Ruy de Nellas, contente do feito, mas não seguro ainda, scismava na
escolha do convento em que devia encerrar Christina, quando o padre João
Ferreira chegou de dizer missa. Chamado a dar seu voto, o sacerdote
respondeu que obedecia, mas não aconselhava; que iria onde s. ex.ª o
mandasse negociar a reclusão de D. Christina, mas declinava de si o
minimo de responsabilidade em uma violencia, sobre inutil, perigosa.
Excitado pela colera, o fidalgo foi de encontro á prudencia do padre com
termos rudes; mas a humildade do servo paciente despontou-lhe as iras, e
introverteu-lh’as no seio em arrependimento. Ruy quasi lhe supplicou o
seu voto. Padre João repetiu o que dissera, e contou a situação em que
deixara Casimiro Bettancourt. Outra vez se irou o fidalgo, ouvindo o tom
lastimoso com que o padre fallava do filho do major; porém, não sabemos
dizer porquê, marejaram-se-lhes de lagrimas os olhos, quando o clerigo
disse:
—Agora vou ver se encontro o desgraçado ahi pela serra, que não vá elle
tentar contra a vida, e, matando-se, legar a v. ex.ª uma tristeza pezada
de mais para seus annos e sua nobre alma.
Sahiu o padre, e, ao anoitecer, encontrou Casimiro deitado na terra
humida, com a cabeça na pedra, e o rosto chammejante de febre. Agitou-o,
ergueu-o, amparou-lhe os passos, até o trazer á estrada, e d’ahi quasi em
braços a casa do carpinteiro.
Conversaram até altas horas da noite. Casimiro ouviu as ultimas palavras
do padre, e disse:
—Farei a sua vontade.
A vontade de padre João era que elle sahisse de Pinhel, e fosse a
Bragança assentar praça. A resistencia de Casimiro fôra pertinaz,
até ao derradeiro golpe, que o padre lhe descarregou, dizendo que a
demora d’elle em Pinhel seria a causa á clausura de Christina. Casimiro
sentou-se no catre, embebeu o suor frio da face na dobra do lençol, e
exclamou:
—Irei.
E foi cinco dias depois, caminho de Bragança; mas, ao fim do primeiro
dia de jornada, adoeceu perigosamente. O sangue refervido no peito
principiava a vulcanizar-lhe a cabeça. Deram-lhe uma enxerga, n’uma
taverna de Escalhão, e um padre que, em virtude de o ter confessado e
ungido, pôde saber que o viandante era de Pinhel e se chamava Casimiro
Bettancourt.
O carpinteiro ergueu mão do trabalho, embolçou as economias do seu
mealheiro, e foi caminho de Escalhão. O anjo do amor estava á cabeceira
do enfermo repellindo a morte. O coração repuchára a si a onda escaldante
de sangue, que banhara o cerebro, e espedaçava-se para deixar resurgir a
rasão. O artista esteve nove dias e nove noites ao lado de seu sobrinho.
Quando se lhe acabaram os escassos recursos, que levára, empenhou a cruz
de prata, que trazia ao peito; e pediu primeiro ao Crucificado que lhe
désse a vida do sobrinho de sua mulher.
Ao decimo dia, o carpinteiro construiu uma camilha n’um carro de lavoura,
e Casimiro, convalescente, foi transportado a Pinhel.
Ruy de Nellas e suas filhas, tirante Christina, passeavam n’uma alameda
fóra da povoação, quando o carro chegou. O carpinteiro, que caminhava
lentamente apoz o carro, descobriu-se, á vista do fidalgo, e disse:
—Guarde Deus a v. ex.ª, sr. compadre.
—Que levas ahi, Antonio?—disse o fidalgo.
—É meu sobrinho.
—Teu sobrinho?—Disseram-me que tinha ido assentar praça. Querem ver que
elle foi ferido em alguma batalha?
—O sr. compadre está a mangar com os pobres!... respondeu o carpinteiro
com um sorriso mais de pungir que propriamente a injuria.
