—Pavilhão de Monröe. É elegantissimo, com estructura de ferro e serviu na

Exposição de S. Luiz. Palacio da Justiça. Bibliotheca Nacional. Academia

das Bellas Artes. Theatro Municipal. Companhia Jardim Botanico. Casa

Guinle. Predio n.º 131, estylo Renascença. Associação dos Empregados

do Commercio. Club de Engenharia. Jornal do Commercio. Predio em

estylo mourisco e cupula dourada, construido pelo architecto Morales

de los Rios. Predio de Theodoro Wille. Companhia Docas de Santos, com

uma artistica e monumental porta esculpturada em talha. Palacio da

Caixa de Conversão, exteriormente decorado a columnas caneladas, com

capiteis dourados. O _hall_ é lindissimo, vistoso e artistico. Casa Roxo

Rodrigues, em cantaria cinzenta e em fórma acastellada. Para terminar,

citaremos o palacio dos Benedictinos e o edificio do grande jornal _O

Paiz_. Jannuzzi e Heitor de Mello foram, álem do já citado, os principaes

constructores dos bellissimos palacios e palacetes que sublimam a Avenida

Central do Rio de Janeiro á culminancia de primeira arteria publica da

America do Sul. No extremo da Prainha, ergue-se uma columna de granito,

destinada a supportar a estatua do Visconde de Mauá.

* * * * *

_=Palacio da Presidencia da Republica=_—Foi edificado em 1862, pelo

Barão de Nova Friburgo, e adquirido, pelo Governo Federal, em 1896, para

residencia do chefe do Estado.

Tem soffrido varias modificações, e o terreno da chácara foi augmentado

até á Avenida Beira-Mar; porém, interiormente, á excepção dos sobrados e

de alguns motivos decorativos, a fabrica é da primitiva.

A fachada é em tres pavimentos, estando installadas no do rez-do-chão as

repartições de serviço; no 1.º andar, ou 2.º pavimento, as salas e os

salões de recepção, servindo o 3.º de residencia particular. Á entrada ha

duas ordens de columnas caneladas que atravessam o perystillo, ornado a

estatuas e grupos.

A escadaria é magnifica, realçando-lhe a belleza as tribunas douradas que

circulam o 3.º pavimento.

No andar nobre ha, especialmente a notar, pela decoração a frescos,

estuques e dourados, a sala Azul, para recepções de embaixadores; a sala

Amarella, ou de Musica; a sala da Capella, que serve de recepção á esposa

do Presidente da Republica; a sala Pompeiana, com finissimas decorações

e a celebre Jarra Beethoven, obra prima de Raphael Bordallo Pinheiro; o

salão dos Banquetes; a sala Mourisca, decorada a marmore preto, e o Salão

Official das Recepções, esplendidamente decorado.

Todas estas salas e salões ostentam soberbos lustres e precioso

mobiliario. Na sala Silva Jardim, nota-se o quadro de Aurelio de

Figueiredo—_Juramento de Deodoro_—com todos os principaes personagens

do 15 de Novembro. Na secretaria vê-se _A Descoberta do Brasil_, outro

quadro de Aurelio de Figueiredo, e _A Selva_, quadro de Antonio Parreiras.

Um ascensor communica os pavimentos. O parque, esculpturalmente decorado,

é atravessado por dupla fila de lindas e gigantescas palmeiras.

* * * * *

_=Aqueducto da Carioca=_—É a principal e monumental curiosidade que o Rio

de Janeiro possúe dos tempos coloniaes. A sua extensão principal é de

nove mil metros, desde a Mãe d’Agua, na serra de Santa Thereza, até ao

largo da Carioca. A sua parte monumental, porém, é composta de 42 arcos

de alvenaria, da altura de 17,ᵐ6, desde a caixa d’agua da Carioca, onde

hoje está a estação da Companhia Ferro Carril Carioca, até ao morro de

Santa Thereza. Este é o actual viaducto da linha, que se prolonga até ao

Silvestre. Foi este aqueducto mandado construir pelo Conde de Bobadella,

59.º Governador do Rio de Janeiro, em 1744.

