; porém reappareceu em 1854, com ligeiras modificações,
e vigorou até 1865, anno em que foi promulgada uma lei especial para
o municipio de Buenos-Aires, muito semelhante á de 1852. Divide a
municipalidade em dois corpos—o deliberante e o executivo—com identicas
attribuições ás formuladas por aquelle decreto, e com a variante da
tutela da legislatura provincial, submettendo á sua approvação o
orçamento geral do municipio e as contas de inversão de fundos.
Em consequencia da federalisação da cidade de Buenos-Aires, declarada
em 1880 capital da Republica, vigóra, desde 1 de Novembro de 1882, a lei
organica municipal, modificada por lei de 24 de Janeiro de 1901, que
supprime o systema da eleição popular e transfere as funcções do antigo
Conselho Deliberativo a uma commissão de 22 habitantes, nomeada pelo
poder executivo nacional, com prévio accôrdo do Senado. Estes individuos
exercem gratuitamente os seus cargos e não podem escusar-se a fazêl-o, a
não ser por motivos expressamente indicados na lei.
Portanto, o governo municipal compoem-se de uma Commissão Deliberante
e de um Departamento Executivo, ambas as collectividades nomeadas pelo
Presidente da Republica.
O Departamento Executivo está a cargo do Intendente Municipal, nomeado
por dois annos, podendo ser reconduzido. Em caso de ausencia, morte,
enfermidade, suspensão ou renuncia, as suas funcções serão desempenhadas
pelo presidente ou pelo vice-presidente da Commissão Deliberante, até que
o poder executivo, sempre de accôrdo com o Senado, faça a nomeação do
substituto.
O Intendente nomeia o pessoal das repartições a seu cargo, excepto
os chefes, para cuja nomeação lhe é indispensavel o consentimento
da Commissão Deliberante. O mesmo alto funccionario representa a
municipalidade nas suas relações com o governo nacional e, como pessôa
juridica, nas questões judiciaes.
Deve apresentar, annualmente, á Commissão, o projecto do orçamento de
receita e despeza, as propostas de impostos e um relatorio de todo o
movimento municipal.
Póde assistir ás sessões da Commissão, sem voto, e é obrigado a fornecer
os esclarecimentos que por ella sejam pedidos. Tambem a lei faculta-lhe
convocar sessões extraordinarias da Commissão Deliberante e prorogar as
sessões ordinarias, quando seja isso indispensavel ao serviço publico.
O Intendente impoem multas por contravenção de posturas municipaes e
n’estes assumptos pronuncia, como juiz de faltas, sentenças appellaveis
para a justiça correccional.