N’este lanço, Casimiro Bettancourt affastou a ourella da manta, que
formava o pavilhão do carro, pôz fóra o rosto macerado, e disse:
—Sr. Ruy de Nellas, quem me feriu na batalha foi a espada da honra. Agora
vou eu travar uma batalha com o orgulho de v. ex.ª: veremos quem é o
vencido.
—Ora, sôr Casimiro!—replicou o fidalgo galhofando sarcasticamente—as suas
ameaças tem muita graça... passe muito bem.
E proseguiu no passeio, chibatando, com ares de Tarquinio ou Pombal, as
florinhas que se abriam por entre o ervaçal que arrelvava a alameda.
—Chama lá os bois, moço!—disse o artista ao carreiro.
Christina encerrada voluntariamente em seu quarto, nem de suas irmãs era
já bem vista. As outras senhoras, como izemptas e intactas de coração,
conservavam os espiritos excelsamente afidalgados, e levavam muito a mal
que sua irmã as quizesse aquinhoar no desdouro de um casamento desegual.
O fidalgo obrigára Christina, nos primeiros dias, a tomar o seu lugar na
meza commum; como visse, porém, que ella escandalisava a familia com suas
lagrimas ordenou que lhe levassem as criadas os alimentos ao quarto. E
assim se finava a pobre menina, desconsolada da voz humana, e descrida da
misericordia divina.
Peregrina, a sua confidente, a sua alegria, tinha ido com o irmão para S.
Julião da Serra. Queria escrever-lhe: mas que portador ousaria levar-lhe
a carta? Pensava em fugir para ella; mas com quem, com que recursos? A
não ser ella, quem faria chegar ás mãos de Casimiro as suas cartas, o
adeus sùpremo de sua alma, ao arrancar da vida? Respondia-lhe o calado
pavor da soledade ao afflictivo interrogatorio, em que se debatia, e já
por fim, desesperava.
Havia na caza um criado moço, que Casimiro Bettancourt ensinára a lêr
nas horas feriadas dos domingos. Nunca os dous namorados fiaram d’elle
segredos seus; mas o muchacho, que era atravessado, adivinhava o que não
via, e espreitava para examinar se tinha adivinhado.
Soube elle que o seu mestre de leitura chegára doente n’um carro, viu que
o fidalgo e as meninas andavam a passeio, foi de corrida a caza, bateu
de mansinho á porta do quarto de Christina, e disse-lhe pelo espelho da
fechadura:
—Fidalga, o sr. Casimiro chegou agora doente n’um carro.
Christina espediu um grito, e abriu a porta.
—Vem cá!—disse ella ao rapasito, que se ia escapulindo.—Que disseste?
Viste o sr. Casimiro?
—Vi-o descer do carro nos braços do tio Antonio carpinteiro. Vem amarello
como uma cidra.
—Tu és nosso amigo, José?—perguntou ella offegante.
—Sou, sim, senhora.
—Levas-lhe um bilhete?
—Dê-o cá, fidalga.
—Espera, que eu vou escrevêl-o... O melhor é tu ires esperar no pateo,
que eu lanço-t’o da janella, que não vá ver-te alguem aqui no corredor.
O mocinho esperou um quarto de hora, e levou a carta a Casimiro, que
respondeu logo.
Este rapaz de nove annos faz lembrar o mosquito que matou o leão, e o
braço fundibulario que derribou o gigante. Ahi estão a vigilancia e
omnipotencia de Ruy de Nellas Gamboa de Barbedo, senhor solarengo mais
velho da Beira Alta, anniquilladas pela intervenção do pegureiro, que o
senhor feudal nunca distinguia dos carneiros que apascentava!
O effeito das primeiras cartas foi uma transfiguração maravilhosa no
semblante de Christina e Casimiro. Já ella punha as mãos e ajoelhava a
orar: é certo que, pelo ordinario, attribuimos ao demonio o mal acintoso,
que o mundo nos faz, e agradecemos a Deus o bem casual ou intencional que
nos faz o mundo. Tudo isto redunda em elogio de Deus e nosso.