Durante o trajecto através d’esta colossal arcaria, gosa-se admiraveis

vistas parciaes da cidade, da bahia, e de alguns arrabaldes.

* * * * *

_=Palacio Itamaraty=_—Está situado na antiga rua Larga de S. Joaquim. Foi

o primitivo palacio do Governo, em seguida á proclamação da Republica.

Hoje é o Ministerio das Relações Exteriores e serve tambem de residencia

ao respectivo ministro, o Barão do Rio Branco.

No 1.º andar, ou nobre, nota-se a sala do Tribunal Arbitral, com mobilia

dourada e estofos côr de rosa. Sala de recepção para o director geral

do Ministerio, com os bustos, em bronze, do Visconde de Cabo Frio e

de Quintino Bocayuva. Salão Amarello, para recepção de diplomatas.

Admira-se aqui um quadro de Pedro Americo, intitulado—_Paz_—. Bustos,

em bronze, de José Bonifacio, José Antonio Saraiva, Barão de Cotegipe,

Marquez do Paraná, Visconde do Uruguay, Marquez d’Abrantes, Pimenta

Bueno, Visconde do Rio Branco e Visconde de Cachoeira. Gabinete

particular de recepção de diplomatas. Vê-se aqui o _Grito do Ipyranga_,

por Pedro Americo, esboço do quadro que está em S. Paulo. Retrato de

metal, em relêvo, do Barão do Rio Branco, offerecido pelo povo de S.

Paulo.

Outros objectos, em prata e prata dourada, entre elles um do _Jornal do

Commercio_, offerecidos ao actual ministro das Relações Exteriores, por

occasião da sentença do tribunal arbitral suisso, na questão das Missões.

Sala Vermelha, decorada a quadros e a retratos. Um dos primeiros foi

offerecido ao Barão do Rio Branco, pelo rei D. Carlos I, de Portugal.

Salão de Baile e Banquetes, com um soberbo lustre de metal amarello

e crystal de rocha. Contigua está a sala de Fumo, que tambem serviu

de recepção particular aos ex-presidentes da Republica, Deodoro e

Floriano. Bustos, em bronze, do padre Bartholomeu de Gusmão e do Barão

do Rio Branco. Relogio historico de D. João VI. Sala dos Retratos, dos

presidentes da Republica.

Ha um edificio annexo, com a Secretaria e a Bibliotheca do Ministerio,

que é importantissima.

Em tres salões, dos quaes o maior tem 33 metros de comprimento e o

mais pequeno 22, estão 42:000 volumes encadernados, e cêrca de 100:000

brochuras e 25:000 cartas geographicas. Tambem, n’este edificio, está o

archivo secreto do Ministerio das Relações Exteriores.

* * * * *

_=Chafariz Colonial=_—Outra reliquia do Brasil colonial. Foi o governador

Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadella, quem o mandou construir

ao centro do largo do Paço. Alguns annos depois, o governador Luiz

de Vasconcellos e Souza, mandou que o chafariz fôsse removido para a

beira-mar, junto do caes, a fim de abastecer as embarcações, ao mesmo

tempo que parte da população da cidade. É uma obra artistica, de granito

lavrado, com escudo, almofadas e balaustrada de marmore branco. Occupa,

hoje, o fundo do primeiro polygono ajardinado da praça Quinze de

Novembro, a 85 metros da bahia. Remata-o a esphera armillar, de ferro. É

obra do seculo XVIII.

* * * * *

_=Casa da Moeda=_—O primitivo estabelecimento d’este nome, transferido

da Bahia em 17 de Março de 1699, funccionou no edificio da Junta do

Commercio, apenas durante um anno, sendo transferido para Pernambuco.