Ruy entrou pensativo em casa, dizendo entre si: «Mal fiz em a não metter
no convento; mas ainda não é tarde.»
Mandou vir á sua presença os creados e creadas, excepto o José-pastor,
como lhe chamavam. O rapasito ainda não gosava honras de creado
appellavel para assumpto grave. Declarou o fidalgo que faria entrar
n’uma cadeia o servo ou serva, que levasse ou trouxesse cartas entre sua
filha e Casimiro. Os creados innocentes e impeccaveis n’esta materia—por
isso que zelavam a fidalguia do seu amo contra o plebeismo do sobrinho
de mestre Antonio—juraram de espreitar os passos de Casimiro, e, em
testemunho de sua probidade, offereceram-se a quebrar-lhe as costellas,
sendo necessario.
Ruy de Nellas despediu-os satisfeito, e disse entre si: «Tanto faz tel-a
fechada em casa, como no convento. Parece-me até que está mais segura
aqui.»
José-pastor ouviu a creadagem na cosinha discorrer ácerca da
recommendação do fidalgo, e fez que não intendia. D’ahi a pouco, andava
elle no pateo a escrever com um pau carbonisado o seu nome nas lages
pollidas, e de vez em quando olhava, por debaixo do avental de saragoça,
contra a janella de Christina.
Viram-se. E elle escreveu a palavra _carta_, olhando de revez e
indicativamente para a menina. Fez ella um gesto de intelligencia, e elle
aspou a primeira palavra com os pés, e escreveu n’outra lage: _telhado_.
Outro signal de comprehensão, e logo outra palavra: _torre_, e depois
_trapeira_.
Queria isto dizer que elle ia ao postigo de uma especie de pombal, que
lá chamavam _torre_; que lançava de lá a carta ao telhado; e que fosse
Christina á trapeira, superior ao seu quarto, e colhesse a carta.
Sahiu-se excellentemente com a traça, e até sobreexcedeu o programma;
porque a menina, recebendo uma, atirou outra carta á base da torre, e o
rapasinho, que era optimo volatim em esgalhos de arvores, pendurou-se
pelos pés no banzo do postigo, e com um troço de uma aguilhada de seu uso
pastoril arpoou o papel. Estas habilidades é que Casimiro Bettancourt lhe
não havia ensinado com as primeiras lettras. Se a instrucção primaria
lh’as desenvolveu, isso é materia para mais dilatadas e opportunas
pesquizas.
Aligeirando o alcance d’estes successos, até ao ponto em que os
deixamos na vigairaria de S. Julião da Serra, direi que a fuga estava
pactuada desde as primeiras cartas, que se trocaram. As apostillas
subsequentes versavam sobre qual caminho e destino convinha seguir.
Casimiro lembrava-se do condiscipulo de collegio a quem devia o favor de
dinheiro com que jornadeára de Lisboa a Pinhel. Presumia elle que, se
fugissem para Lisboa, e procurassem aquelle amigo, achariam protector
para alcançar-se um emprego. Mas um fio de espada lhe cortava por alma
e coração, quando a nevoa negra da pobreza se lhe punha diante da
esplendida aurora do seu dia feliz. Quem lhes daria meios para caminharem
até Lisboa?
Como adivinhando esta pergunta, Christina propunha que fossem a S. Julião
da Serra, casassem lá, e pedissem ao padre João recursos para fugirem á
perseguição, até que Deus lhes acudisse.
N’estes dias revesados de alegrias e amarguras, para elles, que já tinham
aprasado o da fugida, o carpinteiro recebeu carta do filho, estabelecido
no Brazil, e o primeiro donativo de dinheiro. Quando Casimiro viu ouro
em mãos de seu tio, apertou o artista ao seio, e disse-lhe com os olhos
cheios de esperança e lagrimas:
—Empreste-me parte d’esse dinheiro, que é o preço da minha felicidade.
—Se é o preço da tua felicidade, ahi o tens todo—respondeu o carpinteiro,
lançando as peças sobre a meza.
—Menos de metade me basta—replicou Bettancourt.
—Pois toma d’aqui o que quizeres; mas conta-me o que vaes fazer.
Casimiro, temeroso da probidade de seu tio, nunca lhe havia revelado
o plano do rapto. Prudente receio era o seu. Mestre Antonio, bem que
estomagado das soberbas de seu compadre, não consentiria que seu sobrinho
o vingasse por semelhante meio. A ida de seu filho para o Brazil devia-se
em parte á generosidade do padrinho, que lhe déra enxoval e algum do
dinheiro da passagem. O mesmo fidalgo o ajudára a comprar o fato de
Casimiro, sem querer que o moço soubesse a obrigação em que ficava.
Mestre Antonio, além d’isto, reprovava o ousio de seu sobrinho em
inquietar uma menina talhada para marido de outra linhagem e haveres. Não
dominava ainda n’aquella epocha a aristocracia das artes, inchada hoje
com uns descomedimentos de orgulho, que prevalecem propriamente sobre os
da aristocracia de nascimento; de modo que a gente sisuda lastima que o
artista não seja bem creado para sustentar o seu real valor, sem andar
a todas as horas, de arremettida contra as distincções herdadas. Agora,
importuna a philaucia do artista; logo anoja a humilhação a que se desce.
Cingindo-me ao ponto: Casimiro reteve ainda o seu segredo, sophismando-o
d’est’arte:
—Eu vou continuar em Coimbra ou Lisboa o meu curso de mathematicas para
seguir a vida militar mais vantajosamente. Bem sei que este dinheiro
a pouco chega; mas espero achar, sem baixeza, recursos em mim proprio
para me alimentar. Ensinarei particularmente o que sei, e com o pequeno
salario me irei remindo.
—Se é isso, Casimiro—redarguiu mestre Antonio—leva o dinheiro todo, que
eu tanto faço com elle como sem elle. Assim como assim, duzentos mil
réis não me quitam de trabalho. Gosto bem de te ver botado ao caminho da
vida. Vai, moço; que o mundo é p’rós homens. Teu pai sahiu d’aqui com
duas camisas n’uma trouxa, sentou praça, e morreu major na flôr da idade:
teria quarenta annos. Se não morre, e o seu partido vinga, podia acabar
general. Tira-te d’aqui d’esta aldeia, homem! Tu tens lá umas ideias que
precisam de terras grandes. Vai-te á vida que eu cá estou com o meu pouco
para te acudir nas necessidades. Logo que teu primo mande mais dinheiro,
lá irá ter onde estiveres. Se um dia tiveres de teu, e eu já não poder
com o machado, então me irás pagando como poderes.
Casimiro debulhava-se em lagrimas, abraçado ao carpinteiro, que embebia
as suas no canhão da jaqueta de saragoça remendada nos cotovellos.
Aquella jaqueta deshonrar-se-ia grandemente se a puzessem á beira de
muitas fardas batidas a ouro e coalhadas de veneras!
Era como picar de remorso o doer-se de Casimiro. Mentir assim aquelle
velho tão bom, tão franco, tão desprendido, tão pobre!
Não importa! A sua paixão absolve-o já; o homem honrado e illudido
absolvel-o-ha depois.
Tinha, pois, Casimiro dinheiro para a fuga; d’isto avisou Christina; a
menina, porém, instava pelo casamento em S. Julião da Serra, e o moço, de
vontade e coração, condescendia, e desejava assim tão abrasadamente como
ella.
Ruy de Nellas encontrou o carpinteiro, e não lhe fallou, nem respondeu á
saudação com um gesto sequer.
—Porque está de mal commigo, sr. compadre?!—perguntou o operario com
magoada submissão.
—Porque és um ingrato!—bradou o fidalgo.
—Ingrato, senhor! Nemja isso! Deus me não ajude, se eu sou ingrato a v.
exª!