N’esse curto periodo foram cunhados 612:644$000 réis em ouro e

255:694$980 réis em prata.

Em Janeiro de 1703 foi restabelecida a Casa da Moeda do Rio de Janeiro.

Para installal-a foi construido um edificio entre as travessas das Bellas

Artes e da Moeda, aonde tambem funccionavam o Real Erario e a Thesouraria

Geral das Tropas. Essa casa ardeu em 1 de Outubro de 1836, sendo os

valores e apparelhos recolhidos á egreja do Sacramento.

O actual edificio foi construido de 1851 a 1853, na face occidental do

então Campo da Acclamação, hoje Praça da Republica. Occupa uma area de

97:083 palmos quadrados. É precedido de um elegante gradil de ferro

fundido em cantaria, com dois portões artisticamente ornamentados.

A frontaria consta de um corpo central saliente e revestido de cantaria,

de dois torreões com tres janellas, em cada pavimento, e de dois corpos

intermediarios, com 4 janellas em cada andar. O 1.º pavimento é decorado

com pilares e columnatas de ordem dorica-romana, e o 2.º com pilares

e columnata de ordem jonica, tudo de granito. Interiormente, ha seis

columnas graniticas, em cada pavimento, que sustentam entablamentos,

cujos frisos são ornados a triglyphos e metopos.

A decoração vestibular é no estylo dorico-romano. Na escadaria do

perystillo estão dois leões de bronze. Custou este palacio cêrca de dois

mil contos. Foi o Visconde de Itaborahy, ministro da fazenda, em 1853, o

iniciador d’esta construcção, levada depois a effeito pelo seu successor

Bernardo de Souza Franco. Foram emprezarios-constructores o dr. Theodoro

Antonio de Oliveira e Antonio Francisco Guimarães Pinheiro.

No vestibulo estão 4 peças com o laboratorio de analyses, o gabinete

da Direcção e o gabinete de mineralogia. 1.º pavimento. Officina de

gravura. Mostruario de medalhas cunhadas no estabelecimento. Officina de

estamparia de sêllos e de estampilhas. Occupa 45 operarios.

No rez-do-chão, visita-se os depositos de material, as officinas de

fundição de metaes, a officina de laminação e cunhagem e a officina das

machinas.

Na officina de xenographia imprime-se notas de 5, 10, 20 e 50$000 réis.

Impressão de apolices na secção lithographica.

No Deposito Geral da Thesouraria, no 1.º pavimento, admira-se a magnifica

installação, a primeira da America do Sul. Consta de duas secções

independentes, uma para a moeda e a outra para o sêllo. As portas, de

ferro, abrem por meio de relogios, aos quaes dá-se corda na vespera, não

se podendo abrir nem com a propria chave, antes da hora marcada. Em Maio

de 1908, continha 200 mil contos de réis, em metal e sêllos.

* * * * *

_=Rua do Ouvidor=_—Esta arteria publica, a mais movimentada e

caracteristica do Rio de Janeiro, tem setecentos metros de extensão

desde a rua do Mercado ao largo de S. Francisco de Paula. A designação

porque continúa a ser popularmente conhecida, não obstante haveram-n’a

chrismado em rua Moreira Cesar, data de 1780, e provem do facto de ahi

ter morado o ouvidor (magistrado) da capital do Brasil colonial, Berquó

da Silveira.

Atravessa as ruas Primeiro de Março, da Quitanda, a Avenida Central,

e as ruas Gonçalves Dias e Uruguayana. Apesar da grande concorrencia

que principia a fazer-lhe a sua visinha, a magestosa Avenida, esta

curiosissima arteria continua a ser o _club ao ar livre_, como lhe

chamam, isto é, a reunião da sociedade elegante dos dois sexos, que

encontra-se e troca impressões nos passeios, no meio da rua, que não

é transitada por vehiculos, e ás portas dos estabelecimentos de luxo,

especialmente das casas de modas, redacções de jornaes, tabacarias, cafés

e confeitarias. Em nenhuma outra cidade do mundo ha assim uma rua com um

feitio tão original, tão intima, interessante e encantadora.

* * * * *

_=Senado=_—Occupa, na face occidental da actual Praça da Republica,

o edificio construido e offerecido, em 1810, por uma commissão de

negociantes da Bahia, ao conde dos Arcos. A sua adaptação a Senado

realisou-se em 1824, comprando-o o governo imperial ao procurador do

conde, por 44:568$000 réis. A 1.ª sessão teve logar em 6 de Maio de 1826.

Em 1831 foi a casa abandonada por ameaçar ruina, passando o Senado a

funccionar no edificio da Relação, na rua do Lavradio.

Reedificou-se o antigo palacete que foi reaberto em 1835. Damnificado, em

breve, pelo cupim, passou de novo o Senado a occupar a casa da Relação,

até que reedificou-se o edificio actual, sob a direcção do engenheiro

Miguel de Frias e Vasconcellos. O interior é pobremente decorado. A

sala das sessões é modestissima. Tem 68 cadeiras e algumas galerias e

tribunas. É construcção interior e exteriormente indigna e impropria da

séde da primeira assembleia legislativa do Brasil.

Pelas salas ha algumas pinturas, bustos e retratos de personagens e de

oradores celebres.

* * * * *

_=Bolsa=_—Este palacio occupa a area de dois mil metros quadrados, na

rua Primeiro de Março, confinando com a rua General Camara, a rua do

Visconde da Itaborahy e uma passagem que a separa do edificio do Correio

Geral. Iniciou a sua construcção, em 1880, o architecto Francisco Joaquim

Bettencourt da Silva, terminando-a, ultimamente, o engenheiro civil José

Valentim Dunhan.

Pertence á Associação Commercial do Rio de Janeiro. O chefe da Camara

Syndical de correctores de fundos publicos, preside diariamente á venda

de papeis de credito, que effectua-se em uma vasta rotunda, ao centro do

magnifico _hall_. As dependencias do edificio são amplas e numerosas,

destacando-se a bibliotheca, que é importante, o archivo, o salão de

leitura e a sala das sessões.

A Associação Commercial foi fundada em 9 de Setembro de 1834, com o

titulo de Sociedade dos Assignantes da Praça do Commercio.

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_=Camara dos Deputados=_—Ha cêrca de 80 annos que existe este casarão,

tendo primitivamente servido de paço municipal e de cadeia.

Esta era no pavimento terreo e n’ella esteve encarcerado Joaquim José

da Silva Xavier, o Tiradentes, álem de outros prisioneiros notaveis.

A camara dos deputados funcciona n’este edificio, desde 1823. Tem a

construcção soffrido varios remendos, mas fica sempre com o mesmo aspecto

lugubre e mesquinho, absolutamente impropria para o fim que serve.

Admira como na actual quadra, de assombrosos melhoramentos fluminenses,

ainda não se começásse a edificação de um palacio proprio á reunião dos

representantes do povo brasileiro.

O pavimento superior é occupado pela Camara, e no rez-do-chão estão a

Caixa Economica e o Monte de Soccorro. A construcção não pertence a

nenhum genero de architectura. O salão, pouco amplo e muito simples, é

ladeado por galerias, para o publico, e por tribunas para senhoras e

para o corpo diplomatico.

* * * * *

_=Alfandega=_—Grande edificio que occupa toda a rua do Visconde de

Itaborahy, do lado do mar. Foi construido em 1817, pelo risco do

architecto francez Grandjean de Montigny.

Encerra 14 vastissimos armazens.

O corpo principal foi, até 1821, séde da Praça do Commercio, ou Bolsa.

A renda mensal e actual da alfandega do Rio de Janeiro é, na média, de

sete mil contos. Regula por quatro milhões de volumes, o movimento annual

dos armazens.

* * * * *

_=Canal do Mangue=_—É uma das curiosidades da capital brasileira.