—Tens ahi teu sobrinho, que deu um pontapé no seu bemfeitor, e causou a
desgraça de minha filha, e a tristeza de minha casa!
—Meu sobrinho, sr. compadre, fez mal, é verdade; mas o mal está
remediado. Meu sobrinho vai-se embora por estes dias. Vai para Lisboa
continuar os seus estudos. Leva duzentos mil réis que eu recebi do meu
filho e afilhado de v. ex.ª, e por lá ficará até se fazer homem como meu
cunhado.
Ruy de Nellas deu um grande suspiro de desabafo, e disse:
—Fallas-me verdade?
—Como quem se confessa, fidalgo.
—Então compadre, o dito por não dito. Se eu soubesse que elle estava
ainda em tua casa, por falta de meios, o dinheiro dava-t’o eu, sem elle o
saber. Quando é que vai?
—Estão-se fazendo umas camisas, e, o mais tardar no fim da semana, vai
com Deus.
N’este dia á noute, Ruy disse a uma das filhas:
—Vai ao quarto de tua irmã, e diz-lhe com bons modos que venha tomar
chá comnosco. A tempestade está a passar: é preciso que a trateis, como
d’antes, d’aqui por diante.
Christina, maravilhada da brandura de sua irmã, desceu á sala, e beijou a
mão paternal, que se lhe offerecia com affavel sorriso.
Tomou chá trocou leves palavras com suas irmãs, e volveu ao seu quarto,
onde desvelou a noute, scismando na transfiguração de seu pai.
A horas de almoço, passou Ruy de Nellas no corredor contiguo ao quarto de
Christina, e disse-lhe tocando na porta:
—Vai o almoço para a meza, menina.
Christina estremeceu, e sumiu entre os cobertores a carta, que estava
escrevendo, cujo periodo mais importante era assim:
«....... Como penso que terei liberdade de descer ao jardim ao fim da
tarde, sahirei pela porta da quinta, que abre para a estrada. Se me
enganar, então ámanhã te avisarei......................................
.......................................................................
.................................
Não se enganára.
O caricioso pai sahiu com ella e suas irmãs a passear depois do almoço.
Amimou-a, depois de jantar, brindando-a com um vestido de tafetá azul
para festa dos annos da morgada. Ao fim da tarde viram-n’a sahir ao
jardim, e a mais abelhuda das irmãs disse:
—Papá, olhe que a Christina vai só...
—Deixal-a ir. Coitada! o inverno já lhe desfolhou as rosas que ella ha um
mez ainda regava!... Vai ver as suas plantas... Pobre filha, que pena me
faz vêl-a tão abatida!...
Christina demorava-se e o vento assobiava, impellindo contra a janella
borrifos de chuva.
—Vossa irmã, já está no seu quarto?! Vão ver.
As meninas alvoroçadas vieram dizer que no quarto não estava ella nem a
capa.
—Pois não viram que ella saiu de capa ao jardim?—reflectiu o pai.—Vamos
ao jardim, que ella deve lá estar abrigada da chuva... ou (ajuntou elle
no silencio de seu coração) escondida a chorar... pobre menina!
Espreitaram todos os escuros do arvoredo, chamando-a a brados. O fidalgo,
esporeado por diabolica suspeita, correu á porta do carro, e achou-a
aberta.
—Fugiu!—exclamou elle. Os criados que saiam todos por essas estradas,
e... que o matem!
E os criados sahiram todos na ideia... de o matarem!
Até o José-pastor lá ia na chusma, clamando que queria tambem matar o
ladrão da fidalga, e teimava que via as pegadas da menina lá por uns
caminhos onde ninguem via cousa nenhuma!
A estas horas, Christina e Casimiro transmontavam o cabeço da primeira
serra, que descia para umas gargantas intransitaveis.
Na ante-vespera, palmilhara Casimiro o terreno menos trilhado, e
orientara-se cabalmente da direcção que devia seguir até assomar á serra
visinha de S. Julião.