O seu nome vem da planta _Eugenia Nitida_, vulgo _mangue_, que cobria um

enorme pantano onde a população do bairro despejava as immundicies das

habitações. Foi começado em 1855 e terminado em 1860, sob a direcção do

Barão de Mauá.

Não tendo, porém, declive sufficiente para facil communicação com o mar,

procede-se actualmente á sua completa transformação e aformoseamento. O

canal tem a extensão de 2:600 metros, desde a praça Onze de Junho até

ao mar. É em duas rectas, a 1.ª de 1:200 e a segunda de 1:400 metros.

Quadrupla fila de elegantes e gigantescas palmeiras sombreia e embelleza

a 1.ª recta, prolongando-se pela 2.ª secção em dupla fila. Tanto a

transformação d’este canal, como a esplendida avenida que o margina, do

lado direito, fazem parte das obras do porto do Rio de Janeiro.

* * * * *

_=Supremo Tribunal Federal=_—É esta uma das mais bellas, artisticas e

monumentaes construcções do Rio actual. Ergue-se na rua Primeiro de

Março e é um palacio de marmore e de granito, primitivamente destinado e

edificado para séde do Banco do Brasil.

Foi seu architecto Paulo Schroeder.

* * * * *

_=Repartição Geral dos Telegraphos=_—É o historico palacio construido,

em 1743, por ordem do 59.º Governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de

Andrade, depois Conde de Bobadella. Occupou-o elle proprio e, a seguir,

installaram-se ahi mais sete governadores, já então vice-reis do Brasil.

Em 1808 occupou-o D. João VI, quando fugido de Portugal, e desde 1822 a

1889, foi palacio imperial. D’ahi embarcou para o exilio, na madrugada

de 16 de Novembro de 1889, o imperador D. Pedro II, acompanhado por sua

familia. Sob o ponto de vista historico é este o mais notavel edificio da

capital da Republica.

Exterior, como interiormente, nada contem de apreciavel.

* * * * *

_=Prefeitura=_—Ha dois edificios, occupados pelas duas instituições que

constituem a Prefeitura, a saber o Conselho Municipal e a Municipalidade.

O primeiro está installado em um elegantissimo predio da rua Treze de

Maio, outr’ora escóla publica. Foi restaurado em 1895.

A Municipalidade, ou Prefeitura, funcciona em um vasto edificio da Praça

da Republica, lado oriental. Álem de varias salas e salões, amplos e bem

decorados e guarnecidos, a Prefeitura encerra uma importante bibliotheca.

Em 1904, a receita municipal foi de réis 28:302:269$242, e a despeza de

28:217:890$888 réis.

Em 1905, foi a receita de 23:834:861$000 réis, e a despeza de

23:807:521$463 réis.

* * * * *

_=Imprensa Nacional=_—Este amplo edificio, com 89 metros de frontaria,

foi mandado construir, em 1877, pelo Visconde do Rio Branco, então

ministro da fazenda, para installação da Typographia Nacional, com todos

os seus serviços annexos e derivados.

Occupa uma area de 8:148 metros, e prolonga-se desde a estação da

Companhia Carril Carioca, até ao Theatro Lyrico. O dr. Antonio de Paula

Freitas, engenheiro, dirigiu as obras. A architectura é em estylo

gothico-inglez.

* * * * *

_=Correio Geral=_—Esboçou o plano d’este edificio, o constructor Pedro

Bosisio, por conta do ministerio da Fazenda e de accôrdo com a Associação

Commercial. Afinal esta collectividade, que tinha de occupar um dos

pavimentos, edificou casa á parte. A obra do Governo tem 40 metros de

frente por 39 de fundo, dirigindo os trabalhos o dr. Antonio de Paula

Freitas. O estylo architectonico é o do Renascimento, vendo-se no

pavimento do rez-do-chão os caracteristicos da ordem jonica, no andar

nobre os da ordem corinthia e no 3.º pavimento os da ordem composita.

Também ahi funcciona a Caixa de Amortisação.

* * * * *

_=Mercado Novo=_—Tambem chamado Central. É novissimo, pois foi inaugurado

em 15 de Fevereiro de 1908.

Foi construido para substituir o mercado Velho, situado na praia do

Peixe. O novo occupa a praia de D. Manuel. É de ferro e vitraes, tendo

8 portões, 4 nos angulos e 4 lateraes. Ao centro, eleva-se um elegante

pavilhão com torre e relogio. É muito arejado, asseiado e cortado de

ruas calçadas a parallelipipedos. O centro é ajardinado. Destina-se esta

construcção, a unica do Rio de Janeiro, no seu genero, á venda de peixe,

carne e legumes. Em diversos bairros da cidade, ha mercados provisorios,

em plena rua, até ás 9 horas da manhã.

* * * * *

_=Banco da Republica=_—Foi fundado em 12 de Outubro de 1808, com o titulo

de Banco do Brasil, e com o capital de tres milhões de cruzados, em 1:200

acções de um conto de réis, cada uma. Começou a negociar em 1809, em uma

casa da rua Direita, esquina da rua de S. Pedro.

Por alvará de 20 de Outubro de 1812, o Governo constituiu-se accionista

com cem contos annuaes, producto de novos impostos, no intuito de

auxiliar o Banco.

Em 1815 foi o estabelecimento mudado para outro predio, na mesma rua.

A 16 de Fevereiro de 1816, foram mandadas estabelecer agencias, d’este

Banco, na Bahia e, a seguir, em outras provincias.

Esteve quasi fallido, em 1821, em consequencia de um activo de cinco mil

contos contra um passivo de seis mil, sendo reorganisado pelo Governo,

em 1823, que o auxiliou com mil e duzentos contos. Alem disso o Estado

permittiu que o Banco emittisse bilhetes de 4, 6, 8 e 12$000 réis.

Por causa dos supprimentos feitos pelo Banco ao Governo, durante as

guerras do Sul, a assembleia geral dos accionistas recorreu ao Governo,

que contractou com o Banco pagar-lhe a divida com nova emissão de notas,

proporcional á mesma divida. Esta medida desacreditou o Banco.

Por carta de lei de 23 de Setembro de 1829, foi mandado liquidar, e

definitivamente dissolvido em 3 de julho de 1848. Por decreto de 2 de

Julho de 1851, foi creado um novo Banco do Brasil, com o capital de dez

mil contos, dividido em 20:000 acções de 500$000 réis cada uma, começando

as operações a 21 de Agosto, na casa n.º 143 da rua da Quitanda.

Em 12 de Julho de 1853, este Banco foi fundido com o Commercial,

sob o titulo do Banco do Brasil. Foi installado no actual edificio,

especialmente construido, situado na rua da Alfandega, esquina da rua da

Candelaria, em 10 de Abril de 1854. O capital do 3.º Banco do Brasil, era

de trinta mil contos, divididos em 150:000 acções.

Esse capital foi depois elevado a 33:000 contos, divididos em 165:000

acções de 200$000 réis cada uma.

O primeiro ministro da Fazenda, da Republica, o dr. Ruy Barbosa,

reformou-o em 1890, sob a designação de Banco da Republica dos Estados

Unidos do Brasil, concedendo-lhe a faculdade emissora, ao principio com

caracter privativo, ampliando-a depois a outros estabelecimentos de

credito.

Foi o abuso d’esta faculdade que produziu o _ensilhamento_, causa do

atrazo e do descredito das finanças brasileiras.

* * * * *

_=Casas de Correcção e de Detenção=_—A primeira funcciona em edificio

proprio, construido de 1835 a 1840, na rua do Conde d’Eu. A segunda,

proxima da antecedente, foi inaugurada em 20 de Abril de 1856. Este

estabelecimento é, hygienicamente, superior á Casa de Correcção, porém

ambos estão mal situados. A primeira d’estas casas é uma especie de

penitenciaria para trabalhos forçados e galés perpetuas. A segunda

é apenas o deposito de presos das esquadras de policia, até que são

julgados.

* * * * *

_=Palacio Episcopal=_—Foi edificado de 1701 a 1715, pelo bispo D.

Francisco de S. Jeronymo, no local da ermida da Conceição e de uma casa

habitada por alguns religiosos francezes. Reformou-o o bispo D. José

Joaquim Justiniano.

É um casarão sem architectura alguma definida, mas que occupa uma

bellissima posição topographica, no alto do morro da Conceição, de onde o

golpe de vista é maravilhoso para a cidade, a bahia e os arrabaldes.

A decoração interior é modesta, notando-se alguns retratos e bustos de

prelados e monarchas.

Estabelecimentos Scientificos

_Observatorio_—Occupa o vértice do morro do Castello e foi fundado no

reinado de D. Pedro I.

Servem ás suas installações as dependencias de um antigo estabelecimento

de jesuitas, que nunca foi concluido. Torre mobil de duplo tecto, com

instrumentos thermometricos e barometricos. Installação especial com

apparelhos de precisão de horas.

Avulta um de Bamberg, Allemanha, que importou em 4:200$000 réis.

Pavilhão com cupula mobil, de madeira e ferro, onde está installada a

pequena equatorial, com 25 centimetros de objectiva. Ha outra, com 33

centimetros, que está desmontada.

Pavilhão com a installação de meridianos modernos e aperfeiçoados, não

obstante prestar ainda serviços um apparelho de 1849.

Secção especial de preparo de chronometros de bordo.

Torre de ferro com balão, que sóbe e dispara precisamente á 1 hora da

tarde. Deposito de instrumentos varios.

Salão com a bibliotheca especial do estabelecimento, em mais de 20:000

volumes. Sismographo, interessante apparelho que marca, com precisão,

todos os phenomenos sismicos que se produzam em qualquer parte do mundo.

Ha ainda outro instrumento d’este genero, com o peso de 500 kilos.

Apparelho para registo de electricidade atmospherica.

Amplo terraço, ladrilhado a tijolo, cota esplendorosa vista da bahia, da

barra e da cidade.

Nas paredes e torreões vê-se o signal das balas disparadas pelos navios

da esquadra revoltada, do contra-almirante Custodio José de Mello.

* * * * *

_Faculdade de Medicina_—Este estabelecimento scientifico, que teve a sua

origem no decreto de 5 de Novembro de 1808, mandando fundar, no Hospital

Real Militar, uma escola anatomica, cirurgica e medica, está, ha quarenta

annos, a funccionar em um velho pardieiro que tem entrada pelo largo da

Misericordia.

É faculdade desde 3 de outubro de 1832. Comprehende os cursos de

medicina, obstetrica, pharmacia e odontologia. Tem bibliotheca da

especialidade e laboratorio de chimica.

* * * * *

_Escóla Polytechnica_—Esta instituição teve a sua origem em 1699, quando

o governo da metropole mandou estabelecer, no Rio de janeiro, uma aula de

fortificação. Em 1810, estando D. João VI na capital do Brasil, tratou-se

de installação condigna para este estabelecimento, já então reformado

em Academia Real Militar, sendo aproveitados os alicerces e as paredes,

até meia altura, da egreja cuja construccção estava, havia annos,

interrompida e que era destinada a cathedral. Em 1812 foram inauguradas

as aulas n’esse novo edificio, que é o actual, varias vezes modificado,

no largo de S. Francisco de Paula, defronte da rua do Ouvidor. É de

alvenaria sem estylo architectonico.

Em 9 de Março de 1842, o ministro da guerra, José Clemente Pereira,

transformou o estabelecimento em Escóla Militar.

Tres capitaes · 第 4 / 24 段